António Lobo Antunes / José Luís Tinoco
Repertório de Carlos do Carmo
Vou por Santa Clara
Não são pedra estes arcos
Mas asas de pombos
Vem de São Vicente
Gente que vende roupa
E me traz mar nos ombros
Dai-me um chafariz
Com mais guitarras de água
Que a minha garganta
Voz à solta num pregão
Voz à volta da voz que me chama
E de amor que se levanta
Madragoa, Alfama
Quero olhar o Tejo
E ver a manhã nascer
Meu amor quem chama
É o navio da noite
Na Ajuda a morrer
Lisboa sou eu
E vim falar contigo
Na velha tendinha
Venho hoje de Santo Antão
Com gaivotas na voz que te digo
E este fado na mão
Sofre coração
Amadeu do Vale / João de Nobre
Repertório de Fernanda Batista
Um homem passa
E um sonho junto nós dois
Mas por desgraça
O nosso mal vem depois
Tanto sonhamos
Lindas promessas de paz
Que quando menos esperamos
Tudo afinal se desfaz
Sofre coração
Onde uma paixão ainda palpita
Mas sofre a cantar
Porque a chorar ninguém te acredita
Pois viver assim
Ai, pobre de mim, esta vida má
Decerto não é viver
Há quem diga que é morrer
Talvez, sei lá
Numa amizade
Nunca te fies, coração
Porque, em verdade
O amor é uma ilusão
Toma cuidado
Pois só se ama uma vez
Para não seres mais desgraçado
Coração, nunca te dês
Repertório de Fernanda Batista
Um homem passa
E um sonho junto nós dois
Mas por desgraça
O nosso mal vem depois
Tanto sonhamos
Lindas promessas de paz
Que quando menos esperamos
Tudo afinal se desfaz
Sofre coração
Onde uma paixão ainda palpita
Mas sofre a cantar
Porque a chorar ninguém te acredita
Pois viver assim
Ai, pobre de mim, esta vida má
Decerto não é viver
Há quem diga que é morrer
Talvez, sei lá
Numa amizade
Nunca te fies, coração
Porque, em verdade
O amor é uma ilusão
Toma cuidado
Pois só se ama uma vez
Para não seres mais desgraçado
Coração, nunca te dês
O seu nome era Manuel
Letra de João Dias
Desconheço se esta letra foi gravada.
Transcrevo-a na esperança de obter informação credível.
O seu nome era Manuel
Um nome que soa a povo
Das terras de Portugal
Um sonho nasceu com ele
E ao sonho se deu total
Com força de sangue novo
O seu nome era Manuel
Um nome que soa a povo
Das terras de Portugal
Nos seus dois olhos gaiatos
Desconheço se esta letra foi gravada.
Transcrevo-a na esperança de obter informação credível.
O seu nome era Manuel
Um nome que soa a povo
Das terras de Portugal
Um sonho nasceu com ele
E ao sonho se deu total
Com força de sangue novo
O seu nome era Manuel
Um nome que soa a povo
Das terras de Portugal
Nos seus dois olhos gaiatos
Ardia o brilho dos bravos
Que nada pode vencer
Num dos mais solenes actos
Que nada pode vencer
Num dos mais solenes actos
Sevilha cobriu-o de cravos
Espada o honrou de ser
E ali na arena dos bravos
Espada o honrou de ser
E ali na arena dos bravos
Por sobre o oiro do fato
O sangue da cor dos cravos
E o menino do povo
O sangue da cor dos cravos
E o menino do povo
Que dos Santos se chamava
Fez do perigo o seu brinquedo
Havia algo de novo
Fez do perigo o seu brinquedo
Havia algo de novo
Sempre que um touro lidava
Era o sonho a rir do medo
O povo gritava olé
Era o sonho a rir do medo
O povo gritava olé
E o menino triunfava
Seguro na sua fé
Jamais um touro o venceu
Mas o destino cruel
Seguro na sua fé
Jamais um touro o venceu
Mas o destino cruel
Colheu-o longe da luta
Assim o bravo morreu
E agora p’lo seu Manel
Assim o bravo morreu
E agora p’lo seu Manel
O povo todo se enluta
Adeus, adeus Manuel
Nome com sabor a povo
Adeus, adeus Manuel
Nome com sabor a povo
Das terras de Portugal
As velhas loucas da praia
Maria Luísa Baptista / José Cid
Repertório de António Pelarigo
Quando há lua maré cheia
As velhas loucas da praia
Trocam conchas e amuletos
Relembram mitos, cantigas
Lengalengas muito antigas
Envoltas em mantos pretos
Acendem fogos e velas
Como se fossem janelas
P'ra chamar a meninice
Contam fábulas e lendas
Sempre em noites de calendas
P'ra esconjurar a velhice
Depois dançam danças loucas
Ao som das vozes já roucas
E numa estranha atitude
Arrastam-se até ao mar
À procura de encontrar
A fonte da juventude
No silêncio ouve-se então
O ribombar do trovão
Que corta a noite de breu
Uma brisa apaga as velas
Por momentos são donzelas
O milagre aconteceu
Repertório de António Pelarigo
Quando há lua maré cheia
As velhas loucas da praia
Trocam conchas e amuletos
Relembram mitos, cantigas
Lengalengas muito antigas
Envoltas em mantos pretos
Acendem fogos e velas
Como se fossem janelas
P'ra chamar a meninice
Contam fábulas e lendas
Sempre em noites de calendas
P'ra esconjurar a velhice
Depois dançam danças loucas
Ao som das vozes já roucas
E numa estranha atitude
Arrastam-se até ao mar
À procura de encontrar
A fonte da juventude
No silêncio ouve-se então
O ribombar do trovão
Que corta a noite de breu
Uma brisa apaga as velas
Por momentos são donzelas
O milagre aconteceu
A navalha
António Lobo Antunes / José Luís Tinoco
Repertório de Carlos do Carmo
A lua navalha na palma da mão
Lençol amortalha se a faca retalha
De manhã chegaram, levaram do chão
Com panos limparam, o rosto taparam
Na cova deitaram, com o sal secaram
O sol que lhe dão
Ai terra morena, ai céu de pinhais
Odor de açucena
Ai braço que acena, ai rosa pequena
Um golpe, não mais
Repertório de Carlos do Carmo
A lua navalha na palma da mão
Lençol amortalha se a faca retalha
No sol que me dão
De prata cigana quero o meu punhal;
Braço de quem ama, na morte me chama
Um grito de lama de prata cigana
Num muro de cal
Ai noite de breu, ai luz de limão
Alguém acendeu, alguém não fui eu
O lume do chão
Quem foi que o traiu
De prata cigana quero o meu punhal;
Braço de quem ama, na morte me chama
Um grito de lama de prata cigana
Num muro de cal
Ai noite de breu, ai luz de limão
Alguém acendeu, alguém não fui eu
O lume do chão
Quem foi que o traiu
Quem foi que o matou
O ramo partiu, a folha caiu
A sombra floriu, a boca mentiu
A mão apagou
Na terra, estendido, o vulto ficou
O rosto esquecido
O olhar perdido, o corpo vencido
Deitado, sangrou
Ai terra morena, ai céu de pinhais
Odor de açucena
Ai braço que acena, ai rosa pequena
Um golpe, não mais
Na terra, estendido, o vulto ficou
O rosto esquecido
O olhar perdido, o corpo vencido
Deitado, sangrou
O ramo partiu, a folha caiu
A sombra floriu, a boca mentiu
A mão apagou
Na terra, estendido, o vulto ficou
O rosto esquecido
O olhar perdido, o corpo vencido
Deitado, sangrou
Ai terra morena, ai céu de pinhais
Odor de açucena
Ai braço que acena, ai rosa pequena
Um golpe, não mais
Na terra, estendido, o vulto ficou
O rosto esquecido
O olhar perdido, o corpo vencido
Deitado, sangrou
De manhã chegaram, levaram do chão
Com panos limparam, o rosto taparam
Na cova deitaram, com o sal secaram
O sol que lhe dão
Ai terra morena, ai céu de pinhais
Odor de açucena
Ai braço que acena, ai rosa pequena
Um golpe, não mais
Ai terra morena, ai céu de pinhais
Ai vento em gangrena
Ai braço que acena, ai rosa pequena
Um golpe, não mais
Ai vento em gangrena
Ai braço que acena, ai rosa pequena
Um golpe, não mais
Somos livres
Letra e música de Ermelinda Duarte
Repertório da autora
Ontem apenas
Fomos a voz sufocada
Dum povo a dizer não quero
Fomos os bobos do rei
Mastigando desespero
Ontem apenas
Fomos o povo a chorar
Na sarjeta dos que, à força
Ultrajaram e venderam
Esta terra, hoje nossa
Uma gaivota voava, voava
Asas de vento, coração de mar
Como ela, somos livres
Somos livres de voar
Uma papoila crescia, crescia
Grito vermelho num campo qualquer
Como ela somos livres
Somos livres de crescer
Uma criança dizia, dizia
Quando for grande; não vou combater
Como ela, somos livres
Somos livres de dizer
Somos um povo que cerra fileiras
Parte à conquista do pão e da paz
Somos livres, somos livres
Não voltaremos atrás
Repertório da autora
Ontem apenas
Fomos a voz sufocada
Dum povo a dizer não quero
Fomos os bobos do rei
Mastigando desespero
Ontem apenas
Fomos o povo a chorar
Na sarjeta dos que, à força
Ultrajaram e venderam
Esta terra, hoje nossa
Uma gaivota voava, voava
Asas de vento, coração de mar
Como ela, somos livres
Somos livres de voar
Uma papoila crescia, crescia
Grito vermelho num campo qualquer
Como ela somos livres
Somos livres de crescer
Uma criança dizia, dizia
Quando for grande; não vou combater
Como ela, somos livres
Somos livres de dizer
Somos um povo que cerra fileiras
Parte à conquista do pão e da paz
Somos livres, somos livres
Não voltaremos atrás
Negro fado
Letra e música de Vitorino
Repertório do autor
Já te não encontro, fujo na paragem
D’eléctrico mágico, numa só viagem
Donzela deitada na cama da lua
Do quarto minguante e de nada na algibeira
Lencinho bordado limpa a doce lágrima
Na face macerada do caixeiro viajante
Também te não perco na pensão barata
O gato vadio deu-me um arranhão
Caí no desvio para o vão da escada
Mandaram que volte, que volte às origens
Lá está a donzela outra vez deitada
Desta vez não escapo à minha tristeza
Vou ao teu encontro nocturno calvário
Subo o meu fadário, calçada do combro
Um último golo deste vinho amargo
Lá vem a manhã clareando apressada
Cobre fado negro com as tuas rendas
O qu’inda ficou dum leve escabecear
Encostado ao peito, peitinho de rola
Dentro do mistério da noite sem par
Repertório do autor
Já te não encontro, fujo na paragem
D’eléctrico mágico, numa só viagem
Donzela deitada na cama da lua
Do quarto minguante e de nada na algibeira
Lencinho bordado limpa a doce lágrima
Na face macerada do caixeiro viajante
Também te não perco na pensão barata
O gato vadio deu-me um arranhão
Caí no desvio para o vão da escada
Mandaram que volte, que volte às origens
Lá está a donzela outra vez deitada
Desta vez não escapo à minha tristeza
Vou ao teu encontro nocturno calvário
Subo o meu fadário, calçada do combro
Um último golo deste vinho amargo
Lá vem a manhã clareando apressada
Cobre fado negro com as tuas rendas
O qu’inda ficou dum leve escabecear
Encostado ao peito, peitinho de rola
Dentro do mistério da noite sem par
Balada do fim do ano
Fernando Machado Soares / António Portugal
Repertório de Adriano Correia de Oliveira
A cabra quando badala
Tem um ar de desengano
Parece que diz à gente
Cautela com o fim do ano
A cabra, sino de esperança
Toca no alto da Torre
Parece que diz à gente
A juventude não morre
Repertório de Adriano Correia de Oliveira
A cabra quando badala
Tem um ar de desengano
Parece que diz à gente
Cautela com o fim do ano
A cabra, sino de esperança
Toca no alto da Torre
Parece que diz à gente
A juventude não morre
Portuguesa bonita
José Cid / Algarra
Repertório de José Cid
Nasceu no Sul
Repertório de José Cid
Nasceu no Sul
É mais castiça e mais morena
Gosta de fado
Gosta de fado
Vai ver os toiros na arena
Mas as do centro
Mas as do centro
São as mais raianas
O doce olhar
O doce olhar
E o sorriso das tricanas;
E as do Norte
E as do Norte
São mais claras, de pele branca
São muito alegres
São muito alegres
Muito simples, muito francas
Onde vais, portuguesa bonita
Volta atrás, p’ra escutares a canção
Que essa capa com fitas de prata
É que alegra e mata o meu coração;
E o sorriso com que tu me encantas
Dá vida e aquece a minha ilusão
As da Madeira
Onde vais, portuguesa bonita
Volta atrás, p’ra escutares a canção
Que essa capa com fitas de prata
É que alegra e mata o meu coração;
E o sorriso com que tu me encantas
Dá vida e aquece a minha ilusão
As da Madeira
São tão lindas como as flores
E a natureza
E a natureza
Favorece as dos Açores
Mas a que vivem longe
Mas a que vivem longe
Da terra natal
Têm alguém
Têm alguém
Que as canta em Portugal;
Por todas tenho
Por todas tenho
Muito amor, muita ternura
No meu caminho
No meu caminho
Fica sempre uma aventura
São os amores
São os amores
Que eu já vivi na minha vida
Mais um adeus
Mais um adeus
Mais um regresso e a despedida
Sou saltimbanco
Sou saltimbanco
Vou de terra em terra
E a todos levo mais um sonho
E a todos levo mais um sonho
E uma quimera;
Já corri mundo
Já corri mundo
Mas fiquei com a certeza
De que a mais meiga
É a mulher portuguesa
Verde antigo
Letra e música de José Luís Tinoco
Repertório de Carlos do Carmo
Que saudade do meu rio antigo
A riscar o verde e o silêncio
Na terra e na pedra lavrada de inocência
Que distância do azul tranquilo
Céu da casa, do mar e do beijo
Segredo do teu corpo indeciso
Entre o medo e o desejo
Impossível dizer-te da cor
Desta névoa de dor e alegria
Tão difícil a luz entre a mágoa e o dia
Tão luz discreta que ainda hoje te anuncia
Na saudade mora a tua rua
E o riso claro que rompia o frio
Abraço de quem foi no mar corpo de abrigo
Que distância do azul que havia
Sobre o rosto branco da cidade
Cidade, praça, corpo, rio
E o batedor de coração sem idade
Impossível dizer-te da cor
Desta névoa de dor e alegria
Tão difícil a luz entre a mágoa e o dia
Mas o céu que em silêncio nos fala
E em segredo te guarda
É a luz perfeita que ainda hoje te anuncia
Tão discreta luz que ainda hoje te anuncia
Repertório de Carlos do Carmo
Que saudade do meu rio antigo
A riscar o verde e o silêncio
Na terra e na pedra lavrada de inocência
Que distância do azul tranquilo
Céu da casa, do mar e do beijo
Segredo do teu corpo indeciso
Entre o medo e o desejo
Impossível dizer-te da cor
Desta névoa de dor e alegria
Tão difícil a luz entre a mágoa e o dia
Tão luz discreta que ainda hoje te anuncia
Na saudade mora a tua rua
E o riso claro que rompia o frio
Abraço de quem foi no mar corpo de abrigo
Que distância do azul que havia
Sobre o rosto branco da cidade
Cidade, praça, corpo, rio
E o batedor de coração sem idade
Impossível dizer-te da cor
Desta névoa de dor e alegria
Tão difícil a luz entre a mágoa e o dia
Mas o céu que em silêncio nos fala
E em segredo te guarda
É a luz perfeita que ainda hoje te anuncia
Tão discreta luz que ainda hoje te anuncia
O cavalo e a lua
Letra e música de José Cid
Repertório de António Pelarigo
Esse cavalo velhinho
Já foi um poldro bravio
Irmão do sol, das estrelas
Refletidas sobre o rio;
E a lua que o conhecera
Quando era poldro e valente
Iluminava-lhe as crinas
Quando era quarto crescente
Esse cavalo velhinho
Já foi cartaz nas touradas
Foi lusitano afamado
E garanhão na manada
Sente saudosa alegria
Ao ser p’la lua beijado
Faz três passes de passage
Como quem diz obrigado
Irmão da chuva, do vento
Sózinho triste e cansado
Sem ter dono continua
Na lezíria, abandonado;
Mas nas noites ao relento
A lua que é sua amiga
Lembra-lhe tardes de glória
Nas arenas, na corrida
Repertório de António Pelarigo
Esse cavalo velhinho
Já foi um poldro bravio
Irmão do sol, das estrelas
Refletidas sobre o rio;
E a lua que o conhecera
Quando era poldro e valente
Iluminava-lhe as crinas
Quando era quarto crescente
Esse cavalo velhinho
Já foi cartaz nas touradas
Foi lusitano afamado
E garanhão na manada
Sente saudosa alegria
Ao ser p’la lua beijado
Faz três passes de passage
Como quem diz obrigado
Irmão da chuva, do vento
Sózinho triste e cansado
Sem ter dono continua
Na lezíria, abandonado;
Mas nas noites ao relento
A lua que é sua amiga
Lembra-lhe tardes de glória
Nas arenas, na corrida
Lisboa, sou rio e beijo
Letra de João Dias
Desconheço se esta letra foi gravada.
