<> Canal de Rádio criado em homenagem a RODRIGO <>
Clique na imagem e oiça a Rádio Bocas do Fado

<> <> <>
As 5.800 letras publicadas referem a fonte de extração, o que nem sempre quer dizer que os artistas mencionados sejam os seus criadores.

<> <> <>
Ninguém ignora tudo, ninguém sabe tudo. Todos nós sabemos alguma coisa, todos nós ignoramos alguma coisa.
Paulo Freire *filósofo* 1921 <> 1997

<> <> <>
Use o motor de busca *barra de links* para pesquisa rápida e fácil.

Verde limão

Letra e música de Arlindo de Carvalho
Repertório de Celeste Rodrigues

Dá-me a tua mão esquerda
Que quero abarcar
A direita não ta peço
Que já tens a quem a dar

Ó limão, ó verde limão
Solteirinha sim, casadinha não

Ó limão. ó verde limão 
Amor da minha’alma dá-me a tua mão

Ó luar da meia-noite
Alumia cá p’ra baixo
Que eu perdi o meu amor
E às escuras não o acho

Os olhos do meu amor
São grãozinhos de pimenta
Namorei-os na igreja
Ao tomar da água benta

Ruas do tempo

Amélia Muge / José Marques *fado triplicado*
Repertório de Pedro Moutinho

Mal sei de ti, mesmo quando
Ao teu lado pouso e ando
Que estranha forma de ver
Cada um para seu lado
Como se fosse um passado
Que ainda vamos viver

E esta coisa do amor / Tem um lugar para a dor
Onde supômos saber
E é certeza resgatada / À prisão acorrentada
À liberdade do querer

E digas o que disseres / Faças lá o que fizeres
Nós dois teremos um fim
Há um final adiado / Sempre que estás a meu lado
Mas que há-de chegar, enfim

Nada nos pode salvar / Desse fim, desse acabar
Que parece não chegado
Na verdade já lá estamos / E este perto a que nos damos
É só futuro adiado

Entre oceanos

José Luís Gordo / Arménio de Melo
Repertório de Luís Caeiro

Entre o mar que nos separa
Dos oceanos do mundo
Há uma guitarra que chora
Um canto que se demora
Num grito calado e mudo

Ganhamos este destino / Com caravelas de vento
Rotas de vento à bolina
Mas ninguém nos adivinha / As cordas do pensamento

Contam-me os mares da distância / Os segredos dos navios
Das rotas que me apetecem
Lá onde moram os frios / Que os marinheiros conhecem

E tu moras tão perto / Deste mar por mim salgado
Das lágrimas com que te canto
Meu país ganha-me o pranto / Que eu entrego a tanto fado

Agora

Nuno Miguel Guedes / Popular *fado menor*
Repertório de Maria Emília

Por vezes estou tão sozinha
Na imensa multidão
Que convido a tristeza
Para a minha solidão

E nesta triste conversa / Que me obrigo a ter comigo
Eu recordo essa promessa / Que te fiz, de estar contigo 

Em todos os rostos que vejo / Apenas vejo o teu
Mas de que serve o desejo / Se já sei que não és meu 

Respiro fundo e prometo / Que deixo a vida passar
Que hei-de vencer este medo / Que hei-de vencer este mar

De que me serve o passado / Senão p’ra mostrar a estrada
Evitar o passo errado / Começar tudo do nada 

De ti, fica uma memórias / De dias que já lá vão
Agora escrevo outra história / Sobre amores que aqui estão 

Não vivo o que já vivi / Não aceito dias mortos
Estou agora, estou aqui / A sonhar com outros portos 

Oi nha mãe

Letra e música de Custódio Castelo
Repertório de Mariza

Oi nha mãe que me deste a liberdade
Cala meu chorar, faz-me nascer outra vez
Cala também a dor desta saudade
Deixa-me ficar a olhar o teu olhar

Eu sou filha da distância
Que o mar da lua tem
A rua da minha infância
Foi colo de minha mãe

Busquei vida, cantei morna
Na praia de minha dor
Que bom filho a casa torna
Se em casa tiver amor

Sou da terra das canções
Do sentir da minha gente
Que em dia de sete sois
O luar fica mais quente 

Tarde demais

Florbela Espanca / Loic da Silva
Repertório de Sandra Correia

Quando chegaste enfim, para te ver
Abriu-se a noite em mágico luar
E para o som de teus passos conhecer
Pôs-se o silêncio, em volta, a escutar

Chegaste enfim, milagre de endoidar
Viu-se nessa hora o que não pode ser
Em plena noite, a noite iluminar
E as pedras do caminho florescer

Beijando a areia d’oiro dos desertos
Procurara-te em vão, braços abertos
Pés nus, olhos a rir, a boca em flor

E há cem anos que eu era nova e linda
E a minha boca morta grita ainda
Porque chegaste tarde, ó meu amor

