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Algum dia

Jorge Palma / Fontes Rocha *fado dos sentidos*
Repertório de Mísia 

Trazes pressa no olhar
Trazes rugas junto à lua
Promessas de não faltar
Naquela esquina da rua

És um homem perseguido / Plo medo que te apavora
Hora a hora mais contido / No amor que te devora

Aprendi a amar-te assim / És meu fado hoje e sempre
Querido à beira do fim / Quase a tempo atentamente

E damos voltas no chão / Até que a luz fica fria
De não em sim, de sim em não / Hás-de ser meu algum dia

Barulho no bairro

Letra e música de Frederico de Brito
Repertório de Deolinda Maria 

A minha rua de casinhas mal caiadas
Não tem mais que três braçadas 
Que dão bem pra eu passar
A minha rua vê-se bem a cada passo
Que se envolve num só braço 
No abraço do luar

Na minha rua eu conheço uma andorinha
Por sinal, minha vizinha 
E que mora um beiral
Pois tem por baixo cravos rubros nas janelas
Que parecem sentinelas 
Num palácio oriental

Não há rua tão gaiteira… nem tão boa
É a mais zaragateira… de Lisboa
Eu não sei que rua é esta
Tem festa todo o dia
Mas se há música na festa
Tem que haver pancadaria

A minha rua tem seu quê de presumida
É vistosa e é garrida
É boémia e anda ao léu
Uma elegante que há ali pró Bairro Alto
Com sapatos de basalto 
E estrelinhas no chapéu

A minha rua, que eu pisei ainda criança
Foi a luz da minha esperança
A razão da minha fé
A minha rua será feia, muito embora
Mas apenas quem lá mora 
É que sabe o que ela é

Noites de Alfama

Frederico de Brito / Armandinho *alexandrino antigo*
Repertório de Manuel Dias

Eu fui p’la noite fora até à velha Alfama
A própria luz da lua acompanhou meus passos
As sombras do Castelo, orgulho da Moirama
Estendiam para mim os seus enormes braços

Em baixo, o velho Tejo, um lago de ilusão
Mostrava aos seus batéis o negro carregado
A voz não sei de quem falou-me ao coração
Então, não sei porquê, pus-me a cantar o fado

Passei à velha Sé, corri Alfama inteira
E ali, de rua em rua, andei sempre a cantar
Até que fui parar à Rua da Regueira
Que à noite, as ruas são regueiras de luar

Minha pobre guitarra andava como louca
Talvez por se encontrar no bairro de mais fama
Enquanto a minha voz, assim cansada e rouca
Ia arrastando o fado ali na velha Alfama

O fado da Bia

Letra e música de Fernando Tordo
Repertório de Hélder Moutinho 

Pediram-me para cantar o fado da Bia
O fado da Bia é aquele que tem alma e tem corpo
O fado da Bia é um grito
Que o tempo tem deixado escrito
O fado da Bia é um barco que anda sem porto

Pediram-me que dissesse só a verdade
O fado da Bia é a voz que tem a tempestade
O fado da Bia é incerto
Sozinho no meio do deserto
O fado da Bia é o querer e não querer a saudade

Pediram-me para cantar o fado da Bia
O fado da Bia é mulher, é um tudo ou nada
É filho de um poeta louco e de uma melodia 
Nasceu em toda a Lisboa, era de madrugada

Só soube escrever saudade

Letra e música de Alves Coelho
Repertório de Francisco José

Revolvi uma gaveta
De uma velha escrevaninha
E encontrei uma caneta
Que escreveu prosa tão minha

Foi com ela que escrevi
As cartas p’ra te encantar
Com ele me despedi
Quando julguei não te amar

E hoje
De cabeça esbranquiçada
Com a mão já enrugada
Fui escrever-te, que ansiedade
Tentei
Mas a sina é caprichosa
Velha, a caneta teimosa
Só soube escrever saudade

