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Ninguém ignora tudo, ninguém sabe tudo. Todos nós sabemos alguma coisa, todos nós ignoramos alguma coisa. Por isso aprendemos sempre
PAULO FREIRE *filósofo* 19.09.1921 / 02.05.1997
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As 5.500 letras publicadas referem a fonte de extração, o que nem sempre quer dizer que os artistas mencionados sejam os seus criadores.
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Não olhes p’ra mim

Manuel de Almeida / Alberto Costa *fado dois tons*
Repertório de Manuel de Almeida

Não olhes p’ra mim não olhes
Eu vivo tão bem assim
Olha lá p’ra quem quiseres
E não olhes mais p’ra mim

Ando no mundo, enganado
Tu com calma, melhor escolhes
Se pra ti não valho nada
Não olhes p’ra mim não olhes

Se por mim sentes tristeza
Não tenhas pena de mim
Pois digo-te com franqueza
Que vivo tão bem assim

E se coração tiveres
Faz-me esta vontade, enfim
Olha lá p’ra quem quiseres
E não olhes mais p’ra mim

Se um dia voltasse atrás

Manuel de Almeida / Popular *fado mouraria*
Repertório de Manuel de Almeida

Não olhes p’ra mim, não olhes
Eu vivo tão bem assim
Olha lá p’ra quem quiseres
Mas não olhes mais p’ra mim 


Depois de tudo acabado / Entre nós, mais nada existe
Recordar um amor triste / Não te esqueças que é pecado

No mundo por Deus criado / Tudo tem começo e fim
E quando passares por mim / Na certeza que bem escolhes
Não olhes p’ra mim, não olhes
Eu vivo tão bem assim 


Voltar atrás era asneira / Sou firme, não tenhas dó
Vale mais uma dor só / Que sofrer a vida inteira 

Nosso amor foi qual fogueira / Que se apagou, teve fim
Mas a vida é mesmo assim / E sendo assim se preferes
Olha lá p’ra quem quiseres
Mas não olhes mais p’ra mim


Se um dia voltasse atrás / Recordando o que sofri
Confesso que era capaz / De ter só olhos p’ra ti

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Este tema foi gravado a duas vozes por Manuel de Almeida e Fernanda Maria
com o título *Não olhes pra mim, não olhes*

A jura

Manuel Andrade / José António Sabrosa *sextilhas*
Repertório de Ana Hortense

Quando tu te foste embora
Jurei que desde essa hora
Não te voltava a amar
Foi uma jura sagrada
Ao pé da cruz levantada
Naquele sagrado altar

Mas mal essa jura louca
Saíra da minha boca
Já eu lhe tinha faltado
Pois desde logo senti
Que pensava só em ti
Nesse momento sagrado

E dessa cruz lá do alto
Eu senti num sobressalto
Uma voz a segredar;
Nunca faças juras dessas
Pois pra faltar a promessas
Vale mais nunca jurar

Espalhem flores pelo chão

João Fezas Vital / Raúl Silva
Repertório de Maria da Fé

Pelo sol que vai nascer
Nos meus olhos, por te ver
Canto mais livre e sem dor
Pois pressinto a liberdade
Num instante de saudade
E em cada gesto de amor

O teu jeito de dizer
Que tens gosto em viver
Faz da noite madrugada
Ai meu amor, meu amor
Seja medo, seja o que for
Não me lembro de mais nada

Valha-me Deus, que loucura
Minha tristeza tão pura
E tão longe da razão
Não tem passado nem fim
É o sol inteiro em mim
E uma flor em cada mão

Ser fadista é ser assim

Manuel Andrade / Jorge Ganhão
Repertório de Rodrigo

Sou fadista porque o fado
Me traz na vida arrastado
Preso a um cruel destino
Sou fadista porque a sorte
Me faz caminhar sem norte
Num correr ao desatino