Copo meio cheio

Mariza Liz / Mariza Liz / Tiago Pais Dias
Repertório de Marco Rodrigues

Estou tão triste aqui sozinho à espera dela
Com meu jeito meio sem jeito, não liguei
Mas depressa me senti perdido à chuva
Porque nem tentei

Passa o dia, a hora chega e não a vejo
Não aguento mais este bater de coração
Diz-me por favor se a viste, se sabes dela
P’ra acalmar a solidão

Não sei se vou hoje à noite
Nem sei se ela espera por mim
Talvez me digas
Volta p’ra lá… volta p’ra cá 
E diz-me quem lá está
Talvez também eu vá
Volta p’ra lá.. volta p’ra cá
Que um copo já não dá
Se ela não estiver lá


Aprumei-me, pus perfume, o melhor fato
Tudo isto para ver aquele sorriso
Mas não há nenhum sinal
Faltou a rede do meu paraíso 

Uma pena que me coube

Letra e música de Amélia Muge
Repertório Pedro Moutinho

Há um amor que não conheço
Pois não se dá a conhecer
Nunca se deita na minha cama
Nunca se senta à minha mesa;
Não sei sequer por onde anda
Nem sei se um dia o irei ver

Sopa dos pobres ao domingo
Lago de patos sem jardim
Pedra escondida no canteiro
Voz sem abrigo junto ao muro;
Terá saudades do futuro
Ou as saudades são só de mim?

Será que é uma pena que me coube?
Será que é uma pena que me coube?


Se o impossível já tem um rosto
Se o amanhã já se perdeu
Só sei que quero estar onde estou
Feita manhã dum sol já posto;
Feita poema sem alibi
Que se faz forma no estar aqui

Vai-se o mistério de um céu perfeito
Vem a certeza, que mais além
Alguém descansa neste meu peito
Já se faz minha tua presença;
Aqui se despem todas as crenças
E ficas tu e mais ninguém

Caminhos de Deus

António Sousa Freitas / Joaquim Campos *alexandrino*
Repertório de Amália Rodrigues

Quis dar-me Deus um fado, um rumo e uma estrada
Caminhos, eu sei lá aqueles que me deu
Quis dar-me Deus esperança e em tudo fui errada
Talvez porque troquei os seus fados p’lo meu

De tudo o que ficou ainda resta acesa
A chama da saudade, estrela já no fim
E nada vale a pena, basta-me esta certeza
Daquele caminho errado traçado para mim

De tantas ilusões perdidas uma a uma
Surgiu da noite agreste um luto que me amarra
Ficaram-me as esperanças e Deus que mas resuma
Na triste voz do fado e cordas de guitarra 

Mãe há só uma

Fernando Farinha / Alfredo Duarte *fado bailado*
Repertório de Fernando Farinha

Declamado
Chorei tanto, tanto, tanto 
Quando perdi minha mãe
Que até meus olhos ficaram
Sem uma gota de pranto
P’ra chorar por mais alguém

Dos desgostos que há na vida / O que mais nos faz sofrer
É sentirmos a partida 
Daquela mulher tão querida / Que um dia nos deu o ser

É triste perder um pai / Como eu perdi o meu
Mas perder a nossa mãe
É perdermos um pedaço / Da vida que ela nos deu

Oh minha mãe, minha mãe / Musa da minha canção
Que Deus te guarde no céu
Como eu te guardarei / Sempre no meu coração

Carta a um irmão brasileiro

Ulisses Duarte / Fernando Rebocho Lima
Repertório de Amália Rodrigues

Ai meu irmão brasileiro
Tivesse eu dinheiro
Ah meu irmão brasileiro
Tivesse eu dinheiro


Tivesse eu dinheiro iria à Bahia
Iria a Belém, Belém do Pará
Iria em visita a São Salvador
Iria a Brasília, assim não vou lá

Tivesse eu dinheiro iria ao Sertão
Beber poesia, até naufragar
Depois ficaria ouvindo o Catulo
Chorando poemas ao som do luar

Tivesse eu dinheiro iria ao Recife
Rio de Janeiro, tivesse eu juizo
Assim como posso, irmão brasileiro
Se o livro de versos só dá prejuizo

Santos, Salvador, Natal, Paraná
Brasília e São Paulo, Belém do Pará
Rio de Janeiro, Recife, Bahia
Manaus, Mato Grosso, Sertão, poesia 

Fado luz

Cátia Oliveira / Manuel Graça Pereira
Repertório de Sandra Correia  

És mais do que luz de presença
És a cruz, és a cruz
Luz negra, funesta crença
Que conduz, que conduz
À tempestade das horas
Que o corpo não descansa
O sono não me chega
Tira-me a paz, o apego
E sofro as tuas horas na tasca galega

Mas eu sei bem que um dia, um dia o fado
Há-de ser voz e vida deste brado
Eu hei-de dar à luz o mundo inteiro
E apagar-te a ti logo em primeiro


