As *4.140* letras publicadas referem a fonte de extração, o que nem sempre quer dizer que os artistas mencionados sejam os seus criadores !!!
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Se o motor de pesquisa não responder satisfatóriamente, aceite as minhas desculpas !!!
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Dei-te tudo quanto tinha

Letra e musica de Carlos Macedo
Repertório do autor

Dei-te tudo quanto tinha
Apenas p’ra ver sorrir
Teus olhos minha paixão
A tua mão sobre a minha
Disse-me todo o sentir
Que sentia o coração

Sentimos um só desejo
De vivermos lado a lado / Este amor que é meu e teu
Bebemos do mesmo beijo
Cantamos o mesmo fado / E o amor aconteceu

Hoje vivemos a vida
Que sonhamos num abraço / E se fez realidade
Não há meta definida
O meu mundo é o teu regaço / Onde deito a felicidade
Não há meta definida
O meu mundo é o teu regaço / Onde mora a felicidade 

Onde mora a felicidade

Quando a dor bateu à porta

Aníbal Nazaré / Maximiano de Sousa 
Repertório de Max

Quando a dor bateu à porta / Eu corri e fui abrir
Ela entrou, vinha cansada / Sentou-se logo a seguir

Sem sequer pedir desculpa / De vir sem ser convidada
Disse-me que ficaria / Comigo, uma temporada

A dor sentou-se 
E ficou à minha beira
Habituou-se 
A ser minha companheira
Eu compreendo 
Que ela esteja junto a mim
Mas às vezes não entendo 
Porque me persegue assim

Mas o tempo vai passando / E a dor não se vai embora
Já começo até pensando / Porque tanto se demora

Até penso nesta lida / Já que a dor só quer ser minha
Hei-de mudar desta vida / E deixar a dor sozinha

Um fado para vós

Manuel Carvalho / Eduardo Jorge *fado moreno*
Repertório de Aida Arménia

Dou aos fados que canto
A magia do encanto
Que me vem da minha voz
Cantando menos padeço
E com carinho ofereço
Meus fados p’ra todos vos

É condão que o fado tem
Se choro, chora também / E cantando sou feliz
Com a voz que Deus me deu
E o sentir que lhe dou eu / Canto ao povo, ao meu pais

É minha vida meu fado
Meu poema meu recado / Que canto p’ra não chorar
O fado nasceu comigo
Em meu peito tem abrigo / Hei-de morrer a cantar

Quase

Mário de Sá Carneiro / Jorge Barradas
Repertório de Alexandra

Um pouco mais de sol, eu era brasa
Um pouco mais de azul, eu era além
Para atingir, faltou-me um golpe d'asa
Se ao menos eu permanecesse àquem

De tudo houve um começo e tudo errou
Ai a dor de ser quase dor sem fim
Eu falhei-me entre os mais, falhei em mim
Asa
que se elançou mas não voou 

Num impeto difuso de quebranto
Tudo encetei e nada possuí
Hoje de mim, só resta o desencanto 
Das coisas que beijei mas não vivi

Tanto me faz

Miguel Novo / José Mário Branco *fado balança
Repertório de Camané

Andas a dizer p’raí / Que morres por me não ver
Eu já não gosto de ti / Não me interessa nem saber

Nem que peças de joelhos / Que eu volte a dar-te o que dava
Não embarco em contos velhos / Era só o que faltava

Fartei-me de te avisar
Não vale a pena insistir
Voltar p’ra ti a chorar... deixa-me rir
Quando se acaba o amor
Não se volta pata trás
Sejas tu, seja quem for... tanto me faz

Não te adianta querer / Que eu te procure ou te siga
Eu tenho mais que fazer / Não vou na tua cantiga

Dizes que te sentes só / Que choras ter-me perdido
Se esperas que eu tenha dó / Tira daí o sentido

Que podemos ser felizes / Que já não ‘stás magoada
Dar ouvidos ao que dizes / Não me faltava mais nada

