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<> Ninguém sabe tudo, ninguém ignora tudo, só todos juntos sabemos alguma coisa <> PAULO FREIRE *filósofo brasileiro* 1921/1997
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Vem

Maria Rosário Pedreira / José António Sabrosa *6as*
Repertório de Carminho

Vem essa coisa qualquer
Como seta despedida
Direita ao meu coração
E eu choro e rio sem querer
Nunca de mim tão perdida
Pobre de mim tão sem chão

Que luz è essa que cega / Que desatina, atordoa
Que vem de dentro e m’invade
Que me transforma se chega / Mas quando parte, magoa
Num alívio e saudade

Vem essa coisa tão estranha / Dar-me um laço que desprende
Uma doçura que amarga
E eu pequenina e tamanha / Num corpo que não se rende
A uma estreiteza tão larga

Que graça è essa tão séria / Que corrói até ao osso
E me arde de tão fria
Dá-me tudo, até miséria / Vem meu amor que eu não posso
Viver assim mais um dia