Porto à noite

José Guimarães / Rezende Dias
Repertório de Natércia Maria 

Quando anoitece, o Porto tal graça encerra
Que mais parece o céu a morar na terra
E sendo assim, a noite é suavidade
Tem graça sem fim, olhar a cidade

Meu Porto tão risonho
A tua luz
É tal e qual o sonho 
Que seduz
É jóia a cintilar 
Em canto infindo
Que até nos faz sonhar 
Um sonho lindo

Pelas janelas, as luzes que dão encanto
São quais estrelas forrando o vistoso manto
E à luz do luar, o Porto, meu bem-amado
Parece um altar todo iluminado

Novos passos

José Fernandes Castro / José Marques *fado triplicado*
Repertório de Manuel Barbosa

Encontrei-me assim perdido
Sofrido / e arrependido
Dos passos que dei outrora
Foram passos transviados
Mal dados / desencontrados
Passos que não dou agora 


Agora penso melhor
No dissabor / do amor

Sentimento doce e raro
Agora, por precaução
Tenho a razão / sempre à mão

E dela não me separo 

Encontrei-me e agora sou
Quem andou / por onde andou
Sem conhecer rumo certo
Encontrei-me e ainda bem
Que ninguém / me viu além
A vaguear no deserto 


No deserto já não estou
Nem lá vou /porque não dou
Mais passos inutilmente
Encontrei o meu caminho
No carinho / deste ninho
Onde o fado está presente

Marcha do Porto

Norberto Barroca / Nuno Nazareth Fernandes
Repertório de José da Câmara

Erguida sobre o granito
No altar de São João              
Se o seu corpo tem dureza
O rio dá-lhe a beleza
Faz-lhe de ouro o coração

Das pedras, nascem as flores
Numa teimosa batalha
E nas ruas e vielas
Abrem-se a rir as janelas
P’rá cidade que trabalha

O Porto, que do trabalho é cidade
Altivo, tem no trabalho vaidade
Bairrista, tem na boca o coração
Ninguém faz calar sua razão;
Tripeiro, por tudo faz escarcéu
Com seu corpo de granito
Abre o coração num grito
A defender o que é seu

Vai à Sé, vai à Ribeira
E reza pelas Alminhas
Faz ouvir a sua voz
Desde Miragaia à Foz
Do Bolhão às Fontainhas

P’ra defender o que é seu
Corre por toda a cidade
Luta p’lo seu património
Entre Deus e o demónio
Da Cedofeita à Trindade

A Rosa e o Chico

Letra e música de Joaquim Pimentel
Repertório de Adélia Pedrosa

Ali naquela janela
Daquele primeiro andar
Lá está a Rosa atrás dela
P’ra ver o Chico passar

O Chico, que sabe disso
Numa atitude engraçada
Atira um ar deguerriço
Que deixa a Rosa corada

E lá na Lapa, a ninguém escapa aquele namorico
O bairro deseja levar à igreja, a Rosa e o Chico
E vê-los depois, unidos os dois em amor e graças
Naquela janela, naquela janela da rua da Praças

Não mais atrás da vidraça
A Rosa vem prá janela
Porque o Chico quando passa
Não passa, fica ao pé dela

E no canto isolado
Fico de longe a olhar
Aquele amor sem pecado
Que tanto dá que falar

Um amor alegre

José Fernandes Castro / Júlio Proença *fado laiva*
Repertório de Manuel Barbosa

Uma cantiga / descrevendo / amor sincero
Faz com que a vida / vá correndo/ comoquero
E se a poesia / me tocar /logo depois
Ponho a alegria / a falar / de nós os dois

Basta-me um fado
Para que minh’alma cante
E naturalmente espante
As forças que o mal me traz
Basta-me um fado
Misturado num sorriso
P’ra sentir o paraíso
No amor que tu me dás

Em cada beijo / vou sentindo / fogo preso
E o meu desejo / vai surgindo / mais aceso
É nesse instante / que me dou / inteiramente
Porque o amante / que hoje sou / sabe ser gente