Talvez tu tenhas razão / Talvez eu nunca t’esqueça
Mas que eu te peça perdão / Nem te passe p’la cabeça

Não sei mais que te dizer
As coisas são mesmo assim
Mas se me queres convencer
Volta p’ra mim

Gosto mais de ti

Luís Simão / Francisco Carvalhinho *fado cachorrinha*
Repertório de Florinda Maria

Gosto do sol e do mar
E da chama da lareira
Tenho voz, ando a cantar
O fado, à minha maneira

Gosto da ave que voa / Que sem entraves caminha
Não sei viver sem Lisboa / Sem o Tejo e Sé velhinha

Tenho amor pela peixeira / Que não teme os vendavais
Dou apreço à costureira / Que se anela com dedais

Tenho a tudo amor profundo / Mas também já percebi
Eu posso gostar do mundo / Mas gosto bem mais de ti

Eu queria ser

Domingos Gonçalves Costa / Jaime Santos
Repertório de Fernanda Maria

Eu queria ser motivo dos teus sonhos
Eu queria ser o sol que te ilumina
Eu queria ser nos teus dias risonhos
Do amor a inspiração meiga e divina

Eu queria ser a sombra dos teus passos
Eu queria ser a luz dos olhos teus
Eu queria ser alguém que nos teus braços
Pudesse confiar-te os sonhos seus

Porém, passas por mim tão indiferente
Que nunca mais serei quem queria ser
E peço a Deus p’ra ser eternamente
Ceginha para nunca mais te ver

Procurando a felicidade

Fernando Campos de Castro / Armando Machado *fado mortalha*
Repertório de Maurício Cordeiro

Se o passado está vivido
E passou a ser história
Se o passado em ti abunda
Dá-lhe a gaveta mais funda
Dos armários da memória

O presente é o que importa / Traga ele o que trouxer
Tens de senti-lo presente
E vivê-lo intensamente / Em tudo o que ele te der

Quanto ao futuro, deixá-lo / Há que ter esperança e fé
Que o futuro é coisa incerta
Uma porta entreaberta / Que ninguém sabe o que é

São três fases duma vida / Com a cor da nossa idade
Feitas de sol e de bruma
Em que uma vida se arruma / 
Procurando a felicidade

Vamos em frente

António laranjeira / Raul Ferrão *fado alcântara*
Repertório de António Laranjeira

Se neste fado há pressa num verso novo
Quisera levar ao povo, mais alegria
Em cada dia quando tudo recomeça
Alguém na vida tropeça, por ironia

Por esta hora ao resgatar o passado
Um sonho foi adiado, inutilmente
É no presente que alguém espera de nós
Escutar em alta voz, vamos em frente

Meu país eu não reconheço
Quem fala de ti sem nada dizer
É suspeito chamar-te de berço
Aqueles que cresceram sem nada saber
Minha voz que se junta à tua
E que te defende com o coração
Enquanto a nação flutua
O povo na rua não perde a razão

Se neste grito em fúria sem direcção
Aumenta a contradição nem mais um passo
Porque o espaço parece fugir ao tempo
E o nosso constrangimento é um cansaço

Por mais um dia a fervilhar de surpresas
Ponham as velas acesas rapidamente
É no presente que alguém espera de nós
Escutar em alta voz vamos em frente

Intimidade

José Saramago / Armando Machado *fado súplica*
Repertório de Vanessa Quinteiro 

No coração da mina mais secreta
No interior do fruto mais distante
Na vibração da nota mais discreta
No búzio mais convolto e ressoante

Na camada mais densa da pintura
Na veia que no corpo mais nos sonde
Na palavra que diga mais brandura
Na raiz que mais desce, mais esconde

No silêncio mais fundo desta pausa
Em que a vida se fez perenidade
Procuro a tua mão, decifro a causa 
De querer e não crer, final, intimidade 

Eu quis fazer de ti

Paco Gonzalez / Fernando Silva *alexandrino do concórdio*
Repertório de Nuno de Aguiar