Andam pairando nos céus
Gritos loucos que são meus
São fados que espalho ao vento
São ecos chorando em mim
História de noites sem fim
Voz rouca do meu tormento

Ser fadista é ser assim
Colher rosas num jardim
P’las próprias mágoas regado
Retratar a própria vida
Naquela canção dorida
A que o mundo chama fado

Ai, a noite é tão pequena

João Fezas Vital / José António Sabrosa *sextilhas*
Repertório de Carlos Macedo

Gosto tanto de te ver
Quando vens e és só mulher
E de mim não trazes nada
Gosto tanto, meu amor
Que nem escondo esta dor
De não querer a madrugada

Se ao menos, ver-te chegar
Fosse partir e ficar
Em ti, por ti, sem saudade
Na hora de sermos dois
O frio dos meus lençóis
Não queimaria a verdade

Ai, a noite é tão pequena
Para me alegrar a pena
De saber que vais partir
Sem que eu feche minha mão
Onde fica o coração
Que me ensinou a sorrir

Alentejo solidão

José Régio / Jorge Ganhão
Repertório de Rodrigo

Alentejo, solidão
Solidão, ai Alentejo
Solidão ai Alentejo
Além-tejo, solidão

Oceano de ondas de oiro
Tinhas um tesoiro perdido
Nos teus ermos escondido
Vim achar o meu tesoiro

Convento de céu aberto
Nos teus claustros me fiz monge
Perdeu-se-me a terra ao longe
Chegou-se-me o céu mais perto

Padre-nosso de infelizes
Encoberto de cadeias
Mas estas com que me enleias 
Deram-me asas e raízes

Ao fado dei minha voz

João Fezas Vital / Popular *fado das horas*
Repertório de João Braga 

Se cantar em tom magoado
E cantar chorando até
Faz que o canto seja fado
Nem sempre o fado assim é

Se choro cantando o fado
Nem sempre choro por mim
Trago no peito guardado
Um mundo que não tem fim

Cantar, cantar é saber
As dores que o mundo tem
Mas cantar é conhecer
As alegrias também

Ao fado dei minha voz
Meus sonhos, minha vontade
Ao fado dei minha voz
E a minha liberdade

Meu amor que me dói tanto

Editado em livro com o título *Amor que me dóis tanto*
João Fezas Vital / António Chaínho
Repertório de Teresa Siqueira

Noite branca, noite estranha
Em que doámos o copo
À vontade de viver
Ai meu amor, noite estranha
Perdidos no tempo morto
Do sol tardio a nascer    

Olhos tristes, teu olhar
Sal amargo da verdade
Se te davas e morrias
Desespero de madrugar
De encontro ao frio da cidade
Exaustos na hora fria

Ai amor, quisera Deus
Que eu pudesse ser alguém
Da tortura deste espanto
Solidão de serem teus
Os olhos de mais ninguém
Meu amor que me dóis tanto

Saudade vai-te embora

Letra e musica de Júlio de Sousa
Versão: Fernanda Maria
Repertório de Celeste Rodrigues

Olho a terra, olho o céu
E tudo me fala de ti
Do teu amor que perdi
Quando a minh'alma se perdeu

Sim, a única verdade
Presente no nosso amor
Tem como imagem, a cor
Tão bela e triste, da saudade

Saudade, vai-te embora
Do meu peito tão cansado
Leva para bem longe este meu fado
Ficou escrita no vento esta paixão
E à noite o vento é meu irmão
Anda a esquecer a tempestade
Também quero olvidar esta saudade
Ai de mim que eu não consigo
Volta amor porque é verdade


Vai-se a dor, volta a alegria
Vai-se o amor, fica a amizade
Só não parte do meu peito
Esta profunda saudade

Porque será que não vens
Espreguiçar-te nos meus braços
Porque será que me tens
Na poeira dos teus passos

