Henrique Lopes de Mandonça / Alfredo Keil
*Para assinalar os 1000 fados publicados*
Heróis do mar, nobre povo
Nação valente, imortal
Levantai hoje de novo
O esplendor de Portugal!
Entre as brumas da memória
Ó Pátria, sente-se a voz
Dos teus egrégios avós
Que há-de guiar-te à vitória!
Às armas, às armas!
Sobre a terra, sobre o mar
Às armas, às armas!
Pela Pátria lutar
Contra os canhões marchar, marchar!
Segunda-feira, 11 de Agosto de 2008
Meu principezinho
Kátia Guerreiro / João Maria dos Anjos
Se o carinho que eu entrego
Fosse mais do que um segredo
Que eu tenho de guardar;
Se o meu sonho descoberto
Já não fosse tão incerto
Saberia o que lhe dar
Mas vivendo essa certeza
Que sentindo a alma presa / Não poderei esconder
Porque são só desencontros
Todos esses maus encontros / Que a vida vem oferecer
Ao menos tenho comigo
O sabor de um grande abrigo / Onde vivo o meu desejo
Porque esse que não é meu
Parece vindo do céu / Só para me dar um beijo
Mas não quero que o meu medo
Seja tanto este negredo / Ou que esconda o meu caminho
Que eu procuro e não encontro
Aquele que li num conto / Serás tu... principezinho?
Se o carinho que eu entrego
Fosse mais do que um segredo
Que eu tenho de guardar;
Se o meu sonho descoberto
Já não fosse tão incerto
Saberia o que lhe dar
Mas vivendo essa certeza
Que sentindo a alma presa / Não poderei esconder
Porque são só desencontros
Todos esses maus encontros / Que a vida vem oferecer
Ao menos tenho comigo
O sabor de um grande abrigo / Onde vivo o meu desejo
Porque esse que não é meu
Parece vindo do céu / Só para me dar um beijo
Mas não quero que o meu medo
Seja tanto este negredo / Ou que esconda o meu caminho
Que eu procuro e não encontro
Aquele que li num conto / Serás tu... principezinho?
Amor sou tua
Guilherme Pereira da Rosa / Frederico Valério
Se nem tudo contigo são alegrias serenas
Se me dás tanta hora apaixonada
Se padeço e te digo em certos dias
Que me quero ir embora, por fim cansada
Se me dói o ciúme que me pôe louca de penas
Se anda tanto queixume na minha boca
Meu amor, minha vida são queixas somente
De alguém que sente e anda sentida
O que digo não faço
O amor continua
Sem ti não passo
Amor, sou tua
Se nem tudo contigo são alegrias serenas
Se me dás tanta hora apaixonada
Se padeço e te digo em certos dias
Que me quero ir embora, por fim cansada
Se me dói o ciúme que me pôe louca de penas
Se anda tanto queixume na minha boca
Meu amor, minha vida são queixas somente
De alguém que sente e anda sentida
O que digo não faço
O amor continua
Sem ti não passo
Amor, sou tua
Xaile encarnado
João Monge / Armandinho *fado da adiça*
Eu tenho um xaile encarnado
É uma lembrança tua
Tem um segredo bordado
Que ás vezes eu trago á rua
Tem as marcas de uma vida / Que a vida marca no rosto
Mas ganha uma nova vida / Nas noites que o trago posto
Já foi lençol e bandeira / Vela de barco, também
Tem marcas da vida inteira / Mas dizem que me cai bem
Se pensas que me perdi / Nalgum destino traçado
Pra veres que não esqueci / Eu ponho o xaile encarnado
Eu tenho um xaile encarnado
É uma lembrança tua
Tem um segredo bordado
Que ás vezes eu trago á rua
Tem as marcas de uma vida / Que a vida marca no rosto
Mas ganha uma nova vida / Nas noites que o trago posto
Já foi lençol e bandeira / Vela de barco, também
Tem marcas da vida inteira / Mas dizem que me cai bem
Se pensas que me perdi / Nalgum destino traçado
Pra veres que não esqueci / Eu ponho o xaile encarnado
Há noite aqui
Mafalda Arnauth
Escutem os ecos da noite / Onde o que é fado acontece
Nas mil palavras, olhares / Nos mil desejos, esgares
De quem mil mágoas padece
Escutem vestígios de medo / No riso inquieto e sózinho
E que diz muito em segredo / De noite é sempre tão cedo
Aonde estás tu, carinho?