Eu quis fazer de ti, no espelho do carinho
Um jardim de esperança em forma de paixão
Eu quis fazer de ti o meu melhor caminho
Que désse a luz da vida à minha solidão

Eu quis fazer de ti, na febre dos desejo
A loucura d’amor em risos d’alegria
Eu quis fazer de ti um poema de beijos
Nos sonhos mais bonitos da minha fantasia

Eu quis fazer de ti a voz da eternidade
Com fé de peregrino eu arrastei meus passos
Sedento de ternura, faminto de verdade
Eu quis fazer de ti abismo dos meus braços

Mas quando quis fazer o tema do meu fado
Na revolta infinita do meu amargo ser
As tuas mãos tremeram, não ficaste a meu lado
E o céu tornou-se noite p’ra nunca mais te ver

Tu que andas de mim ausente

Mário Raínho / Fontes Rocha *fado ricardo*
Repertório de Maria da Nazaré

Tu que andas de mim ausente
Sabe Deus em que lugar
Diz-me se pensas voltar
Aos meus braços, novamente

Tu que andas de fé perdida / Sabe deus em que lembranças
Não vês que eu vivo na esperança / Que vivas na minha vida

Tu que andas de mim distante / Sabe Deus em que lonjura
Não sonhas quanta ternura / Há no meu amor amante

E eu que vivo sempre à espera / Que voltes à minha idade
Morro nesta primavera / Sabe Deus em que saudade

O poeta tem nome

José Fernandes Castro / Carlos Neves *fado tamanquinhas*
Repertório de Vanessa Quinteiro

Podem chamar-lhe poeta
Letrista ou versejador
Mas a verdade concreta
Está na rima discreta
Com que nos fala d’amor

Podem chamar-lhe saudade / Ciúme ou até tristeza
Mas p’ra nossa felicidade
O poeta é na verdade / O porta voz da beleza

Também pode ser passado / Presente e também futuro
Quando se trata de fado
Um poeta amargurado / É alma dum sonho puro

Poeta é alma perdida / Na noite do sentimento
Porta-voz da própria vida
Poeta da dor sentida / Rimando dor com alento

Louco desejo

Luís Fidalgo / José Maria Nóbrega
Repertório de Ada de Castro

Roguei ao meu coração
Para não bater apressado
Quis saber qual a razão
Deste meu tonto cuidado

Respondi-lhe que te amava / De te perder tinha medo
E assim a bater andava / A espalhar o meu segredo

Queria só p’ra nós dois / A ventura deste amor
Prometeu-me mas depois / O seu bater for maior

Agora quando te vejo / Sei enfim qual a razão
Deste meu louco desejo / De parar o coração

Janelas enfeitadas

Linhares Barbosa / Casimiro Ramos
Repertório de Julieta Santos

Não sabes porque enfeito estas janelas
Enfeito-as só por ti, fica sabendo
Os olhos desta casa são só elas
Quero que elas sorriam em te vendo

Os laços cor-de-rosa nas cortinas
Craveiros em dois vasos encarnados
Canta um canário a horas matutinas
Uma canção de beijos repicados

As grades nas janelas torna-as feias
Nem mesmo requintadas tabuinhas
Janelas dessas lembram as cadeias
Quero que o sol e a a lua entrem nas minhas

Quero poder mostrar-te, quando passas
Que gradeamentos são para os escravos
Por isso é que eu enfeito estas vidraças
Por ti é que eu cultivo rubros cravos

Alentejo céu do mundo

António Laranjeira / Susana Castro Santos
Repertório de António Laranjeira

Foi neste Alentejo céu do mundo
Que me descobri aberto à vida
Num segundo, apenas num segundo
Acendi em mim a luz perdida

Foi neste Alentejo quente e doce
Que vi a solidão ficar à espera
Neste chão moreno que me trouxe
Voltou a ser de novo primavera

