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<> Só todos juntos sabemos alguma coisa <> PEDRO FREIRE
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Pobre de mim

Fernando Farinha / Alberto Correia
Repertório de Fernando Farinha

Se o meu olhar não te encontrasse
Eu não seria tão diferente como sou
Apenas cinza que ficou
Talvez eu fosse o mesmo lume
E a mesma chama radiosa que deu luz
E o teu desprezo apagou

Quis transformar
Um simples sonho em realidade
Semeei
rosas
E em vez de amor colhi maldade
Triste surpresa
Que recebi da natureza

Feliz de quem um dia, gostou de alguém
E em troca do seu amor
Amor igual recebeu
Pobre de mim que gostei de alguém, assim
Com tanto amor e no fim
Em troca, nada ne deu

Não te importes de quem chora

Fernanda Maria / Alfredo Duarte *fado bailado*
Repertório de Fernanda Maria

Lágrimas traduzem lamento
Escondido em meu olhar
São mágoas de sofrimento
Que moram no pensamento
De quem nasceu p'ra te amar

A verdade queres esconder / Não dizes, eu adivinho
Só me tentas convencer
Que temos de percorrer / Cada qual, o seu caminho

Se tens outra, vai-te embora / Não te quero por caridade
Não te importes de quem chora
Porque há-se chegar a hora / Da minha felicidade

A pedra que caíu

Jerónimo Bragança / Nóbrega e Sousa
Repertório de Tony de Matos

Quando a pedra caíu  / O pantano ondulou
Não sei donde surgiu / A pedra que caíu
Nem quem a atirou

Não sei quem foi que viu / Alguém nos apontou
Nenhum de nós pediu / Silêncio a quem viu
Piedade a quem falou

Eu gosto de ti e tu gostas de mim
O mais, seja o que for, deixá-lo ser
Nós vamos a par, vocês podem falar
Não è crime nenhum viver


A pedra que caíu / Alguém a atirou
Não sei quem foi que viu / Mas não nos atingiu
Caíu e lá ficou

O pantano ondolou / Não sei quem foi que viu
Alguém nos apontou / Alguém nos atirou
A pedra que caíu

Crianças na orfandade

Fernando Farinha / José António Sabrosa *fado tia dolores*
Repertório de Fernando Farinha

Crianças na orfandade
È para vós este fado
Que eu aqui venho cantar
Fado velho em triste boca
Lábios que em rimas humildes
Vossas bocas vêm beijar

Crianças na orfandade
Aves sem sol e sem ninho / Esperando a calor d'alguém
Como è triste estar no mundo
Sem os carinhos de pai / E os doces beijos de mãe

Crianças na orfandade
Folhinhas tontas ao vento / Sem o tronco onde nasceram
Que Deus guarde as vossas vidas
E as compense em felicidade / 
Do bem que cedo perderam

O Porto é assim

Manuel Paião / Eduardo Damas
Repertório de Dário de Barros

Uma rua a descer uma outra a subir
Um céu cheio de cor, um rio a reflugir

São o Porto a viver, são o Porto a olhar
Lá ao longe o azul e a beleza do mar

Uma ponte de ferro
Um barquinho a passar
Uma torre bem alta
Junto ao céu a brilhar;
Uma cara morena
Passa agora por mim
Um sorriso no ar
E o Porto è assim


Há beleza e há cor na Ribeira a cantar
Há ternura e amor, há gente que sabe amar
O casario sem fim olhando a margem de lá
Parece dizer-lhe adeus, querer saír donde está

Será pecado

Artur Ribeiro / José Maria Antunes
Repertório de Tristão da Silva

Será que este amor è loucura
Será que a nossa ternura
È crime sem ter perdão
Será que esta lei faz sentido
Será mesmo proibido
Morar no teu coração

Será pecado amar-te assim
Será maldição ter esta paixão
Cá dentro de mim
Se ninguém pode mudar seu fado
Dizei-me senhor se este nosso amor
Será pecado

Será que è um mal sem medida
Sentir a vida perdida
Se não oiço a tua voz
Será que ninguém neste mundo
Sentiu amor tão profundo
Pecou assim como nós

Pouco mais

César Oliveira / João Vasconcelos
Repertório de Tony de Matos

Quero com nuvens moldar
Novo mundo inaginado
E pôr un ramo d'estrelas
No nosso céu inventado;
Quero uma árvore de ideais
Sombra da vida p'ra nós
Pouco mais, pouco mais

Dá-me uma palavra, uma só palavra
Pouco mais, pouco mais, pouco mais


Quero luar p'ra moldar
Num mar de prata lavrada
Onde o meu barco de remos
Deixe uma estrada narcada;
Quero encontrar outro cais
Onde o mar barco atracar
Pouco mais, pouco mais

Dá-me uma palavra, uma só palavra
Pouco mais, pouco mais, pouco mais


Quero o teu rosto moldar
Com uma réstia de vento
Roubar-te aos olhos, a noite
Trevas do teu sentimento;
Quero os teus beijos banais
Que só me dás por favor
Pouco mais, pouco mais

Dá-me uma palavra
Quero essa palavra
Uma só palavra, amor

Ano novo

João de Freitas / José Ramos
Repertório de Fernanda Maria

Um ano, mais uma vida
Mais uma ilusão perdida
Mais desenganos, enfim
Novo ano, nova esperança
Aspirações de criança
É sempre assim, sempre assim