Habitas o meu tempo todo
Como um vício que luz
Impulso imparável profano
Só o caos te traduz
Que as horas livres não cansam
E o corpo só te pesa quando a manhã chega
Tira-me a paz, o apego
E sofro as tuas horas na tasca galega

Aquele bar

Letra e música de Amélia Muge
Repertório de Pedro Moutinho

Não sei se foi da chuva ou foi do dia
Que sobre nos caiu feito destino
E nos marcou ali a ferro e brasa
Na noite tão fria, tão sombria

E tu sem dizer nada derretias
Como se sol olhasse algum glaciar
E já tombava a lua feita gelo
Brilhando no teu copo de cristal

Não sei se foi da chuva ou foi do dia
Ou foi da luz ou foi da sombra
Ou foi da noite, do frio, do lugar
Se a culpa toda foi daquele bar


Não sei se foi da noite ou do instante
Da tua boca esquiva a flutuar
Sorria sim, talvez, o candeeiro
O resto era triste estava mal

Não sei se foi da luz, se foi da sombra
Tudo era tão inútil, tão esquivo
O tempo ali parado, adormecido
Já nada fazia, ali, sentido

Dali saímos nós muito depressa
Sem olhar p’ra trás, sem hesitar
Foi uma assombração ou só o medo
Um mal estar que há naquele bar

Pois ao chegar cá fora, que mansidão
Até o frio não quis reclamar
E ali tomamos logo a decisâo
De nunca mais voltar áquele bar

Partiu de madrugada

Letra e música de Nuno Figueiredo
Repertório de Mafalda Arnauth

Partiu de madrugada
O melro e o galo a par cantavam já
Levava a roupa, era tão pouca
O resto deixou cá

Com um bilhete onde se lia:
Amor, o beijo que aqui deixo
É do tamanho da saudade / E da vontade de voltar

Passou uma semana 
Um mês, não tarda, faz um ano já
E até agora dele  / Nem notícia boa ou má

Só esta dor que esmaga o peito
Não há direito, que má sorte
Traição é, se não foi morte  / A impedi-lo de voltar

Ar, falta-me o ar
Nem de janela aberta ele quer entrar
Falta-me o ar 
Um dia mais e nem carteiro vi passar

Rasguei com toda a raiva
As cartas dele, como foi capaz?
Veria o príncipe num homem / De tal modo atroz?

Forcei-me a esquecer o seu nome
E no horóscopo passava à frente
Sempre que leão surgia numa previsão

Mas Deus, que certo escreve
Mesmo que por linhas tortas, viu
Ao que parece o meu lamento  / E eis que um dia o vi
A par do galo em alarido
Surgir meu homem
Que trazia um anel e a intenção de ser / P’ra sempre meu marido

Ar, falta-me o ar
Nem de janela aberta ele quer entrar
Ar, falta-me o ar
Tanta andorinha na janela a poisar

Dias sempre iguais

Teresinha Landeiro / Acácio Gomes *fado bizarro*
Repertório da autora

Eu vejo o sol nascer todos dias
E sinto o vento leve de quando em quando
Eu roubo a luz da lua em noites frias
E oiço o mar ao longe suspirando

E a onda se desfaz quando me deito
Envolta nos meus sonhos desmedidos
Eu vejo renascer o sol desfeito
Em sonhos pela mente enegrecidos

E o dia não reclama a tua ausência
O mar, a lua, o sol, surgem iguais
Em sonhos eu recordo a tua essência
E o vento não o sinto nunca mais

Minha paz

Letra e música de Edu Krieger
Repertório de Maria Emília

Vai… meu coração vadio
A bater arredio
Por não poder amar
Vai… tamanho desatino
Surpresa do destino
Agora te encontrar

Quem dera bem maior que o oceano
Pudesse ser o amor que a gente tem
Porém em tua vida por engano
Existe outro alguém


Vai… meu coração vazio
Quer encher-se de um rio
Que corre pró teu mar
Onde não exista a distância entre nós
Nunca mais
E que eu possa ter meu acalanto em tua voz
Minha paz 

Seria esse o destino

Jorge Fernando Arménio de Melo
Repertório de Luís Caeiro

Seria esse o destino
Que a astrologia debate
Como uma ciência exata
A contrapôr-se ao destino
Como um nó que se desate
Na mente que o não acata

Estudam-se os mapas astrais
O Zodíaco e as razões
D'energias más e boas
A procurar os sinais
Das fundas alterações
Que há na vida das pessoas

Dão o dito por não dito
E se a verdade não mente
Nas razões que em si encerra
Em que estrela estará escrito
Que de fome morra gente
Todos os dias na terra