Voltou a ser de novo claridade
Agora que te vejo quando canto
Até meu coração sente saudade
Meu Alentejo em flor que quero tanto

Vou fazer contigo esta viagem
É para ti que falo quando digo
Minha seara acesa de coragem
Alentejo céu do mundo, meu amigo

Fado invicta

António Laranjeira / Alfredo Duarte *fado cuf*
Repertório de António Laranjeira

Ninguém te pode dar, um nome novo
Tão grande, tão maior, como tu tens
Antes de seres cidade, eras povo
Que sabe aonde vais e de onde vens

Ninguém te pode dar outra Ribeira
Vestida de ternura, até á Foz
No coração do Bolhão a vendedeira
Vai embalando o Porto, que há na voz

As pontes desta vida que te deram
Mais sonhos num futuro grande e novo
E quantos corações, por ti bateram
Porto de vitórias, que és do povo

Ainda tens o cheiro a maresia
Num quadro um Rabelo preso ao cais
Nos bairros, nascem rusgas, de poesia
As dores e alegrias são iguais

Diz-me se é profano ou se é sagrado
O rio que nasce do teu corpo
Para que em cada cálice de fado
Eu seja menos fado e tu mais Porto 

Alma vazia

António Rocha / Jaime Santos *fado pombalinho*
Repertório de António Rocha

Não quero escrever mais versos
Se já deixei de ser teu
Versos, pedaços dispersos
Dum amor que já morreu

Vejo os sonhos que sonhei / Em solidão submersos
Para esquecer que te amei / Não quero escrever mais versos

Canto a alegria ou a dor / Da sorte que Deus me deu
Não quero cantar nosso amor / Se já deixei de ser teu

Conduzo o meu coração / P’los caminhos mais diversos
Porque as nossas vidas são / Versos, pedaços dispersos

Caminho d’alma vazia / Tudo o que tenho de meu
É a sombra triste e fria / Dum amor que já morreu

Quando

Artur Ribeiro / Filipe Pinto *fado meia noite*
Repertório de Tony de Matos

Quando dou por mim, perdido
Nos meus próprios pensamentos
Quando nos meus maus momentos
Digo frases sem sentido

Quando me afundo e vagueio / No teu olhar espantado
Quando não vais a meu lado / E a sós contigo passeio

Quando escuto a tua voz / Dando aos meus versos, sentido
Quando o coração perdido / Pergunto ao vento por nós

É quando ao fado me dou / D’olhos cerrados, assim
E o poeta que eu não sou / Vem chorar dentro de mim

Novo vira do Minho

António Laranjeira / André Teixeira
Repertório de António Laranjeira

Ó Minho Minho, ó verde Minho
Cantas e danças, não andas sozinho
Ó Minho Minho, ó verde Minho
Cantas e danças, não andas sozinho

Ai vira que vira
Ai vira d’Agosto
O ouro que brilha
Dá cor ao teu rosto
Ai vira que vira
Ai vira do mar
Quem vira não vira
Meu amor chegar

Talvez eu me engane mas quem não se engana
Deixei a tristeza perdida em Viana
E no alto Minho já ninguém me apanha
O Minho é mais Minho ao deixar Espanha

Ó Minho Minho, Minho brilhante
Ao cantar do galo, que a fé se levante
Ó Minho Minho, já te vi um dia
Rezando baixinho subindo a agonia

Talvez eu me engane, mas quem não se engana
Deixei a tristeza perdida em Viana
E no alto Minho, já ninguém me apanha
O Minho é mais Minho ao deixar Espanha

Não me digas o teu nome

Fernando Campos e Castro / Alfredo Duarte *fado bailado*
Repertório de António Laranjeira

Não me digas o teu nome
Não digas que eu adivinho
És uma estrela sem nome
Que me alegra e me consome
E dá luz ao meu caminho

Não me fales de revoltas / Que o silêncio é bem melhor
Meu amor sempre que voltas / Fechas tantas pontas soltas
Nos laços do nosso amor