Um tempo que passou

Chico Buarque / Sérgio Godinho
Repertório de Liliana Martins

Vou, uma vez mais, correr atrás
De todo o meu tempo perdido
Quem sabe, está guardado
Num relógio escondido por quem
Nem avalia o tempo que tem

Ou, alguém o achou, examinou
Julgou um tempo sem sentido
Quem sabe, foi usado
E está arrependido, o ladrão
Que andou vivendo com o meu quinhão

Ou dorme num arquivo
Um pedaço de vida, vida
Vida que eu não gozei
Eu não respirei, eu não existia
Mas eu estava vivo, vivo, vivo
O tempo escorreu, o tempo era meu
E apenas queria
Haver de volta cada minuto que passou sem mim

Sim, encontro enfim. iguais a mim
Outras pessoas aturdidas
Descubro que são muitas
As horas dessas vidas que estão
Talvez postas em grande leilão

Voltarei à minha terra

Tiago Torres da Silva / Armandinho / Pedro Jóia
Repertório de Teresa Salgueiro

Voltarei à minha terra
Quando já estiver cansada
Do destino que me leva
A andar de estrada em estrada

Por enquanto eu adivinho:
Este destino que pra mim escolhi
Vai chegando de mansinho
Quando eu descubro o caminho
Que me vai levar a ti

Minha terra é a distância
Minha casa é o segundo
Em que eu lembro aquela ânsia
Que me chega da infância
E me leva pelo mundo

Por isso é que sou menina
E não vou mudar de idade
Chamo terra à minha sina
E chamo casa à saudade

Se o relógio se adianta
Prende-me o fado à garganta
E obriga-me a cantar
Como se a qualquer momento
Se escutasse a voz do vento
Nas profundezas do mar

Mas se o ponteiro se atrasa
Chamo terra e chamo casa
Ao antes e ao depois
Quando seguimos sozinhos
Vamos abrindo caminhos
Onde às vezes cabem dois

Mariquinhas

Silva Tavares / Popular c/arranjos de Celeste Rodrigues
Repertório de Celeste Rodrigues

É numa rua bizarra
A Casa da mariquinhas
Tem na sala uma guitarra... ó laré
Janelas com tabuinhas

Mariquinhas, como passou?
Olá, como tem passado?
Passei bem, muito obrigado... ó laré
Sem nunca o ter encontrado

Vive com muitas amigas
Aquela de quem vos falo
E não há maior regalo... ó laré
De vida de raparigas

Marcha de Santo António

Cátia Oliveira / Valter Rolo
Repertório de Liliana Martins

Tudo faz sentido se acorda bonito
O sol à minha porta, manhã cedo
Leva embora a mágoa, lava mais do que água
Cura-mea tristeza e o medo

Se traz chuva o dia, nada me alivia
O coração partido desta hora
Noite que consome, quase morre à fome
A alegria que tarda e demora

Mas sei que um dia não há-de ser São Pedro
A desdizer a vontade que há em mim
E há-de a chuva vir e trazer o vento
Há-de brandir até o Senhor do Bonfim;
Mas eu nasci pra ser feliz, amor
E o sol há-de nascer dentro de mim
Desde que acorde até a noite vir
Mesmo sem te ter hei-de sorrir

Tudo faz sentido, quando vens, querido
Por breve que seja a nossa paz
Levo embora as fúrias, esqueço as  injúrias
Deixo pra depois as horas más

É pouca a poesia, é triste a melodia
Que o adeus no fim sempre me deixa
Hás-de vir mais tarde, já no peito me arde
A dor de quem não tem direito a queixa

Mas sei que um dia ao ouvir me o Santo António
Há-de chamar-me a subir ao seu altar
Quer sejas tu, meu amor quem lá me espera
Quer tu não sejas e eu tenha outro par;
Quero ir feliz no meu vestido, amor
E sei que o santo há-de olhar por mim
Desde que acorde até a noite vir
Mesmo sem te ter hei-de sorrir

O tempo passa, quem o detém?