Nosso tempo

Letra e música de Angelo Freire
Repertório de Mariza

Noutro tempo em que nós dois
Demos tudo p’ra ser tanto amor
Não sei como descrever
Os teus olhos nos meus 
Cansados da partida
Não ficamos para depois
Num tanto que se desfaz em dor
Há um dia que amanhece
E o coração esquece 
A dor da alma ferida

Não vou fechar-te as mãos nesta alvorada
Num tempo em que esta dor nos fez amar
Dar voz à tua voz tão magoada
Perdoa meu amor, quero ficar
Não vou limpar teus olhos de tristeza
Vou dar-te a minha mão, vou-te contar
As saudades que tinha na incerteza
De vencer o teu amor e teu olhar


Noutro tempo em que nós dois
Abrimos o coração p’ra ver
As lembranças que entre nós
Sobraram p’ra dizer 
Que o amor nunca morreu
Ouve agora a minha voz
Que pelo teu amor se faz viver
Deixa a noite em nós nascer
E no meu peito morrer 
A dor que em ti viveu

Fado do cobarde

Guilherme Alface / João Direitinho
Repertório de Marco Rodrigues

Abres a porta e vais embora
Nem te despedes de mim
Meu amor não fujas agora
Está a chegar a hora
De voltar pró pé de ti

Deixas a chave à entrada
Num vaso com flores para ti
E nesta última jogada
Vês que ao saíres de casa
Não tens como voltar p’ra mim

Sais e a noite leva o dia, não há mais sol para ver
Sei que não voltas aqui e eu feito cobarde
Não sigo em frente e espero por ti


Deixas dor na minha voz
Fica tão áspera de pena
Todos os versos sobre nós
São agora mais um poema
P’ra ler um dia se formos avós

Digo baixinho ao ouvido
De quem me quiser ouvir
O meu sonho é ficar contigo
E se eu um dia consigo
Juro nunca mais vais fugir de mim 

Queira Deus

Linda Leonardo / Alfredo Marceneiro *fado cravo*
Repertório de Maria Emília

Queira Deus que este meu fado
Tão sentido e tão amado
Revelação do que sou
Contenha as palavras certas
Das minhas noites incertas
Quando cantando me dou 

Queira Deus, que este meu canto
Tenha do fado o encanto / Que trago por companheiro
Para cantar a saudade
Não pode existir vaidade / Quando o fado é verdadeiro

Queira Deus, com seu poder
Que o faça renascer / Porque o fado é oração
Pois quando o fado se canta
Filtramos pela garganta / O que vai no coração

Queira Deus que a minha voz
Seja o rio que chega à foz / Na maré dos olhos meus
E que nunca tenha fim
O fado que vive em mim / Que seja assim, queira Deus 

Por tanto te amar

Carolina Deslandes / Diogo Clemente
Repertório de Mariza

Tentei-te falar do sol que sempre nasce
Do tempo que a correr faz com que a dor passe
Mas nada nos teus olhos brilha
Sobre este mundo e as suas maravilhas

Tentei-te falar na água das fontes
Deste verde prado e do cume dos montes
Mas nada no teu corpo acorda
O mundo tem-te numa corda

Tu queres-te soltar como os navios
Para uma viagem sem regresso
Falas-me da dor dos dias frios
E do amor que te ardeu o avesso;
Tu queres-te soltar com os navios
Com um adeus e nada a acrescentar
Nos meus olhos correm mil rios
Mas deixo-te ir por tanto te amar


Tentei-te falar da neve nas colinas
De amor que ao chegar faz sorrir as meninas
Mas nada no teu peito pede
O mundo matou-te de sede

Tentei-te falar das flores lá das ribeiras
Dos versos dos cantores e do calor das fogueiras
Mas nada te devolve o norte
A vida entregou-te a morte 

Um fado ao contrário

Maria do Rosário Pedreira / Amélia Muge
Repertório de Pedro Moutinho

Canta-me um fado ao contrario
Não digas que não te vejo / Olha de trente p’ra mim
Se o amor fosse um calvário
Amargo seria o beijo / Quando eu to desse por fim

Amargo seria o beijo / Se o amor fosse um calvário
Olha de frente p’ra mim / Não digas que não te vejo

Canta-me um fado ao contrário
Um fado ao contrário
Canta-me um fado ao contrário


Canta-me um fado ao contrário
Não digas que não te ligo / Abre-me o teu coração
Nesse jogo solitário
Parece haver um castigo / P’ra ter direito à paixão

Parece haver um castigo / Nesse jogo solitário
Abre-me o teu coração / Não digas que não te ligo

Canta-me um fado ao contrário
Seca as lágrimas choradas / Que isso a ninguém já comove
Deita fora o teu rosário
De contas que estão erradas / E tira a prova dos nove

De contas que estão erradas / Deita fora o teu rosário
Que isso a ninguém já comove / Seca as lágrimas choradas

Não digas mal dele

Linhares Barbosa / Armandinho *fado mayer*
Repertório de Amália

Foi mau, não minto, falso, ruim, vil e cruel
Mas não consinto que ao pé de mim digas mal dele
Tu és banal, não se perdoa, não é decente
Dizer-se mal de uma pessoa que está ausente