De que nos serve pensar / Que ele nos traga e possa dar
O porvir abençoado
Pensar em tal, mas porquê? / Se tudo quanto se vê
Não passa dum triste fado

Um ano, mais uma vida / Renasce a esperança perdida
Em dias de felicidade
Ela se encontra onde quer / Num momento de prazer
E até na própria saudade

Passa um dia, depois dias / Que são as avé-marias
Deste rosário sem fim
E morrem nos corações / Os sonhos e as ilusões
È sempre assim, sempre assim

Sete trovas de saudade

Rodrigues Canedo / Alberto Costa *fado torres do mondego*
Repertório de Carlos Marques

Um dia parti chorando
Mas hoje que te esqueci
Tenho saudades de quando
Tinha saudades de ti

Se ter saudades de alguém / Já faz sofrer, mais atroz
È ter saudades de quem / Não tem saudades de nós

Meu bilhetinho esquecido / Minha folha de alecrim
Meu tempo ganho e perdido / Minha saudade de mim

Quando a saudade me aperta / Eu sinto-me debruçado
Numa janela entreaberta / A ver passar o passado

Saudade è luz de candeia / Sempre a acender e apagar
Para mostrar, volta e meia / O que não chega a voltar

Sete letras tem mentira / Sete letras tem verdade
Quem das sete, sete tira / Tem as letras de saudade

Saudade tem sete letras / Sete véus, sete punhais
Sete pés de violetas / Sete pecados mortais

Névoa te tornaste *Cinzento*

Florbela Espanca / Custódio Castelo
Repertório de Cristina Maria

Poeiras de crespúsculos cinzentos
Lindas rendas velhinhas em pedaços
Prendem-se
aos meus cabelos, aos meus braços
Como brancos fantasmas sonolentos

Monstros soturnos deslizando lentos
Devagarinho, em misteriosos passos
Prende-se a luz em languidos cansaços
Ergue-se a minha cruz dos desalentos

Poeiras de crespúsculos tristonhos
Lembram-me o fumo leve dos meus sonhos
A névoa das saudades que deixaste

Hora em que o teu olhar me deslumbrou
Hora em que a tua boca me beijou
Hora em que em fumo e névoa te tornaste

Brincadeiras do destino

Fernando Farinha / Alberto Correia
Repertório de Fernando Farinha

Na mocidade, pensamos que o caminho
Que havemos de percorrer p'la vida fora
È todo amor e carinho
E que a vida è sempre aurora

Mas depois vemos que a vida não è mais
Que uma estrada acidentada
Onde aparecem caminhos transverssais
A cortar nossa jornada

Já fui criança feliz e caprichosa
Fiz do destino um brinquedo sem valor
Era a vida cor-de-rosa
E o tempo comeu-lhe a cor

O tempo muda as pessoas fácilmente
Faz de nós tudo o que quer
E depois de nos trair, ri-se da gente
Por não sabermos viver

Quiz brincar com o destino / Convencido que era forte
E ele pregou-me a partida
De ter que andar toda a vida / Ao desafio com a sorte
Iludido, não sabia / Que a vida tem o seu perigo
E hoje triste, quem diria
Já não brinco com o destino / 
Ele è que brinca comigo

Palavras roubadas

Vasco de Lima Couto / Joaquim Campos *alexandrino*
Repertório de António Mourão

Roubei muitas palavras na solidão quieta
Para ver se ouvia contar a minha história
Mas doeram-me tanto as palavras roubadas
Que eu hoje só te encontro no fundo da nemória

E se às vezes te vejo, procuro uma razão
P'ra logo t'esquecer e passar adiante
Mas mistura-se o vento e eu sei que ele conhece
Que há um grito em teu nome de ave morta e d'amante

Ponho as mãos sobre a ponte donde se avista a margem
E canto o fado inútil, da noite em seu redor
Mas todas as palavras caíram no silêncio

E o silêncio cresceu, meu amor, meu amor

São coisas do fado

Guilherme Pereira Rosa / Carlos Villareth
Repertório de Tony de Matos

Gostar da noite em Lisboa / Duma guitarra que chora
Dum olhar que se enamora / Duma canção que se entoa

Gostar do Tejo que passa / E ao passar sente saudade
Amar Alfama e a Graça / Bairros velhos da cidade

São coisas do fado
Que não morre e se não rende
E quanto mais è passado
Mais nos prende
São coisas do fado
Deste fado de quem sente
Que Lisboa lado a lado
È fado da nossa gente


Gostar do luar, de viela / Trocar a noite p'lo dia
Haver sempre esta e aquela / Que nos trazem nostalgia

Gostar do bem e do mal / Sem discutir, ir à toa
Ao sabor do vendaval / 
Que è o fado de Lisboa

Lisboa de outros tempos

Letra e música de Fernando Farinha
Repertório de Fernando Farinha

Velha Praça da Figueira
Da varina regateira
E do marujo gingão
Imperatriz dos mercados
Com bailaricos e fados
Nas noites de São João

Ó verbena dos paulistas
Recanto dos mais bairristas / Que em saudade se distingue
Das barracas de farturas
E endiabradas loucuras / Nos despiques de swing

Coliseu dos arraiais
Dos alegres carnavais / Do alfacinha boémio
Dos concursos de pregões
Das marchas com seus balões / E das cegadas a prémio

Ó Lisboa doutra era
Do Retiro da Severa / Do Mondego e do Solar
Motivos d'alma e de vida
Como o Luso d'Avenida / Onde apareci a cantar

