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6.200 LETRAS PUBLICADAS // 2.028.600 VISITAS // Janeiro 2020

Atingido este valor // Que me faz sentir honrado // Continuo, com amor // A ser servidor do fado.

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Na Ribeira

Daniel Gouveia / Popular *fado corrido*
Repertório de Daniel Gouveia

Já noite alta, na Ribeira
Adormecida ao luar
Uma guitarra fagueira
Sozinha, pôs-se a trinar

Deram quatro badaladas / Ninguém se via no cais
Um gato, como os demais / Em cautelosas passadas
Entre as canastras tombadas / Furtivamente se esgueira
Em remadas de canseira / Uma canoa varou
Nela o pescador ficou
Já noite alta, na Ribeira

Pouco a pouco, um borborinho / Uma algazarra crescente
Fez crer que havia mais gente / Àquela hora a caminho
Era um grupo comezinho / De gente moça a folgar
Com guitarras a tocar / Que à canoa se encostou
Nem no velho reparou
Adormecido ao luar

Levantou-se o pescador / E disse: deixem-se estar
Só é pena eu não tocar / Como toquei, a rigor
Mas deixem ver, por favor / Se esta mão, já mal certeira
Por pescar a vida inteira / Ainda assim me consente
Dedilhar, saudosamente
Uma guitarra fagueira

Nada se ouviu, não mexeram / Aqueles dedos curtidos
Dos olhos, humedecidos / P'lo que as saudades trouxeram
Duas lágrimas correram / P’ra na guitarra tombar
E, qual história de encantar / Ante a turba embevecida
A guitarra, de sentida
Sozinha, pôs-se a trinar