As 5.156 letras publicadas referem a fonte de extração, o que nem sempre quer dizer que os artistas mencionados sejam os seus criadores !!!
---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
<> POR FAVOR, alerte-me para qualquer erro que encontre <>
<> Ninguém sabe tudo, ninguém ignora tudo, só todos juntos sabemos alguma coisa <> PAULO FREIRE
---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
* Por motivos alheios à minha vontade, o motor de busca nem sempre responde satisfatóriamente *

* A seleção alfabética é da responsabilidade da blogspot !!!
* Caso necessite de ajuda envie a sua mensagem para: fadopoesia@gmail.com *
----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------


A zanga do fado

Letra e música Daniel Gouveia
Repertório e José da Câmara c/João Ferreira Rosa

O fado chamou-me há pedaço
Puxou-me p’lo braço e desabafou
Disse: mas que treta é esta
Sou bombo de festa, já fado não sou

Pasmei... o fado chorava
Do lenço puxava, um soluço saiu
Queixou-se que o tratavam mal
Como coisa banal, depois prosseguiu

Estou farto de salas imensas
Com luzes intensas, um som que ensurdece
Cegam-me com projetores
Nos espectadores já ninguém me conhece

Que é feito dos velhos retiros
De bairro, tão giros, com fado a rigor?
Levaram-me para o coliseu
Um dia, sei eu, talvez p’ro Jamor

Rodeiam-me de microfones
Vendem-me aos camones como souvenir
Misturam-se com folclore
Harmónio, tambor, p’ra me consumir

Por mim, desde que nasci
Sempre obedeci a uma tradição
Agora, sinto-me esquecido
Roubado, traído, vendido ao balcão

Eu disse: oiça, Sr. Fado
Quem está do seu lado sempre o adorou
Mas diga a quem bem lhe quer
O que se há-de fazer… e o fado cantou

Pede a quem me anda cantando
Que não esqueça como eu era
Que me defenda estilando
Com brio, com raça, gingando
Como em tempos da Severa

Não esqueçam a minha Hermínia
A Berta e o Correeiro
Maria Teresa, a Ercília
A minha querida Lucília
E o grande Marceneiro

Respondi do mesmo tom / Juro-lhe do coração
Que apesar das coisas novas / Cantaremos suas trovas
Respeitando a tradição

Foi-se embora mais feliz / Com um sorriso aliviado
Virou-se além a acenar-me / Foi tão bom vir visitar-me
Até sempre, senhor fado