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Ninguém ignora tudo, ninguém sabe tudo. Todos nós sabemos alguma coisa, todos nós ignoramos alguma coisa.
Paulo Freire *filósofo* 1921 <> 1997

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Café das camareiras

Gabriel de Oliveira / Manuel Maria Rodrigues / Alfredo Duarte
Repertório de Carlos Macedo

Vou fazer a descrição
Dum café de camareiras
Que havia na Mouraria
Lembrar tempos que lá vão
De fidalgos e rameiras
E cenas de valentia

Os fadistas são atores
O cenário è a ralé / Com isso ninguém se ilude
Nós somos os espectadores
O teatro è o café / Do cantinho da saúde

È bom que ninguém se afoite
Vão dar-se cenas canalhas / Nesses antros de má fé
Eram dez horas da noite
Entrou a rusga às navalhas / P'las portas do café

O Pinóia da guitarra
Fadista bem conhecido / Parou de cantar o fado
Há burburinho, algazarra
E um fidalgo destemido / Negou-se a ser apalpado

Rufias falam calão
E uma camareira esperta / Chegou-se com ligeireza
À beira de um rufião
Sacando a navalha aberta / Que este espetara na mesa

Depois da rusga abalar
Entraram muitas rameiras / Há movimento, alegria
Há fadistas a cantar
Várias cenas desordeiras / Era assim a Mouraria