Ó Lisboa do passado
Das patuscadas com fado / D'alegria e d'amizade
Traz de novo a tua raça
Dá-me um ar da tua graça / 
P'ra não norrer de saudade

Palminho de cara linda

Quadras soltas / Joaquim Campos *fado amora*
Repertório de António Melo Correia

Palminho de cara linda
Carinha de lindo jeito
Que linda medalha davas
P'ra gente trazer ao peito

Eu dava o céu se o tivesse / O céu, o mundo sem fim
Para esquecer o momento / Que te esqueceste de mim

Se eu soubesse que voando / Alcançava o meu desejo
Mandava fazer as asas / Que as penas são de sobejo

Vocês devem perdoar-me / Umas certas liberdades
Eu bem sei que ando a matar-me / Mas ando a matar saudades

Porque te amo deste jeito

Alexandre Fontes / Renato Varela *fado varela*
Repertório de Tristão da Silva

Não sei sei se tu me queres como eu te quero
Não sei se tu me dás tua afeição
Só sei que este amor è tão sincero
E que pertence a ti meu coração

Não sei se tu anseias meu regresso
Não sei porque te amo deste jeito
Só sei que a tua imagem não esqueço
E que a trago gravada no meu peito

Não sei se no teu quarto, à noitinha
O meu lugar está ou não, vazio
Não sei se outro amor te acarinha
Como eu te acarinhei em desvario

Não
sei amor, não sei, não compreendo
Sem ti eu já não sei o que fazer
Só sei que a minha vida vai morrendo
Cada dia que passa sem te ver

Balada *Farinha*

Popular / Fontes Rocha
Repertório de Fernando Farinha

Tricana airosa não escolhas
Estudantes que te olharam
Que as tricanas são as folhas
Dos livros que eles deixaram

A lua quando te viu
Envergonhada, corou
Por não poder igualar-te
Foi para longe e chorou

Chegou o outono

António de Sousa Freitas / Nóbrega e Sousa
Repertório de Tony de Matos

De novo já no outono
Diz-me um adeus a tua mão
Que è tal e qual o adeus
Das folhas pelo chão

Depois nas sombras quietas
Ficamos ambos e a saudade
È como um céu que alaga
De eternidade

E a vida está nessas folhas
Que são as horas caídas
As horas em que desfolhas
As nossas vidas
E o outono está onde nós
Seremos névoa e dor
Eu sou tristeza, grito e voz
Pedindo amor
Ó meu amor

Minhas palavras não dizem

Letra e musica de Moniz Pereira
Repertório de Fernanda Maria

Minhas palavras não dizem / O que eu te queria dizer
Mas os meus olhos bendizem / Como è grande o meu sofrer
E os meus braços maldizem
Não te poderem prender

Minhas palavras não dizem / Nem podes compreender
Como è grande esta paixão / Minhas palavras não dizem
O que tu querias saber
Está dentro do coração

Não disse, mas sei de cor / O que tu querias ouvir
Estas coisas do amor / Não se costumam pedir

Eram palavras diferentes / Que te queria dedicar
È um amor que tu sentes / 
Mas que eu não sei confessar

Risca o teu passado

Aníbal Nazaré / João Vasconcelos
Repertório de Tony de Matos

Tens de riscar da memória o teu passado
Tens de pensar que nasceste novamente
P'ra nós vivermos lealmente, lado a lado
Tens de pensar apenas no presente

Risca os telefones
Os numeros que trazes na mala de mão
Tua perdição
Risca esses nomes
Que tens num caderno muito bem guardado
Sombra de pecado
Mas sobretudo risca da memória
Os nomes dos homens a quem tens amado
Tão presos à história
Que è, a triste história desse teu passado

Trago-te um copo de vinho

Carlos Barrela / António Mourão
Repertório de António Mourão

Trago-te um copo de vinho
Para beberes no caminho
Onde te leva a saudade
Dentro da noite vazia
Quando em madrugada fria
Não encontrres claridade

Deves saber que em viagem
Vais
precisar de coragem / P'ra matares a solidão
Conheço de cor a estrada
Já fiz essa caminhada / Sou teu irmão, meu irmão

Queres esquecer a amargura
Queres destruir a ternura / Queres o passado rasgar
Mas è tão longo o caminho
Trago-te um copo de vinho / 
Só p'ra te não ver chorar

Canoa de vela branca

Letra e música de Frederico de Brito
Repertório de Fernanda Maria

Canoa de vela branca / Que vens do cais da ribeira
E vais para Vila Franca / Assim, num dia de feira

Já vem subindo a maré / E hoje que a manhã 'stá linda
Quero ir ao Alcané / Bailar um fandango ainda

Canoa tu conheces bem
Quando há norte pela proa
Quantas docas tem Lisboa
E as muralhas que ela tem;
Canoa por onde tu vais
Se outro barco te abalroa
Nunca mais tu atracas ao cais
Nunca, nunca, nunca mais


Canoa de vela panda / Que sobes o Rio Tejo
E trazes da outra banda / O sol do meu Ribatejo

Repara no meu campino / Levando o gado a pastar
Sem conhecer o destino / 
Que Deus tem para nos dar

Apenas por te amar

Maria de Lurdes Carvalho / Martinho d'Assunção
Repertório de Manuel de Almeida

Deixei-te uma noite p'ra viver
Andaste sem destino a vida inteira
Entre estrelas queinaste o teu sorriso
Teu corpo repousou em muita esteira