Transcrevo-a na esperança de obter informação credível.
Lisboa. sou rio e beijo
A orla da tua saia
Dou pelo nome de Tejo
E nasci para lá da raia
Eu cidade me confesso
Presa da tua ternura
És o mais garboso adereço
Do meu bragal de ventura
Venho de longe cidade
Descansar em teu regaço
Sinto a força da saudade
Na força com que te abraço
Em voz doce marulhada
Oiço-te risos e mágoas
E me contemplo enlevada
No cristal das tuas águas
Das tuas sete colinas
Vem Lisboa, desce à praia
Beijo as tuas mãos divinas
Com afagos de cambraia
Desço já meu Tejo amigo
Pois também tenho saudade
De falar a sós contigo
Da nossa eterna amizade
Desconheço se esta letra foi gravada.
Transcrevo-a na esperança de obter informação credível.
Lisboa. sou rio e beijo
A orla da tua saia
Dou pelo nome de Tejo
E nasci para lá da raia
Eu cidade me confesso
Presa da tua ternura
És o mais garboso adereço
Do meu bragal de ventura
Venho de longe cidade
Descansar em teu regaço
Sinto a força da saudade
Na força com que te abraço
Em voz doce marulhada
Oiço-te risos e mágoas
E me contemplo enlevada
No cristal das tuas águas
Das tuas sete colinas
Vem Lisboa, desce à praia
Beijo as tuas mãos divinas
Com afagos de cambraia
Desço já meu Tejo amigo
Pois também tenho saudade
De falar a sós contigo
Da nossa eterna amizade
O Senhor Morgado
Conde de Monsaraz / José Niza
Repertório de Adriano Correia de Oliveira
O Senhor Morgado, vai no seu murzelo
Todo empertigado, é um gosto vê-lo
Próspero anafado, véstia alentejana
Calça de riscado, homem duma cana;
Vai, todo se ufana
De ir tão bem montado
E ela na janela, seja Deus louvado
Seja Deus louvado, seja Deus louvado
O Senhor Morgado, vai nas próprias pernas
Todo bambeado, tem palavras ternas
Para cada lado, quando passa sente
Que é temido e amado, fala a toda a gente;
Topa um influente
Sou um seu criado
Eleições á porta, seja Deus louvado
Seja Deus louvado, seja Deus louvado
O Senhor Morgado vai na sege rica
Todo repimpado, ai que bem lhe fica
O chapéu armado e a comenda ao peito
E o espadim ao lado, que homem tão perfeito;
Deputado eleito
Muito bem votado
Vai para o Te-Deum, seja Deus louvado
Seja Deus louvado, seja Deus louvado
Repertório de Adriano Correia de Oliveira
O Senhor Morgado, vai no seu murzelo
Todo empertigado, é um gosto vê-lo
Próspero anafado, véstia alentejana
Calça de riscado, homem duma cana;
Vai, todo se ufana
De ir tão bem montado
E ela na janela, seja Deus louvado
Seja Deus louvado, seja Deus louvado
O Senhor Morgado, vai nas próprias pernas
Todo bambeado, tem palavras ternas
Para cada lado, quando passa sente
Que é temido e amado, fala a toda a gente;
Topa um influente
Sou um seu criado
Eleições á porta, seja Deus louvado
Seja Deus louvado, seja Deus louvado
O Senhor Morgado vai na sege rica
Todo repimpado, ai que bem lhe fica
O chapéu armado e a comenda ao peito
E o espadim ao lado, que homem tão perfeito;
Deputado eleito
Muito bem votado
Vai para o Te-Deum, seja Deus louvado
Seja Deus louvado, seja Deus louvado
Aquela palavra amor
Letra de João Dias
Desconheço se esta letra foi gravada.
Transcrevo-a na esperança de obter informação credível.
Sem amor o mundo é um balão vazio
Mesmo tendo quase tudo é nada ter
Andar perto do sol e sentir frio
Apostar com a certeza de perder
Ninguém sabe de onde vem ou onde nasce
É mistério eloquente embora mudo
Caprichoso sentimento de mil faces
Em que o corpo e o pensamento se dão tudo
Surge às vezes violento como o vento
Outras vezes traz nas mãos a doce brisa
É tão velho como a vida como o tempo
Quando chega ou quando parte não avisa
Desconheço se esta letra foi gravada.
Transcrevo-a na esperança de obter informação credível.
Sem amor o mundo é um balão vazio
Mesmo tendo quase tudo é nada ter
Andar perto do sol e sentir frio
Apostar com a certeza de perder
Ninguém sabe de onde vem ou onde nasce
É mistério eloquente embora mudo
Caprichoso sentimento de mil faces
Em que o corpo e o pensamento se dão tudo
Surge às vezes violento como o vento
Outras vezes traz nas mãos a doce brisa
É tão velho como a vida como o tempo
Quando chega ou quando parte não avisa
Solta-se o beijo
Catarina Furtado / João Gil
Repertório da Ala dos Namorados
Espreito por uma porta encostada
Sigo as pegadas de luz
Peço ao gato "chiu" para não me denunciar
Toca o relógio sem cuco
Dá horas à cusquice das vizinhas e eu
Confesso às paredes de quem gosto
Elas conhecem-te bem
Aconchego-me nesta cumplicidade
Deixo-me ir nos trilhos traçados
Pela saudade de te encontrar
Ainda onde te deixei
Trago-te o beijo prometido
Sei o teu cheiro, mergulho no teu tocar
Abraças a guitarra
E voas para além da lua
Amarro o beijo que se quer soltar
Espero que me sintas para me entregar
A cadeira, as costas, o cabelo, a cigarrilha
A dança do teu ombro
E nesse instante em que o silêncio é
O bater do coração
Fecha-se a porta, para o relógio
As vizinhos recolhem
Tu olhas-me
Repertório da Ala dos Namorados
Espreito por uma porta encostada
Sigo as pegadas de luz
Peço ao gato "chiu" para não me denunciar
Toca o relógio sem cuco
Dá horas à cusquice das vizinhas e eu
Confesso às paredes de quem gosto
Elas conhecem-te bem
Aconchego-me nesta cumplicidade
Deixo-me ir nos trilhos traçados
Pela saudade de te encontrar
Ainda onde te deixei
Trago-te o beijo prometido
Sei o teu cheiro, mergulho no teu tocar
Abraças a guitarra
E voas para além da lua
Amarro o beijo que se quer soltar
Espero que me sintas para me entregar
A cadeira, as costas, o cabelo, a cigarrilha
A dança do teu ombro
E nesse instante em que o silêncio é
O bater do coração
Fecha-se a porta, para o relógio
As vizinhos recolhem
Tu olhas-me
Menina do Bairro alto
José Fernandes Castro / Georgino de Sousa *fado georgino*
Repertório de Santiago Costa (ao vivo)
Bairro Alto fado ao rubro
Porta sim e porta não
Rua abaixo, rua acima
Bairro Alto onde descubro
O relógio da paixão
Que bate quando se anima
Animado fico então
Pois sinto o seu coração
Tomar o meu por assalto
E assim tão motivado
Canto o suave pecado
Dum amor do Bairro Alto
Canto quando a suavidade
Daquele olhar encantado
Que brilha mais que uma estrela
Sou louco, pois na verdade
Ela vive no meu fado
Meu fado vive por ela
Bairro Alto fado ao rubro
Porta sim e porta não
Rua abaixo, rua acima
Bairro Alto onde descubro
O relógio da paixão
Que bate quando se anima
Animado fico então
Pois sinto o seu coração
Tomar o meu por assalto
E assim tão motivado
Canto o suave pecado
Dum amor do Bairro Alto
Canto quando a suavidade
Daquele olhar encantado
Que brilha mais que uma estrela
Sou louco, pois na verdade
Ela vive no meu fado
Meu fado vive por ela
Longas noites de ansiedade
Letra e música de Fernando Girão
Repertório do autor
Nas longas noites de ansiedade
Quando não estás comigo
Nas longas noites de ansiedade
Que são para mim um castigo
Eu não encontro sossego
Nos lençóis da nossa cama
E quando as vezes tenho medo
Eu me agarro ao teu pijama
Quando não estás comigo
Vai um pedaço de mim
Vou contigo até ao fim
Eu já sou parte de ti
Vem, que viver só vale a pena
Se a vida for plena e com amor
Vem, porque a vida é tão pequena
Não me lembro do passado
Já esqueci a nossa dor
Nas longas noites de ansiedade
Quando não estás comigo
Nas longas noites de ansiedade
Que são para mim um castigo
Eu não encontro sossego
Nos lençóis da nossa cama
E quando as vezes tenho medo
Eu me agarro ao teu pijama
Quando não estás comigo
Vai um pedaço de mim
Vou contigo até ao fim
Eu já sou parte de ti
Vem, que viver só vale a pena
Se a vida for plena e com amor
Vem, porque a vida é tão pequena
Não me lembro do passado
Já esqueci a nossa dor
E alegre se fez triste
Manuel Alegre / José Niza
Repertório de Adriano Correia de Oliveira
Aquela clara madrugada
Que viu lágrimas correrem no teu rosto
E alegre se fez triste
Como chuva que viesse em pleno agosto
Ela só viu meus dedos nos teus dedos
Meu nome no teu nome e demorados
Viu nossos olhos juntos nos segredos
Que em silêncio dissemos separados
A clara madrugada em que parti
Só ela viu teu rosto olhando a estrada
Por onde o automóvel se afastava
E viu que a pátria estava toda em ti
E ouviu dizer adeus, essa palavra
Que fez tão triste a clara madrugada
Repertório de Adriano Correia de Oliveira
Aquela clara madrugada
Que viu lágrimas correrem no teu rosto
E alegre se fez triste
Como chuva que viesse em pleno agosto
Ela só viu meus dedos nos teus dedos
Meu nome no teu nome e demorados
Viu nossos olhos juntos nos segredos
Que em silêncio dissemos separados
A clara madrugada em que parti
Só ela viu teu rosto olhando a estrada
Por onde o automóvel se afastava
E viu que a pátria estava toda em ti
E ouviu dizer adeus, essa palavra
Que fez tão triste a clara madrugada
Fado fadinho
Letra de João Dias
Desconheço se esta letra foi gravada.
Transcrevo-a na esperança de obter informação credível.
Fado fadinho
De todos nós
Que o Zé Povinho
Ainda tem voz
Obrigadinho
Cá vamos indo
Mais um copinho
Como isto é lindo
Mãos de guitarra
P’la noite fora
Gente cigarra
Até quando chora
Saudade geme
Na foz do rio
O fado ao leme
Deste navio
Desconheço se esta letra foi gravada.
Transcrevo-a na esperança de obter informação credível.
Fado fadinho
De todos nós
Que o Zé Povinho
Ainda tem voz
Obrigadinho
Cá vamos indo
Mais um copinho
Como isto é lindo
Mãos de guitarra
P’la noite fora
Gente cigarra
Até quando chora
Saudade geme
Na foz do rio
O fado ao leme
Deste navio
Marés de rir ou chorar
Letra de Alberto Janes
Desconheço se esta letra foi gravada.
Transcrevo-a na esperança de obter informação credível.
Diz lá ao mar que sossegue um pouco
Se ao largo o vento anda enlouquecido
O teu amor é também um louco
Nos temporais que tem trazido
O mar tem ondas vencidas
Pela firmeza da rocha dura
Eu tenho ilusões perdidas
Todas desfeitas na desventura
Nós temos coisas parecidas
Com as marés revoltas do mar
O que são as nossas vidas
Marés de rir ou chorar
A prata que a onda lança
Sobe no ar, vem morrer no chão
Faz lembrar a minha esperança
Desfeita em desilusão
Amor, é mar onde reina a calma
Mas dias há em que é afinal
Só tempestades dentro da alma
Como no mar é o temporal
É doido, destrói e mata
E na loucura tudo desfaz
Como uma onda que bata
Nas cicatrizes que a vida faz
Desconheço se esta letra foi gravada.
Transcrevo-a na esperança de obter informação credível.