Despi-me de ti

Pedro Martins / Joaquim Campos *alexandrino*
Repertório de Filomeno Silva

Despi-me dos teus braços na hora em que partiste
Não mais te procurei desde esse amargo dia
Eu não segui teus passos e a noite foi mais triste
Mais só então fiquei, vestido de agonia

Despi o teu carinho e a seda dos teus beijos
Ficou no chão, caída e foi por mim pisada
Seguiste o teu caminho sonhando com desejos
De teres outra vida vestida de alvorada

Despi-me dos meus medos, dos quais era refém
Já não sinto agonia, respiro liberdade
Esqueci teus segredos e agora estou bem
Talvez te encontre um dia vestida de saudade

Orgulho

José Guimarães / Manuel Reis
Repertório de Filomeno Silva

Quero ver o teu amor doutra maneira
Quero ver o meu olhar, olhar p'ra ti
Não te peço por favor p'ra que me queiras
Nem desisto de encontrar o que perdi

Vês além aquela estrela e o seu fulgor
Quero assim nosso viver a cintilar
Vamos enfeitar com ela o nosso amo
Vamos tentar esquecer, voltar a amar

Os meus dias são viver a recordar
Nos meus dias há sentir que a ninguém digo
Peço a noite p'ra esquecer e não lembrar
Vem a noite, vou dormir, sonho contigo

Não pretendo conquistar causas perdidas
Anda lá, vamos pôr fim à nossa dor
E não vamos destroçar as nossas vidas
Por orgulho em dizer sim ao nosso amor

Senhor d'Além

Letra e música de Filomeno Silva
Repertório do autor

Senhor de além
Quem vai do Porto a passar
Não pode deixar de olhar
A tua ermida velhinha
Senhor de além
Quando em ti um olhar se espraia
Tens orgulho em ser de Gaia
E tens o Douro à beirinha
Que é o espelho
Dessa cascata cinzenta
Que tanta ternura inventa
Nas noites de São João
E reflectes
A ponte de Dom Luiz
Que é referência feliz
De tempos que já lá vão

Quando passavam os barquinhos cintilantes
E as Toninhas gigantes
Rio a cima em desatino
A poesia de tão belos movimentos
Despertava os sentimentos
Dos meus tempos de menino

Mudou o tempo, mudaram os sentimentos
Dizem que é fruto dos tempos
Talvez seja essa a verdade
Mas para mim continua como dantes
Tu continuas a ser
O Senhor dos Navegantes

Fado Eliana

Tributo do poeta Fernando Campos Castro

Foi fado, amor e vida que nos deste
E até os dias vãos foram vividos
Do fado que foi teu quando nasceste
E que cumpriste em todos os sentidos


Ninguém pode fugir ao seu destino
E não fugiste ao teu porque sabias
Por mais que um fado seja pequenino
Tem sempre muitas dores e alegrias

Foi fado ELIANA a tua vida
Vivida até ao fim intensamente
Por isso não serás nunca esquecida
Por quem te amou e ama eternamente

Por teres sido mulher feita verdade
Ao dar a toda a gente o teu amor
Deixaste em nós o sopro da saudade
Que deixa quem é grande e é maior



Tripeiro de gema

Augusto José Leão / Casimiro Ramos *fado três bairros*
Repertório de Filomeno Silva

Meu Porto linda cidade
Onde nasci e me criei
Defronte às águas do Douro
És berço da liberdade
Dos heróis da nossa grei
Porto, és o meu tesouro

Cidade, toda granito
De casarios diversos
Cascata de São João
E neste olhar infinito
Espraio nestes meus versos
Poemas à tradição

Tens Gaia, tão afamada
Num abraço fraternal
Em perfeita comunhão
A que andas sempre ligada
P'lo cordão umbilical
De barcas, ferro e betão

Por isso, meu Porto amado
Pelo muito que te quero
Amar-te é sempre o meu lema
Recebe neste meu fado
O amor puro e sincero
Deste tripeiro de gema

