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Rádio apadrinhada pelo mestre RODRIGO

Rádio apadrinhada pelo mestre RODRIGO
CANAL DE JOSÉ FERNANDES CASTRO EM PARCERIA COM A RÁDIO MIRA

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* ATINGIDO ESTE VALOR /*/ QUE ME FAZ SENTIR HONRADO /*/ CONTINUO, COM AMOR /*/ A SER SERVIDOR DO FADO *

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* NASCEU ASSIM... CRESCEU ASSIM... CHAMA-SE FADO // Vasco Graça Moura // Porto 03.01.1942 // Lisboa 27.04.2014 *

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Alice no país dos matraquilhos

Letra e música de Sérgio Godinho
Repertório de Cristina Branco

Mãe fora, em que avenida
Olhos que a perseguem pagam, comem
Pai dentro, lambendo a ferida
Com que o desemprego marca um homem;
E o irmão na caserna puxando às armas brilhos
E Alice no café, habitante do país dos matraquilhos

Na classe dos repetentes, hoje vai haver mais uma falta
Alice cerra os dentes vendo a bola que no ar ressalta
Quer lá saber do exame, quer lá saber da escola
Aguenta no arame, matraquilho nunca cai ao ir à bola

Alice no país dos matraquilhos
É mais do que no bairro onde vive
Tem-te, não cais

Há também Leonor, libertada da prisão há meses
Dizem que é por amor que olha tanto por Alice, às vezes
Pousa-lhe a mão na cara, protege-a de sarilhos
Alice nem repara, viajou para o país dos matraquilhos

E o irmão na caserna, cambaleia entre a cerveja e a passa
Tem o sargento à perna, o tal que compara a guerra à caça
Faz tempo que descobre que é um matraquilho mais
Soldadinho de cobre, matraquilho no país dos generais

Quando se cai na lama ninguém pára pra nos levantar
Por Alice, o pai reclama, a tua mãe não veio p’ra jantar
E os insultos noite fora, desfia-os em chorrilhos
Alice nunca chora, adormece no país dos matraquilhos

E a mãe no Bar do amor passa as horas na conversa mole
Espera o seu protetor, que o seu corpo a ele enfim se cole
Não é que não recorde os que deixou em casa
Mas eis que chega o Ford e dentro vem o seu pavão de anel na asa

Entra então no café um rapaz de capacete em punho
Fica-se ali de pé, escreve num papel um gatafunho
E a Alice vê surpresa, frases que são rastilhos
Como vai sua alteza, rainha do país dos matraquilhos

E tu ainda és o rei, será que vieste em meu auxílio
A bem dizer, já não sei, há tantos anos que ando no exílio
Vamos a um desafio, atira tu primeiro
A vida está por um fio para quem é deste bairro prisioneiro

O café que ali houve é uma loja com ares de modernice
E nunca ninguém mais soube, a não ser a Leonor da Alice
Aqui vai, Leonor, a foto dos meus dois filhos
Se reparares melhor, têm pinta assim, sei lá, de matraquilhos