Diz lá ao mar que sossegue um pouco
Se ao largo o vento anda enlouquecido
O teu amor é também um louco
Nos temporais que tem trazido
O mar tem ondas vencidas
Pela firmeza da rocha dura
Eu tenho ilusões perdidas
Todas desfeitas na desventura
Nós temos coisas parecidas
Com as marés revoltas do mar
O que são as nossas vidas
Marés de rir ou chorar
A prata que a onda lança
Sobe no ar, vem morrer no chão
Faz lembrar a minha esperança
Desfeita em desilusão
Amor, é mar onde reina a calma
Mas dias há em que é afinal
Só tempestades dentro da alma
Como no mar é o temporal
É doido, destrói e mata
E na loucura tudo desfaz
Como uma onda que bata
Nas cicatrizes que a vida faz
Cautela, cautelinha
Jorge Rosa / António Chaínho
Repertório de Alice Maria
Juraste acertar o passo
Pelo meu, com precisão
Mas tenho cá a impressão
Que andas fugindo ao compasso
Eu fecho os olhos e faço
Por fingir que andamos certos
Mas se um dia os deixo abertos
Verás que a marcha desfaço
Tem cautela cautelinha
Olha o que andas a fazer
Não dês um passo em ver
Primeiro, p’ra onde vais;
Tenho um dedo que adivinha
Cada voltinha de quantas dás
Já anda de pé atrás
Não te adiantes demais
Dar um ou outro mau passo
Não há ninguém que não dê
E nem se sabe porquê
Às vezes tem-se percalço
Mas se pões o pé em falso
Sempre que sais de passeio
Eu dou pelo teu falseio
Mesmo que passes descalço
Repertório de Alice Maria
Juraste acertar o passo
Pelo meu, com precisão
Mas tenho cá a impressão
Que andas fugindo ao compasso
Eu fecho os olhos e faço
Por fingir que andamos certos
Mas se um dia os deixo abertos
Verás que a marcha desfaço
Tem cautela cautelinha
Olha o que andas a fazer
Não dês um passo em ver
Primeiro, p’ra onde vais;
Tenho um dedo que adivinha
Cada voltinha de quantas dás
Já anda de pé atrás
Não te adiantes demais
Dar um ou outro mau passo
Não há ninguém que não dê
E nem se sabe porquê
Às vezes tem-se percalço
Mas se pões o pé em falso
Sempre que sais de passeio
Eu dou pelo teu falseio
Mesmo que passes descalço
Amar é beber da taça
Armando Nunes / Joaquim Campos *fado tango*
Repertório de José Couto
Repertório de José Couto
Tema também gravado por Maria José Vilar
com o título *Amar*
Amar é beber na taça
Da vida, o amargo fel
É rir do que não tem graça
É sentir gosto de mel
No fel da própria desgraça
Amr é ver qualidades
Em quem, mil defeitos, tem
É não ouvir mil verdades
E ouvir dos lábios d’alguém
Mentiras e falsidades
Amar é ser torturado
Pela chama do ciúme
É sofrer resignado
É sufocar o queixume
Com um sorriso forçado
Amar é beber na taça
Da vida, o amargo fel
É rir do que não tem graça
É sentir gosto de mel
No fel da própria desgraça
Amr é ver qualidades
Em quem, mil defeitos, tem
É não ouvir mil verdades
E ouvir dos lábios d’alguém
Mentiras e falsidades
Amar é ser torturado
Pela chama do ciúme
É sofrer resignado
É sufocar o queixume
Com um sorriso forçado
Mulher arado
Letra e música de Vitor Rodrigues
Repertório de António Pelarigo
Mulher arado
Repertório de António Pelarigo
Mulher arado
Mulher mãe
Semente do prado
Que germina sempre bem
Que lava as mágoas
Nas águas do regadio
Que enrija a coragem
Na aragem que vem do rio
Nas romarias
Dança o vira e o fandango
São alegrias
Que só tem de quando em quando
Maldita cheia
Que lhe-rouba o sono e o pão
Como a receia, o seu triste coração
Doce companheira
Fruto de amor e carinho
Que vai à feira
Nos dias de São Martinho
O Ribatejo
É terra onde nasceu
No Vale ou Brejo
Lá brincou e lá cresceu
Sorriso dela
É a expressão natural
Das mulheres belas
Das mulheres de Portugal
Semente do prado
Que germina sempre bem
Que lava as mágoas
Nas águas do regadio
Que enrija a coragem
Na aragem que vem do rio
Nas romarias
Dança o vira e o fandango
São alegrias
Que só tem de quando em quando
Maldita cheia
Que lhe-rouba o sono e o pão
Como a receia, o seu triste coração
Mulher trigueira
Que veste a chita e a ganga
Que malha na eira
As esperanças da sua fanga
Que veste a chita e a ganga
Que malha na eira
As esperanças da sua fanga
Doce companheira
Fruto de amor e carinho
Que vai à feira
Nos dias de São Martinho
O Ribatejo
É terra onde nasceu
No Vale ou Brejo
Lá brincou e lá cresceu
Sorriso dela
É a expressão natural
Das mulheres belas
Das mulheres de Portugal
Rua das mágoas
Letra de João Dias
Desconheço se esta letra foi gravada.
Transcrevo-a na esperança de obter informação credível.
Junto ao cais de negras águas
Negras águas de ser pranto
Rua de todas as mágoas
Meu berço de desencanto
Junto ao cais de negras águas
Crianças olhos d’espanto
Os modos falam de medo
Aprende-se a chorar cedo
Na rua das minhas mágoas
Rua sem rua
Gente sozinha, vida cercada
Nem sol nem lua
Lá se adivinha rua sem nada
Rua das mágoas
Onde o sorrir não tem acesso
Rua das mágoas
De ver partir mãos sem regresso
Junto ao cais de negras águas
O adeus que me apeteço
Embarcar todas as mágoas
Em viagem sem regresso
Junto ao cais de negras águas
De sonhos não me despeço
Nem da esp’rança em que me perco
Na rua das minhas mágoas
Desconheço se esta letra foi gravada.
Transcrevo-a na esperança de obter informação credível.
Junto ao cais de negras águas
Negras águas de ser pranto
Rua de todas as mágoas
Meu berço de desencanto
Junto ao cais de negras águas
Crianças olhos d’espanto
Os modos falam de medo
Aprende-se a chorar cedo
Na rua das minhas mágoas
Rua sem rua
Gente sozinha, vida cercada
Nem sol nem lua
Lá se adivinha rua sem nada
Rua das mágoas
Onde o sorrir não tem acesso
Rua das mágoas
De ver partir mãos sem regresso
Junto ao cais de negras águas
O adeus que me apeteço
Embarcar todas as mágoas
Em viagem sem regresso
Junto ao cais de negras águas
De sonhos não me despeço
Nem da esp’rança em que me perco
Na rua das minhas mágoas
Fado alegre
Letra de Alberto Janes
Desconheço se esta letra foi gravada.
Transcrevo-a na esperança de obter informação credível.
Com a guitarra é que sinto
Do fadinho o sentimento
E copos de vinho tinto
Que rico acompanhamento
Deve beber-se do roxo
Do bom tinto português
O fado parece coxo
Com o líquido escocês
Um copo ou dois é preceito
A que o fado nos obriga
Beber um copo dá jeito
E põe mais calor até na cantiga
Até já no Bairro Alto
Conseguiu pegar a moda
De ir por ali e num salto
Beber whisky com soda
Quem não souber ser da arte
À base do carrascão
É pôr a coisa de parte
E pedir a demissão
O fado quer-se escutado
Com o silêncio devido
A beber está-se calado
E por isso o fado
Deve ser bebido
Lá de fora as invenções
Pegaram e hoje é moda
Deitar água nos sifões
Com o disfarce de soda
A mim disse-me um borracho
Contando o caso com mágoa
Cobardia é o que eu acho
Beber bebidas com água
Desconheço se esta letra foi gravada.
Transcrevo-a na esperança de obter informação credível.
Com a guitarra é que sinto
Do fadinho o sentimento
E copos de vinho tinto
Que rico acompanhamento
Deve beber-se do roxo
Do bom tinto português
O fado parece coxo
Com o líquido escocês
Um copo ou dois é preceito
A que o fado nos obriga
Beber um copo dá jeito
E põe mais calor até na cantiga
Até já no Bairro Alto
Conseguiu pegar a moda
De ir por ali e num salto
Beber whisky com soda
Quem não souber ser da arte
À base do carrascão
É pôr a coisa de parte
E pedir a demissão
O fado quer-se escutado
Com o silêncio devido
A beber está-se calado
E por isso o fado
Deve ser bebido
Lá de fora as invenções
Pegaram e hoje é moda
Deitar água nos sifões
Com o disfarce de soda
A mim disse-me um borracho
Contando o caso com mágoa
Cobardia é o que eu acho
Beber bebidas com água
Junto à lareira
Letra e música de José Cid
Repertório do autor
Vem que eu não encontro o meu caminho
Ontem à noite andei sozinho
Sem encontrar o teu olhar no meu
Vem fazer amor de madrugada
E acordar calma e cansada
Às oito e meia dou-te um beijo, adeus
Vem…
Quero-te ver quando regresso
Junto à lareira onde me aqueço
E acordar sobre o teu ombro, assim
Vem…
Vou-te contar as minhas mágoas
Que eu não encontro nem palavras
Para explicar o que sinto por ti
Vem ao meu encontro lentamente
Como quem sonha com o presente
Que vai voltar a ter um grande amor
Repertório do autor
Vem que eu não encontro o meu caminho
Ontem à noite andei sozinho
Sem encontrar o teu olhar no meu
Vem fazer amor de madrugada
E acordar calma e cansada
Às oito e meia dou-te um beijo, adeus
Vem…
Quero-te ver quando regresso
Junto à lareira onde me aqueço
E acordar sobre o teu ombro, assim
Vem…
Vou-te contar as minhas mágoas
Que eu não encontro nem palavras
Para explicar o que sinto por ti
Vem ao meu encontro lentamente
Como quem sonha com o presente
Que vai voltar a ter um grande amor
Vontade e pensamento
Fernando Pessoa / Joaquim Campos *fado puxavante*
Repertório de Maria do Rosário Bettencourt
Tudo que faço ou medito
Fica sempre na metade
Querendo, quero o infinito
Fazendo, nada é verdade
Que nojo de mim me fica
Ao olhar para o que faço
Minha alma é lúcida e rica
E eu sou um mar de sargaço
Um mar onde boiam lentos
Fragmentos de um mar d’além
Vontades ou pensamentos
Não o sei e sei-o bem
Tudo que faço ou medito
Fica sempre na metade
Querendo, quero o infinito
Fazendo, nada é verdade
Repertório de Maria do Rosário Bettencourt
Tudo que faço ou medito
Fica sempre na metade
Querendo, quero o infinito
Fazendo, nada é verdade
Que nojo de mim me fica
Ao olhar para o que faço
Minha alma é lúcida e rica
E eu sou um mar de sargaço
Um mar onde boiam lentos
Fragmentos de um mar d’além
Vontades ou pensamentos
Não o sei e sei-o bem
Tudo que faço ou medito
Fica sempre na metade
Querendo, quero o infinito
Fazendo, nada é verdade
A correr mundo
Letra e música de Paco Bandeira
Repertório do autor
Antes de mais para começar
Tenho o prazer de anunciar
O meu porquê de estar aqui
Vou-vos contar como cheguei
As desventuras que passei
E as aventuras que vivi
Nasci num tempo condenado
A ver, ouvir e a estar calado
Dentro da boa fé da lei
Um belo dia deu-me o vento
Deixei voar o pensamento
E foi assim que desatei
A correr mundo
Sofri por Africas de fome
Martírio e morte dos sem nome
Vi coisas de bradar aos céus
A Oriente da desgraça
Vi guerras de ódio e de vingança
Travadas em nome de Deus
Cruzei Américas de vício
De fumo e fogo de artificio
De mil vaidades em leilão
Brasis de luxo de novela
Com fome negra na favela
E opulências de estadão
Repertório do autor
Antes de mais para começar
Tenho o prazer de anunciar
O meu porquê de estar aqui
Vou-vos contar como cheguei
As desventuras que passei
E as aventuras que vivi
Nasci num tempo condenado
A ver, ouvir e a estar calado
Dentro da boa fé da lei
Um belo dia deu-me o vento
Deixei voar o pensamento
E foi assim que desatei
A correr mundo
E a ver com olhos de ver
Conheci grandes malfeitores
Conheci grandes malfeitores
Cheios de poder
Vivi com o santo e com o ladrão
Vi gente honrada na prisão
Tive a mesma condição, por isso sei
Que de todos sou irmão
Que todo o homem , bom ou mau
Vivi com o santo e com o ladrão
Vi gente honrada na prisão
Tive a mesma condição, por isso sei
Que de todos sou irmão
Que todo o homem , bom ou mau
É meu irmão
Sofri por Africas de fome
Martírio e morte dos sem nome
Vi coisas de bradar aos céus
A Oriente da desgraça
Vi guerras de ódio e de vingança
Travadas em nome de Deus
Cruzei Américas de vício
De fumo e fogo de artificio
De mil vaidades em leilão
Brasis de luxo de novela
Com fome negra na favela
E opulências de estadão
A não ser poder amar
Letra e música de Fernando Girão
Repertório do autor
Queria entrar dentro de ti
Com toda a minha verdade
Como uma sonda penetrar
Na essência da tua intimidade
Queria às vezes ser mulher
Para gozar tanto como tu
Que o meu prazer fosse igual
Ao que é o teu prazer
Gostaria de ser um Deus
Sem regras para cumprir
Para não ter de dormir
De comer, de trabalhar
Gostaria de nada fazer
A não ser poder amar
Queria entrar dentro de ti
Com toda a minha verdade
Como uma sonda penetrar
Na essência da tua intimidade
Queria às vezes ser mulher
Para gozar tanto como tu
Que o meu prazer fosse igual
Ao que é o teu prazer
Gostaria de ser um Deus
Sem regras para cumprir
Para não ter de dormir
De comer, de trabalhar
Gostaria de nada fazer
A não ser poder amar
O primeiro dia
Letra e música de Sérgio Godinho
Repertório do autor
A princípio é simples, anda-se sozinho
Passa-se nas ruas bem devagarinho
Está-se bem no silêncio e no burburinho
Bebe-se as certezas num copo de vinho
E vem-nos à memória uma frase batida
Hoje é o primeiro dia do resto da sua vida
Hoje é o primeiro dia do resto da sua vida
Pouco a pouco o passo faz-se vagabundo
Dá-se a volta ao medo
Repertório do autor
A princípio é simples, anda-se sozinho
Passa-se nas ruas bem devagarinho
Está-se bem no silêncio e no burburinho
Bebe-se as certezas num copo de vinho
E vem-nos à memória uma frase batida
Hoje é o primeiro dia do resto da sua vida
Hoje é o primeiro dia do resto da sua vida
Pouco a pouco o passo faz-se vagabundo
Dá-se a volta ao medo
E dá-se a volta ao mundo
Diz-se do passado que está moribundo
Bebe-se o alento num copo sem fundo
E vem-nos à memória, etc, etc
E é então que amigos nos oferecem leito
Entra-se cansado e sai-se refeito
Luta-se por tudo o que se leva a peito
Bebe-se e come-se
Diz-se do passado que está moribundo
Bebe-se o alento num copo sem fundo
E vem-nos à memória, etc, etc
E é então que amigos nos oferecem leito
Entra-se cansado e sai-se refeito
Luta-se por tudo o que se leva a peito
Bebe-se e come-se
Alguém nos diz: "Bom proveito"
E vem-nos à memória, etc., etc.
Depois vêm cansaços e o corpo fraqueja
Olha-se p’ra dentro e já um pouco sobeja
Pede-se o descanso, por curto que seja
Apagam-se dúvidas num mar de cerveja
E vem-nos à memória, etc, etc
E enfim, duma escolha faz-se um desafio
Enfrenta-se a vida de fio a pavio
Navega-se sem mar, sem vela ou navio
Bebe-se a coragem até dum copo vazio
E vem-nos à memória, etc., etc.
E, entretanto, o tempo fez cinza da brasa
E outra maré cheia veio da maré vaza
Nasce um novo dia e no braço outra asa
Brinda-se aos amores com o vinho da casa
E vem-nos à memória, etc., etc..
E vem-nos à memória, etc., etc.
Depois vêm cansaços e o corpo fraqueja
Olha-se p’ra dentro e já um pouco sobeja
Pede-se o descanso, por curto que seja
Apagam-se dúvidas num mar de cerveja
E vem-nos à memória, etc, etc
E enfim, duma escolha faz-se um desafio
Enfrenta-se a vida de fio a pavio
Navega-se sem mar, sem vela ou navio
Bebe-se a coragem até dum copo vazio
E vem-nos à memória, etc., etc.