Não, não tolero
E não quero trazer de novo à cena
Dor que ainda me dói
Não foi nada contigo
Não, não tolero
A não ser que tenhas pena
De não ser como ele foi
Para meu maior castigo

Tudo ruíu como um castelo feito de areia
Deves tal brio e não trazê-lo à minha ideia
Agora é tarde para censuras, sabe-lo bem
Que Deus o guarde de desventuras e a nós também

Não sei se a tristeza é triste

Amélia Muge / Filipe Raposo *fado raposo*
Repertório de Pedro Moutinho

Será que a tristeza é triste
Eu não sei se é assim
Talvez seja como eu
Sempre à procura de mim

Não sei se teus olhos choram / Mesmo quando não parece
Se me querem enganar / Quando a tristeza acontece

Nada se deixa prender / Diz o tempo e com razão
Nem os laços do amor / Sempre a fugir-nos da mão

Qualquer coisa que me escapa / Minha tristeza é assim
Quanto mais triste me vejo / Mais triste fujo de mim


A ruga

Luísa Sobral / Jaime Santos *fado latino*
Repertório de Marco Rodrigues

A ruga que se nota bem ao espelho
Discreta oferece o seu conselho
Sem que se note a falta de pudor
Suavemente fala-lhe de amor

E pede-lhe que esqueça o sentimento
Que já lhe trouxe tanto sofrimento
Pois se ninguém a quis p’ra todo o sempre
Porque será agora tão diferente

E segue o seu discurso preparado
P’ra quando aparece um namorado
Agora é raro alguém a visitar
Sabendo que ela já não quer amar

A ruga vé-se enfim vitoriosa
Depois de ver chorar a D.Rosa
Não lhe quer mal, mas não quer dividir
A cara com as rugas de sorrir 

Um dia cheguei-me a ti

Almeida Santos / Fontes Rocha *fado lavava no rio*
Repertório de Maria Emília

Um dia cheguei a ti
E na paz com que te vi
A minha voz hesitou
Dessas palavras cansadas
Que me saíam magoadas
O nosso amor acabou

Tu ergueste os olhos negros
Rompeste o meigo sossego / Do sentir, sem protestar
E vi-te silencioso
Perder a calma, orgulhoso / Chegaste a mim a chorar

Conheci minha fraqueza
De sentir esta dureza / De fazer nascer-te a dor
E vi ao longe, em pedaços
A ternura desses laços / Que sustinham nosso amor

Vi então quanto me amavas
Que lágrimas derramavas / Como infantis cristais
Beijei-te as mãos ternamente
Afaguei-te docemente / E não te vi nunca mais

A última canção

Angelo Freire / Angelo Freire e Pedro Soares
Repertóriode Sandra Correia

Noite, céu que me alimenta a solidão
Noite, peço ao vento a voz do coração
Noite, quando a vida pesa em pensamentos vãos
Entrega as tuas mãos e dá-me o teu perdão
Não sei se o tempo cura as feridas da ilusão

Não sei de mim p’ra te encontrar
Viajo em nós p’ra te mostrar
Que a noite em mim
Faz nosso amor ser mais verdade
Quero que saias lentamente
Para que eu não te sinta ausente
E te prender
Ao doce encanto da saudade

Sinto, que a vida me deu amor
Tanto, que o meu céu ganhou mais cor
Espero p’la saudade intensa a cantar só para nós
Para não estarmos sós, deixa-me ouvir-te a voz
Que o meu silêncio te embale ao som da madrugada

Sou (rochedo)

Letra e música de Jorge Fernando
Repertorio de Mariza

Sou pálido som 
Que perde o dom ao ser cantado
Sou o escuro inteiro 
Do candeeiro mais que apagado 
E ouve-se o fado

Sou um rochedo em mar revolto
Um lamento que ora solto
Queima-me os lábios
Sou um olhar que busca a sorte
Que segue a estrela do norte
Pelos astrolábios


Sou a mão que investe 
Um ponto a leste por ti marcado
Sou por um instante 
A consoante do verbo errado
E ouve-se o fado

Balada do sino

Letra e música de José Afonso
Repertório de Amália

Uma barquinha lá vem lá vem
Dim-dem, a barquinha de Belém

Senhor barqueiro, quem leva aí?
Dão-dim, a barquinha de Aladim

Levo a cativa duma só vez
Dois, três, a barquinha do Marquês

Ao romper de alva, casada vem
Dim-dem, a barquinha que vai bem

Se a tem guardada deixe-a fugir
Dão-dim, na barquinha do Vizir

Lá vai roubada, lá vai na mão
Dim-dão, na barquinha do ladrão 

Graça da Graça

Manuela de Freitas / Pedro de Castro *fado pedro*
Repertório de Pedro Moutinho

Nasceu no Largo da Graça 
E a gente pergunta ao vê-la
Se ela tem nome de praça

Ou a praça o nome dela

Mora no Largo da Graça  / É Graça tão engraçada
Que a gente, quando ela passa / Já não vê graça em mais nada