Cada copo é revolta / Cada trago é um grito
Súplica de alguém aflito
Num bar com um copo á solta / Vai-se bebendo o incerto
E tudo o mais é deserto
Escutem as pragas de quem / Vai mendigando atenção
Dorme nos braços que moem / Por muito louco que o tomem
Loucura tem seu perdão
Escutem os sons que balançam / Soam mais alto e mais forte
Mas já as horas avançam / As poucas palavras se cansam
Já ninguém há que s'importe
Escutem os ecos da noite / Onde o que é fado acontece
Nas mil palavras, olhares / Nos mil desejos, esgares
De quem mil mágoas padece
Escutem vestígios de medo / No riso inquieto e sózinho
E que diz muito em segredo / De noite é sempre tão cedo
Aonde estás tu, carinho?
Cada copo é revolta / Cada trago é um grito
Súplica de alguém aflito
Num bar com um copo á solta / Vai-se bebendo o incerto
E tudo o mais é deserto
Escutem as pragas de quem / Vai mendigando atenção
Dorme nos braços que moem / Por muito louco que o tomem
Loucura tem seu perdão
Escutem os sons que balançam / Soam mais alto e mais forte
Mas já as horas avançam / As poucas palavras se cansam
Já ninguém há que s'importe
Leva-me longe
Jorge Fernando
Fosse o vento meu amigo soprando por mim
Ao relento, entre as flores de um sonhado jardim
Dir-te-ia: meu amigo está longe a pensar
Só no dia em que breve te virá beijar
Quando a vida nos separa de outro ser
Há sempre uma ansiedade, sempre um medo de perder
E os dias vão passando, as horas se arrastando
E a saudade chegando para mais me entristecer
Leva-me longe estrela do mar
Espera-me longe um triste olhar
E eu aqui longe não sei esperar
Fosse o mar meu amigo molhando teus pés
A espraiar os meus sonhos no sal das marés
Dirte-ia: meu amigo está longe a pensar
Se seria se acaso o deixasses de amar
Fosse o vento meu amigo soprando por mim
Ao relento, entre as flores de um sonhado jardim
Dir-te-ia: meu amigo está longe a pensar
Só no dia em que breve te virá beijar
Quando a vida nos separa de outro ser
Há sempre uma ansiedade, sempre um medo de perder
E os dias vão passando, as horas se arrastando
E a saudade chegando para mais me entristecer
Leva-me longe estrela do mar
Espera-me longe um triste olhar
E eu aqui longe não sei esperar
Fosse o mar meu amigo molhando teus pés
A espraiar os meus sonhos no sal das marés
Dirte-ia: meu amigo está longe a pensar
Se seria se acaso o deixasses de amar
O fado e as bocas *HUMOR*
José Fernandes Castro / Carlos Santos
Tenho a mania... que sei cantar bem o fado
E sou muito mal tratado p'las pessoas de má fé
Tenho a mania... que tenho uma voz timbrada
A malta fica afinada, e grita toda de pé
Ah fadista... vai cantar p'ra tua terra
E todos em pé de guerra
Dizem tantos disparates
Ah fadista... continuam a gritar
E para eu me calar
Até me atiram com tomates
É uma doença que tenho desde chavalo
Para mim é um regalo, fazer parte das rambóias
É uma doença que agora já não tem cura
Já andam á minha procura, p'ra me levar p'ra Custóias
Vivo p'ro fado... tenho esta ideia chalada
Com minha voz encharcada continuo esta labuta
Vivo pró fado... quero morrer a cantar
Ouvindo a malta gritar: vai-te embora, ó filho da... luta
Ah fadista... vai cantar p'rá tua terra
E todos em pé de guerra
Fazem grande algazarra
Ah fadista... continuam a gritar
E para eu me calar
Até me gamam a guitarra
Tenho a mania... que sei cantar bem o fado
E sou muito mal tratado p'las pessoas de má fé
Tenho a mania... que tenho uma voz timbrada
A malta fica afinada, e grita toda de pé
Ah fadista... vai cantar p'ra tua terra
E todos em pé de guerra
Dizem tantos disparates
Ah fadista... continuam a gritar
E para eu me calar
Até me atiram com tomates
É uma doença que tenho desde chavalo
Para mim é um regalo, fazer parte das rambóias
É uma doença que agora já não tem cura
Já andam á minha procura, p'ra me levar p'ra Custóias
Vivo p'ro fado... tenho esta ideia chalada
Com minha voz encharcada continuo esta labuta
Vivo pró fado... quero morrer a cantar
Ouvindo a malta gritar: vai-te embora, ó filho da... luta
Ah fadista... vai cantar p'rá tua terra
E todos em pé de guerra
Fazem grande algazarra
Ah fadista... continuam a gritar
E para eu me calar
Até me gamam a guitarra
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