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Ninguém ignora tudo, ninguém sabe tudo. Todos nós sabemos alguma coisa, todos nós ignoramos alguma coisa. Por isso aprendemos sempre
PAULO FREIRE *filósofo* 19.09.1921 / 02.05.1997
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Raminho de violetas

E. Sobredo / Mário Martins
Repertório de Sara Pinto

Era feliz no seu casamento
Embora o marido escondesse os sentimentos
Era fechado, tinha cara d’inverno
E ela se queixava de que não era terno

Mas o mistério durava há três anos
Eram cartas de um estranho
Cartas cheias de poesia
Que lhe devolviam a alegria

Quem lhe escrevia versos, ai quem seria
Quem lhe mandava flores num certo dia
Quem é que no seu aniversário
Fazia como os poetas
E lhe mandava um raminho de violetas

Por mais que pense, não adivinha
Quem será aquele que tanto a estima
Porque será que o estranho a não procura
Sorriso aberto e nas mãos a ternura

E nessa angústia sofre em silêncio
Quem pode ser este amor secreto
Sonha com ele de madrugada
Na ilusão de ser desejada

E quando à tarde, regressa o marido
Silencioso, exausto e de si esquecido
Nada lhe diz porque só ele sabe
Que ela é feliz, ignorando a verdade

Porque ele é quem lhe escreve os versos
É o seu amante, o seu amor secreto
E ela que não pode imaginar
Olha o marido e fica a sonhar