Às vezes ela não passa / Mas já ninguém se acostuma
A que o Largo que é da Graça / Fique sem graça nenhuma

Pois faça a gente o que faça / Não se acha graça a ninguém
Se o próprio Largo da Graça / Sem Graça, graça não tem

Eu também fico sem graça / Se p’ra meu bem ou meu mal
Ando às voltas pela praça / E da Graça nem sinal

Pergunto então a quem passa / Quando se riem de mim:
Mas onde é que está a Graça? / Que graça tem isto assim?

E oiço logo a ameaça / De sofrer grande castigo
Se Deus me fizer a graça / Da Graça engraçar comigo

Deus também sai a ganhar / Caso o milagre se faça
Mil graças a Deus vou dar / Em troca daquela Graça

Nem que seja p’ra desgraça / Para a Graça não perder
Acho que vou achar graça / Ficar no Largo a viver

Nem que seja p’ra desgraça  / Da Graça é que tu não sais
Graça do Largo da Graça / Não te largo nunca mais

Mal dormido

Pedro da Silva Martins / Luís José Martins / Pedro da Silva Martins
Repertório de Marco Rodrigues

Pela noite mal dormida, o salto na madrugada
Pelo escaldão na cozinha, pela papa entornada
Eu quero colo, quero colo, quero colo
Ou uma noite descansada

Pelo zumbido nos ouvidos, por esta peça pisada
Pelos berros, pelos gritos, pela fralda e pela fralda
Eu quero colo, quero colo, quero colo
Ou uma noite descansada

E toca não tarda nada o despertador e sei
Como se não fosse nada adormece e fica bem
Eu também, eu também, eu também 
Também quero a minha mãe

Pela molha, pelo banho, pelas costas amassadas
Pela baba, pelo ranho, pela água pela barba
Eu quero colo, quero colo, quero colo
Ou uma noite descansada

Pelo pontapé em cheio, pela viola riscada
Pela folha com um verso na sanita, mergulhada
Quero colo, quero colo, quero colo
Ou uma noite descansada 

Um pouco mais d’além

Maria de Lourdes de Carvalho / Amadeu Ramin *fado zeca*
Repertório de Pedro Lisboa

Eu cumpro do destino a lei exata
Do homem que sofrendo chora e canta
Eu cumpro esta pena que me exalta
De amar mais do que a própria lei nos manda

Eu amo aqueles que não entendo
No bem ou no mal, que me desejam
Eu amo os astros, o mar e a terra
Os seres que erguidos não rastejam

Amarei em ti, mulher, a criação
Divino e humano em ti transborda
Amo a paz da criança quando dorme
E a alegria sincera quando acorda

História mal contada

Tiago Torres da Silva / Carlos Barreto
Repertório de Sandra Correia

Ainda assim, porque tu existes
Mesmo os dias tristes terão alegria
Ainda assim, só porque te adoro
Até o que choro me faz companhia

Ainda assim, porque te amo tanto
Quando me levanto, sei que tu sorris
Se tu p’ra mim és mais do que um Deus
Até dizer-te adeus me deixa feliz

Entre nós, uma estrada tão comprida
Entre nós, uma história mal contada
Mas tu és o amor da minha vida
Entre nós há tão pouco
Há tão pouco ou quase nada
Entre nós, uma jura não cumprida
Entre nós uma dor desperdiçada
O amor nunca quer contrapartida
E eu sei que posso amar
Amar sem ser amada

Ainda assim, sei que há um momento
Em que eu só te invento se falar de mim
Ainda assim, quando digo não
Sei que o coração só vai dizer sim

Ainda assim, porque te desejo
Invento o teu beijo nesta boca nua
Se tu p’ra mim, és mais do que a vida
Até na despedida hei-de ser só tua

O nosso amor

Domingos Gonçalves da Costa / Joaquim Campos *fado tango*
Repertório de Cidália Moreira

Meu amor, vou suplicar-te
Não me fales mais assim
Se de mim queres livrar-te
Deixa de pensar em mim
P’ra que eu possa olvidar-te

Por muito te amar e querer
Corpo e alma te entreguei
Não me arrependo sequer
Nem tão pouco te roubei
Ao amor d’outra mulher

É teu, meu amor feliz
Como o luar é da lua
Já que o destino assim quis
Ou ditosa ou infeliz
Até à morte sou tua 

Janela de Lisboa

Francisco Nicholson / Nuno Nazareth Fernandes
Repertório de Marina Mota
Da revista *A prova dos novos* 1988

Desta janela eu posso ver a terra inteira
E a minha rua só acaba se eu quiser
Parto num sonho co’a saudade à cabeceira
E quando acordo outra manhã se fez mulher