Deixei-te a liberdade para amar
Correste braços, braços, sem parar
Buscavas com a sede de gazela
A àgua que ninguém te quis negar

Deixei-te ao prazer dos teus quereres
Apressaste no ventre os teus desejos
Passaram primaveras p'los jardins
E como em tantas bocas, os teus beijos

Deixei-te de olhos belos, brasa pura
No peito, esperança larga, céu imenso
Encontrei-te ajoelhada, noite escura
Vivendo das loucuras, o silêncio

Madeira terra de amor

Letra e música de João Nobre
Repertório de Tristão da Silva

Anda o mundo inteiro
Sempre, sempre a procurar-te
Ilha da Madeira
O teu encanto ninguém nega
Ės o lenço verde
Acenando p'ra quem parte
E um sorriso aberto
P'ra quem chega

Madeira, ès sonho e prece
Milagre que Deus não esquece
Tuas noites lindas
Envolvem o amor no seu manto
E a saudade fala de ti, do teu encanto
Amor que nasce um dia
Será prá vida inteira
E quem fizeste feliz
Para sempre te bem diz
Ó terra d'amor, Madeira

Bendita saudade

Domingos Gonçalves Costa / Alfredo Duarte
Repertório de Fernanda Maria 

Quem chora por ter saudade
A meu ver não tem razão
Pois na vida, quanta vez
A saudade è na verdade
A doce recordação
D'ilusão que se destez

Quem amou sem ser amada
Quem se embalou na miragem / Dum falso amor a brilhar
Traz a saudade guardada
Para lhe dar mais coragem / E nunca a pode deixar

Portanto, pobre de quem
Diz que a saudade anda unida / Ao mais atroz padecer
Pois quem saudades não tem
Pode viver toda a vida / 
Que não chegou a viver

Vagabundo das vielas

Maria de Lurdes Brás / João Nobre *ser fadista*
Repertório de Maria de Lurdes Brás

Fado... vagabundo das vielas
Tu paras em todas elas
Onde possas pernoitar
Fado... ès amante da guitarra
Levas a noite na farra
Até ver o sol chegar

Querido fado... eu quero ser tua amiga
Fazer de ti a cantiga
Que p’ra mim é oração
Vagabundo... andas na boca do mundo
Mas tenho-te amor profundo
Fado do meu coração
Velho fado... ès vagabundo da noite
Já não tens onde te acoite
E fazes da noite dia
Fado amigo, quero vaguear contigo
Fazer da noite um abrigo
Ser a tua companhia

Fado... há quem te chame vadio
Mas sentes orgulho e brio
Se ouves assim chamar
Fado... ès velho não tens idade
E só te resta a saudade
Das histórias p’ra contar

Perguntas *Tristão*

Delfim da Silva / Raul Ferrão *fado carriche*
Repertório de Tristão da Silva

Não me perguntes, que importa
Quantos amores conheci
O passado è letra morta
Hoje só gosto de ti

Acaso uma flor mimosa / Tenta saber, indiscreta
Por quantos botões de rosa / Se perdeu a borboleta

Diz-me se a areia da praia / Alguma vez perguntou
Ao mar que nela se espraia / Quantas praias já beijou

Também o sol não se amua / Nem a ciumes se aferra
Por saber que à noite, a lua / Com seu luar beija a terra

O amor passado desfaz-se / Só saudades faz vibrar
E um novo amor, quando nasce / È sol ardente a brilhar

Eu dou-te, em beijos na boca / Pedaços do coração
Como podes minha louca / 
Duvidar desta afeição

Todos os caminhos vão dar a ti

Manuel Paião / Eduardo Damas
Repertório de António Mourão

Tenho corrido estradas sem fim
Andado em ruas que nunca vi
Mas afinal, p'ra quê, amor
Todos os caminhos vão dar a ti

Às vezes quero não encontrar
Aquela rua que eu já perdi
Mas quando ando, não sei porquê
Todos os caminhos vão dar a ti;
Quero ir p'ra longe, quero partir
Não viver mais o que vivi
Ai que caminho vou eu tomar
Todos os caminhos vão dar a ti


Por toda a parte eu já andei
Por toda a parte, amor, vivi
Andei fugindo mas encontrei-me
Todos os caminhos vão dar a ti

Adeus à mocidade

Manuel de Almeida / Popular *fado menor*
Repertório de Manuel de Almeida

Disse adeus à mocidade
Entre lágrimas e ais
O tempo, grande verdade
Passando não volta mais

Passa breve a mocidade / O tempo d'ilusões feito
Só não passa esta saudade / Que trago dentro do peito

Vocês devem perdoar-me / Umas certas liberdades
Eu bem sei que ando a matar-me / Mas ando a matar saudades

Não sei contudo entender / Estes balanços da sorte
Estou cansado de viver / 
Mas tenho medo da morte

Ai amigos quem me dera

Domingos Gonçalves Costa / Raul Ferrão
Repertório de Fernanda Maria 

Ai amigos quem me dera
Viver no tempo passado
Em que a Maria Severa
Era a rainha do fado

Poder cantar ao desafio
À luz do luar, noites a fio
Com malta fixe da boémia e do passado
Correr enfim, toda a Lisboa
A Mouraria, a Madragoa
Mostrar contente a toda a gente o nosso fado

Ir em qualquer traquitana
De rosas toda enfeitada
Até ao Campo de Santana
A uma castiça toirada

Depois voltar à linda Alfama
E junto ao mar que tanto ama
Eu cantaria a serenata mais bairrista
Após raiar o novo dia
Ia descansar prá Mouraria
Louvando a Deus, amigos meus, por ser fadista

Meus tempos de criança

Letra e música de Ataulpho Alves
Repertório de Tony de Matos

Eu daria tudo o que tivesse
Para voltar aos tempos de criança
Eu não sei porquê a gente cresce
E não sai da gente esta lembrança

Aos domingos, missa na matriz
Na cidadezinha onde eu nasci
Ai meu Deus, eu era tão feliz
No meu pequenino país

Que saudades da professorinha
Que me ensinou o bê à bá
Onde andará Mariazinha
Meu primeiro amor, onde andará

Eu igual a toda a garotada
Quantas diabruras eu fazia
Jogo do botão pela calçada
Eu era tão feliz e não sabia

Este mundo não presta

Fernando Farinha / Domingos Camarinha
Repertório de Fernando Farinha

Este mundo não presta
Nunca foi natureza
Não lhe mintas sorrindo
Não lhe inventes beleza

Morra eu em tristeza 7 Vivas tu sempre em festa
Para
nós, para todos / Este mundo não presta

Este mundo não presta / È navalha apontada
Tanto ao rico de tudo / Como ao pobre de nada

Traz a cara tapada / Tem cinismo de besta
Diz a todos que dá / Mas no fim só empresta

Tu lhe pagas p'ra rir / Eu lhe pago chorando
Alguns pagam morrendo / Outros pagam matando

Até quando, até quando / Vamos nós ter assim
Este mundo sem jeito / 
Sem princípio nem fim

Lisboa bairrista

Lopes Victor e música de Martinho d'Assunção
Repertório de Fernanda Maria

Sempre que Lisboa deita
Fora da porta o seu pé
Alfama logo aproveita
Logo aproveita a maré

A maré traz maresia
Todos sabem que assim è
Sendo assim, a Mouraria mais a Guia
Lá vão também na maré

Lisboa è sempre bairrista
Bisbilhoteira, sempre fadista
Quando na rua se mete
Tem logo sete p'ra namorar
Tem logo as Setes Colinas
Que são meninas do seu olhar
Lisboa lá vai com fé
Larilolé,  sempre a cantar


Vai à Bica, à Madragoa
De Benfica até à Sé
Fazendo a corte a Lisboa
Bairro Alto fica ao pé

P'ra Lisboa muito dela
Sempre que Lisboa sai
Ninguém pode ter mão nela
E è só dela a rua p'ra onde ela vai

Saudades do Ribatejo

Maria de Lurdes Brás / Frederico Valério *cavalo ruço*
Repertório de Maria de Lurdes Brás

Eu já fui ao Ribatejo
E não esqueço com certeza
Aquela festa bravia
Que eu lá vi um dia
Bem à portuguesa

De tudo por lá havia / Touros fado e vinho tinto
Dessas horas bem passadas / Com fado e touradas
Que saudades, sinto

As charnecas e lezírias / Que noutro lado não vejo
Mostram a quem por lá passa / A destreza e a raça
Que há no Ribatejo

Gostava de lá voltar / Àquela terra de encanto
Voltar a ver novamente / Essa boa gente
P’ra quem hoje canto

Vou recordar para sempre / A gente Ribatejana
Guardarei a imagem / Da bela paisagem
Que é bem lusitana

Ao recordar tudo isto / Uma tristeza me invade
E hoje a recordação / Mora em meu coração
É tudo, saudade

A casa da malta

António Vilar da Costa / Nóbrega e Sousa
Repertório de Manuel de Almeida

A casa perdida à beira da estrada
Ande os meus sonhos encontram pousada
Não tem um brasão, nem ricas baixelas
Mas tem o telhado coberto d' estrelas

Às vezes desejo
Por minha pousada
A casa da malta
À beira da estrada


A casa da malta não tem sentinela
Apenas a lua lhe ronda a janela
As almas libertas dum rumo traçado
Não têm fronteiras de arame farpado

E chegam de noite, sacola vazia
Na casa da malta è sempre meio-dia
E colhem esperanças no sol e no vento
Que o sonho prás almas è meio sustento

Há frio nas almas, o mundo vai mal
Na casa da malta è sempre natal
Só lêem nos astros, são rudes plebeus
Mas sabem que todos são filhos de Deus

Eu canto para todos vós

Vasco Lima Couto / Joaquim Campos (?)
Repertório de Vasco Rafael

O fado, antigamente, era o recado
Das vielas sangrentas de Lisboa
E o protesto do amor desanimado
Canto livre dos olhos sem passado
Em mil versos que o tempo não perdoa

Nas tavernas do vinho, em noite suja
Onde as praias da voz não se encontravam
As guitarras falavam da cidade
Nos versos desse vinho onde a saudade
Cantava a maldição dos que choravam

Todos amordaçavam editais
A adornecer os ricos deste mar
Que pagavam o fado com o seu nome
E fingiam não ver a cor da fome
En gerações sem tempo e sem lugar

Mas foram os poemas desse longe
Que ultrapassei, porque hoje me renovo
O tempo aberto e livre da canção
Do meu país chegado ao coração
Eu entrego feliz à voz do povo

