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Ninguém ignora tudo, ninguém sabe tudo. Todos nós sabemos alguma coisa, todos nós ignoramos alguma coisa.
Paulo Freire *filósofo* 1921 <> 1997

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Fria claridade *J.Braga*

Pedro Homem de Mello / Pedro Rodrigues
Repertório de João Braga 

No meio da claridade
Daquele tão triste dia
Grande, grande era a cidade
E ninguém me conhecia

Rostos, carros, movimentos / Traziam noite e segredo
Só eu me sentia lento / E avançava quase a medo

Só a saudade da pátria / Longínqua, me acompanhava
Quisera voltar à serra / E ouvir o vento e a água brava

Quisera voltar ao bosque / Onde sei que sou lembrado
Voltar às l
eiras de Afife
E ouvir a canção tão mansa / Do pastor que guarda o gado

Mas nas ruas sinuosas / Ainda o rumor crescera
E eu contemplava assombrado

Minhas mãos ontem com rosas / Minhas mãos hoje de cera

Então passaram por mim / Uns olhos lindos, depois
Julguei sonhar, vendo enfim / Dois olhos, como há só dois

Em todos os meus sentidos / Tive presságios de adeus
E os olhos logo perdidos / Afastaram-se dos meus

Acordei, a claridade / Fez-se maior e mais fria
Grande, grande era a cidade / E ninguém me conhecia