E um turbilhão de ideias loucas me devora
Quando me perco meio tonto em teu olhar
Quando me encontro no teu grito que demora
Então eu sei que a hora é certa de te amar

Voo, sobre o céu de Lisboa
Mas não vejo fragatas entre os braços do Tejo
Sonho, mas já não há canoas
Nem varinas gaiatas a quem roubar um beijo
Olho, vejo arcadas vazias
Onde falta o Pessoa, o Césario e o Botto
Lembro, junto ao cais melodias
Que embalavam Lisboa
E recordam Lisboa ‘inda eu era garoto

Duas colunas a um passo do Castelo
E um Terreiro onde moraram ilusões
Gatos vadios ainda se batem em duelo
Sob o olhar da velha estátua do Camões

Num golpe de’asa raso o cimo do Convento
Cruzo a Avenida, esqueço a sede no Rossio
Um cacilheiro rasga as águas num lamento
E a noite aos poucos vem deitar-se com o rio

Fado ao Porto

Letra e música de Amélia Muge
Repertório de Sandra Correia

De longe te vejo como um ponto incerto
Que logo ao crescer
Se faz linha de água, forma, mancha rio
Vestido de escuro

Por dentro das casas
Por baixo da água, submarinamente
Olhamos o fundo, entramos em casa
Somos peixe, limo

Eu vou num barco Rabelo
Por cima da ponte, pertinho do céu
No cais da Ribeira passa a minha sombra
E é na tua água, que eu me vejo ao espelho

Regatos de vida correndo p’las ruas
Espelhadas no rio 
Por dentro da água agitam-se as gentes 
Correndo por ela

Tens as mãos da tarde, os olhos da noite
Sorriso de aurora
E é pelos teus passos, que marcam as ruas
Que eu sei que és cidade, Porto

Sobem p’la garganta, fados impossíveis 
De serem cantados
Dão frescura aos lábios, soam no mercado
E a manhã se espanta

Todos os amores por ti já são rio
São águas de prata
No eterno desejo de estar entre margens
Saudando as aragens

Lisboa

Isidoro de Oliveira / Alfredo Marceneiro *lembro-me de ti*
Repertório de Manuel Cardoso de Menezes

Eu lembro-me do Tejo como era antigamente
Fragatas encostadas junto ao Cais da Ribeira
A gente a trabalhar cantava alegremente
Fazendo da canção alívio da canseira

Lembro-me das varinas da velha Madragoa
De canastra à cabeça logo ao romper do dia
A chinelar ligeiras nas ruas de Lisboa
Fazendo do pregão um hino de alegria

Lembro a zona elegante e culta, do Chiado
Mas culta e elegante muito à nossa maneira
Vinda do Bairro Alto uma brisa de fado
Fazia portuguesa a própria Brasileira

Lembrar Lisboa antiga não nos causa tristeza
Esse tempo passou e o tempo não perdoa
A Lisboa moderna tem a sua beleza
O povo não mudou… e o povo é que é Lisboa 

A Rita yé yé

Letra e música de Alberto Janes
Repertório de Amália Rodrigues 

A Rita do Zé mora ali ao pé
De uma aldeia que é perto de Caneças
E quer ser yé-yé… mas o pai, o Zé
Que não é, e que é de partir cabeças

Diz para a Rita: pensas que és bonita
Mas corto-te a guita e corto-te-a já
Vai para casa, vai lavar a loiça
E ai de ti que eu oiça mais, lá-lá-lá-lá

E a Rita vai, tem medo do pai
Só quando ele sai, como ele não vê
Despreza o conselho que o conselho é velho
Em frente do espelho ensaia o yé-yé

Quem terá razão nesta confusão
Que há na união do Zé e da Rita
E a ideia de tal moda faz andar à roda
O juízo tão preciso lá na aldeia toda

E a pobre Rita, que é pobre e bonita
E que ouviu na fita música de agora
Tem de calar a sua vocação
Não canta a canção que ela quer e chora

Nessa altura o Zé, quando assim a vê
Não sabe porquê, nem o que fazer
Pensa para si: anda gato aqui
Eu já percebi, coisas de mulher

Cá fica a lição p’ra quem a aceitar
Deixem a canção a quem a cantar 

Foi Deus que assim quis

Frederico de Brito / Nóbrega e Sousa
Repertório de Ada de Castro

Quem foi o artista
Quem foi que pintou
O quadro mais lindo
Qe o mundo sonhou

Tem sonhos de cores, mistérios de luz
Mas tudo num gosto que prende e seduz

Há fontes cantando nos altos rochedos
Casinhas branquinhas por entre vinhedos

A gente vê rios descendo as encostas
Os choupos olhando pró o céu, de mãos postas

