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Rádio apadrinhada pelo mestre RODRIGO

Rádio apadrinhada pelo mestre RODRIGO
CANAL DE JOSÉ FERNANDES CASTRO EM PARCERIA COM A RÁDIO MIRA

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* As letras publicadas referem a fonte de extração, ou seja: nem sempre são mencionados os legítimos criadores *

<> 6.365 LETRAS <> 2.245.800 VISITAS <> AGOSTO DE 2021 <>

* ATINGIDO ESTE VALOR /*/ QUE ME FAZ SENTIR HONRADO /*/ CONTINUO, COM AMOR /*/ A SER SERVIDOR DO FADO *

* POIS MESMO DESAGRADANDO /*/ A *TROIANOS* MALDIZENTES /*/ OS "GREGOS VÃO APOIANDO /*/ E VÃO FICANDO CONTENTES *

* NÃO ENCONTRA O FADO PREFERIDO? /*/ ENVIE, POR FAVOR, O SEU PEDIDO * fadopoesia@gmail.com

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* NASCEU ASSIM... CRESCEU ASSIM... CHAMA-SE FADO // Vasco Graça Moura // Porto 03.01.1942 // Lisboa 27.04.2014 *

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A soleira da porta

Carlos Conde / João Maria dos Anjos
Repertório de Daniel Gouveia 

Passei hoje mesmo, à beira
Daquela antiga soleira
Da Travessa dos Quartéis
Que era entrada de uma tasca
Onde o fado, mesmo rasca
Criou nomes e deu leis

Taberna reles, banal / Mas lá dentro, no quintal
Cheiro a iscas, pão e vinho
Dois varais de traquitana / O poço, o musgo, a roldana
E em volta, mesas de pinho

Da Baixa à Rua do Cabo / As tipóias do Zé Nabo
Andavam sempre em despique
E às tantas da madrugada / Inda o fado em desgarrada
Se ouvia em Campo de Ourique

Um faia antigo e de nome / Foi lá comigo e mostrou-me
Como sombra do passado
Uma soleira velhinha / Um quintal de erva daninha
E um tapume abandonado

Não sou do tempo da tasca / Onde o fado, mesmo rasca
Criou nomes e deu leis
Mas quase chorei, à beira / Daquela antiga soleira
Da Travessa dos Quartéis

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Informação de Francisco Mendes e Daniel Gouveia
Livro *Poetas Populares do Fado-Canção*
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A letra seguinte, A Soleira da Porta, poderia ser um paradigma de Carlos Conde. Repare-se no equilíbrio da descrição, cumprindo as regras do conto, género literário bem difícil de nele se atingir 
a excelência, apesar da aparente simplicidade. Não é por ser curto que o conto se torna fácil. 
Pelo contrário, tal como na quadra popular, é pela condensação do efeito de provocar emoções no leitor e, daí, pela necessidade de uma estrutura rigorosa, que o bom conto se torna raro. 
Ora, todas as qualidades necessárias a um conto irrepreensível estão reunidas nesta letra.

Começa por introduzir o leitor/ouvinte na acção e apresentar o cenário em que ela decorre. 
Passa ao desenvolvimento dessa mesma acção, descrevendo-a como um observador externo. 
A seguir, introduz o elemento de surpresa ao revelar-se testemunha directa num tempo posterior, mas no mesmo cenário, passando da evocação para o tempo real, técnica cinematográfica por excelência (flash-back). Finalmente, encerra retomando os versos iniciais, em perfeita simetria formal, declarando uma emoção que, exactamente pelo tom confessional, se transmite ao leitor/ouvinte com toda a intensidade. É a «chave de ouro» com que um bom conto deve terminar.
A terminologia é deliciosamente adequada ao imaginário fadístico castiço, na vertente incensadora dos «tempos que já lá vão», eficaz, objectiva, sem falar de qualidades ou sentimentos humanos, salvo quando o «quase chorei» nos alerta para que todos aqueles objectos inanimados tinham um altíssimo significado emotivo.
Diríamos que estes são Fados de arquitectura perfeita.