Deixa a noite imprevisível / Fazer tudo o que quiser
Ó meu amor impossível / O teu nome é indizível
Ninguém o pode saber

Meu amor, minha ternura / Só tu sabes meus segredos
És lucidez e loucura / Que na noite mais escura
Cobre todos os meus medos

De uma cruz é seu refém

João Manuel Antão / Francisco Viana *fado vianinha*
Repertório de Nelson Duarte

Andas pedindo perdão
Mãos postas, junto do altar
Mas pões sempre a condição
Noi mesmo continuar

As horas mandam na vida / E tantas vidas consomem
Fazendo, nessa corrida / O homem escravo do homem

Qualquer um, na sua vida / De uma cruz é seu refém
Mesmo quando a vê despida / Vê que nela há sempre alguém

Duas tábuas, uma cruz / Jesus foi crucificado
E dessa cruz, fez Jesus / De amor o seu reinado

Ria dum rio novo

António Laranjeira / André Teixeira
Repertório de António Laranjeira

És a Veneza do povo / Porque o povo está primeiro
E trazes um olhar novo / No teu olhar moliceiro
És ria dum rio novo
Cravo do mar marinheiro

Acordas chegando à vida / Porque viver é chegar
Em cada maré perdida / Há mais pressa de voltar
Aveiro de ver a vida
Aveiro de ver-o-mar

Quem te pediu que tivesses / Mais tradição portuguesa
E que pela vida fizesses / Do povo a tua nobreza
Quem de amarelo te veste
É mais feliz com certeza

Não tenhas medo

Alice Barreto / Alberto Correia *fado solene*
Repertório de Nelson Duarte

Meu amor, não tenhas medo
De enfrentar a realidade
Que terás em tuas mãos
Paz, amor e felicidade

Meu amor, não tenhas medo / De descobrir a razão
Que pode ser cobardia / Fechada em teu coração

Meu amor, não tenhas medo / Mesmo que te digam não
Não pode haver um segredo / Sempre que oculte a razão

Meu amor, não tenhas medo / Doa ele a quem doer
A vida é sono que embala / Acorda ao amanhecer

Fado luz

Letra e musica de António Laranjeira
Repertório do autor

Preciso iluminar meu coração
Que se apagou de ti quando partiste
Preciso regressar da escuridão
E devolver-te a cor meu dia triste

Quero ser a raiz que fere e fende
As entranhas da terra do teu chão
Onde tu és vertigem que se estende
Ao quadrante da vida e da razão

O meu canto é pra ti além da voz
Sempre que chegas breve aos meus abraços
Nesse eterno momento quando em nós
A saudade prescreve em nossos braços

Serás sempre a manhã da minha esperança
Em toda a minha vida o meu melhor
Ainda que p'ra ti seja a lembrança
De toda a nossa vida meu amor

Lenda do amor *Ode à Lenda das rosas

António Laranjeira / Popular *fado das horas*
Repertório de António Laranjeira

O mesmo sonho tiveram / Dois namorados de então
Unidos pelo coração / A sua vida viveram;
Quando o amor conheceram / Por entre juras d’amor
Das rosas de rubra cor
Rosas de neve nasceram

A lenda conta que um dia / Dois corações verdadeiros
Se entregariam inteiros / Em aparente alegria;
Ninguém no mundo sabia / Duma promessa maior
Que se escondia na dor / Que um pelo outro vivia;
Ao celebrar o amor
Sempre que a noite caía
                                                
Ainda hoje se conta / Que nessa história d’amor
Também havia uma flor / Que toda a noite chorava;
Quando a saudade falava / Num discurso sonhador
Mudava sempre de cor / Essa rosa perfumada;
Se fosse roseira brava
Seria forte na dor

Quem acredita na lenda / E se permite sofrer
Não pode contradizer / Um amor, que não entenda;
Se a vida não nos separa / Que a morte nunca nos prenda
Assim se canta o amor
Como nos conta esta lenda