Sobreiros que contam cem anos e mais
E ainda são guardas de longos trigais

Os sinos das torres tangendo matinas
O gado pastando nas loiras campinas

Arribas de areia, muralha dos mares
O verde gritante dos vastos pomares

Valados cobertos de lindas roseiras
Barquinhos ao longe de velas ligeiras

Marinhas mostrando montanhas de sal
E tudo a falar-me do meu Portugal 

Alegre eu ando

Natália Correia / Fontes Rocha
Declamado por Natália Correia
Adaptação de Natália Correia para um poema medieval da autoria de Nuno Fernandes Torneol

Ergue-te amigo que dormes nas manhãs frias
Todas as aves do mundo de amor diziam 
Alegre eu ando

Ergue-te amigo que dormes nas manhãs claras
Todas as aves do mundo de amor cantavam
Alegre eu ando

Todas as aves do mundo de amor diziam
Do meu amor e do teu se lembrariam
Alegre eu ando

Todas as aves do mundo de amor cantavam
Do meu amor e do teu se recordavam
Alegre eu ando

Do meu amor e do teu se lembrariam
Tu lhes tolhestes os ramos em que eu as via
Alegre eu ando

Do meu amor e do teu se recordavam
Tu lhes tolhestes os ramos em que pousavam
Alegre eu ando

Tu lhes tolhestes os ramos em que eu as via
E lhes secastes as fontes em que bebiam
Alegre eu ando

Tu lhes tolhestes os ramos em que pousavam
E lhes secastes as fontes que as refrescavam
Alegre eu ando

Mais nada do que nada

Letra e música de Jorge Fernando *fado ricardo*
Repertório de Lenita Gentil

Porque apareces sempre em meu caminho
Como furtiva sombra a mim pegada
Porque apareces sempre
Quando estou sozinha
E em mim, não há mais nada do que nada
Porque apareces sempre em meu caminho
Como furtiva sombra a mim pegada

Porque te arrastas dentro da memória
E te demoras dentro do meu ser
Porque não sais de vez da minha história
E deixas outra história acontecer


Porque me dói no peito o frio açoite
A solidão rondando ao ver-me assim
E de repente aqueces
Aqueces minha noite
Porque esta dor, és tu dentro de mim
Porque me dói no peito o frio açoite
A solidão rondando ao ver-me assim 

Assim nasceu este fado

António de Sousa Freitas / Joaquim Campos
Repertório de Amália Rodrigues 

Ao ver teu olhos doirados
E esse jeito de pureza
Numa hora sem cuidados
Nasceu comigo a tristeza

E foi então que senti / Na minha alma outra dor
Ai, talvez porque te vi / Nasceu comigo o amor

Partiste e sou sofrimento / Sou loucura e ansiedade
Mais triste nesse momento / Nasceu comigo a saudade

Meu sonho ardeu num instante / Teus olhos foram meu lume
Naquela hora distante / Nasceu comigo o ciúme

Tornou-se mais frio o dia / Mais estranho e magoado
E à noite, que era sombria / Nasceu comigo este fado 

Um beijo, uma carícia, muito amor

Letra e música de Jorge Fernando
Repertório de Jose Manuel Barreto

Mulher, em tuas mãos sequei meu pranto
Molhei-as com o sal da minha dor
E a noite foi descendo, entretanto
Enquanto me beijavas, meu amor…
E eu que sem saber te amava tanto
Dei-te um beijo, uma caricia, muito amor

Mulher, em ti cresci minha semente
Emigrei em teu corpo por amor
Repousando o meu ventre no teu ventre
Minha alma sobre a tua se foi pôr…
E eu que te beijava docemente
Dei-te um beijo, uma caricia, muito amor 

Mulher, fui o poeta do teu dia
Da tua noite fiz-me trovador
Pelos vidros da janela amanhecia
Quando adormeceste meu amor…
E eu, já o cansaço me vencia
Dei-te um beijo, uma caricia, muito amor 

As meninas da Terceira

Rui Pilar / Arlindo de Carvalho
Repertório de Amália Rodrigues

Às meninas da Terceira / Nem São Miguel agradou
Vaidade é má conselheira / Nenhuma lá namorou

As meninas da Terceira / Vão casar ao Continente
Vejam lá a brincadeira / Não temos cara de gente

As meninas da Terceira 
Numa cantiga brejeira
São laranjas sumarentas
Quem dera saboreá-las 
Se não fossem de más falas
Azedas e ciumentas

Nem sequer vê alegria / Nesses pãezinhos sem sal
Quem foi a Santa Maria / E esteve já no Faial

Na Terceira bate a asa / Quem quiser moça formosa
É bem melhor fazer casa / Em São Jorge ou Graciosa

Na Terceira, a chamarrita / A ninguém dá namorada
Meninas, dança bonita / Não se quer tão deslavada

A Terceira leva o rico / Noiva rica dos Açores
O pobre escolhe no Pico / Casa no Corvo ou nas Flores