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Canal de JOSÉ FERNANDES CASTRO em parceria com RÁDIO MIRA

RÁDIO apadrinhada pelo mestre *RODRIGO*

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AS LETRAS PUBLICADAS REFEREM A FONTE DE EXTRAÇÃO, OU SEJA: NEM SEMPRE SÃO MENCIONADOS OS LEGÍTIMOS CRIADORES
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ATINGIDO ESTE VALOR // QUE ME FAZ SENTIR HONRADO // CONTINUO, COM AMOR // A SER SERVIDOR DO FADO
POIS MESMO DESAGRADANDO // A TROIANOS MALDIZENTES // OS GREGOS VÃO APOIANDO // E VÃO FICANDO CONTENTES
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Cruz de guerra

Armando Neves / Miguel Ramos *quadra-versículo*
Repertório de Berta Cardoso 


Quando vieram dizer... à pobre mãe
Que seu filho tinha morrido... lá na guerra
Ela ajoelhou a tremer... sentindo bem
O desgosto mais dorido... que há na terra 


Trouxeram-lhe a cruz de guerra... que seu filho
Como valente soldado... merecera
E sobre ela a mãe poisou... um olhar sem brilho
Recordando o filho amado... que perdera 


A cruz de guerra pegou... como quem sente
Um reconforto divino... que sonhara
Com ternura a colocou... serenamente
No berço em que pequenino... o embalara 


Pobre mãe, santa do céu.. em pleno inferno
Pôs-se a embalar o berço... e a dizer
Dorme doeme filho meu... o sono eterno
Como eterna é a mina dor... de te perder 


E a pobre mãe rematou... neste contraste
Dorme dorme o sono eterno... filho meu
Por causa da cruz de guerra... que ganhaste
Quantas mães estão chorando... como eu

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Informação de Francisco Mendes e Daniel Gouveia
Livro *Poetas Populares do Fado-Canção*

Cruz de Guerra m versículos para sempre celebrizados na voz de Berta Cardoso, tem a curiosidade 
de fugir, no seu conteúdo, aos fados bélicos onde se enalteciam as qualidades do soldado português 
na I Guerra Mundial (1914-18). Em vez de se limitar à dor própria, ou de encontrar consolo na heroicidade em aniquilar o inimigo – tantas vezes indagada pela família do caído em combate 
«se tinha morrido bem», isto é, com valentia –, esta mãe sente-se solidarizada com a dor 
das mães dos inimigos eventualmente mortos pelo seu próprio filho, condecorado a título póstumo: «Por causa da cruz-de-guerra que ganhaste, / quantas mães estão chorando como eu?!...»: