As *4.350* letras publicadas referem a fonte de extração, o que nem sempre quer dizer que os artistas mencionados sejam os seus criadores !!!
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Se o motor de pesquisa não responder satisfatóriamente, aceite as minhas desculpas !!!
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Mãe Natal

Silva Ferreira / Jorge Atayde
Repertório de Ademar Farinha

Ao recordar os invernos / Oh minha mãe, Mãe Natal
Dos natais que não tivemos / Vejo o teu sorriso triste
Quando o teu filho afinal / Sonhava o que não existe

Naquela lareira fria / Punha os meus pobres xanatos
P'ra ver se ao romper do dia / O Pai Natal ou alguém
Mos trocara por sapatos / Para tos dar, minha mãe

Ó minha virgem morena / Prometo que hei-de oferecer-te
Se voltares a Portugal / Os sapatos que em pequena
Quiseste
e nunca tiveste / 
Ó minha mãe, Mãe Natal

Modo de amar

Manuel Carvalho / Franklim Godinho
Repertório de José Ferreira

Se tanto nos desejamos
Para quê contrariarmos
Nossa vontade de amar
É preconceito que existe
E o medo que lhe assiste
Que os outros posam pensar

No mundo em que vivemos
Meu amor nós não podemos / Viver a nossa aventura
Um dia vai acabar
Esta maneira de amar / Nossa vida è uma loucura

Tudo aquilo que pensamos
Um do outro o que gostamos / È só nosso, esse segredo
É um amor feito miragem
Por não termos a coragem / De enfrentá-lo sem ter medo

Gratidão

Letra e música de Jorge Fernando
Repertório de Tony de Matos

Quem dera ter
Nas mãos que em tuas mãos entrelacei
Momentos que me deste e eu te dei
Amor, quem dera ter
Quem dera ter
Na paz anunciada do futuro
Lugar para guardar amor tão puro
Meu amor, quem dera ter


Foste a jangada do mar inquieto em que eu andei
Foste o sereno das noites tormentosas que agitei
Foste o orvalho da folha ressequida e sequiosa
Foste a aventura que era a ave receosa

Poema amarrotado

Manuel Carvalho / Carlos da Maia
Repertório de Julieta Ribeiro

Não quero que ninguém veja
Se eu tiver que chorar
Por aí em qualquer lado
E proíbo quem quer que seja
Que me vá considerar
Um poema amarrotado

Claro que ás vezes sinto
A saudade do passado / Que não sai da minha frente
Mas como ao fado não minto
Quero cantar este fado / E ser feliz no presente

Vou guardar dentro do peito
O amor qu’eu mais queria / Para rimar a meu lado
Perdoem este meu jeito
Mas é que eu já não podia / Guardar p’ra mim este fado

Lá vai ela *Tristão*

Manuel Paião / Eduardo Damas
Repertório de Tristão da Silva

Lá vai ela, lá vai ela / Lá vai a descer a rua
Roubou-me o meu coração / Leva a minh'alma na sua

Desde que a vida um dia / Fiquei perdido d'amor
Lá vai ela e eu aqui / A sofrer toda esta dor

Lá vai ela sorridente
Feliz, contente, parecendo cantar
Lá vai ela, lá vai indo
E eu sorrindo p'ra não chorar


Lá vai ela, lá vai ela / Lá vai ela sem pensar
Que esta minha vida agora / È um tormento sem par

Roubou-me o meu coração / E em seguida quiz mo dar
Mas esta paixão que eu sinto / 
Não mo deixou aceitar

Trevo da minha sorte

Manuel Carvalho / Alfredo Duarte *fado louco*
Repertório de  Sílvia Raquel

Meu coração não resiste
Tento manter aparência
Por ti amor ando triste
A chorar a tua ausência

És minha sorte, meu trevo / Meu amor e meu pecado
Meu poema onde m’atrevo / A dizer que és o meu fado

Quero mandar-te num beijo / Meu lamento, meu recado
Dizer-te o quanto desejo / Viver na vida a teu lado

E nesta minha ansiedade / Nesta sorte sem escolhas
Faço rimar a saudade / Com trevos de quatro folhas

Meu amor guia teus passos / Para mim que sou teu norte
Volta amor para meus braços / 
És trevo da minha sorte

Maria da minha saudade

Letra e musica de Maria Guinot
Repertório de Tony de Matos

Tinhas ondas nos cabelos e promessas no olhar
Não sabia quem tu eras
Tive medo de perguntar por ti, a quem passava
Nas ruas da cidade
E na verdade preferi chamar-te só, Maria da Saudade

Maria da Saudade
Saudade porquê ? não sei !
Maria da Saudade
Do dia em que te encontrei

Foste imagem que passou e encontrou o meu olhar
Nunca soube quem tu eras
Tive medo de perguntar por ti, a quem passava
Nas ruas da cidade
E na verdade preferi chamar-te só, M
aria da Saudade

Trazemos

Manuel Carvalho / Fernando de Freitas *fado noquinhas*
Repertório de Filomena Sousa

Eu trago no meu cantar o sentir mais profundo
Poemas e doçura das palavras que me diz
Ele traz para me dar, seus braços o meu mundo
Nos olhos a ternura, razão de eu ser feliz

Eu trago neste fado um monte de desejos
E guardo estes segredos para ele desvendar
Ele traz para me dar, carinhos e seus beijos
E na ponta dos dedos, carícias para afagar

Eu trago no meu peito o fado que vos canto
E faço rimar depois, este amor como tema
Ele traz o seu jeito d’amar, que gosto tanto
E Deus traz-nos aos dois, a vida num poema

A tua boca

Letra e música de Marques de Carvalho
Repertório de Tristão da Silva

A tua boca, quando beija
È como lava de vulcão
E cada vez mais se deseja
O que talvez seja uma ilusão;
Porque a tua boca ardente
Nunca mente ao coração

Dá-me um beijo devagar
Para a boca não queimar
E mistura nesse beijo
A loucura dum desejo

Foi a semente dum grande amor / Q
ue fez nascer
Boca tão quente / Que o seu calor me faz viver

E se a minha vida louca / um beijo tem de acabar
Minha boca há-de chamar / P'rá beijar, a tua boca

Canção ao vento

Manuel Carvalho / Franklim Godinho
Repertório de Rosina Andrade

Cantei poemas ao vento
Voei nas asas do tempo
À procura  da verdade
Recuso ter que aceitar
Que a vida só tem p’ra dar
Amargura, infelicidade

Ainda existe pureza
Nas coisas da natureza / E é tão bom ser amado
No olhar duma criança
Também vi acesa a esp’rança / Que anda de nós arredada

Passei a noite acordada
Nos braços da madrugada / À procura do amor
Eu não quero acreditar
Que se viva sem amar / Que a vida seja só dor

Olha o sol que ainda existe
E em cada dia persiste / Em voltar com sua luz
Apesar de tudo a vida
Vale a pena ser vivida / Bendito seja Jesus

Emigrante *T.Matos*

Manuel Paião / Eduardo Damas
Repetório de Tony de Matos

Saí da minha terra, certo dia
Sozinho, a caminho lá da França
Deixando para trás tudo o que amava
Deixando até, meus sonhos de criança

Lá longe tive então de arranjar vida
Lutando por um desejo bem sagrado
Levar minha mulher e os meus filhos
P'ra irem lá viver para meu lado

E agora em França
Trabalho
e vivo bem
Agora em França
Eu penso que afinal
Feliz, feliz, eu só serei no dia
Em que já possa voltar p'ra Portugal


Lá longe desta terra, sou estrangeiro
Lá longe desta terra às vezes choro
E muitas noites só, eu sonho e rezo
E o meu regresso, a Deus então imploro

No dia a dia então eu vou pensando
Que aos estrangeiros dei a mocidade
Depois sozinho, eu sinto ir chegando
A companheira que è a saudade

Sou assim

Manuel Carvalho / Casimiro Ramos *fado três bairros*
Repertório de José Ferreira

Meu amor, eu reconheço
Por vezes não te mereço
Pelo meu modo de ser
Os meus caprichos aturas
E nunca amor te saturas
Da maneira de eu viver

Sei que mereço castigo
De não ser tão teu amigo / Como tu ées minha querida
Eu tenho-te acompanhado
De mãos dadas lado a lado / Nas amarguras da vida

Os nossos filhos que amamos
E a muito custo criamos / São o orgulho sentido
Testemunhas de verdade
Das horas de felicidade / Que na vida temos tido

Fiz este fado p’ra ti
E as palavras que escrevi / Foi o meu peito a ditar
Eu sei que gostas de mim
Perdoa mas sou assim / È meu jeito de te amar

Meu Porto meu fado

Manuel Carvalho / Rogério Bracinha *Lisboa não sejas francesa*
Repertório de Margarida Lima

Anda daí vem comigo / Ver esta cidade
Anda ver o Porto antigo / Velhinho sem ter idade

Anda p’lo teu pé / Ao bairro da Sé / E à praça da Ribeira
Vai ver o sol-por que é lindo / À tardinha na Cantareira
         
Meu Porto
Guerreiro em granito
Escondes o grito feito à liberdade
Meu Porto
Tripeiro de gema
Que guardas o lema da minha cidade
Meu Porto
Meu berço dourado
Meu rio meu fado que tudo me diz
Meu Porto
Foi bem que fizeste
No dia em que deste nome ao meu país

Vem daí mete-me o braço / E traz teu balão
Acerta por mim o passo / Na rusga de S. João

Vê quanta alegria / Anda neste dia / No meio do bailarico
Vai à noite às Fontainhas / E compra lá teu manjerico

Procura sem fim

Mimon Anahory / Popular *fado menor*
Repertório de Celeste Rodrigues

Esta angústia sem remédio
Esta procura sem fim
Este vazio, este tédio
Que trago dentro de mim

Este não estar onde estou / Este querer o que não quero
Este não dar se me dou / Que è inferno e desespero

Este amar sem me prender / Mas sempre rendida a alguém
Querer fixar-me e não poder / A nada nem a ninguém

Este eterno apego à vida / Que não consigo explicar
Pois ando nela perdida / 
E não me sei encontrar

Rosário do meu fado

Manuel Carvalho / Carlos Neves *fado tamanquinhas*
Repertório de Laura Santos

Depois da luz se apagar
E as velas serem acesas
O fado vai começar
Andam sombras a bailar
Paira silêncio nas mesas

Quem se benze p’ra cantar / Com o seu xaile traçado
Traz tristeza no olhar
Traz contas p’ra desfiar / No seu rosário de fado

Quem canta seu mal espanta / Diz o povo e com razão
No fado que nos encanta
Nem sempre sai da garganta / O que manda o coração

Chora a guitarra dolente / Com seu suave trinado
Eu estou com minha gente
É assim neste ambiente / Que adoro cantar o fado

A vida é saber amar

Matos Maia / Raúl Pinto
Repertório de Tristão da Silva

A vida é corda vibrada
Silêncio na madrugada
Quando há maior solidão
È mais grito do que brado
Ė fado dentro do fado
È medo no coração

A vida é saudade feita
Da verdade que se enjeita / Tenha virtude ou defeito
È mistério em claridade
È mentira de bondade / È esperança dentro do peito

A vida è como a maré
Pequena réstia de fé / Para quem sofre castigo
A vida è saber amar
Aprender a perdoar / 
Como fizeste comigo

Mais vale tarde

Manuel Carvalho / Joaquim Campos *fado puxavante
Repertório de Aurísio Gomes

Por timidez minha querida
Nunca te digo a verdade
Quero-te mais do que à vida
P’ra to dizer nunca é tarde

Por ti meu peito ainda arde / E tão grande o meu querer
Meu amor mais vale tarde / Do que nunca to dizer

Diz o povo e com razão / Que nunca se engana, nunca
Em coisas do coração / Mais vale tarde que nunca

Não me tomes por covarde / Quando d’amor não te chamo
Sabes bem mais vale tarde / Digo a cantar que te amo

Nunca é tarde para amar / Quem tem fado na garganta
Mais vale tarde cantar / Mas saber o que se canta

Esta canção

Letra e musica de Alves Coelho
Repertório de Tristão da Silva

Não façam das palavras negras pedras
A quem palavras duras não pediu
A luta que travamos è pura e breve
Tal como as águas ao deixar o rio

De mãos dadas lutemos lado a lado
Somos todos iguais no mesmo chão
Que fique sempre um verso bem vincado
Nas bocas que só cantam a razão

Não se pode algemar a voz do fado
Lamento e voz dum povo que se solta
D'esperança esta canção em todo o lado
Gritando em cada fado uma revolta

Desejos sufocados

Manuel Carvalho / Georgino de Sousa *fado georgino*
Repertório de Patrícia Fernandes

Só o destino é culpado
De pôr os dois neste fado
De mãos dadas a sofrer
Por um amor que é segredo
Que só não vinga por medo
Morrendo assim ao nascer

Sufocamos os desejos
Numa promessa de beijos / Que não chegamos a dar
P’ra ninguém ser magoado
Foi cada um p'ra seu lado / Fiquei sozinha a chorar

Dizer adeus faz doer
E as palavras por dizer / Foram teu rosto molhado
Era tão grande a ternura
Mas só ficou amargura / Neste poema sem fado

A família portuguesa

Letra e música de Belo Marques
Repertório de Tristão da Silva

Poesia, oração, amor, bondade e luz
Saúde, valentia e gentileza
Com tudo isto à mão e um pouco de Jesus
Fez Deus toda a família portuguesa

Depois deu-lhe um país plantado à beira-mar
E o sol fez seu pupilo e seu parente
Nasceu duma raíz que a fé lhe foi buscar
Por isdo fez nais forte, a forte gente

Quem nasceu povo não sabe
A fortuna que lhe cabe
Por direito e por dever
Mas esta gente è tão boa
Que às vezes até perdoa
Ao mundo que a faz sofrer

Guerreiro, lutador, juíz pela razão
Nem sempre premiado pela glória
Fiel a um senhor chamado coração
Foi brando e sempre justo na vitória

Amou, lutou, sofreu revezes, sem contar
E o tempo foi mudando de juízo
Se o fado que aprendeu seu peito faz chorar
Encobre a própria dor com um sorriso

Assim è meu fado

Manuel Carvalho / Alfredo Duarte *fado cuf*
Repertório de Cátia Sofia

Mal tive a noção de ser gente
Nasceu p’ra mim o fado nesse dia
Agora deixem que m’apresente
Sou para todos vós Cátia Sofia

Trago junto à garganta o coração
Na minha voz o grito de criança
Que o fado seja sempre esta razão
Tão verde como um hino de esp’rança

Trago também o peito a transbordar
De sentimentos feitos de pureza
E ponho alegria em meu cantar
Porque o fado não é sempre tristeza

Trago neste mau cantar plebeu
A mensagem de paz o meu recado
Agradecendo a voz que Deus me deu
E fazer-me gostar tanto de fado

Quero abrir as portas mais secretas
Que o fado ás vezes fecha a quem é novo
Cantar pelas palavras dos poetas
O sentir mais profundo do meu povo

Não te deites a meu lado

Tiago Torres da Silva / José Manuel Rodrigues
Repertório de Cátia Montemor

Quando a noite adormecer / Acordando a madrugada
Não regresses a correr / Que eu não vou estar acordada

Adormeci de cansaço / E ao dormir só me envergonho
De levar o teu abraço / Para dentro do meu sonho

Quando entras sem ruído
No meu sono abandonado
Se eu tiver adormecido
Não te deites a meu lado


Ao romper de un novo dia / Quando o meu sono s'esvai
Sinto a cama mais vazia / Do que quando a noite cai

Não me procures depois / Que o meu sono não se atrasa
E, ou aprendes a ser dois / 
Ou não voltas nais p'ra casa

O fado que eu gostava

Manuel Carvalho / Alfredo Duarte *fado cuf*
Repertório de Aida Arménia

Gostava tanto um dia de cantar
Um fado que toda a gente sentisse
E tivesse o dão de poder dar
Felicidade àquele que o ouvisse

Com palavras feitas de verdade
E tivesse o amor só como tema
Onde fosse bom sentir saudade
E a vida fosse p’ra sempre um poema

Versos eram verdes cor da esp’rança
Desse verde azulado que o mar tem
Juntava-lhe um sorriso de criança
Afagos e ternuras de uma mãe

Meus versos, numa estrela pendurava
Para que toda a gente fosse capaz
De ler o fado que eu mais gostava
Num hino de amor feito de paz

Cuidado

Letra e musica de Frederico de Brito
Repertório de Celeste Rodrigues

Lá porque eu passei e não lhe falei
Você está zangado comigo, já sei
E pensa também que não faço bem
Mas eu cá na rua não falo a ninguém

Não seja ruím, ficamos assim
Não quero que fale na rua p'ra mim
Assim combinamos os dois
Mas tenha cuidado depois

Cuidado, cuidado
È assim o que está combinado
Nem você me conhece na rua
Nem eu digo a ninguém que fui sua
Não è por capricho
Nem è por ter medo
Mas è por questão de segredo


Você assim quis e foi o que eu fiz
E pode contudo, julgar-se feliz
As coisas que fez seriam, talvez
P'ra eu, já fartinha, deixá-lo de vez

Mas vamos lá ver como isto vai ser
Não quero, contudo, fazê-lo sofrer
Você nada conta depois
O que pode ficar entre os dois

Meu amor minha cidade

Manuel Carvalho / Franklim Godinho
Repertório de Maria Augusta

Meu Porto bordado a ouro
Nas finas rendas do Douro
Meu amor minha cidade
Ò minha jóia em granito
Que guardas em ti o grito
Do teu povo à liberdade

Do Bonfim à Cantareira
Do Amial à Ribeira / Cada rua tem história
Foi do “Ouro” triunfante
Que partiu o nosso Infante / A caminho da glória

O meu Porto destemido
Nunca, nunca foi vencido / E adora o São João
Quando lutou lado a lado
Com o nosso Rei Soldado / Ele deu-lhe o coração

A tua maior medalha
É teu povo que trabalha / Tripeiro mas com vaidade
És nobre e sempre leal
Deste o nome a Portugal / Nossa senhora te guarde

Longe de tudo

Fernando Peres / Renato Varela *fado varela*
Repertório de Tristão da Silva

Distantes, já tão sós, longe de tudo
Sofrer saudade apenas por sofrer
Que o nosso amor morreu num grito mudo
Dum beijo sem ter alma p'ra viver

Àquela hora o amor foi só tristeza
Ciúme que nasceu na despedida
E nesse adeus de mim, uma certeza
De que contigo foi a minha vida

Distantes, já tão sós, que nem sequer
A ilusão duma esp'rança me conforta
Na tristeza maior de seres mulher
Já toda a madrugada è noite morta

Presos no mesmo abraço e tão distantes
Já tão longe de tudo, ainda mais sós
A saudade sem fim, desses instantes
Quer o teu coração e a minha voz

Meu pai meu timoneiro

Manuel Carvalho / Nóbrega e Sousa *fado alenquer*
Repertório de Francisco Lisboa

Dos amores de todos nós / Amor de pai é talvez
O que menos canta a voz / Do coração português

Se o fado é oração / Canto nele este recado
Ó meu pai como era bom / Ainda te ter a meu lado
                  
Ó meu pai
Meu amigo verdadeiro
Meu amor meu timoneiro
Dos passos que eu ando a dar
Ó meu pai
Que saudades companheiro
Dessas noites de Janeiro
Com histórias p’ra contar
Ó meu pai
Sem ti a vida é mais dura
Há quem pense ser loucura
Eu ‘inda chorar por ti
Mas não meu pai
Sabes meu pai
São as saudades de ti

Os teus conselhos, meu pai / Guardei-os com devoção
Só a saudade não sai / Dentro do meu coração

Meu pai aí no além / Vela por meu amor
Eu cá na terra também / Rezo por ti ao senhor

Adeus não digo

Tiago Torres da Silva / José Marques do Amaral
Repertório de Cátia Montemor

Não sei se me despedi
Se te disse adeus, não sei
Mas depois chamei por ti
E ao chamar não te encontrei

Tavez tivesse chorado / À beira da despedida
Ou talvez seja o meu fado / Ir dizendo adeus à vida

E como os olhos são meus / E a dor também è minhaa
Não te vou dizer adeus / P'ra não me sentir sozinha

Mas se a tristeza me dá / A lonjura por castigo
Talvez te diga até já / 
Mas adeus, adeus não dig

Basta, nunca mais

Manuel Carvalho / Maximiano de Sousa *noite*
Repertório de  Alberto Alves

É verdade não o nego / Que foste o meu encanto
Mas eu devia andar cego / Para te amar assim tanto

Dei-te tudo quanto tinha / Fiquei sem nada e por fim
Fiz de ti uma rainha / E hoje ris-te de mim

Nunca... nunca mais te quero ver
Basta de tanto sofrer
Confesso estou cansado
Nunca... um homem nunca devia
D’amar quem não merecia
E depois ter este fado

Arrisquei tudo por ti / Por encanto ou feitiços
Mil anos envelheci / Por aturar teus caprichos

Agora vou ajudar / Meu coração a esquecer
E ensiná-lo a gostar / Só de quem amor lhe der

Cabelo solto ao vento

Jorge Rosa / Popular *fado menor*
Repertório de Celeste Rodrigues

De cabelo solto ao vento
Corro e não onde vou
Da lembelrança que ficou
Trago o meu corpo sedento

Seca-me a boca sem esp'rança / Dos beijos que tu me davas
Trago nos olhos, lembrança / Dos futuros que embalavas

Trago ainda nos ouvidos / Eco das tuas canções
E presas aos meus sentidos / Ai... quantas recordações

E neste meu desalento / Trago vida e sei que morro
Não sei onde vou, nas corro / 
De cabelo solto ao vento

Estas minhas saudades

Manuel Carvalho / Carlos da Maia
Repertório de Alberto Alves

Eu trago as unhas cravadas
Nestas minhas mãos geladas
Pela dor que sinto ainda
E meu peito amargurado
Por madrugadas cansado
Desta vida que não finda

A saudade permanente
Que me mói constantemente / Desde o dia em que partiste
Só o fado é lenimento
Que acalma meu tormento / Por esta estrada tão triste

Caminho ao longo do tempo
Impelido pelo vento / Que te leva o meu recado
Volta amor por caridade
Basta de tanta saudade / E traz o sol com teu fado

Velha Lisboa *Tristão*

Letra e musica de Fredrico de Brito
Repertório de Tristão da Silva

Sempre que canto este fado sinto alegria
Ao recordar o passado na Mouraria
Lembrar aquelas antigas vielas
Que causam saudade
Que deviam ser, portanto
A graça e o encanto de toda a cidade

Velha Lisboa, dona do fado
Tu sabes cantigas
Daquelas antigas
Que fazem chorar
Duma canoa e o Tejo irado
Que doido levasse
E p'ra sempre ficasse
Perdida no ma
r


Esta Lisboa garrida è mais Lisboa
Duma janela florida na Madragoa
Do Bairro Alto de negro basalto
Tão cheio de fama
Ou aquele aspecto belo

Que tem o Castelo, vizinho d'Alfama

A procurar me perdi

Manuel Carvalho / Nel Garcia
Repertório de Eduardo Alípio

Eu juro que procurei
E a procurar me perdi
Na hora que t’encontrei
Fiquei perdido por ti

Para não mais te perder / Segui na vida teus passos
Acabei por me prender / Na cadeia dos teus braços

E quando a sede chegava / Em tua boca eu bebia
Quantos mais beijos te dava / Mais a ti eu me prendia

E se um dia mesmo assim / Eu me perder por castigo
Vai à procura de mim / E fica de vez comigo 

As meninas dos teus olhos

Manuel Carvalho / Armando Machado *fado licas*
Repertório de Manuel Soares

Dentro desses olhos tão bonitos
Andam duas meninas a bailar
Foram duas janelas com escritos
Que muitos alugavam p’ra brincar

Logo que teus olhos encontrei
Na rua d’amargura, do pecado
Não os quis alugar, nem os comprei
Mas fiz deles na vida o meu fado

Agora as meninas dos teus olhos
Brilham de felicidade e tanto assim
Qu’esqueceram na vida os escolhos
Só abrem as janelas para mim

Passam todo o tempo a conversar
Essas quatro meninas ò meu Deus
Adoro tanto vê-las a bailar
Nesses olhos bonitos que são meus

Tempo de fado

Letra e música de Mário Moniz Pereira
Repertório de Tristão da Silva

Tempos antigos com os meus amigos
Não custavam a passar
Tempo d'esperança que uma criança
Vive a brincar
Tempo esquecido, tempo perdido
Tempo passado
Noites seguidas muito vividas
Tempo de fado

Só tu ó madrugada
Foste a culpada do meu sofrer
Permite, por favor
Que o meu amor volte a nascer
Procura entre o luar
Alguém que venha amar
Só tu ó madrugada
Foste a culpada do meu penar

A raiva de ser assim

Manuel Carvalho / Armando Machado *fado súplica*
Repertório de Augusto Lopes

Pela taça da vida já bebi
Horas d’angustia, d’amargura
Tanto de saudade já sofri
E quase d’amor fui à loucura

A raiva que em meu peito mais me dói
É tentar ser feliz e não o ser
Ter sempre esta tristeza que me mói
A alma tão dorida de sofrer

Tentar compreender meu semelhante
Semear a virtude e tanto assim
Que ouvindo os outros num instante
Fico a sofrer por eles e por mim