Fernanda Cardoso / José Crispim
Repertório de António Severino

O tempo passa, passa apressado
Passa por nós e sem cuidado
E sem parar, passa indiferente
À amargura de tanta gente

Passa sem dó e entretanto
Deixa ficar cabelo branco
O tempo passa, o tempo corre
Menino nasce e o velho morre

O tempo passa, quem o detém?
E a mocidade vai e não vem

Premonição

Letra e música de Carlos Leitão
Repertório do autor

E foi com os trejeitos do costume
Os olhos desmaiados sobbre a mesa
O riso envergonhado com perfume
Esquueceu o tempo
Cansou o lume
De quem me quer amar sem a certeza

Adivinhei, no adeus, a crueldade
De não saber de ti mais que agora
Acompanhei-te à porta sem vontade
Tentei o beijo
Quando a saudade
Não me deixou chorar sem te ires embora

Sonhos de fado

Fernando Gomes dos Santos / Joaquim Campos *fado rosita*
Repertório de Liliana Martins

Em cada noite assombrada
Pelos passos do passado
A minha alma fechada
Abre-se em sonhos de fado

Vem o som de uma guitarra
E logo os medos se vão
Cada nota que me amarra
Liberta-me o coração

São essas horas felizes
Que me aliviam as dores
Dão-me a força que as raízes
Dão à mais frágil das flores

A madrugada vai alta
Quando regresso ao meu leito.
Se um pesadelo me assalta
Canto-lhe um fado perfeito

Fado de Arraiolos

Carlos Leitão / Henrique Leitão
Repertório de Carlos Leitão

Os olhos deslumbrados pela loucura
Ao verem as searas desmaiadas
Imploram entre lábios de doçura
A morte de tão tristes madrugadas

Arrasta-se um silêncio mal tratado
Urgente, nesta sede de esquecer
E fica mais de mim, abandonado
E caio à escassa fome de viver

Nos campos onde o corpo tem sentença
Hé gritos de dois braços junto ao céu
Suplicando o fim em recompensa
Por tudo o que quisera a se perdeu

Mereço a tua imagem pelo trigo
A lonjura do amor que já não vi
O choro, meu amor, é o meu castigo
Porque afinal, fui eu que te perdi

Aqui tão perto de ti

Letra e música de Múcio Sá
Repertório de Lilana Martins

Perdida nas janelas da alma
Olho as cidades sem tempo
Cenários de vidas imaginadas
Distantes do trabalho intenso

Mundos no tempo imaginado, só eu o sei
Perdidos à entrada do labirinto

No meio da vastidão a poesia
De um dia a mais a viver
Janelas da alma sol do meio-dia
Riquezas de quem não tem o que fazer;
Cenários de vidas imaginadas
Frestas de luz ao amanhecer

E se o amor bate as asas e voa sobre nós
Eu vou ser feliz, hoje amanhã e depois
E se o amor bate as asas e voa sobre nós
Eu vou ser feliz aqui tão perto de ti

Nós somos a noite

Carlos Leitão / Guilherme Banza
Repertório de Carlos Leitão

Cheguei cedo
Com tempo e sem medo
Com flores e saudade
Abri as janelas
Às rosas mais belas
Da cor da cidade

Mora o teu cheiro
Que chega primeiro / Confunde-se em mim
É pena a demora
Mas pla luz da hora / Ainda bem que vim

Já não tenho idade
Tenho a liberdade / De um dia feliz (estás a chegar)
Abraços e beijos
Amor e desejos / Enquanto sorris

Agora que estás
Não olhes para trás / Fecha as portadas
Despe o passado
E deita-te ao lado / De mil madrugadas

Meditando eu a vi

Letra e música de Jorge Fernando
Repertório de João Pedro e Raquel Tavares

Meditando eu a vi
Olhar preso no além
Olhos, misto de ternura e de fé
Lembrando a minha mãe