Ausência *T.Matos*

Sebastião Silva / Ivan Pires
Repertório de Tony de Matos

Se a tua ausência durar
Vou sofrer, vou chorar... de saudade
Tudo o que me restou
Deste infeliz amor... foi a saudade

Se soubesses como penso em ti
Como
è triste um coração sozinho
Voltarias ao meu lado, amor
Reconstruir nosso ninho

Um erro
Um erro não justifica
Esta saudade infinita
Que me separa de ti

Lágrimas diferentes

Domingos Gonçalves Costa / Jaime Santos *alexandrino*
Repertório de Fernanda Maria

Quase ninguém dá conta, ao ver alguém chorar
Do que a lágrima diz qando aos olhos aflora
Essa boca de luz no seu estranho brilhar
È um espelho a refletir a vida de quem chora

A lágrima da vida nuns olhos divinais
Lembra a luz da manhã dum dia apetecido
Nem tem comparação com as lágrimas fatais
Que queimam como fogo os olhos dum vencido

A lágrima da mãe quando nos dá a vida
È cor que a tarde empresta a um dia divinal
E a lágrima chorada à hora da partida
È hino de saudade, às vezes imortal

Na vida em que se afunda sorrisos e cansaços
A lágrima mais pura, a que jamais tem par
È uma, a que se esconde atrás duns olhos baços
Que fartos de sofrer já nem sabem chorar

Longe da pátria

António Vilar da Costa / Armandinho
Repertório de Fernando Farinha

Se queres saber a dor pungente que um peito encerra
E o que é sofrer um dia ausente da tua terra
Sai barra fora, orque uma vez no alto mar
E nessa hora, se és português tens de chorar

Saindo a barra uma guitarra
No seu trinar fagueiro
E a voz dum marinheiro
Numa canção bizarra
È Portugal com a sua meiga voz
Sentimos a palpitar
Saudades dentro de nó
s

O português, triste suspira e ninguém fala
Só no convés à voz da lira, o peito embala

Tudo emudece ao recordar a pátria mãe
E até parece que o próprio mar chora também

Ronda pelo passado

Maria de Lurdes Brás / José Duarte *fado seixal*
Repertório de Augusto Jorge

Eu passei, no Bairro Alto
Alta noite a horas mortas
E fiquei em sobressalto
Pensei logo dar um salto
Ao fado, fora de portas

Mas passei p’la Mouraria / Quis recordar o passado
E senti, com nostalgia / Pois vi que não existia
O velho sabor a fado

Fui à Bica e Madragoa / Onde o fado teve fama
Nos recantos de Lisboa / Onde o fado mais se entoa
É na doce e velha Alfama

Nesta ronda, p’lo passado / Com fadistas de virtude
Descobri um novo fado / E que vive abençoado
P’la Senhora da Saúde

Trova eterna

Domingos Gonçalves da Costa / Francisco Carvalhinho
Repertório de Manuel Fernandes

Com sua divina graça
Deus quis dar a Portugal
O fado, canção de raça
De mimo e graça, trova imortal

Deu-nos um sol radioso
E o mais formoso luar
Por isso, como ditoso
Feliz garboso diz a cantar

Dá-me essa velha guitarra
E vem para a farra, a noite está linda
Vamos para a Mouraria
Que embora sombria, não morreu ainda
Depois iremos p'ra Alfama
Um bairro de fama e de gente boa
P'ra dizermos lado a lado
Que è lindo o fado desta Lisboa


Ao fado canta-se a lida
Feliz ou triste também
Com voz alegre ou sentida
Conforme a vida que a gente tem

P'ra se cantar, finalmente
Serve um motivo qualquer
Por isso constantemente
A toda a gente se ouve dizer

Como palavras de fado

Fernando Campos de Castro / Filipe Pinto *fado meia-noite*
Repertório de João Loy

Estas mãos já não são minhas
Meu amor se te lembrasses
Dei-te as mãos que tu não tinhas
À espera que me tocasses

Sonhei noites, morri dias / À espera dum toque teu
Dessas mãos que tu dizias / Tão perto do corpo meu

Deixaste em mim a saudade / Que o teu corpo me deixou
De viver nesta ansiedade / De já nem saber quem sou

Não sei que fado é o fado / Que me faz ficar assim
Com todo o mundo enleado / À solta dentro de mim

Foste presente em passado  / No meu olhar todo azul
Como as palavras de fado / Que canto de Norte a Sul

Casinha dum pobre *MF*

Frederico de Brito / Carlos Rocha
Repertório de Manuel Fernandes 

Uma casinha dum pobre
É um cantinho dos céus
Por sobre a telha que a cobre
Há sempre a benção de Deus

Tem mais graça mais encanto
Quanto mais pequena for
Estamos mais perto, portanto
Quanto mais perto melhor

Uma casa pequenina como a nossa
É duma graça tal q
ue até nos faz lembrar 
Um ninho num beiral
Uma casa pequenina como a nossa
A tanto se reduz, que um beijo do luar
Enche-a toda de luz
Uma casa pequenina chega a ser
Um traço de união entre o amor e o prazer
Ao princípio, a vida amena
A graça de Deus, depois
Eu chego a dizer, que pena
Ela não ser mais pequena
P’ra só cabermos os dois

A esperança é candeia acesa
Que nos dá vida e calor
A fé é quem põe a mesa
E assim vive o nosso amor