O fado cantando, vou mantendo
Esta chama d’amor acesa em mim
Gritando que à maldade não me vendo
Sou aquilo que sou, nasci assim

História sem fé

Manuel Paião / Eduardo Damas
Repertório de Tristão da Silva

Ele era da Mouraria / E ela da Madragoa
Viviam longe um do outro / Mesmo vivendo em Lisboa

Um
dia a Rua da Prata / Numa esquina os dois juntou
Ele olhou, ela sorriu / E aquele amor assim começou

Passaram dias e meses
Que aquele amor foi paixão
Casaram os dois na Esperança
E foram p'ro Capelão
Tempos depois, numa tarde
Em que tudo era virtude
Levaram os dois a filha
À Senhora da Saúde


Ela cresceu e um dia / Numa rua de Lisboa
Ficou presa aos olhos negros / Que vinham da Madragoa

Ele falou do seu bairro / E ela falou do dela
E começou o namoro / 
Ele na rua rua e ela à janela

Dei-te uma saudade

Tiago Torres da Silva / Daniel Gouveia
Repertório de Cátia Montemor

Dá-me um pensamento para eu brincar
Que eu também invento um para te dar
Pensa num segredo, esconde-o em vão
Se
ele è um brinquedo esquecido no chão

Descubro as diferenças que nos vão ligar
Virando o que pensas, de pernas pró ar
Pego um pensamento, ponho-lhe outro em cima
E
paro um momento senão, estrago a rima

Dei-te uma saudade
Que deitaste ao rio
Dei-te uma saudade
Que morreu de frio
Dei-te una saudade
Que esqueceste em casa
No
correr da idade
Que a saudade atrasa


Tu vês o que penso como um dominó
Eu só te pertenço quando ficas só
Quando deixas ir os sonhos no vento
E ficas a rir do teu pensamento

Finda a brincadeira, abre-se o baú
Julgas ver-me inteira e eu julgo que ès tu
Mas só me convenço vendo a tua mão
Guardar o que penso no teu coração

Cantando pela cidade

Manuel Carvalho / Raul Pereira *fado zé grande*
Repertório de  António Passos

Andei a passear pela cidade
Por essas ruas tão do meu agrado
Levado p’la mão duma saudade
Que me guia sempre para o fado

Fui ao “São Nicolau” e à “Lareira”
Do “Veleiro” saltei à “Taberninha”
Passei p’la “Mãe preta” na Ribeira
P’ra comer uma isca tostadinha

Depois de me benzer lá nas “Alminhas”
Subi os “Guindais” duma assentada
Comprei recordações nas “Fontainhas”
No “Louro” ainda paguei uma rodada

Cantei no “Fafe” e fui ovacionado
E o “Zé Grande” cantei lá no “Repuxo”
Corri minha cidade mais o fado
Só não cantei nessas casas de luxo   

Rosa Maria do Capelão

Carlos Bessa / Manuel Maria Rodrigues
Repertório de Sandra Correia

Passa o dia à janela
A velha Rosa Maria
Da rua do Capelão
A quem passa, diz que foi ela
Que deu fama à Mouraria
Em tempos que já lá vão

A vizinhança sorri
Pega com ela ao passar / Pede p’ra cantar o fado
Começa então para ali
Num tom baixinho a cantar / Fados lindos do passado

Paira no ar a saudade
Na voz daquela mulher / Toda ela nostalgia
Capelão, sentes vaidade
Ouvindo o povo a dizer / Há festa na Mouraria 

Vou-te contar

Letra e musica de Diogo Clemente
Repertório de Carminho

Vem, vou-te contar por dentro dos meus sonhos
Como que uma aurora
Chegou de longe e veio p’ra me ver
Que envergonhada eu fui e agora

Vem, vou-te contar
Atravessou os meus versos, fez-se luz
Beijou-me as mãos, deixou-me o seu perfume
Negro lume a entrançar bem devagar
As linhas leves da minh’alma
Folhas da minh’alma, versos só de calma
E fez lugar do que era meu
E rescreveu, qual mão de Deus
As pedras que eram dor no meu caminho
E eu cega de paixão e de desejo
Dei-lhe um beijo sem querer

Parou o tempo aqui na minha boca e meu amor
Que aconteceu ?
Que tudo o que foi nosso à frase rouca de um adeus
Em ti morreu ?
Então olha os meus olhos e hoje vem, vou-te contar