Conversamos sobre a cor
Do mar em tempestade
Foi então que ela sorriu e o amor
Fez-se flor nessa tarde

Tão pouco foi o nosso tempo
Para tão grande paixão
Perdoa amor, eu partir sem adeus
Tarde na vida
Encontrei o teu amor, a tua mão
Mas espero, amor, o teu perdão e o de Deus

Setembro ia caíndo
E o mar se agigantava
E essa força que no tempo nos unia
Dia a dia aumentava

Mas o mar que tanto amara
Nos seus braços a levou
Sobre a areia que o mar há pouco molhara
O recado deixou

Então soube que ela descobriu a cor
Do mar em tempestade

Toma conta de mim

Cátia Oliveira / Manuel Graça Pereira
Repertório de Lilana Martins

Vou pôr o coração ao largo
E num gesto meio vago
Despedir-me sem ofensa
E só ao longe o peito amargo
Que há tanto tempo trago
Pode ser maior que a crença

Que este amor tão desnorteado
Desavindo, inabitado
Tenha ainda como amar

Mas toma conta de mim
Que me dá tanto medo
Este meio lugar
Entre o final e a chegada
De uma nova balada
Dói ser, dói errar

Fado de um tempo incerto

Letra e música de Carlos Leitão
Repertório do autor

Deixa toda a razão em que te quis
Porque ela morrerá sem te encontrar
Mesmo que o tempo seja o que se diz
O dia vai passar, mas devagar

E eu que era triste, assim serei
Um dia que é de chuva sem o ser
E assim tu não quiseste o que te dei
E tudo se repete sem viver

Sem hora, sem resposta, sem saída
Suspira a solidão reinventada
Se o tempo vai esperar, eu digo à vida
Que só tu vais chegar, de madrugada

Se o tempo não esperar, eu digo à vida
Que já não há razões na madrugada
Em vez de nós os dois, a despedida
Será a porta aberta para a chegada;
Se o tempo não esperar, eu peço à vida
Mais tempo para esperar a madrugada

Vinha dizer adeus

Rosa Lobato Faria / Tó Zé Brito
Repertõrio de Vasco Rafael

Vinha dizer adeus, mas raparei
Que na faia do pátio era Setembro
Vinha dizer adeus, mas encontrei
Um livro na cadeira do alpendre

Vinha dizer adeus, mas as maçãs
Estavam no forno a assar e esse cheiro
Fez-me parar na porta das manhãs
A relembrar o nosso amor inteiro

Vinha dizer adeus, mas o teu cão
Veio lamber-me os dedos hesitantes
Vinha dizer adeus, mas vi no chão
A manta, ao pé do lume como dantes;
Vinha dizer adeus, mass senti fome
Ao ver a mesa posta para dois
Dálias e o guardanapo com o meu nome
Sem ter havido antes nem depois

Vinha dizer adeus, mas que surpresa
À Passionata... o último andamento
Como se tu tivesses a certeza
Que eu ia chegar nesse momento

Vinha dizer adeus, mas nesse olhar
Vi tanta solidão, tantos abraços
Tantas amendoeiras ao luar
Que escondi, chorando nos teus braços
                                                                                 
Vinha dizer que já não estou contigo
Que este amor singular já não é nosso
Vinha dizer adeus, mas já não digo
Vinha dizer adeus, mas já não posso

Sereia

Tiago Torres da Silva / Cavalheiro Júnior *fado menor do porto*
Repertório de Né Ladeiras

Beira-mar à beira areia
O azul do mar chamou-me
E na voz duma sereia
Ouvi dizer o teu nome

Beira-mar à beira amor
Perguntei-lhe, quem me me chama
Ela disse que era a dor
Que não pode amar, mas ama

Beira-mar à beira porto
Gritou: a minh’alma é tua
Mas quando olhei o seu corpo
Foi-se embora semi-nua

Beira a beirar solidão
Durante dias chamei-a
E no mar do coração
Ao longe escuto a sereia