E, entretanto, o tempo fez cinza da brasa
E outra maré cheia veio da maré vaza
Nasce um novo dia e no braço outra asa
Brinda-se aos amores com o vinho da casa
E vem-nos à memória, etc., etc..
Tu e eu somos mundo
Letra de João Dias
Desconheço se esta letra foi gravada.
Transcrevo-a na esperança de obter informação credível.
Tu e eu meu amor
Somos força e razão
Pão nascido na flor
Enfeitando este chão
Somos grito de vida
Com poder de universo
Poesia vivida
Não precisa de versos
Mundo és tu e eu
Um filho por nascer
Vida é este céu
A voz deste mar
Que parece dizer
É amar
É amar
Para quem como nós
Não tem nada de seu
A não ser esta voz
E a graça de sonhar
O mundo és tu e eu
É amar
É amar
Desconheço se esta letra foi gravada.
Transcrevo-a na esperança de obter informação credível.
Tu e eu meu amor
Somos força e razão
Pão nascido na flor
Enfeitando este chão
Somos grito de vida
Com poder de universo
Poesia vivida
Não precisa de versos
Mundo és tu e eu
Um filho por nascer
Vida é este céu
A voz deste mar
Que parece dizer
É amar
É amar
Para quem como nós
Não tem nada de seu
A não ser esta voz
E a graça de sonhar
O mundo és tu e eu
É amar
É amar
Estrela da saudade
José Fernandes Castro / Pedro Rodrigues *fado primavera*
Repertório de Clara Cristão (ao vivo)
A saudade tem o rosto
Dessa estrela que o sol posto
Acende na madrugada
E quando a saudade chega
Toda a minh'alma se entrega
À solidão magoada
Sinto que a dor me apoquenta
De forma tão violenta
Tão intensa, tão feroz
Que os fados que de ti falam
Abrem feridas que se embalam
Nos sopros da minha voz
Vezes sem fim dou por mim
A rever-te no jardim
Onde o nosso amor floriu
Porém, a realidade
Faz-me sentir mais saudade
Desse tempo que partiu
Repertório de Clara Cristão (ao vivo)
A saudade tem o rosto
Dessa estrela que o sol posto
Acende na madrugada
E quando a saudade chega
Toda a minh'alma se entrega
À solidão magoada
Sinto que a dor me apoquenta
De forma tão violenta
Tão intensa, tão feroz
Que os fados que de ti falam
Abrem feridas que se embalam
Nos sopros da minha voz
Vezes sem fim dou por mim
A rever-te no jardim
Onde o nosso amor floriu
Porém, a realidade
Faz-me sentir mais saudade
Desse tempo que partiu
Desgraça
Letra de Alberto Janes
Desconheço se esta letra foi gravada.
Transcrevo-a na esperança de obter informação credível.
A desgraça por castigo
Fez-se minha e tão minha
Que depois de andar comigo
Já não sabe andar sozinha
Se a desgraça resolvesse
Deixar-me seria assim
Como se eu mesmo perdesse
Qualquer coisa que há em mim
Quando a desgraça depara
Comigo chorando, diz
No mundo há sempre, repara
Quem seja mais infeliz
Desconheço se esta letra foi gravada.
Transcrevo-a na esperança de obter informação credível.
A desgraça por castigo
Fez-se minha e tão minha
Que depois de andar comigo
Já não sabe andar sozinha
Se a desgraça resolvesse
Deixar-me seria assim
Como se eu mesmo perdesse
Qualquer coisa que há em mim
Quando a desgraça depara
Comigo chorando, diz
No mundo há sempre, repara
Quem seja mais infeliz
Sagrado e pagão
Letra e música de Fernando Girão
Repertório do autor
Penso em ti de várias formes
Das maneiras mais diversas
Umas são dentro das normas
Outras são loucas, perversas
Já visitamos planetas
Sem sair do nosso quarto
É tão grande o meu prazer
Que eu de te amar não me farto
Já rezei dentro de tl
Com tamanha devoção
Que até Deus achou bonito
A pureza do tesão
Se engana quem disser
Que o profano e o divino
São sempre contradição
A prova disso é o teu corpo
Que para mim é um templo
Entre o sagrado e o pagão
Penso em ti de várias formes
Das maneiras mais diversas
Umas são dentro das normas
Outras são loucas, perversas
Já visitamos planetas
Sem sair do nosso quarto
É tão grande o meu prazer
Que eu de te amar não me farto
Já rezei dentro de tl
Com tamanha devoção
Que até Deus achou bonito
A pureza do tesão
Se engana quem disser
Que o profano e o divino
São sempre contradição
A prova disso é o teu corpo
Que para mim é um templo
Entre o sagrado e o pagão
A fisga
João Monge / João Gil
Repertório de Rio Grande
Trago a fisga no bolso de trás
E na pasta o caderno dos deveres
Mestre escola, eu sei lá se sou capaz
De escolher o melhor dos dois saberes
O meu pai diz que o sol é que nos faz
Minha mãe manda-me ler a lição
Mestre-escola, eu sei lá se sou capaz
Faz-me falta ouvir outra opinião
Eu até nem sequer sou mau rapaz
Com maneiras até sou bem-mandado
Mestre escola diga lá se for capaz
P’ra que lado é que me viro, p’ra que lado
Repertório de Rio Grande
Trago a fisga no bolso de trás
E na pasta o caderno dos deveres
Mestre escola, eu sei lá se sou capaz
De escolher o melhor dos dois saberes
O meu pai diz que o sol é que nos faz
Minha mãe manda-me ler a lição
Mestre-escola, eu sei lá se sou capaz
Faz-me falta ouvir outra opinião
Eu até nem sequer sou mau rapaz
Com maneiras até sou bem-mandado
Mestre escola diga lá se for capaz
P’ra que lado é que me viro, p’ra que lado
Olha o Fado
Letra e música de Fausto Bordalo Dias
Repertório de Fausto
Eu cá sou dos Fonsecas
Eu cá sou dos Madureiras
De ferro e puro sangue
O que me corre nas veias
Nasci da paixão temporal
Do parto dos vendavais
Cresço no fragor da luta
Numa força bruta
P'ra’além dos mortais
Mas tenho muitas saudades
Certas penas e desejos
E aquela louca ansiedade
Como um pecado
Meu amor se te não vejo
Olha o fado
Ora é tão vingativo
Ora é tão paciente
Amanhã é comedor
Hoje abstinente
Mentiroso alcoviteiro
Doce e verdadeiro
Uma vez conquistador
Outra vez vencido
Amanhã é navegante
Hoje é desvalido
Sensual aventureiro
Doido e bandoleiro
Somos capitães
Somos Albuquerques
Nós somos leões
Os lobos do mar
De olhos pregados nos céus
De cima dos capitéus
Somos capitães
Somos Albuquerques
Nós somos leões
Dos lobos dos mares
E na verdade o que vos dói
É que não queremos ser heróis
Repertório de Fausto
Eu cá sou dos Fonsecas
Eu cá sou dos Madureiras
De ferro e puro sangue
O que me corre nas veias
Nasci da paixão temporal
Do parto dos vendavais
Cresço no fragor da luta
Numa força bruta
P'ra’além dos mortais
Mas tenho muitas saudades
Certas penas e desejos
E aquela louca ansiedade
Como um pecado
Meu amor se te não vejo
Olha o fado
Ora é tão vingativo
Ora é tão paciente
Amanhã é comedor
Hoje abstinente
Mentiroso alcoviteiro
Doce e verdadeiro
Uma vez conquistador
Outra vez vencido
Amanhã é navegante
Hoje é desvalido
Sensual aventureiro
Doido e bandoleiro
Somos capitães
Somos Albuquerques
Nós somos leões
Os lobos do mar
De olhos pregados nos céus
De cima dos capitéus
Somos capitães
Somos Albuquerques
Nós somos leões
Dos lobos dos mares
E na verdade o que vos dói
É que não queremos ser heróis
Amor, poesia e dor
Letra de João Dias
Desconheço se esta letra foi gravada.
Transcrevo-a na esperança de obter informação credível.
Amor, poesia e dor
Distância da mesma recta
Foi uma pena d’amor
Que fez do homem poeta
Lá porque diz coisas belas
Não cuide que me seduz
Têm mais brilho as estrelas
E não se orgulham da luz
É a esperança que conduz
O homem p’la vida fora
E torna mais leve a cruz
De quem em vão se enamora
Como água se evapora
O sentir apregoado
Por isso a partir de agora
Quero um amor mais calado
Mil preces tenho rezado
Ó Maria do Rosário
Tenho um rosário de fado
Guardado num relicário
Nesta vida tudo é vário
As palavras, as paixões
Fica-nos só um sumário
De amargas desilusões
Desconheço se esta letra foi gravada.
Transcrevo-a na esperança de obter informação credível.
Amor, poesia e dor
Distância da mesma recta
Foi uma pena d’amor
Que fez do homem poeta
Lá porque diz coisas belas
Não cuide que me seduz
Têm mais brilho as estrelas
E não se orgulham da luz
É a esperança que conduz
O homem p’la vida fora
E torna mais leve a cruz
De quem em vão se enamora
Como água se evapora
O sentir apregoado
Por isso a partir de agora
Quero um amor mais calado
Mil preces tenho rezado
Ó Maria do Rosário
Tenho um rosário de fado
Guardado num relicário
Nesta vida tudo é vário
As palavras, as paixões
Fica-nos só um sumário
De amargas desilusões
Oração
Francisco Nicholson / Rogério Bracinha / João Nobre
Repertório de António Calvário
Repertório de António Calvário
Festival RTP 1964
Senhor… a teus pés eu confesso
Senhor… meu amor maltratei
Senhor… se perdão aqui peço
Não mereço
Senhor… meu amor desprezei
E pequei
Perdão, no entanto, eu imploro
Senhor, tu, que és a redenção
Eu sei que a perdi e que a adoro
E eu choro
Senhor, ao rogar seu perdão
Senhor, eu confesso o perjúrio
De tantas promessas
Senhor, eu errei, as na vida
Encontrei a lição
Senhor, eu t' imploro, senhor
Ó meu Deus não t' esqueças
Da minha oração
Senhor, ó bondade infinita
Dai-me o seu perdão
Amor por amor eu na vida
Jamais encontrara
É tarde, caminho p’la vida
Perdido na dor
Senhor, este amor é mais puro
Que a jóia mais rara do mais puro amor
Senhor, se o amor é castigo
Perdão, meu senhor
Senhor… a teus pés eu confesso
Senhor… meu amor maltratei
Senhor… se perdão aqui peço
Não mereço
Senhor… meu amor desprezei
E pequei
Perdão, no entanto, eu imploro
Senhor, tu, que és a redenção
Eu sei que a perdi e que a adoro
E eu choro
Senhor, ao rogar seu perdão
Senhor, eu confesso o perjúrio
De tantas promessas
Senhor, eu errei, as na vida
Encontrei a lição
Senhor, eu t' imploro, senhor
Ó meu Deus não t' esqueças
Da minha oração
Senhor, ó bondade infinita
Dai-me o seu perdão
Amor por amor eu na vida
Jamais encontrara
É tarde, caminho p’la vida
Perdido na dor
Senhor, este amor é mais puro
Que a jóia mais rara do mais puro amor
Senhor, se o amor é castigo
Perdão, meu senhor
Lento verão
Letra e música de Fernando Girão
Repertório do autor
O Verão passava lento
Como um calmo por do sol
A tua chegada parou o trabalho
Dos homens na plantação
A vida voltou a ter gosto
Como num filme, como um milagre
Toda a pequena cidade
Dedicou-te o mês de Agosto
Eu mudei a minha vida
Os meus hábitos e vícios
A tua chegada provocou em mim
A entrada noutra dimensão
És o bálsamo que acalma
As feridas que o mundo me fez
E eu sem pensar de uma só vez
Entreguei-te a minha alma
Dá-me dias de amizade
Dá-me noites de paixão
Dá-me a calma e a coragem
Dá-me a mais louca viagem
Porque é teu meu coração
O Verão passava lento
Como um calmo por do sol
A tua chegada parou o trabalho
Dos homens na plantação
A vida voltou a ter gosto
Como num filme, como um milagre
Toda a pequena cidade
Dedicou-te o mês de Agosto
Eu mudei a minha vida
Os meus hábitos e vícios
A tua chegada provocou em mim
A entrada noutra dimensão
És o bálsamo que acalma
As feridas que o mundo me fez
E eu sem pensar de uma só vez
Entreguei-te a minha alma
Dá-me dias de amizade
Dá-me noites de paixão
Dá-me a calma e a coragem
Dá-me a mais louca viagem
Porque é teu meu coração
Canção de engate
Letra e música de António Variações
Repertório do autor
Tu estás livre e eu estou livre
E há uma noite para passar
Porque não vamos unidos
Porque não vamos ficar
Na aventura dos sentidos
Tu estás só e eu mais só estou
Tu que tens o meu olhar
Tens a minha mão aberta
À espera de se fechar
Nessa tua mão deserta
Vem que amor não é o tempo
Nem é o tempo que o faz
Vem que amor é o momento
Em que eu me dou
Em que te dás
Tu que buscas companhia
E eu que busco quem quiser
Ser o fim desta energia
Ser um corpo de prazer
Ser o fim de mais um dia
Tu continuas à espera
Do melhor que já não vem
E a esp’rança foi encontrada
Antes de ti por alguém
E eu sou melhor que nada
Repertório do autor
Tu estás livre e eu estou livre
E há uma noite para passar
Porque não vamos unidos
Porque não vamos ficar
Na aventura dos sentidos
Tu estás só e eu mais só estou
Tu que tens o meu olhar
Tens a minha mão aberta
À espera de se fechar
Nessa tua mão deserta
Vem que amor não é o tempo
Nem é o tempo que o faz
Vem que amor é o momento
Em que eu me dou
Em que te dás
Tu que buscas companhia
E eu que busco quem quiser
Ser o fim desta energia
Ser um corpo de prazer
Ser o fim de mais um dia
Tu continuas à espera
Do melhor que já não vem
E a esp’rança foi encontrada
Antes de ti por alguém
E eu sou melhor que nada
Calçada de Carriche
António Gedeão / José Niza
Repertório de Carlos Mendes
Luísa sobe, sobe a calçada
Sobe e não pode que vai cansada
Sobe, Luísa, Luísa, sobe
Sobe que sobe, sobe a calçada
Saiu de casa de madrugada
Regressa a casa é já noite fechada
Na mão grosseira de pele queimada
Leva a lancheira desengonçada
Repertório de Carlos Mendes
Luísa sobe, sobe a calçada
Sobe e não pode que vai cansada
Sobe, Luísa, Luísa, sobe
Sobe que sobe, sobe a calçada
Saiu de casa de madrugada
Regressa a casa é já noite fechada
Na mão grosseira de pele queimada
Leva a lancheira desengonçada
Anda, Luísa, Luísa, sobe
Sobe que sobe, sobe a calçada
Luísa é nova, desenxovalhada
Tem perna gorda, bem torneada
Ferve-lhe o sangue de afogueada
Saltam-lhe os peitos na caminhada
Anda, Luísa. Luísa, sobe
Sobe que sobe, sobe a calçada
Passam magalas, rapaziada
Palpam-lhe as coxas, não dá por nada
Anda, Luísa, Luísa, sobe
Sobe que sobe, sobe a calçada
Chegou a casa, não disse nada
Pegou na filha, deu-lhe a mamada
Bebeu a sopa numa golada
Lavou a loiça, varreu a escada
Deu jeito à casa desarranjada
Coseu a roupa já remendada
Despiu-se à pressa, desinteressada
Caiu na cama de uma assentada
Chegou o homem, viu-a deitada
Serviu-se dela, não deu por nada
Anda, Luísa. Luísa, sobe
Sobe que sobe, sobe a calçada
NÃO GRAVADO
Na manhã débil, sem alvorada
Salta da cama, desembestada
Puxa da filha, dá-lhe a mamada
Veste-se à pressa, desengonçada
Anda, ciranda, desaustinada
Range o soalho a cada passada
Salta prá rua, corre açodada
Galga o passeio, desce a calçada
Chega à oficina à hora marcada
Puxa que puxa, larga que larga
Toca a sineta na hora aprazada
Corre à cantina, volta à toada
Puxa que puxa, larga que larga
Regressa a casa é já noite fechada
Luísa arqueja pela calçada
Sobe que sobe, sobe a calçada
Luísa é nova, desenxovalhada
Tem perna gorda, bem torneada
Ferve-lhe o sangue de afogueada
Saltam-lhe os peitos na caminhada
Anda, Luísa. Luísa, sobe
Sobe que sobe, sobe a calçada
Passam magalas, rapaziada
Palpam-lhe as coxas, não dá por nada
Anda, Luísa, Luísa, sobe
Sobe que sobe, sobe a calçada
Chegou a casa, não disse nada
Pegou na filha, deu-lhe a mamada
Bebeu a sopa numa golada
Lavou a loiça, varreu a escada
Deu jeito à casa desarranjada
Coseu a roupa já remendada
Despiu-se à pressa, desinteressada
Caiu na cama de uma assentada
Chegou o homem, viu-a deitada
Serviu-se dela, não deu por nada
Anda, Luísa. Luísa, sobe
Sobe que sobe, sobe a calçada
NÃO GRAVADO
Na manhã débil, sem alvorada
Salta da cama, desembestada
Puxa da filha, dá-lhe a mamada
Veste-se à pressa, desengonçada
Anda, ciranda, desaustinada
Range o soalho a cada passada
Salta prá rua, corre açodada
Galga o passeio, desce a calçada
Chega à oficina à hora marcada
Puxa que puxa, larga que larga
Toca a sineta na hora aprazada
Corre à cantina, volta à toada
Puxa que puxa, larga que larga
Regressa a casa é já noite fechada
Luísa arqueja pela calçada
São para ti estes versos
Letra de João Dias
Desconheço se esta letra foi gravada.