O trabalho acende o lume
Que não mais se apagará
Não se abre a porta ao ciúme
Porque não cabia lá

Como te quis e te quero

Manuel de Almeida / Popular *fado corrido*
Repertório de Manuel de Almeida

Amei-te com desespero
Mais do que eu ninguém te quis
E agora que te não quero
Vejo as figuras que fiz


Adorei-te noite e dia / Com toda a força da alma
Ninguém me levava à palma / A querer-te como eu te queria
A minha vida daria / P'lo teu amor de raiz
Vivi um sonho feliz / Feliz e belo também
Amei- te como a ninguém
Mais do que eu ninguém te quis


Mas a vida atroz, medonha / Quis este bem terminar
E não chorei com vergonha / Que alguém me visse chorar
O que eu sofri a pensar / Na crença com que te quis
Com razão o mundo diz / Que o meu amor foi sincero
E agora que te não quero 
Vejo as figuras que fiz

Sofri bastante, confesso
Agora que te perdi
Mas se voltasse ao começo
Tornava a gostar de ti

Quando acontece

Rogério Ferreira / Frederico de Brito *fado dos sonhos*
Repertório de Eliana Castro

Estou sempre a ver a maneira
De chegar à tua beira
Ai de mim se não consigo
Desde que te conheci
Fiquei carente de ti
Só sonho sonhar contigo

Quando o amor acontece
A nossa alma estremece / E há perfumes no ar
De nada temos receio
O nosso rio vai cheio / Que importa se transbordar

Nos abraços somos laços
Danças, desenhos e traços / Somos um só, santo Deus
Todos os beijos são poucos
Todos são doces e loucos / 
Desde que sejam os teus

No cais da Ribeira

Letra e música de Frederico de Brito
Repertório fe Fernanda Maria

No cais da Ribeira Nova / Onde tanto barco aproa
Anda no ar uma trova / Nascida na Madragoa

Passam uns olhos bonitos / Da cor do mar sem ter fim
E ouvem a graça duns ditos / Que sempre acabam assim

Varina gaiata, sorriso que alastra
Mentira que seja, diz lá donde vens
O peixe de prata da tua canastra
Até sente inveja dos olhos que tens


Quando ela passa bailando / De chinelinhas nos pés
Parece um barco vogando / Que anda ao sabor das marés

No seu olhar há saudade / Ou um mistério qualquer
E a gente sente vontade / 
Vontade de lhe dizer

Olhos fatais *Marceneiro*

Henrique Rego / Alfredo Marceneiro *fado bailado*
Repertório de Alfredo Marceneiro

Que sorte que Deus me deu
E que sempre hei-de lembrar
Embora não seja ateu
Julguei encontrar o céu
Na expressão do teu olhar

Neste mundo mar de escolhos / Unindo os nossos destinos
E nesta vida d’abrolhos
Para mim, teus lindos olhos / Eram dois céus pequeninos

No espelho do teu olhar / Vi dois céus em miniatura
E
para mais me encantar
Ia-se neles mirar / A minha própria ventura

E tão mística atração / Tinha o teu olhar profundo 
Que em sua doce expressão
Eram um manto de perdão / Sobre as misérias do mundo

Mas deitaste-me ao deserto / Deste mundo enganador
Hoje o teu olhar incerto
Já não é um livro aberto / Em que eu lia o teu amor

Enganaste os olhos meus / Nunca mais te quero ver
Meus olhos dizem-te adeus
Teus olhos não são dois céus / São dois infernos a arder


Coração p’ra amar a fundo / Outro coração requer
Se há tanta mulher no mundo
Vou dar este amor profundo / Ao amor doutra mulher

Recordando amores esquecidos

Domingos Gonçalves da Costa / Pedro Rodrigues
Repertório de Fernanda Maria

Pensei escrever um poema
Onde cantasse a revolta
Que anda a par da minha dor
Porém, na hora suprema
Minha inspiração à solta
Fez um poema d'amor

Recordou amores esquecidos
Momentos belos vividos / Sol da minha mocidade
E obrigou-me, por fadário
A desfiar o rosário / De amor, ternura e saudade

E então, ante o meu olhar
Vi o triste desfilar / Dos sonhos que já vivi
E nessa doce miragem
Eu vi passar a imagem / De alguém que há muito perdi

Entre os poemas dispersos
Que canto com ansiedade / Nas horas do meu sofrer
Eu fiz destes pobres versos
Uma oração de saudade / 
Que rezo p'ra não esquecer

Obrigado

Letra e musica de João Nobre
Repertório de Tony de Matos

Obrigado
Só sei dizer muito obrigado
Ai como foi bom p'ra mim
Ter-te por fim encontrado

Que saudade
Se não estivesses a meu lado
Por tanta felicidade que me tens dado
Obrigado

Minha vida sem carinho
Era p'ra mim como um deserto
Pôs-te Deus, no meu caminho
Encontrei o rumo certo

Se perdido andei na vida
Hoje esqueci todo o passado
E quero apenas viver p'ra te dizer
Meu amor, muito obrigado

Quimera perdida

Maria Manuel Cid / Francisco José Marques *fado zé negro*
Repertório de Fernanda Maria

Ó lume que me arrefece
Ó ventura que enlouquece
Ó saudade de ninguém
Pobre sombra fugídia
Fresta de luto se abria
Se há luar, de luto vem

Quanto silêncio gritado
Quanto sonho abandonado / Quanta quimera perdida
Rosto marcado de traços
Sombra seguindo os meus passos / Sempre de luto vestida

