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Trapeiras de Lisboa

Lourenço Rodrigues, Fernando Santos, Almeida Amaral / Raúl Ferrão
Repertório de Fernanda Batista

Ai Lisboa
Como tu és divertida
Se te vejo cá de cima das trapeiras
Quanto mais olho p’ra ti
Lisboa tão querida
tanto mais fico encantada 
Com essas tuas maneiras

Ou ao sol ou à luz do luar
És p’ra mim uma irmã de brincar
E se aqui vou ganhar o meu pão
Não é demais ser para ti meu coração

Oh Lisboa 
Que para mim não tens reversos
Manhã cedo corro a ver-te com saudade
E eu só queria
Meu amor, saber fazer versos
P’ra tos oferecer Lisboa
Minha formosa cidade

Como é bom ser avô

Valentim Matias / Pedro Rodrigues
Repertório de Valentim Matias

À mesa de um velho bar
Eu dei por mim a pensar
Como é bom ser avô
É algo de tão diferente
Que entra na alma da gente
E que a mim me fascinou

Somos de novo crianças
E regressam as lembranças / De um tempo já bem distante
Perdoamos travessuras
Vão-se embora as amarguras / Vemos futuro diante

Nova vida a começar 
Dá vontade de lutar / E de escolher novos trilhos
Brilho novo no olhar
E o desejo de ajudar / Os filhos dos nossos filhos

Quem diz o contrário mente
Ser avô é tão diferente / Em carinhos e afectos
E não há coisa melhor
Do que juntar com amor / Os avós, filhos e netos

Terra mãe

Letra e música de Nuno Barroso
Repertório de Dora Maria

Sou um poema, uma melodia
Lançado em verso na primavera
Dei luz ao vento que abraça o tempo
E trago em mim ventre de mulher

Sou mãe da terra, sol da primavera
E nasce em mim a planicie de cantar
Trago no peito aquele jeito
De ser menina, de ser mulher
De ser mulher

Sou um poema, mais um dilema
Lançado em verso no planeta do amor
Dei luz ao vento que abraça o tempo
E trago em mim ventre de mulher

Sou mãe terra, sol da primavera
E nasce em mim esta planicie de cantar
Trago no peito aquele jeito
De ser menina, de ser mulher
De ser mulher

Estações da vida

Valentim Matias / Daniel Gouveia *fado daniel*
Repertório de Valentim Matias

Alguém dizia, sorrindo
Para ti o mundo é lindo
Estás em plena Primavera
Era o tempo dos amores
Dos perfumes e das flores
E de uma ou outra quimera

Céu azul e andorinhas
Voando rente às beirinhas / Dos telhados da cidade
E eis que chega o Verão
É tempo de afirmação / Estás na força da idade

O tempo passa depressa
Sem sequer uma promessa / Duma vida renascida
E nem nos apercebemos
Que de repente estaremos / Em pleno Outono da vida

Mas este não é eterno
A correr vem o inverno / Maiores as noites que os dias
Tempo para descansar (filosofar)
E também pra recordar / Quantas, quantas alegrias (fantasias)

Soneto para os meus pais

Título original *Alma perdida*
Florbela Espanca / Edgar Nogueira
Repertório de Catarina Rosa
                                                                                                                       
Toda esta noite o rouxinol chorou
Gemeu, rezou, gritou perdidamente
Alma de rouxinol, alma da gente
Tu és talvez alguém que se finou

Tu és talvez um sonho que passou
Que se fundiu na dor, suavemente
Talvez sejas a alma, a alma doente
Dalguém que quis amar e nunca amou

Toda a noite choraste e eu chorei
Talvez porque ao ouvir-te, adivinhei
Que ninguém é mais triste do que nós

Contaste tanta coisa à noite calma
Que eu pensei que tu eras a minh'alma
Que chorasse perdida em tua voz

Meia-noite fadista

Nuno Lorena / José Marques *fado triplicado*
Repertório de António de Noronha

Meia-noite, uma lanterna
Um degrau, uma taberna / E a petisqueira sublime
Ainda impera o tacão
No estilo da tradição / Que a fadistagem imprime
E ainda é uso, ao balcão
Que à chama do cangirão / A velha guarda se arrime

Meia-noite, o caprichar
Duma guitarra a trinar / Em mão fadista, certeira
Uma vela meia ardida
Uma garrafa bebida / E uns olhos de camareira
Na parede colorida
Um cartaz duma corrida / E um chaile de cantadeira