Transcrevo-a na esperança de obter informação credível.
São para ti estes versos meu amor
Pedaços de mim submersos em teus braços
Como pétalas dispersas duma flor
Renascida na raiz dos teus abraços
Como quem embala um berço de criança
Eis a esp’rança em cada verso deste fado
Inventando uma ave branca e mansa
Mensageira de meus sonhos em recado
E na límpida razão deste pecado
Que ninguém pode atrever-se a condenar
Encontrei o meu lugar iluminado
Inundado do sol do teu olhar
Renascidas na raiz dos teus abraços
Eis as pétalas dispersas duma flor
Pedaços de mim submersos em teus braços
São para ti estes versos meu amor
Desconheço se esta letra foi gravada.
Transcrevo-a na esperança de obter informação credível.
São para ti estes versos meu amor
Pedaços de mim submersos em teus braços
Como pétalas dispersas duma flor
Renascida na raiz dos teus abraços
Como quem embala um berço de criança
Eis a esp’rança em cada verso deste fado
Inventando uma ave branca e mansa
Mensageira de meus sonhos em recado
E na límpida razão deste pecado
Que ninguém pode atrever-se a condenar
Encontrei o meu lugar iluminado
Inundado do sol do teu olhar
Renascidas na raiz dos teus abraços
Eis as pétalas dispersas duma flor
Pedaços de mim submersos em teus braços
São para ti estes versos meu amor
A rosa que te dei
Letra e música de José Cid
Repertório do autor
Vivias no nosso tempo
Num quarto andar
Repertório do autor
Vivias no nosso tempo
Num quarto andar
De uma velha mansarda
Que tinha, junto à janela
Que tinha, junto à janela
Sobre o beiral
Uma roseira brava
Que hoje eu venho lembrar
Para voltar com toda a minha alma
Ao tempo em que tu dormias
Uma roseira brava
Que hoje eu venho lembrar
Para voltar com toda a minha alma
Ao tempo em que tu dormias
Sobre o meu peito
E acordavas calma
A rosa que te dei
Não foi criada num jardim
Por isso tinha mais
E acordavas calma
A rosa que te dei
Não foi criada num jardim
Por isso tinha mais
Significado para mim
A rosa que te dei
Era uma terna e simples flor
Que fez nascer em nós
Um grande amor
E a rua, no mês de junho
Tinha balões e riso de crianças
O velho da concertina
E a menina que tinha loiras tranças
Cantavas-me uma canção
A rosa que te dei
Era uma terna e simples flor
Que fez nascer em nós
Um grande amor
E a rua, no mês de junho
Tinha balões e riso de crianças
O velho da concertina
E a menina que tinha loiras tranças
Cantavas-me uma canção
Fora de moda
Mas que me era tão querida
Guardei-a entre as mil folhas
Mas que me era tão querida
Guardei-a entre as mil folhas
Desse romance
Que é o livro da vida
Que é o livro da vida
As mãos
Manuel Alegre / Adriano
Repertório de Adriano Correia de Oliveira
Com mãos se faz a paz se faz a guerra
Com mãos tudo se faz e se desfaz
Com mãos se faz o poema e são de terra
Com mãos se faz a guerra e são a paz
Com mãos se rasga o mar, com mãos se lavra
Não são de pedras estas casas, mas de mãos
E estão no fruto e na palavra
As mãos que são o canto e são as armas
E cravam-se no tempo como farpas
As mãos que vês nas coisas transformadas
Folhas que vão no vento, verdes harpas
De mãos é cada flor, cada cidade
Ninguém pode vencer estas espadas
Nas tuas mãos começa a liberdade
Repertório de Adriano Correia de Oliveira
Com mãos se faz a paz se faz a guerra
Com mãos tudo se faz e se desfaz
Com mãos se faz o poema e são de terra
Com mãos se faz a guerra e são a paz
Com mãos se rasga o mar, com mãos se lavra
Não são de pedras estas casas, mas de mãos
E estão no fruto e na palavra
As mãos que são o canto e são as armas
E cravam-se no tempo como farpas
As mãos que vês nas coisas transformadas
Folhas que vão no vento, verdes harpas
De mãos é cada flor, cada cidade
Ninguém pode vencer estas espadas
Nas tuas mãos começa a liberdade
Deixamos de ser brinquedo
Letra de Alberto Janes
Desconheço se esta letra foi gravada.
Transcrevo-a na esperança de obter informação credível.
A amizade que de pequenos
Enlaçava as nossas vidas
Tive que pô-la no cesto velho
Das ideias esquecidas
E fez-me pena, era pura, inocente
E era franca como é a luz que o sol produz
Na neve branca também notaste
Que no beijo que trocámos certo dia
Houve o sabor de coisas novas
Que nos outros não havia
Naquele beijo vi que o desejo
A nós ambos dominou
E no meu peito de coisas estranhas
Eu nem sei que se passou
O afecto puro que dia a dia
Nossas vidas, sempre unir
Chamar-lhe puro para o futuro, era mentira
Eu bem senti
Que esse beijo nos traçara um outro rumo
A amizade foi-se apagando
E perdeu-se como o fumo
Deixámos de ser brinquedo um do outro
É a verdade
E toda a nossa amizade
Que começara tão cedo
Ficou doente no beijo daquele dia
Depois
Foi morrendo no desejo
Do amor de nós os dois
Desconheço se esta letra foi gravada.
Transcrevo-a na esperança de obter informação credível.
A amizade que de pequenos
Enlaçava as nossas vidas
Tive que pô-la no cesto velho
Das ideias esquecidas
E fez-me pena, era pura, inocente
E era franca como é a luz que o sol produz
Na neve branca também notaste
Que no beijo que trocámos certo dia
Houve o sabor de coisas novas
Que nos outros não havia
Naquele beijo vi que o desejo
A nós ambos dominou
E no meu peito de coisas estranhas
Eu nem sei que se passou
O afecto puro que dia a dia
Nossas vidas, sempre unir
Chamar-lhe puro para o futuro, era mentira
Eu bem senti
Que esse beijo nos traçara um outro rumo
A amizade foi-se apagando
E perdeu-se como o fumo
Deixámos de ser brinquedo um do outro
É a verdade
E toda a nossa amizade
Que começara tão cedo
Ficou doente no beijo daquele dia
Depois
Foi morrendo no desejo
Do amor de nós os dois
Postal dos correios
João Monge / João Gil
Repertório de Rio Grande
Querida mãe, querido pai, então que tal?
Nós andamos do jeito que Deus quer
Entre dias que passam menos mal
Lá vem um que nos dá mais que fazer
Mas falemos de coisas bem melhores
A Laurinda faz vestidos por medida
O rapaz estuda nos computadores
Dizem que é um emprego com saída
Cá chegou direitinha a encomenda
Pelo "expresso" que parou na Piedade
Pão de trigo e linguiça p’rá merenda
Sempre dá para enganar a saudade
Espero que não demorem a mandar
Novidade na volta do correio
A ribeira corre bem ou vai secar?
Como estão as oliveiras de candeio?
Já não tenho mais assunto p’ra escrever
Cumprimentos ao nosso pessoal
Um abraço deste que tanto vos quer
Sou capaz de ir aí pelo Natal
Repertório de Rio Grande
Querida mãe, querido pai, então que tal?
Nós andamos do jeito que Deus quer
Entre dias que passam menos mal
Lá vem um que nos dá mais que fazer
Mas falemos de coisas bem melhores
A Laurinda faz vestidos por medida
O rapaz estuda nos computadores
Dizem que é um emprego com saída
Cá chegou direitinha a encomenda
Pelo "expresso" que parou na Piedade
Pão de trigo e linguiça p’rá merenda
Sempre dá para enganar a saudade
Espero que não demorem a mandar
Novidade na volta do correio
A ribeira corre bem ou vai secar?
Como estão as oliveiras de candeio?
Já não tenho mais assunto p’ra escrever
Cumprimentos ao nosso pessoal
Um abraço deste que tanto vos quer
Sou capaz de ir aí pelo Natal
Milagre maior
Letra de João Dias
Desconheço se esta letra foi gravada.
Transcrevo-a na esperança de obter informação credível.
Darei a minha vida toda à vida
Buscando-me total além do espanto
De sentir uma criança adormecida
Despertar-me na voz sempre que canto
Quero sentir nos braços estendidos
A carícia de todas as aragens
E percorrer-me em todos os sentidos
Alma e corpo de todas as viagens
Embriagar-me de vida e de espaço
As mais altas montanhas alcançar
Sentir a eloquência do teu braço
Ver o tempo correr mais devagar
Então que a morte venha e nos consagre
De tão alto caminho percorrido
Se ser vivo meu amor já foi milagre
Maior foi o de ter-te conhecido
Desconheço se esta letra foi gravada.
Transcrevo-a na esperança de obter informação credível.
Darei a minha vida toda à vida
Buscando-me total além do espanto
De sentir uma criança adormecida
Despertar-me na voz sempre que canto
Quero sentir nos braços estendidos
A carícia de todas as aragens
E percorrer-me em todos os sentidos
Alma e corpo de todas as viagens
Embriagar-me de vida e de espaço
As mais altas montanhas alcançar
Sentir a eloquência do teu braço
Ver o tempo correr mais devagar
Então que a morte venha e nos consagre
De tão alto caminho percorrido
Se ser vivo meu amor já foi milagre
Maior foi o de ter-te conhecido
Três beijos
Júlio Proença / Joaquim Campos *fado puxavante*
Repertório de Renato Manuel
Eu nunca pedi um beijo
Ao primeiro amor que tive
Não me faltaram desejos
Mas os desejos contive
Beijei-o, não fui beijado
Era um amor sem calor
Era uma amor apagado
O terceiro amor doidinho (a)
Nos beijos e nos desejos
Nasceram-me os três filhinhos
Mais lindos do que três beijos
(a) provavelmente o 1º verso da 3ª estrofe será;
Do terceiro amor doidinho
Repertório de Renato Manuel
Eu nunca pedi um beijo
Ao primeiro amor que tive
Não me faltaram desejos
Mas os desejos contive
Beijei-o, não fui beijado
Era um amor sem calor
Era uma amor apagado
O terceiro amor doidinho (a)
Nos beijos e nos desejos
Nasceram-me os três filhinhos
Mais lindos do que três beijos
(a) provavelmente o 1º verso da 3ª estrofe será;
Do terceiro amor doidinho
Feitiço do fado
Letra e música de Paco Bandeira
Repertório do autor
Consta que o fado nasceu no Cais da Ribeira
Quando a gente se entristece
P’ra o sentir como se fosse sagrado
Qualquer coisa de feitiço
De boémio de mestiço, há no fado;
Repertório do autor
Consta que o fado nasceu no Cais da Ribeira
Mulato boémio gingão por uma varina
Cativa dum certo Lundum que ficou da galera
Que zarpou para o Brasil com os escravos
Do sangue e da sina
Do sal o lamento
Cativa dum certo Lundum que ficou da galera
Que zarpou para o Brasil com os escravos
Do sangue e da sina
Do sal o lamento
A canção que ainda cá se venera
Como as velas das naus
Como as velas das naus
É matriz da nossa memória
A morna saudade
A morna saudade
O chorinho da canção marinheira
O leme é a guitarra que geme
No cordame da estória
Quando a gente se entristece
P’ra o sentir como se fosse sagrado
Qualquer coisa de feitiço
De boémio de mestiço, há no fado;
Ou talvez mais que destino para um povo
Seja o mito de um passado sempre novo
De quem deu à escravatura liberdade
Com o timbre do destino da saudade
Diz-se também por aí que é aristocrata
Por mor dum fidalgo fadista
Seja o mito de um passado sempre novo
De quem deu à escravatura liberdade
Com o timbre do destino da saudade
Diz-se também por aí que é aristocrata
Por mor dum fidalgo fadista
Amigo da farra
Que toureava montado a cavalo
Que toureava montado a cavalo
De tricórnio e casaca
E que em vez de piano
E que em vez de piano
Na sala tinha uma guitarra
Porém há quem diga também
Porém há quem diga também
Que o fado é cigano
Que a lendária Severa o cantava
Que a lendária Severa o cantava
À noite à meia porta
Que o símbolo do dito maior
Que o símbolo do dito maior
É bem lusitano
Porém o fado hoje é do mundo
Porém o fado hoje é do mundo
E isso é que conta
Ruas da memória
Letra de João Dias
Desconheço se esta letra foi gravada.
Transcrevo-a na esperança de obter informação credível.