È brisa de mar, salgada
Lume cortante de espada / Tudo o que penso e não sei
Morte de vida sem vida
Sangue vermelho de ferida / 
Beijo que sinto e não dei

Nem Deus sabe

Artur Ribeiro / Jaime Santos
Repertório de Manuel de Almeida

Quem separou nossas vidas
Quem te roubou do meu lado
Nas minhas noites perdidas
Vou perguntar às bebidas
Quem vou cantar no meu fado

Quem vais amar com loucura / Quem vai dormir nos teus braços
Negro como a noite escura / Grita cheio de amargura
Meu coração em pedaços

Quem
vais trazer na lembrança / A quem vou dar os bons dias
Quem me vai chamar criança / E vai pôr raios de esperança
Nas minhas horas sombrias

Já perguntei à saudade / Até já fiz mil promessas
Já corri toda a cidade / Mas desisti, que em verdade
Só Deus sabe se regressas

Namoro às escondidas

Fernando Farinha / António Menano
Repertório de Fernando Farinha

Nem teu pai nem tua mãe
Querem que a gente se fale
A gente rala-se bem
Não vai a bem, vai a mal


Fugindo aos olhares daninhos
Das vizinhas atrevidas
Contigo ando, p'los cantinhos
Namorando às escondidas
Os elos das nossas vidas / São mal vistos em geral
Nosso
amor que tanto vale / 
Não está certo p'ra ninguém
Nem teu pai nem tua mãe
Querem que a gente se fale


Já inventei mil maneiras
Sem conseguir evitar
Tão ruíns alcoviteiras
Que nos andam a espreitar

Ambos querenos casar / Ter um lar e amor leal
Mas nem assim, afinal / Estamos certos para alguém
A gente rala-se bem
Não vai a bem, vai a mal

Olhos fatais *M.Almeida*

Henrique Rego / Alfredo Marceneiro *fado bailado*
Repertório de Manuel de Almeida
 

Que sorte que Deus me deu
Que p’ra sempre hei-de lembrar
Embora não seja ateu
Julguei encontrar o céu
Na expressão do teu olhar

Mas deitaste-me ao deserto / Neste mundo enganador
Hoje o teu olhar incerto
Já não é um livro aberto / Onde eu lia o teu amor

Enganaste os olhos meus / Nunca mais te quero ver
Meus olhos dizem-te adeus
Teus olhos não são dois céus / 
São dois infernos a arder

Coração p’ra amar a fundo / Outro coração requer
Se há tanta mulher no mundo
Vou dar este amor profundo / Ao amor doutra mulher

O fado que me acompanha

Américo Portela / Georgino de Sousa *fado georgino*
Repertório de Fernanda Maria

O fado da minha vida
Não è feio nem bonito
Não è menos nem è mais
È a voz da linguagem
Usada já noutros tempos
No fadário dos meus pais

Se nada posso fazer
À vida da minha vida / Desenhada no passado
Nada sou que valor tenha
Porque valor não existe / Na imperfeição do pecado

Se este fado me acompanha
Creio que já não me resta / Nem uma esperança esquecida
Que este fado vem do fruto
Que a semente dos meus pais / 
Transformou na minha vida

Não mintas

Jorge Rosa / Domingos Camarinha
Repertório de António Mourão

Por te amar, amo a verdade
Fé no amor ninguém me tira
Não quero não, que a mentira
Roube a minha felicidade

Se queres tanto como eu
Dar forna a este sonhar
Não deves não, enganar
O amor que è teu e meu

Não mintas, acredito no que dizes
Não mintas, tenho fé no teu carinho
Não mintas, poupa-me horas infelizes
Não destruas as raízes
Dos trevos do meu caminho

Não mintas, meu amor, quero-te tanto
Não digas, não digas o que não sintas
Näo mintas, não me quebres o encanto
Meu amor quero-te tanto
Não mintas, não mintas

Regresso à vida

Fernando Farinha / Joaquim Campos *fado vitória*
Repertório de Fernando Farinha

Estive entre a vida e a morte
E Deus deu-me a feliz sorte
De poder viver ainda
Pode a vida ser maldosa
Difícil e caprichosa
Mas não há coisa mais linda

Por um milagre sagrado
Regresso hoje ao meu fado / Ao fado que me embalou
Feliz por voltar de novo
A cantar p'ra este povo / Que sempre ne acarinhou

Nesta hora que me aquece
Minha voz reaparece / Depois duma ausência atroz
Fados que tenho de meu
Cantigas que Deus me deu / 
Para dar a todos vós

Bairro amado

Letra e música de Frederico de Brito
Repertório de Fernanda Maria

Gemem guitarras
Notas bizarras dum fado triste
Choro e queixume
Dor e ciume que ainda existe
Tristes baladas
Canções magoadas e olhos em brasa
Isso
que importa
Se estão à porta da minha casa

È este o meu bairro amado
Que os outros são muito iguais
Ai do meu tempo passado
Que foi e não volta mais
A minha rua è tão linda
Como outra igual nunca vi
Basta que lá esteja ainda
A casinha onde eu nasci


Bairro tristonho
Que foste um sonho da fadistagem
De aventureiros
E cavaleiros de alta linhagem
Bairro tranquilo
Tu ès aquilo que eu mais adoro
Minh'alma è tua
Bairro da rua aonde eu moro