Sózinha nunca mais

Artur Ribeiro / Renato Varela *fado varela*
Repertório de Francisco Martinho

Sózinha, nunca mais te sentirás
Enquanto eu for o sol da tua vida
Sózinha, nunca mais tu andarás
Nem andarás jamais de mim perdida

Sózinha, nunca mais terás tal sorte
Sózinha, só à noite nos meus braços
Sózinha, não amor, que até à morte
Eu serei sempre o guia dos teus passos

Sózinha, nunca mais, isso acabou
No dia em que me dei a andar errado
Sózinha, foi no tempo que passou
Agora somos dois no mesmo fado

Café do amor

José Fernandes Castro / Daniel Gouveia
Repertório de Filomeno Silva

Todos os dias entrava
Pela porta do café
Tomava a bica de pé
Sorrindo enquanto pagava

Fiz dela a minha rainha
E ela nem imaginava
Que o sorriso que me dava
Valia a luz que ela tinha

Talvez por isso gosto tanto de café
E gosto até do travo que o café tem
Seja feitiço, ou seja lá o que é
É por causa do café
Que a vida me corre bem


Um dia tudo mudou
Porque eu não pude evitar
Convidei-a p'ra jantar
Ela de pronto aceitou

Tudo mudou de sabor
A partir desse momento
Pois no meu apartamento
O café sabe melhor

Lusitano vagabundo

Maria Manuel Cid / Alvaro Martins *fado pão de gestos*
Repertório de Carlos Zel

Lusitano vagabundo
Foi um pintor genial
Pintou no quadro no mundo
O rosto de Portugal

Marinheiro, aqui nasceu
Marinheiro quis navegar
Enquanto a pátria cresceu
Andava no alto mar

E do mar voltou um dia
Triste fim, sem o saber
Veio ao sabor da agonia
Só voltou para morrer

E na praia quis ficar
Para ali ao Deus-dará
Marinheiro olhando o mar
Que foi seu e não será

De costas voltadas *J.Guimarães*

José Guimarães / Manuel Reis
Repertório de Filomeno Silva

De costas voltadas
A tudo que é mau, meu amor
Iremos mãos dadas
Em busca de um mundo melhor
Iremos em frente
Transpondo fronteiras fechadas
E quem ri da gente
Rirá certamente, de costas voltada

Ai, daquele que não sabe
Qual o caminho que pisa
Ai, daquele que a verdade
Procura não entender
Ai, daquele que pensar
Que dos outros não precisa
E desvia o seu olhar
Para a verdade não ver

Voltemos as costas a toda a maldade
Olhemos em frente, em frente à razão
Ai, daquele que insistir
Que desconhece a verdade
Ai, daquele que fingir
Que não sente o coração

Fado povo

António Rocha / Alvaro Martins *fado pão de gestos*
Repertório de António Rocha

Sê esquecido tempo antigo
Em que o povo era calado
Humilhado e perseguido
De pés e mãos amarrado

Luta agora sem demora
Impõe bem a tua raça
Mas não esqueças nesta hora
Quem te tirou a mordaça

Cravo ao peito nesse jeito
De quem sente felicidade
Por lhe ser dado o direito
À paz e à liberdade

Eu te louvo, país novo
Ó minha pátria imortal
Avante filhos do povo
Soldados de portugal

O som da guitarra

Letra e música de Ricardo Martins
Repertório de Filomeno Silva 

Está no som da guitarra
Que geme penas da vida
Na luta jamais vencida
No beijo que se desgarra

Está no sonho desfeito
Na incerteza na dor
E até ao falar de amor
Se faz presente no peito

É a voz do silêncio, que canta que chora
Que brinca na noite, que dorme na aurora
Que faz um poema
E depois se aninha, na alma dos sons
Na voz do silêncio que fala ti
Que fala de mim, do amor que é de nós
A voz do silêncio
Que canta no fado que há na minha voz

Está no tempo que corre
Na saudade, no sentir
No passado no porvir
Na esperança que morre

Está no riso, no pranto
Na mentira ou na verdade
E faz-se mais liberdade
Na minh’alma, quando canto