Pelas ruas da memória
Andam sombras inquietas
A sangrar-me o pensamento
Farrapos da minha história
De naufrágios e grilhetas
De velas pobres de vento
Sob os meus pés doloridos
As pedras desta cidade
Cinzenta sem horizonte
Choram sonhos proibidos
Fantasmas duma saudade
De sonhos que andam a monte
Dei por migalhas de amor
Searas verdes de esperança
Num campo grande de trigo
Por cada beijo uma flor
Que eu dava como criança
À procura dum abrigo
Desço ao cais da tua imagem
Olho o mar do meu passado
Alongo os braços ao vento
Na esperança doutra imagem
Deste meu corpo amarrado
À memória doutro tempo
Desconheço se esta letra foi gravada.
Transcrevo-a na esperança de obter informação credível.
Pelas ruas da memória
Andam sombras inquietas
A sangrar-me o pensamento
Farrapos da minha história
De naufrágios e grilhetas
De velas pobres de vento
Sob os meus pés doloridos
As pedras desta cidade
Cinzenta sem horizonte
Choram sonhos proibidos
Fantasmas duma saudade
De sonhos que andam a monte
Dei por migalhas de amor
Searas verdes de esperança
Num campo grande de trigo
Por cada beijo uma flor
Que eu dava como criança
À procura dum abrigo
Desço ao cais da tua imagem
Olho o mar do meu passado
Alongo os braços ao vento
Na esperança doutra imagem
Deste meu corpo amarrado
À memória doutro tempo
Eu não sou poeta
Letra e música de Carlos Paião
Repertório do autor
Quem me dera saber
Fazer versos, rimar
Para um dia escrever
Que tu és a mulher
Repertório do autor
Quem me dera saber
Fazer versos, rimar
Para um dia escrever
Que tu és a mulher
Que eu quero amar
Quem me dera fazer poesia
Inspirada na minha paixão
Inventar sofrimento, agonia
O amor de Platão
Quem me dera chamar-te de musa
Quem me dera fazer poesia
Inspirada na minha paixão
Inventar sofrimento, agonia
O amor de Platão
Quem me dera chamar-te de musa
Em sonetos e coisas que tais
Uma escrita solene e confusa
Com palavras a mais
Eu não sou poeta
Não, não sou poeta
Nunca fui um grande sofredor
Eu não sou poeta
Não, não sou poeta
Não te sei falar de amor
Mas seu eu fosse poeta dotado
Ou se ao menos julgasse que sim
Falaria com um ar afetado
Aprenderia latim
Só faria canções eruditas
E se as ditas ninguém entendesse
Rematava com frases bonitas
P’ró que desse e viesse
Uma escrita solene e confusa
Com palavras a mais
Eu não sou poeta
Não, não sou poeta
Nunca fui um grande sofredor
Eu não sou poeta
Não, não sou poeta
Não te sei falar de amor
Mas seu eu fosse poeta dotado
Ou se ao menos julgasse que sim
Falaria com um ar afetado
Aprenderia latim
Só faria canções eruditas
E se as ditas ninguém entendesse
Rematava com frases bonitas
P’ró que desse e viesse
Adoro o que não sorri
Maria Manuel Cid / Pedro Rodrigues
Repertório de Maria do Rosário Bettencourt
Caminho num longo espaço
Sigo sempre o que não traço
Adoro o que não sorri
P'ra min o mundo é deserto
Apenas o que está perto
Me fala do que não vi
Para quê chorar tristeza
Para quê trazer acesa
A chama do meu tormento
Para quê gostar dalguém
O melhor que a gente tem
É calar o sentimento
Juntei as mágoas da vida
Agarrei desiludida
Os restos de meu passado
E no meio da tempestade
Deixei correr à vontade
O destino já traçado
Repertório de Maria do Rosário Bettencourt
Caminho num longo espaço
Sigo sempre o que não traço
Adoro o que não sorri
P'ra min o mundo é deserto
Apenas o que está perto
Me fala do que não vi
Para quê chorar tristeza
Para quê trazer acesa
A chama do meu tormento
Para quê gostar dalguém
O melhor que a gente tem
É calar o sentimento
Juntei as mágoas da vida
Agarrei desiludida
Os restos de meu passado
E no meio da tempestade
Deixei correr à vontade
O destino já traçado
Fado magano
João Dias / Popular c/arranjos de Emília Reis
Repertório de Emília Reis
Gosto do fado magano
Atrevido e galhofeiro
Tisnado como um cigano
Gingão como um marinheiro
Anda em jeito de fandango
Diz-me piadas brejeiras
Mas eu cá nunca me zango
Já lhe conheço as maneiras
Todo magano bem picadinho
Ajanotado e com gajé
Ri de piano, gosta de vinho
Isto é que é fado
Assim é que é
Gosta da noite e da farra
Este grande mariola
Diz-se noivo da guitarra
E faz namoro à viola.
Na boémia não se atrasa
P’ra mostrar que tem ralé
Quando está de grão na asa
Arma logo o seu banzé
Repertório de Emília Reis
Gosto do fado magano
Atrevido e galhofeiro
Tisnado como um cigano
Gingão como um marinheiro
Anda em jeito de fandango
Diz-me piadas brejeiras
Mas eu cá nunca me zango
Já lhe conheço as maneiras
Todo magano bem picadinho
Ajanotado e com gajé
Ri de piano, gosta de vinho
Isto é que é fado
Assim é que é
Gosta da noite e da farra
Este grande mariola
Diz-se noivo da guitarra
E faz namoro à viola.
Na boémia não se atrasa
P’ra mostrar que tem ralé
Quando está de grão na asa
Arma logo o seu banzé
As balas
Manuel da Fonseca / Adriano
Repertório de Adriano Correia de Oliveira
Dá o Outono, as uvas e o vinho
Dos olivais, azeite nos é dado
Dá a cama e a mesa, o verde pinho
As balas deram sangue derramado
Dá a chuva, o inverno criador
Às sementes dá sulcos o arado
No lar, a lenha em chama dá calor
As balas deram sangue derramado
Dá a Primavera, o campo colorido
Glória, coroa do mundo renovado
Aos corações, dá o amor renascido
As balas deram sangue derramado
Dá o sol as searas pelo verão
O fermento no trigo amassado
No esbraseado forno cresce o pão
As balas deram sangue derramado
Dá cada dia o homem novo alento
De conquistar o bem que lhe é negado
Dá a conquista um puro sentimento
As balas deram sangue derramado
De meditar, concluir, ir e fazer
Dá sobre o mundo o homem atirado
À paz de um mundo novo onde viver
As balas deram sangue derramado
Dá a certeza o querer e o construir
O que tanto nos negou o ódio armado
Que a vida construída é destruir
Balas deram sangue derramado
Essas balas deram sangue derramado
Só roubo e fome e o sangue derramado
Só ruina e peste e o sangue derramado
Só crime e morte e o sangue derramado
Repertório de Adriano Correia de Oliveira
Dá o Outono, as uvas e o vinho
Dos olivais, azeite nos é dado
Dá a cama e a mesa, o verde pinho
As balas deram sangue derramado
Dá a chuva, o inverno criador
Às sementes dá sulcos o arado
No lar, a lenha em chama dá calor
As balas deram sangue derramado
Dá a Primavera, o campo colorido
Glória, coroa do mundo renovado
Aos corações, dá o amor renascido
As balas deram sangue derramado
Dá o sol as searas pelo verão
O fermento no trigo amassado
No esbraseado forno cresce o pão
As balas deram sangue derramado
Dá cada dia o homem novo alento
De conquistar o bem que lhe é negado
Dá a conquista um puro sentimento
As balas deram sangue derramado
De meditar, concluir, ir e fazer
Dá sobre o mundo o homem atirado
À paz de um mundo novo onde viver
As balas deram sangue derramado
Dá a certeza o querer e o construir
O que tanto nos negou o ódio armado
Que a vida construída é destruir
Balas deram sangue derramado
Essas balas deram sangue derramado
Só roubo e fome e o sangue derramado
Só ruina e peste e o sangue derramado
Só crime e morte e o sangue derramado
Cantar de um amor perdido
João Dias / Casimiro Ramos *fado oliveira-freira*
Repertório de João Casanova
Esta noite vou cantar
E beber para lembrar
Que bebo para esquecer
Nas mãos da embriaguez
Quero afogar duma vez
A raiva de te perder
Esta noite vou cantar
O ciúme a gargalhar
Como um palhaço traído
Vou pôr a minh’alma em praça
Venham todos que é de graça
Troçar dum amor perdido
Esta noite vou cantar
Até a voz alcançar
O grito da minha ira
E hei-de arrancar de mim
Esta ferida tão ruim
Ainda que mais me fira
Teu corpo nos meus sentidos
Teu nome nos meus ouvidos
Memórias de endoidecer
Esta noite vou cantar
E beber para lembrar
Que bebo para esquecer
Repertório de João Casanova
Esta noite vou cantar
E beber para lembrar
Que bebo para esquecer
Nas mãos da embriaguez
Quero afogar duma vez
A raiva de te perder
Esta noite vou cantar
O ciúme a gargalhar
Como um palhaço traído
Vou pôr a minh’alma em praça
Venham todos que é de graça
Troçar dum amor perdido
Esta noite vou cantar
Até a voz alcançar
O grito da minha ira
E hei-de arrancar de mim
Esta ferida tão ruim
Ainda que mais me fira
Teu corpo nos meus sentidos
Teu nome nos meus ouvidos
Memórias de endoidecer
Esta noite vou cantar
E beber para lembrar
Que bebo para esquecer
Velho moinho
Letra e música José Cid
Repertório do autor
Sempre que o tempo recordar
O que ficou daquele amor
Só vejo velas a rodar
Os teus cabelos a voar
Sinto o perfume de uma flor
E o teu corpete de linho
Que eu desatei com avidez
Fui cama e berço de carinho
Foi o teu corpo que se fez
Mulher pela primeira vez
Velho moinho
Rodando ao vento
Eu venho aqui
P’ra recordar esse momento
Só tu me viste quando abracei
Essa mulher
Que nunca mais eu encontrei
As velas brancas do moinho
Igual à vida igual aos anos
O vento que os faz rodar
É o destino que nos traz
Amor tristeza, desenganos
Repertório do autor
Sempre que o tempo recordar
O que ficou daquele amor
Só vejo velas a rodar
Os teus cabelos a voar
Sinto o perfume de uma flor
E o teu corpete de linho
Que eu desatei com avidez
Fui cama e berço de carinho
Foi o teu corpo que se fez
Mulher pela primeira vez
Velho moinho
Rodando ao vento
Eu venho aqui
P’ra recordar esse momento
Só tu me viste quando abracei
Essa mulher
Que nunca mais eu encontrei
As velas brancas do moinho
Igual à vida igual aos anos
O vento que os faz rodar
É o destino que nos traz
Amor tristeza, desenganos
Quero é viver
Letra e música de António Variações
Repertório do autor
Vou viver
Até quando eu não sei
Que me importa o que serei
Quero é viver
Amanhã, espero sempre um amanhã
E acredito que será
Mais um prazer
E a vida é sempre uma curiosidade
Que me desperta com a idade
Interessa-me o que está p’ra vir
A vida em mim é sempre uma certeza
Que nasce da minha riqueza
Do meu prazer em descobrir
Encontrar, renovar
Vou fugir ou repetir
Vou viver
Até quando, eu não sei
Que me importa o que serei
Quero é viver
Amanhã, espero sempre um amanhã
E acredito que será mais um prazer
A vida é sempre uma curiosidade
Que me desperta com idade
Interessa-me o que está p’ra vir
A vida, em mim é sempre uma certeza
Que nasce da minha riqueza
Do meu prazer em descobrir;
Encontrar, renovar
Vou fugir ou repetir
Repertório do autor
Vou viver
Até quando eu não sei
Que me importa o que serei
Quero é viver
Amanhã, espero sempre um amanhã
E acredito que será
Mais um prazer
E a vida é sempre uma curiosidade
Que me desperta com a idade
Interessa-me o que está p’ra vir
A vida em mim é sempre uma certeza
Que nasce da minha riqueza
Do meu prazer em descobrir
Encontrar, renovar
Vou fugir ou repetir
Vou viver
Até quando, eu não sei
Que me importa o que serei
Quero é viver
Amanhã, espero sempre um amanhã
E acredito que será mais um prazer
A vida é sempre uma curiosidade
Que me desperta com idade
Interessa-me o que está p’ra vir
A vida, em mim é sempre uma certeza
Que nasce da minha riqueza
Do meu prazer em descobrir;
Encontrar, renovar
Vou fugir ou repetir
Fado do piquenique
Letra de Alberto Janes
Desconheço se esta letra foi gravada.
Transcrevo-a na esperança de obter informação credível.
Uns três ou quatro amigos leais
Outros tantos sorrisos de mulher
Uns cinco litros ou mais
E um regato a correr
Cheiro de pimentos no ar
Os copos de mão em mão
E o sol a querer-se sentar
Ao lado do garrafão
Tem tal sabor o campo e graça tanta
Que canta tudo em redor
No campo quando alguém canta
Um petisquinho quando a vida nos afronta
E tantos copos de vinho
P’ra ficar na boa conta
Em versos feitos à desgarrada
Todos, todos, cantam por chalaça
E a bela sardinha assada
Rescende que é uma graça
O copo sempre virado
Até ver-se bem o fundo
E depois canta-se o fado
E é quase o fim do mundo
E pianinho, num corrido bem marcado
O sentimento e carinho
Brincam nos versos do fado
É-se poeta, põe-se em tudo o coração
E uma guitarra preta
Parece nascer do chão
Ao sol postinho cheira a mentastro
O campo todo é serenidade
Fugiram beijos prós pastos
A brincar em liberdade
E do céu esta harmonia
Desce a noite toda enternecida
A marcar o fim dum dia
Dos melhores da minha vida
Andam gemidos nos ramos do arvoredo
São rouxinóis atrevidos
A cantar sem terem medo
Pois os artistas ficam ali dois a dois
Dá a cidade os fadistas
O campo dá rouxinóis
Desconheço se esta letra foi gravada.
Transcrevo-a na esperança de obter informação credível.