Meia-noite, uma lembrança
E o rebrilhar duma trança / É lume que mais fascina
E o cantar é a preceito
No rigoroso perfeito / Que a velha escola ensina
Tem o fado o seu conceito
O faia tem o seu jeito / Tem a gente a sua sina

Meia-noite e há discussão
Mas põe fim à confusão / Uma voz que o fado entoa
Gente boémia e fadista
Aventureira e artista / A pedir outro Malhoa
Gente vária e bizarrista
Mas só um ponto de vista / A tradição de Lisboa

Vai dizer à Mouraria

Letra e música de João Nobre
Repertório de Fernanda Batista

Se foi assim como hoje sou que me encontraste
Se foi assim que te agradei e me agradaste
Porque me pedes p’ra mudar, se sabes bem
Que ao destino, por mais triste
Não pode fugir ninguém

Vai dizer à Mouraria
Que não cante mais o fado
Diz a Alfama que sorria
E esqueça o que tem chorado;
Diz à Sé p’ra não ser crente
Que não dance à Madragoa
E verás como é diferente
Tão diferente esta Lisboa

Se o meu amor já não te prende e te atormenta
Se te aborreço por assim tão ciumenta
Tu não me peças p’ra mudar e ser diferente
Se eu nasci p’ra ter ciúmes
Hei-de-os ter eternamente

Só sei que já não sei

Valentim Matias / Renato Varela *fado varela*
Repertório de Valentim Matias

Junto ao mar, num rochedo me sentei
E ali aguardei o teu regresso
Mas sei que foi em vão que te esperei
Porque não alcancei qualquer sucesso

Não sei se foi o mar que te sumiu
Ou foi o teu amor,que já morreu
Mas sei que o coração quase ruiu
Depois de perceber que te perdeu

Ainda estou aqui a aguardar
Que possas regressar noutras marés
Pressinto que me andaste a enganar
Só sei que já não sei quem é que és

Por favor, diz-me qual a condição
Que fazer para te ver regressar
Duvido que o meu pobre coração
Ainda vá bater escutando o mar

Os teus lindos olhos pretos

Amália / Amélia Muge
Repertório de Amélia Muge

Os teus lindos olhos pretos
Teus olhos de negro olhar
Olham-me tão inquietos
Teus lindos olhos pretos
Que me andam a inquietar

Inquieta se te não vejo
Inquieta por te não ver
Inquieta-me o que eu desejo
E o medo de o dizer

Cá me ando com a ternura
Que tem o teu negro olhar
Nunca vi tanta negrura
Nunca vi tanta negrura
Mesmo no escuro a brilhar

Amor à primeira vista

Valentim Matias / Armando Machado *fado santa luzia*
Repertório de Valentim Matias

Eu não sei qual a razão
P’ra meu pobre coração
Ao fado se ter rendido
Amor á primeira vista
Amor feito de conquista
Amor, amado e sofrido

Sempre que a noite chega
A minha alma se aconchega
Aos trinados das guitarras
É na meia escuridão
Que liberto o coração
E então solto as amarras

Amarras do sentimento
Que  meus fados alimento
Com versos por mim sonhados
É no barco da saudade
Que embarca toda a verdade
Que existe nos meus fados

Soneto Andreia

(mudam-se os tempos, mudam-se as vontade)
Luís Vaz de Camões / Edgar Nogueira
Repertório de Catarina Rosa

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades
Muda-se o ser, muda-se a confiança
Todo o mundo é composto de mudança
Tomando sempre novas qualidades

Continuamente vemos novidades
Diferentes em tudo da esperança
Do mal ficam as mágoas na lembrança
E do bem, se algum houve, as saudades

O tempo cobre o chão de verde manto
Que já coberto foi de neve fria
E e em mim converte em choro o doce canto

E afora este mudar-se cada dia
Outra mudança faz de mor espanto
Que não se muda já como soía

Um passeio por Lisboa

Letra e música de Valentim Matias
Repertório do autor

Vou andar pela cidade / Num passeio meio à toa
E p’ra dizer a verdade / Quero é desfrutar Lisboa
Vejo o Marquês imponente / Que p’las costas tem o Parque
Tem a Avenida p’la frente / Lisboa por toda a parte

Dou um salto ao Castelo / Vejo a cidade e oTejo
Desço pela Mouraria / E aguça-me o desejo
De ver o Martim Moniz / Agora remodelado
Com mil cores e mil sabores / E em mil línguas falado

Já na Praça da Figueira / Aí eu faço um compasso
Depois subo ao Bairro Alto / E desço ao Terreiro do Paço
Talvez eu vá petiscar / Ali bem perto do Tejo
Mais trade rumo a Alfama / E aproveito o ensejo