Valente pescador

Alice Barreto / Carlos Simões Neves *fado tamanquinhas*
Repertório de Nelson Duarte

Vai p'ro mar ó pescador
Vai lutar com altivez
É teu o mar, pescador
Tu do mar és um senhor
Que Deus te traga outra vez

Pescador que vais ao mar / Ao mar distante, salgado
Por vezes fico a pensar 
Se o mar onde vais pescar / É p'ra ti adocicado

Olha as velas, pescador / Nas tuas lides constantes
Que o vento não vá quebrar
Tu por Deus hás-de voltar / Ao senhor dos navegantes

Quando parte um pescador / Que vai p'ra faina do mar
Leva no peito a esperança
Que a senhora bonança / O traga de novo ao lar

Minha mãe mãe Maria

António Laranjeira / Manuel Mendes
Repertório de António Laranjeira

Na paz do teu olhar / Descanso os meus passos
Dum longo caminhar / Procurando teus braços
Minha mãe, mãe Maria / Mãe de todas as preces
Minha noite meu dia / Luz da alma vazia 
Tudo em mim já conheces

Meu amor invulgar / Que nunca faz doer
Que não sabe matar / E não nos faz sofrer
Ó mãe do altar da vida / Montanha da ternura
Saudade sem partida / Adeus sem despedida
Perdão para a minha cura

Semente no meu corpo / Seara imaculada
No chão do desconforto / A fé em ti lavrada
Minha mãe, mãe Maria / Mãe de todas as dores
Minha noite meu dia / Luz na alma vazia
Mãe dos nossos amores

A jóia mais bonita

Joaquim Silva Borges / Júlio Proença *fado puxavante*
Repertório de Nelson Duarte

Essa jóia tão bonita
Que eu não vendo a ninguém
É a velhinha bendita
Que se chama minha mãe

Sou pobre, mas a riqueza / Que tenho não se acredita
Pois guardo com avareza / Essa jóia tão bonita

Guardo-a no meu coração / Pois tal valor ela tem
É jóia de estimação / Que eu não vendo a ninguém

Quando minha mãe morrer / Chorarei minha desdita
A causa do meu sofrer / É a velhinha bendita

Se me dessem todo o ouro / Que o milionário tem
Eu não vendia o tesouro / Que se chama, minha mãe

Quem és tu *lama*

Paulo Marques e Alice Chaves
Repertório de Artur Batalha

Se quiser beber eu bebo
Se quiser fumar eu fumo
Não me interessa mais ninguém
Se o meu passado foi lama
Agora quem me difama
Viveu na lama também

Comendo a mesma comida
Bebendo a mesma bebida
Respirando o mesmo ar
E hoje, por ciúme ou por despeito
Você acha-se no direito
De querer me humilhar

Quem és tu, quem foste, não és nada
Se na vida fui fui errado
Tu foste errada também
Se eu errei, se eu pequei, pouco importa
Se aos teus olhos eu estou morto
P’ra mim morreste também

Você

João Linhares Barbosa / Armando Freire *alexandrino antigo*
Repertório de América Rosa

Você teve um capricho, eu tive um desengano
Um sonho que morreu sem eu saber porquê
Um cálculo que errou e desmanchou o plano
Motivo de afeição que eu tinha por você

Você já tinha outra a quem também mentia
O gosto por fazer, orgulho já se vê
A pobre acalentava a estranha fantasia
De ter uma paixão movida por você

Você não avalia o amor duma mulher
Não sabe o que é sofrer e das paixões descrê
Não escolhe uma afeição e serve-lhe qualquer
O ponto é que ela sofra e viva p'ra você

Você quando cansar à força de desgosto
Quando se achar diferente ao espelho onde se vê
E quando não tiver onde encostar o rosto
Volte que eu 'inda estou à espera de você

O fado não tem idade

Alice Barreto / Carlos Simões Neves *fado tamanquinhas*
Repertório de Nelson Duarte