Uns três ou quatro amigos leais
Outros tantos sorrisos de mulher
Uns cinco litros ou mais
E um regato a correr
Cheiro de pimentos no ar
Os copos de mão em mão
E o sol a querer-se sentar
Ao lado do garrafão
Tem tal sabor o campo e graça tanta
Que canta tudo em redor
No campo quando alguém canta
Um petisquinho quando a vida nos afronta
E tantos copos de vinho
P’ra ficar na boa conta
Em versos feitos à desgarrada
Todos, todos, cantam por chalaça
E a bela sardinha assada
Rescende que é uma graça
O copo sempre virado
Até ver-se bem o fundo
E depois canta-se o fado
E é quase o fim do mundo
E pianinho, num corrido bem marcado
O sentimento e carinho
Brincam nos versos do fado
É-se poeta, põe-se em tudo o coração
E uma guitarra preta
Parece nascer do chão
Ao sol postinho cheira a mentastro
O campo todo é serenidade
Fugiram beijos prós pastos
A brincar em liberdade
E do céu esta harmonia
Desce a noite toda enternecida
A marcar o fim dum dia
Dos melhores da minha vida
Andam gemidos nos ramos do arvoredo
São rouxinóis atrevidos
A cantar sem terem medo
Pois os artistas ficam ali dois a dois
Dá a cidade os fadistas
O campo dá rouxinóis
Rosa da Madragoa
João Dias / António Parreira
Repertório de Rodrigo
Na discografia de Lucília do Carmo este tema aparece gravado
com o título *Lá vai a Rosa Maria* música de Moniz Pereira
No Bairro da Madragoa
À janela de Lisboa
Nasceu a Rosa Maria
Filha de gente vareira
Foi criada na Ribeira
Entre peixe e maresia
Flor mulher aquela rosa
É a moça mais airosa
Que a lota já conheceu
E toda a malta do mar
Suspira ao vê-la passar
De chinela e perna ao léu
Lá vai a Rosa Maria
Que é a alegria
Desta Ribeira
Ouvi e ri à gargalhada
Qualquer piada
Por mais brejeira;
Vai bugiar meu menino
Não deites barro à parede
Que esta Rosa é peixe fino
P'rá malha da tua rede
O jovem Chico Fateixa
Já jurou que não a deixa
Pois a paixão é teimosa
É de tal modo a cegueira
Que deu à sua traineira
O nome daquela Rosa
E a flor da Madragoa
Ao ver escrito na proa
Seu nome, Rosa Maria
Abriu os braços ao Chico
Começou o namorico
E vão casar qualquer dia
Repertório de Rodrigo
Na discografia de Lucília do Carmo este tema aparece gravado
com o título *Lá vai a Rosa Maria* música de Moniz Pereira
No Bairro da Madragoa
À janela de Lisboa
Nasceu a Rosa Maria
Filha de gente vareira
Foi criada na Ribeira
Entre peixe e maresia
Flor mulher aquela rosa
É a moça mais airosa
Que a lota já conheceu
E toda a malta do mar
Suspira ao vê-la passar
De chinela e perna ao léu
Lá vai a Rosa Maria
Que é a alegria
Desta Ribeira
Ouvi e ri à gargalhada
Qualquer piada
Por mais brejeira;
Vai bugiar meu menino
Não deites barro à parede
Que esta Rosa é peixe fino
P'rá malha da tua rede
O jovem Chico Fateixa
Já jurou que não a deixa
Pois a paixão é teimosa
É de tal modo a cegueira
Que deu à sua traineira
O nome daquela Rosa
E a flor da Madragoa
Ao ver escrito na proa
Seu nome, Rosa Maria
Abriu os braços ao Chico
Começou o namorico
E vão casar qualquer dia
Pé descalço
João Dias / Jorge Atayde
Repertório de Maria Armanda
Nasceu ao lado da vida
À margem de qualquer riso
Por ser criança ofendida
Cantou um fado de aviso
Filho de gente migalha
Brincou descalço na lama
Com malta da mesma igualha
Andou por noites sem cama
De pé descalço
Jogou à bola trapeira
Ao berlinde e ao pião
De pé descalço
Esquecia na brincadeira
Com aquela malta porreira
A sua fome de pão;
De pé descalço
Ficou à porta da escola
P’ra quem nasceu por esmola
Era um luxo a instrução
Engraxador e ardina
Fez recados aos ricaços
Da chamada gente fina
Vestia os trapos ralaços
E quando a fome apertava
Assobiava um fadinho
Ao menos sempre encontrava
Quem lhe pagasse um copinho
Repertório de Maria Armanda
Nasceu ao lado da vida
À margem de qualquer riso
Por ser criança ofendida
Cantou um fado de aviso
Filho de gente migalha
Brincou descalço na lama
Com malta da mesma igualha
Andou por noites sem cama
De pé descalço
Jogou à bola trapeira
Ao berlinde e ao pião
De pé descalço
Esquecia na brincadeira
Com aquela malta porreira
A sua fome de pão;
De pé descalço
Ficou à porta da escola
P’ra quem nasceu por esmola
Era um luxo a instrução
Engraxador e ardina
Fez recados aos ricaços
Da chamada gente fina
Vestia os trapos ralaços
E quando a fome apertava
Assobiava um fadinho
Ao menos sempre encontrava
Quem lhe pagasse um copinho
Não te esquecerei
Letra de Alberto Janes
Desconheço se esta letra foi gravada.
Transcrevo-a na esperança de obter informação credível.
Pode o rouxinol já não cantar
Quando vê brilhar a lua
Porque não soube juntar
A minha vida e a tua
Pode a morte
Desconheço se esta letra foi gravada.
Transcrevo-a na esperança de obter informação credível.
Pode o rouxinol já não cantar
Quando vê brilhar a lua
Porque não soube juntar
A minha vida e a tua
Pode a morte
Não me querer matar
Quando de mim se avizinha
Com pena d’ir separar
A tua vida da minha
Não te esquecerei
Ainda que as rosas
Quando de mim se avizinha
Com pena d’ir separar
A tua vida da minha
Não te esquecerei
Ainda que as rosas
Percam o perfume
E que o sol arrefeça;
Porque um dia esqueça
O acender do lume
Nem que as andorinhas
E que o sol arrefeça;
Porque um dia esqueça
O acender do lume
Nem que as andorinhas
O luto mudassem
Noutra cor eu sei
Pode o mar secar, morrer o luar
Não te esquecerei
Pode já não vir a primavera
Abrir as flores do jardim
Meu amor será o que era
Até chegar o meu fim
Pode o tempo fazer-me um velhinho
Pôr-me o cabelo de prata
Que a sede do teu carinho
Nem mesmo a idade a mata
Noutra cor eu sei
Pode o mar secar, morrer o luar
Não te esquecerei
Pode já não vir a primavera
Abrir as flores do jardim
Meu amor será o que era
Até chegar o meu fim
Pode o tempo fazer-me um velhinho
Pôr-me o cabelo de prata
Que a sede do teu carinho
Nem mesmo a idade a mata
Foi feitiço
Letra e música de André Sardet
Repertório do autor
Eu gostava de olhar para ti
E dizer-te que és uma luz
Que me acende a noite
Me guia de dia e seduz
Eu gostava de ser como tu
Não ter asas e poder voar
Ter o céu como fundo
Ir ao fim do mundo e voltar
Eu não sei o que me aconteceu
Foi feitiço, o que é que me deu?
Pra gostar tanto assim de alguém
Como tu
Eu gostava que olhasses p’ra mim
E sentisses que sou o teu mar
Mergulhasses sem medo
Olhar em segredo
Só p’ra eu... te abraçar
O primeiro impulso
É sempre o mais justo
É mais verdadeiro
E o primeiro susto
Dá voltas e voltas
Na volta redonda
De um beijo profundo
Repertório do autor
Eu gostava de olhar para ti
E dizer-te que és uma luz
Que me acende a noite
Me guia de dia e seduz
Eu gostava de ser como tu
Não ter asas e poder voar
Ter o céu como fundo
Ir ao fim do mundo e voltar
Eu não sei o que me aconteceu
Foi feitiço, o que é que me deu?
Pra gostar tanto assim de alguém
Como tu
Eu gostava que olhasses p’ra mim
E sentisses que sou o teu mar
Mergulhasses sem medo
Olhar em segredo
Só p’ra eu... te abraçar
O primeiro impulso
É sempre o mais justo
É mais verdadeiro
E o primeiro susto
Dá voltas e voltas
Na volta redonda
De um beijo profundo
Meu coração encalhou
Letra de João Dias
Desconheço se esta letra foi gravada.
Transcrevo-a na esperança de obter informação credível.
Meu coração encalhou
Por culpa do timoneiro
Que uma sereia encantou
Enganando o meu veleiro
Meu coração encalhou
Nos braços dum marinheiro
Tenho lenços de cambraia
Todos tecidos dos beijos
E dos recados d’espuma
Que as ondas uma por uma
Vêm marulhar na praia
Murmúrios feitos desejos
Tenho uma saia de mar
Verde-azul quase opalina
E os brincos são de coral
Tenho colchas de luar
Chinelas de areia fina
É este o meu enxoval
Desconheço se esta letra foi gravada.
Transcrevo-a na esperança de obter informação credível.
Meu coração encalhou
Por culpa do timoneiro
Que uma sereia encantou
Enganando o meu veleiro
Meu coração encalhou
Nos braços dum marinheiro
Tenho lenços de cambraia
Todos tecidos dos beijos
E dos recados d’espuma
Que as ondas uma por uma
Vêm marulhar na praia
Murmúrios feitos desejos
Tenho uma saia de mar
Verde-azul quase opalina
E os brincos são de coral
Tenho colchas de luar
Chinelas de areia fina
É este o meu enxoval
Chorona
Manuel Alejandro / António José
Repertório de António Calvário
Saías do templo um dia, chorona
Quando eu te vi ao passar
Julguei que eras uma santa, chorona
Que desceu do seu altar
Ai chorona, chorona, chorona
Num campo lírio
E quem não sabe de amor, chorona
Não sabe o que é martírio
Não sei o que há nas flores, chorona
Nas flores dum campo santo
Se o vento passar por elas, chorona
Parece que estão chorando
Ai chorona, chorona, chorona
Leva-me ao rio
Tapa-me com o teu manto, chorona
Porque eu morro de frio
Dois beijos tenho na alma, chorona
Que sempre recordarei
O último de minha mãe, chorona
E o primeiro que te dei
Repertório de António Calvário
Saías do templo um dia, chorona
Quando eu te vi ao passar
Julguei que eras uma santa, chorona
Que desceu do seu altar
Ai chorona, chorona, chorona
Num campo lírio
E quem não sabe de amor, chorona
Não sabe o que é martírio
Não sei o que há nas flores, chorona
Nas flores dum campo santo
Se o vento passar por elas, chorona
Parece que estão chorando
Ai chorona, chorona, chorona
Leva-me ao rio
Tapa-me com o teu manto, chorona
Porque eu morro de frio
Dois beijos tenho na alma, chorona
Que sempre recordarei
O último de minha mãe, chorona
E o primeiro que te dei
A luz da essência
Letra e música de Fernando Girão
Repertório do autor
As lembranças deixaram de me fazer mal
Repertório do autor
As lembranças deixaram de me fazer mal
Com o passar do tempo, em silêncio
Eu convivo com as surpresas do presente
Mas às vezes não consigo que a tua imagem
Eu convivo com as surpresas do presente
Mas às vezes não consigo que a tua imagem
Se ausente
Estarás sempre aqui
És parte da minha mente
Ajo sempre de maneira semelhante
Mas cada caso é um caso
És parte da minha mente
Ajo sempre de maneira semelhante
Mas cada caso é um caso
Um universo distante
Desculpo a minha inconsciência
Atrás dos muros da arte
E choro a tua ausência
Desculpo a minha inconsciência
Atrás dos muros da arte
E choro a tua ausência
Quando invento outra paixão
Como um cego procura
Como um cego procura
A luz sagrada da essência
Não me perguntes
Letra de Alberto Janes
Desconheço se esta letra foi gravada.
Transcrevo-a na esperança de obter informação credível.
Perguntas-me meu bem o que é amor
Não sei, porém, a voz do meu instinto
Segreda que o amor seja o que for
É tudo o que por ti amor eu sinto
Não me perguntes p’ra quê
O que é amor, o que sei
É que é ceguinho não vê
Que manda mais do que um rei
Dele o que sei dizer
É isto só bem pouco
Que ele nos faz sofrer
Como se fosse um louco
O que é amor, eu desejo
Contar em termos diversos
Mas digo-o melhor num beijo
Do que em centenas de versos
Não há palavras feitas com certeza
Que saibam traduzir nossos desejos
Por isso é que talvez a natureza
Pôs a fala do amor na voz dos beijos
Desconheço se esta letra foi gravada.
Transcrevo-a na esperança de obter informação credível.
Perguntas-me meu bem o que é amor
Não sei, porém, a voz do meu instinto
Segreda que o amor seja o que for
É tudo o que por ti amor eu sinto
Não me perguntes p’ra quê
O que é amor, o que sei
É que é ceguinho não vê
Que manda mais do que um rei
Dele o que sei dizer
É isto só bem pouco
Que ele nos faz sofrer
Como se fosse um louco
O que é amor, eu desejo
Contar em termos diversos
Mas digo-o melhor num beijo
Do que em centenas de versos
Não há palavras feitas com certeza
Que saibam traduzir nossos desejos
Por isso é que talvez a natureza
Pôs a fala do amor na voz dos beijos
Brincando com o fogo
*Cavaleiro andante*
Chega com a brisa que vem do mar
Brinca no meu corpo a desinquietar
Como um arlequim, como um arlequim
Chega quando quer e não quer saber
Nem do mal que fez ou que vai fazer
É um tanto faz, crer ou não crer
Chega assim
Beto / Rita Guerra / Pedro Malaquias / Jan Van Djick
Repertório de Beto e Rita Guerra
Vem no fim da noite sem avisar
Dança no silêncio do teu olhar
A chamar por mim, a chamar por mim
Repertório de Beto e Rita Guerra
Vem no fim da noite sem avisar
Dança no silêncio do teu olhar
A chamar por mim, a chamar por mim
Chega com a brisa que vem do mar
Brinca no meu corpo a desinquietar
Como um arlequim, como um arlequim
Chega quando quer e não quer saber
Nem do mal que fez ou que vai fazer
É um tanto faz, crer ou não crer
Chega assim
Cavaleiro andante
Louco e triunfante
Como um salteador
P'ra no fim
Louco e triunfante
Como um salteador
P'ra no fim
Nos deixar a contas
Com as palavras tontas
Que dissemos por amor
E eu que jurei nunca mais cair
Nesses teus ardis nunca mais seguir
Esse teu olhar, esse teu olhar
De nada nos vale tentar fingir
Para quê negar ou sequer fugir
Desse mal de amar, desse mal de amar
Com as palavras tontas
Que dissemos por amor
E eu que jurei nunca mais cair
Nesses teus ardis nunca mais seguir
Esse teu olhar, esse teu olhar
De nada nos vale tentar fingir
Para quê negar ou sequer fugir
Desse mal de amar, desse mal de amar
Praia da minha agonia
Letra de João Dias
Desconheço se esta letra foi gravada.
Transcrevo-a na esperança de obter informação credível.
Praia da minha agonia
Onde em cada fim de dia
Vejo o sol morrer aos poucos
E logo que a luz desmaia
As sombras na minha praia
Ensaiam bailados loucos
Praia da minha agonia
Meu berço de fantasia
De menina sem brinquedo
Calcei sapatos de areia
Ouvi vozes de sereia
Não eram vozes de medo
Praia da minha agonia
Onde o mar me prometia
Um amor em cada onda
Foram promessas de espuma
Desfeitas uma por uma
Na sua queda redonda
Ó lugar dos meus cansaços
Das algas presas nos braços
Tecendo a cruz dos meus dias
Cativos de estranha teia
Desmaiam sonhos na areia
Praia da minha agonia
Desconheço se esta letra foi gravada.
Transcrevo-a na esperança de obter informação credível.