De cantar e ouvir e fado / Porque há muito anoiteceu
Encontrei-me com Lisboa / E magia aconteceu
Passei no Cais do Sodré / Docas, Parque das Nações
Ficou tanto para ver / Não  faltam ocasiões

Meu coração sem direito

Amália / Amélia Muge
Repertório de Amália Muge

Lá foi o tal coração
Que eu tinha contra-vontade
Lá foi aquele ladrão
Não sei para que cidade

O meu velho coração
Que ficou triste comigo
Por causa desse ladrão
Não volta a ser meu amigo

Pobre de quem envelhece
Por fora do coração
Que novo nos aparece
Com uma nova paixão

Meu coração sem direito
De bater tão apressado
Anda dentro do meu peito
Onde não cabe, coitado

Vai-te embora coração
Eu não sou boa morada
Onde mora a solidão
Não há lugar p’ra mais nada

Maurício, rei soberano

José Fernandes Castro

Com coroa ou sem coroa
O seu enorme legado
É chama que em nós ficou;
Dentro e fora de Lisboa
Se fala do rei do fado
E dos fados que deixou

Rei-fadista, soberano 

Espelho da monarquia / Que nunca foi destronada
Mesmo o sonho mais profano

Se tocado pla magia / Voa pela madrugada

A madrugada da vida 

Respira a alma do fado / Que o rei fez acontecer
E como ave ferida 

Vai rebuscar ao passado / Os fados que a alma quer

Por força da vida-lei
Partiu da vida terrena / Mas não partiu da memória
Rei Maurício, fado-rei
Podes crer, valeu a pena / Ouvir-te fazer história


Amália sempre

Fernando João / Acácio Gomes *fado acácio*
Repertório de Filomena de Sousa

O fado ficou mais pobre;
Depois da tua partida
Há um vazio profundo
O povo, com alma nobre
Lembra a tua despedida
Que fez chorar todo o mundo

Foste a raínha do fado
Cantaste como ningém / A alma deste país
Ao recordar o passado
Canto este fado, porém / Muito triste e infeliz

Amália, vou terminar
Este fado de saudade / Que canto pensado em ti
P’ra sempre vou recordar
A tua voz de verdade / E esse tempo que vivi

Saudades do meu bairro

Frederico de Brito / João Nobre
Reeprtório de Fernanda Batista

Tenho saudades do meu bairro pequenino
Do sol a pino a beijar as sardinheiras
Tenho saudades duma infãncia ali passada
Quando as pedras da calçada
Eram minhas companheiras

Até parece
Que ao longe, meu bairro diz
Tu aí não és feliz
Não sabes rir nem cantar
Deixa essa rua
Anda cá, traz o teu pranto
Vem enxugá-la no manto
Duma noite de luar

Tenho saudades da janela onde eu cantava
E que lembrava o canteiro dum jardim
Tantas saudades dum amor que se dilui
E ao lembrar o que já fui
Tenho saudades de mim

Eu já sabia

Frederico de Brito / Martinho d’Assunção
Repertório de Carlos Ramos

Já sei quem és, és aquela / De quem eu fui à procura
E andei por aí atrás dela / Pelas ruas da amargura

Passei por becos e travessas / P’las vielas da má vida
Eu conheci ruas dessas / Que até nem têm saída

Eu já sabia o que foi o teu passado
Um caminho mal trilhado
Que eu mal sei onde vai dar
Eu já sabia que me julgavas ceginho
E ensinaste-me o caminho
Que eu nem quero lá passar

Já sei quem és, mas agora / Não vais dizer que me engano
E que andei a querer-te um ano / P’ra esquecer-te numa hora

Mal de quem sofre de ciúme / Quando paixões acalenta
Ainda tens o mau costume / De ser assim ciumenta

335 gafanhotos

Amália Rodrigues / Amélia Muge
Repertório de Amélia Muge

335 gafanhotos / Eu de galochas
30 carochas / 3 cabrochas
Eu de galochas

Eram cem sapos / Cabras cabrochas
Eu de galochas
Vinham patinhos / Pintainhos
Eu de galochas

Outros bichinhos / Engraçadinhos
Eu de galochas

E as galinhas / Molhadinhas
Estupidazinhas / Iam atrás

Toca o mesmo

Letra e música de Fredrico de Brito
Repertório de Carlos Ramos

Naquela tasca afamada
Depois de ouvir fado a esmo
Sempre na mesma toada
E onde o motivo era o mesmo;
Ouvi alguém que pedia
Como quem pede ao balcão
Mas com certa galhardia
E carradas de razão

