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Ninguém ignora tudo, ninguém sabe tudo. Todos nós sabemos alguma coisa, todos nós ignoramos alguma coisa. Por isso aprendemos sempre
PAULO FREIRE *filósofo* 19.09.1921 / 02.05.1997
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As 5.585 letras publicadas referem a fonte de extração, o que nem sempre quer dizer que os artistas mencionados sejam os seus criadores.
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A viela *variações sobre a letra

Guilherme Pereira da Rosa / Daniel Gouveia / Alfredo Duarte *fado cravo*
Repertório de Daniel Gouveia

Fui de viela em viela
Numa delas dei com ela
E quedei-me enfeitiçado
Sob a luz de um candeeiro
Um candeeiro tristonho/ Nas trevas, um sonho / De promessas vãs
Ao lado, a mulher da vida / Da morte vencida / Todas as manhãs
Sombra que assombra e magoa / Chaga de Lisboa / Estátua do pecado
Hirta, naquele luzeiro
Estava ali o fado inteiro
Pois toda ela era fado                 

Arvorei um ar gingão
Um certo ar fadistão
Que qualquer homem assume
Pois confesso que aguardei
Aguardei, sim, mas vendido / Já arrependido / De a ter encontrado
Pois senti a mágoa, o fel / Amargo e cruel / De um ser espezinhado
Olhei para aquele rosto / Puntado sem gosto / Máscara de azedume
E acabrunhado esperei
Quando por ela passei / O convite do costume

Em vez disso, no entanto
No seu rosto só vi pranto
Só vi desgosto e descrença
Fui-me embora amargurado
Amargurado não diz / A dor com que fiz / Meia volta e andei
Errando, p'la noite fora / Maldizendo a hora / Em que me cruzei
C'o aquela forma disforme / De um vazio enorme / Espectro de indiferença
Aquele vulto especado
Era fado, mas o fado
Não é sempre o que se pensa

Ainda recordo agora
A visão que, ao ir-me embora
Guardei da mulher perdida
A pena que me desgarra
Desgarra e rasga as entranhas / Ver cenas tamanhas / De infame crueldade
Drama no palco das ruas / Silenciosas, nuas / Da minha cidade
Cidade onde mora a dor / Do fado menor / Da gente caída
Essa dor que o peito amarra
Só me lembra uma guitarra
A chorar penas da vida