O fado não tem idade
Tem estatuto no mar
Cantaram-no os marinheiros
Há quem diga que os primeiros
O cantaram a rezar

O fado é sempre cantado / Em orações delirantes
Quando no mar encapelado
É grande oração, o fado / Ao senhor dos navegantes

Escutei um dia o fado / Num murmúrio sobre a areia
Só podia ser cantado
Aquele tão belo fado / Pela voz de uma sereia

O fado é a voz do povo / Como ele não há nenhum
Sempre velhinho, mas novo
Se o fado é a alma do povo / No fado de cada um

Porto antigo

Letra e musica de Pedro Barroso 
Repertório de António Laranjeira 

Neste porto manso, eterno. onde descanso
Porque me fica aqui o peito e o sentido
Com aquela água imensa navegando
Este rio, ao passar, fala comigo;
E parece murmurar-se quente e brando
Como o mundo é mais sereno em Porto antigo

O velho Douro é como um hino à natureza
Escorrendo entre os dedos da montanha
Ao sol que o faz vibrar e pressentir
Mostrando a história em socalcos vinhateiros
Nos solares de baronetes e herdeiros
Com brasões verdadeiros ou a fingir

Dos barcos que se cruzam indo e vindo
Alguém levanta a mão saudando ao longe
Como um monge pagão fugido à norma
O próprio rio me esmaga e me transforma;
O casario dá a impressão que vai cair
E eu sei que vou chorar quando partir

Sei que o tempo ali parou naquele cais
E não quero saber de mais informação
Que a que me traz com majestade o Douro amigo
Eu quero ficar ali para sempre, ali contigo;
Olhos nas margens do sentir, a mão na mão
Ai, como o mundo é mais sereno em Porto antigo

Não prendas os teus olhos

António Laranjeira / Rogério Ferreira
Repertório de António Laranjeira

Não prendas os teus olhos
Nem me peças amor
Estou ausente de tudo, só dor
Esta herança pesada
Uma cruz por castigo
Não prendas os teus olhos comigo

Por mais que me torture
Em clausura atroz
Neste torpe silêncio por nós
Se te não te devo amor
É desígnio de Deus
Não prendas os teus olhos aos meus

Não serve este lamento
Para nos torturar
Tivemos muito tempo para amar
Nunca nos maltratamos
Nunca nos ofendemos
Mas quando nos cruzamos, sofremos

Porto do meu coração

Joaquim Brandão / Eduardo Jorge
Repertório de Nelson Duarte

Ao meu Porto, vou cantar / O fado minha cantiga
Com ternuras a lembrar / O sentir da minha vida

Meu palácio de ilusões / Das noites de S.João
Minha terra de paixões / Dos tempos que já lá vão

Fechou a velha taberna
De velhinha estás moderna
Mas p’ra mim és sempre igual
Meiga terra hospitaleira
Cascata sobre a Ribeira
Baptizaste Portugal

No caminhar tens canseira / Porto do meu coração
Na labuta és o primeiro / Ao madrugar pelo pão

Tuas pontes são poemas / Pelo rio a navegar
Jardins e fontes são temas / Do teu alegre cantar

Olhos de amor

Letra e musica de António Laranjeira
Repertório de António Laranjeira

Olhos de amor não têm cor
Rosto queimado é de paz
Quem dá a mão com o coração
Não tem noção do que é capaz

Quanta ternura há na voz
Quanta doçura a sorrir
Olhos de amor não têm cor
Olhos de amor sem mentir;
Olhos de amor não têm cor
Olhos de amor não têm dor

Quanta distãncia de mar
Quanta largura de céu
Olhos de amor sabem amar
Um coração igual ao teu

Olhos de amor que não choram
Olhos que sabem esperar
Olhos de amor que demoram
Que tardam sempre em chegar

Olhos d’avô e d’irmão
Olhos de mãe e d’avó
Olhos de pai se não está só
Olhos de amor com coração;
Olhos de amor não têm cor
Olhos de amor não têm dor