Por favor tragam-me um fado
Que não fale dnas esperas
Que não viva do pasado
Nem à sombra das Severas
Não fale nas tascas mais rascas que havia
Dos becos de Alfama e da Mouraria
Não lembre toureiros, campinos, forcados
Se trazem só disso, não quero mais fados

Ouviu-se uma desgarrada
Coisa que é pouco fadista
Tudo a falar em bairrista
Um fado triste e mais nada;
E ao recordar a cantiga
Que ao fado tudo se canta
Pedi à maneira antiga
Sem trinados na garganta

Estas minhas raízes

Ciça Marinho / Raúl Portela *fado magala*
Repertório de Ciça Marinho

Meu coração tem um jeito
Que a qualquer fado se agarra
E cresce dentro do peito
Ao trinar duma guitarra

Meu coração brasileiro / Traz nas veias, concerteza
O sangue de um marinheiro / Com a alma portuguesa

Trago na voz o lamento / Desse povo tão valente
Me orgulho do sentimento / Pois sou filha dessa gente

Porque ao trinar da guitarra / Meu coração tem um jeito
Que a qualquer fado se agarra / E cresce dentro do peito

Não te perdi

Letra e música de João Nobre
Repertório de Fernanda Batista

Ainda há pouco 
Alguém bateu e a sorrir
Quando a porta fui abrir
Julguei ver-te, não importa
Será loucura
Mas ninguém me faz pensar
Que tu não hás-de voltar
A entrar naquela porta

Não te perdi, tu vives na minha ideia
Em tudo o que rodeia
Recordando o que vivi
Não te perdi e sinto-te a cada passo
E vejo-te olhando o espaço
Como se olhasse para ti

Na tua voz
Oiço às vezes, no momento
Frases de arrependimento
Que me encntam e dão mágoa
Mas quando acordo
Desse sonho e te não vejo
Presa de amor e desejo
Sinto os olhs rasos de água

Quadras soltas

Silva Tavares / Francisco Viana “fado vianinha*
Repertório de Carlos do Carmo

Não me peças por amor
O que já não posso dar
Não há desdita maior
Do que mentir sem amar

Dá-me os teus olhos profundos
E o mundo pode acabar
Que importa o mundo se há mundo
Lá dentro do teu olhar

Mesmo em sonho, a eternidade
Não passa de coisa vã
Até a prória saudade
Nasce hoje, morre amanhã

O amor é esperança forte
Desventura apetecida
Um pouco menos que a morte
Um pouco mais do que a vida

Que seja adeus

Carlos Leitão / Rui Veloso
Repertório de Carlos Leitão

Um vinho mau, reles colheita
Que em mim se deita e ajeita ao chão
Perde-se a nau ao vento norte
Já foi tão forte e hoje já não

Lisboa ao longe não se detém
Não vê ninguém, nem nos perdoa
Tentei escrever canções de Brel
Mas no papel só há Lisboa

A noite cai e já não ris
Talvez feliz porque partiste
E se a saudade por ti morrer
Então viver já não existe

A esta hora sobeja vinho
Brindo sozinho em tua mão
Que seja adeus se assim preferes
Tu já não queres e eu também não

O tempo dantes corria

Amália Rodrigues / Michales Loukovikas
Repertorio de Amélia Muge

O tempo dantes corria
E eu ainda corria mais
Mas vi-te e desde esse dia
Que correm mais os meus ais

O tempo dantes corria / E com ele meus folguedos
Mas vi-te e desde esse dia / Correm p'ra ti meus segredos

O tempo dantes corria / E eu corria para a vida
Mas vi-te e desde esse dia / Fiquei de vida perdida

O tempo dantes corria / E eu vivia a correr
Mas vi-te e desde esse dia / Que corro só p’ra te ver

O telefonema

Carlos Leitão / Daniel Gouveia *fado daniel*
Repertório de Carlos Leitão

Não o devia ter feito
Telefonar sem avisar
E dizer que foi sem querer
O aperto doce do peito
Tentou mandar-me calar
Sem saber como bater

Pensei em palavras vãs / Quis falar-te das manhãs
Dos nossos beijos discretos
Mas lembraste o que não fiz / Disseste que eras feliz
Quando eram beijos secretos

Beijos de sonhos partidos / Do amor contra a parede
Sem vergonha de gritar
Dos telefonemas perdidos / Resta sempre a mesma sede
Desta coisa de te amar

É pena não quereres ouvir / A despedires-te a chorar
Ao despedires-te de nós
Volta a chamada a caír / Estranho este modo de amar
Quando basta ouvir-te a voz