Praia da minha agonia
Onde em cada fim de dia
Vejo o sol morrer aos poucos
E logo que a luz desmaia
As sombras na minha praia
Ensaiam bailados loucos
Praia da minha agonia
Meu berço de fantasia
De menina sem brinquedo
Calcei sapatos de areia
Ouvi vozes de sereia
Não eram vozes de medo
Praia da minha agonia
Onde o mar me prometia
Um amor em cada onda
Foram promessas de espuma
Desfeitas uma por uma
Na sua queda redonda
Ó lugar dos meus cansaços
Das algas presas nos braços
Tecendo a cruz dos meus dias
Cativos de estranha teia
Desmaiam sonhos na areia
Praia da minha agonia
A noite dos poetas
António Barahona da Fonseca / Adriano
Repertório de Adriano Correia de Oliveira
Ó habitantes da terra e água
Com os semblantes cheios de mágoa
Saltem depressa para a cidade
Com a promessa da liberdade
Invadam tudo, comam pessoas
A cantar loas de meter medo
O mundo é mudo, pertence às cobras
Que trepam escadas no arvoredo
Haverá sinais no nevoeiro
Vinho. veneno e ansiedade
Só um barqueiro cantando breve
Muito sereno na tempestade
Ó habitantes da terra e água
Com os semblantes cheios de mágoa
Saltem depressa para a cidade
Com a promessa da liberdade
E os poetas a delirar
Devoram lírios no meio do mar
Constroem barcas que o vento vira
Pesadas arcas e uma lira
Repertório de Adriano Correia de Oliveira
Ó habitantes da terra e água
Com os semblantes cheios de mágoa
Saltem depressa para a cidade
Com a promessa da liberdade
Invadam tudo, comam pessoas
A cantar loas de meter medo
O mundo é mudo, pertence às cobras
Que trepam escadas no arvoredo
Haverá sinais no nevoeiro
Vinho. veneno e ansiedade
Só um barqueiro cantando breve
Muito sereno na tempestade
Ó habitantes da terra e água
Com os semblantes cheios de mágoa
Saltem depressa para a cidade
Com a promessa da liberdade
E os poetas a delirar
Devoram lírios no meio do mar
Constroem barcas que o vento vira
Pesadas arcas e uma lira
Vai à montanha
Letra de José Guimarães
Desconheço se esta letra foi gravada.
Transcrevo-a na esperança de obter informação credível.
Va i à montanha
E respira o ar puro e sossego da paz
Sobe à montanha
Que subindo, mais longe do mundo estarás
Estende os braços ao céu e à brisa
Prende a ti um punhado de estrelas
E um ramo de luz faz com elas
Que é de luz que o teu mundo precisa
Vai à montanha
Traz contigo uma rosa, põe a terra a florir
Sobe à montanha
Vai lá acima e aprende outra ver a sorrir
Ao descer traz contigo uma esperança
E a palavra de Deus por verdade
Rasga a névoa que encobre a cidade
Vem aos homens trazer confiança
Vai...
Vai lá cima à montanha
Vai em busca de alento
Para enfrentar a maldade
Vai...
Vai lá cima à montanha
E atira no vento
As sementes do amor e bondade
Desconheço se esta letra foi gravada.
Transcrevo-a na esperança de obter informação credível.
Va i à montanha
E respira o ar puro e sossego da paz
Sobe à montanha
Que subindo, mais longe do mundo estarás
Estende os braços ao céu e à brisa
Prende a ti um punhado de estrelas
E um ramo de luz faz com elas
Que é de luz que o teu mundo precisa
Vai à montanha
Traz contigo uma rosa, põe a terra a florir
Sobe à montanha
Vai lá acima e aprende outra ver a sorrir
Ao descer traz contigo uma esperança
E a palavra de Deus por verdade
Rasga a névoa que encobre a cidade
Vem aos homens trazer confiança
Vai...
Vai lá cima à montanha
Vai em busca de alento
Para enfrentar a maldade
Vai...
Vai lá cima à montanha
E atira no vento
As sementes do amor e bondade
Também o sonho é urgente
João Dias / José António Sabrosa *fado saudade das saudades*
Repertório de Rodrigo
Ó lua de luz tão farta
Desce aqui à minha rua
Que eu quero vestir de prata
Aquela criança nua
Vós também, que sois repletas
De luz, ó altas estrelas
Vinde afagar os poetas
Que têm fome de vê-las
E tu ave branca e mansa
Vai ao céu buscar o sol
Para vestir a esperança
Do homem que está mais só
Nesta força de sonhar
Um sonho p’ra toda a gente
Nasce a razão de cantar
Também o sonho é urgente
Repertório de Rodrigo
Ó lua de luz tão farta
Desce aqui à minha rua
Que eu quero vestir de prata
Aquela criança nua
Vós também, que sois repletas
De luz, ó altas estrelas
Vinde afagar os poetas
Que têm fome de vê-las
E tu ave branca e mansa
Vai ao céu buscar o sol
Para vestir a esperança
Do homem que está mais só
Nesta força de sonhar
Um sonho p’ra toda a gente
Nasce a razão de cantar
Também o sonho é urgente
Meu nome é fado
Letra e música de José Manuel Martins
Repertório de Carlos do Carmo
Nasci do povo como um lamento
Fui pranto, mágoa e sofrimento
Fui a tristeza da voz que dói no tempo
Que é fado
Fado perdido e malfadado
Fado vendido e leiloado
Mas não me fico no fado mal sofrido
Do passado
Vou ser o fado que diz frescura
Criança flor
Desfolhando a ternura
Em seara de amor
Cantando a vida
Deixando atrás tudo o que fiz
Eu vou ser a raiz
Da voz do meu país
Olhando em frente nego o passado
Pois o futuro também é fado
Eu sou o povo
Meu nome é fado novo
Liberdade
Repertório de Carlos do Carmo
Nasci do povo como um lamento
Fui pranto, mágoa e sofrimento
Fui a tristeza da voz que dói no tempo
Que é fado
Fado perdido e malfadado
Fado vendido e leiloado
Mas não me fico no fado mal sofrido
Do passado
Vou ser o fado que diz frescura
Criança flor
Desfolhando a ternura
Em seara de amor
Cantando a vida
Deixando atrás tudo o que fiz
Eu vou ser a raiz
Da voz do meu país
Olhando em frente nego o passado
Pois o futuro também é fado
Eu sou o povo
Meu nome é fado novo
Liberdade
Procura país, procura
João Dias / Casimiro Ramos *fado fé*
Repertório de Rodrigo
Em liberdade se esvai
Meu país pobre de mim;
És livre não sei p’ra quem
És tudo o que te convém
Tu és todo frenesim
E eu quem sou, eu sou um todo
Um todo acorrentado
Mas serei de qualquer modo
Um pouco nada do todo
Por nós todo idealizado
Em nada todo me vejo
Olho em mim e vou pensando
P’ra que serve tanto ensejo
Enquanto no lugarejo
Aos poucos nos vão travando
Mas a corrente do nada
Qual vulcão se há transformado
Hei-de gritar na parada
Por nosso povo idealizada
Jamais serei enganado
Repertório de Rodrigo
Em liberdade se esvai
Meu país pobre de mim;
És livre não sei p’ra quem
És tudo o que te convém
Tu és todo frenesim
E eu quem sou, eu sou um todo
Um todo acorrentado
Mas serei de qualquer modo
Um pouco nada do todo
Por nós todo idealizado
Em nada todo me vejo
Olho em mim e vou pensando
P’ra que serve tanto ensejo
Enquanto no lugarejo
Aos poucos nos vão travando
Mas a corrente do nada
Qual vulcão se há transformado
Hei-de gritar na parada
Por nosso povo idealizada
Jamais serei enganado
D. João, o segundo
Fernando Pessoa / João Braga
Repertório de João Braga
Braços cruzados, fita além do mar
Parece em promontório uma alta serra
O limite da terra a dominar
O mar que possa haver além da terra
Seu formidável vulto solitário
Enche de estar presente o mar e o céu
E parece temer o mundo vário
Que ele abra os braços e lhe rasgue o véu
Repertório de João Braga
Braços cruzados, fita além do mar
Parece em promontório uma alta serra
O limite da terra a dominar
O mar que possa haver além da terra
Seu formidável vulto solitário
Enche de estar presente o mar e o céu
E parece temer o mundo vário
Que ele abra os braços e lhe rasgue o véu
Buscando a vida na morte
João Dias / Direitos reservados
Repertório de Maria Pereira
Minh’alma cansada e gasta
Em busca duma ilusão
É folha que o vento arrasta
Pela poeira do chão
Como ave d’arribação
Fugiste da minha vida
Levaste-me o coração
Deixaste-me a fé perdida
E d’alma triste e despida
Cativa da solidão
Sou corpo, vivo sem vida
Sozinha na multidão
E o fado que é meu irmão
Que é gémeo da minha sorte
Anda comigo p’la mão
Buscando a vida na morte
Repertório de Maria Pereira
Minh’alma cansada e gasta
Em busca duma ilusão
É folha que o vento arrasta
Pela poeira do chão
Como ave d’arribação
Fugiste da minha vida
Levaste-me o coração
Deixaste-me a fé perdida
E d’alma triste e despida
Cativa da solidão
Sou corpo, vivo sem vida
Sozinha na multidão
E o fado que é meu irmão
Que é gémeo da minha sorte
Anda comigo p’la mão
Buscando a vida na morte
Amar como Jesus amou
Letra e música de Padre Zézinho
Repertório de José Cid
Um dia uma criança me chamou
Olhou-me nos meus olhos a sorrir
Caneta e papel na sua mão
Tarefa escolar para cumprir;
E perguntou no meio dum sorriso
O que é preciso para ser feliz?
Amar como Jesus amou
Sonhar como Jesus sonhou
Pensar como Jesus pensou
Viver como Jesus viveu
Sentir o que Jesus sentia;
Sorrir como Jesus sorria
E ao chegar ao fim do dia
Eu sei que dormiria
Repertório de José Cid
Um dia uma criança me chamou
Olhou-me nos meus olhos a sorrir
Caneta e papel na sua mão
Tarefa escolar para cumprir;
E perguntou no meio dum sorriso
O que é preciso para ser feliz?
Amar como Jesus amou
Sonhar como Jesus sonhou
Pensar como Jesus pensou
Viver como Jesus viveu
Sentir o que Jesus sentia;
Sorrir como Jesus sorria
E ao chegar ao fim do dia
Eu sei que dormiria
Muito mais feliz
Ouvindo atentamente, ela me olhou
E disse que era lindo o que eu falei
Pediu que eu repetisse, por favor
Que não dissesse tudo de uma vez;
E perguntou no meio de um sorriso
O que é preciso para ser feliz?
Depois que eu acabei de repetir
Seus olhos não saíram do papel
Toquei na sua cara e a sorrir
Pedi que ao transmitir fosse fiel;
E ela deu-me um beijo demorado
E a meu lado foi cantando assim
Ouvindo atentamente, ela me olhou
E disse que era lindo o que eu falei
Pediu que eu repetisse, por favor
Que não dissesse tudo de uma vez;
E perguntou no meio de um sorriso
O que é preciso para ser feliz?
Depois que eu acabei de repetir
Seus olhos não saíram do papel
Toquei na sua cara e a sorrir
Pedi que ao transmitir fosse fiel;
E ela deu-me um beijo demorado
E a meu lado foi cantando assim
Longe da vista
Letra de Alberto Janes
Desconheço se esta letra foi gravada.
Transcrevo-a na esperança de obter informação credível.
No meu cinzeiro de barro
Coloquei sem reparar
Uma ponta de cigarro
Quando acabei de fumar
O fumo ainda perdeu
Duas ou três espirais
Mas logo se aborreceu
Achou trabalho de mais
Sucede assim geralmente
Ao amor por um ausente
E mesmo o fogo sagrado
Precisa de ser ateado
Desconheço se esta letra foi gravada.
Transcrevo-a na esperança de obter informação credível.
No meu cinzeiro de barro
Coloquei sem reparar
Uma ponta de cigarro
Quando acabei de fumar
O fumo ainda perdeu
Duas ou três espirais
Mas logo se aborreceu
Achou trabalho de mais
Sucede assim geralmente
Ao amor por um ausente
E mesmo o fogo sagrado
Precisa de ser ateado
Maria varina
Letra e música de Carlos Coelho
Repertório do autor
Canastra à cabeça
Maria varina
Repertório do autor
Canastra à cabeça
Alegre e brejeira
Os seios saltando
Vai cheia de pressa
Os seios saltando
Vai cheia de pressa
Passada ligeira
Sempre apregoando
Feliz sem parar
Co’a pele a tostar
Sempre apregoando
Feliz sem parar
Co’a pele a tostar
Do sol a queimar
O corpo a gingar
Fazendo lembrar
O corpo a gingar
Fazendo lembrar
As ondas do mar
Maria varina
Maria varina
Lutando p’la vida
Sem nunca cansar
Cumpre a sua sina
Sem nunca cansar
Cumpre a sua sina
Vivendo do mar
Maria varina
Conhece a brincar
Já desde menina
As pedras da rua
Já desde menina
As pedras da rua
Que tem de calcar
Pela madrugada
Lá salta da cama
Pela madrugada
Lá salta da cama
Enfia a blusa
E a saia coçada
Como monograma
E a saia coçada
Como monograma
A canastra que usa
Sempre bem-disposta
Sempre bem-disposta
Vai buscar à lota
Para seu pregão
Chicharro, marmota
Para seu pregão
Chicharro, marmota
Sardinha da costa
Que são o seu pão
Que são o seu pão
Canção dos cinco dedos
Letra e música de Carlos Paião
Repertório do autor
São cinco dedos
Cada qual com seus segredos
Lado a lado, lado a lado
Do teimoso polegar
Que dá dedadas, a agarrar
Ao mais fininho, o mindinho
Cinco dedos
São cinco bons brinquedos
Em sincronização
Um por um, aqui estão
Resguardados no dedal da nossa mão
O dedo médio
Fica ao meio, que remédio
É sina sua, capicua
O altivo indicador
Aponta o bem, indica a dor
E o anelar dá jeito a quem noivar
Polegando, palmo a palmo, palmilhando
Como um circo em construção
Um por um, aqui estão
São diferentes
Mas unidos dão a mão
E assim como a cinco
Sinto os dedos musicais
E os meus cinco sentidos
Em crescendo já são mais
Cinco dedos, sincopados
Sustenizam num bemol
Dó, ré, mi, fá, sol, lá
Cinco simples, simples, como o sol
E brinco, com afinco
Queria ser um girassol
Até para ser dedo é preciso ter unhas!
São cinco dedos
São delícias, são enredos
Dedicados, dedilhados
E, num dédalo de dedos
Deduzimos a lição
São amigos que nós temos
Mesmo à mão
Sempre à mão
Repertório do autor
São cinco dedos
Cada qual com seus segredos
Lado a lado, lado a lado
Do teimoso polegar
Que dá dedadas, a agarrar
Ao mais fininho, o mindinho
Cinco dedos
São cinco bons brinquedos
Em sincronização
Um por um, aqui estão
Resguardados no dedal da nossa mão
O dedo médio
Fica ao meio, que remédio
É sina sua, capicua
O altivo indicador
Aponta o bem, indica a dor
E o anelar dá jeito a quem noivar
Polegando, palmo a palmo, palmilhando
Como um circo em construção
Um por um, aqui estão
São diferentes
Mas unidos dão a mão
E assim como a cinco
Sinto os dedos musicais
E os meus cinco sentidos
Em crescendo já são mais
Cinco dedos, sincopados
Sustenizam num bemol
Dó, ré, mi, fá, sol, lá
Cinco simples, simples, como o sol
E brinco, com afinco
Queria ser um girassol
Até para ser dedo é preciso ter unhas!
São cinco dedos
São delícias, são enredos
Dedicados, dedilhados
E, num dédalo de dedos
Deduzimos a lição
São amigos que nós temos
Mesmo à mão
Sempre à mão
A lenda D'el-rei D. Sebastião
Letra e música de José Cid
Repertório do autor
Fugiu de Alcácer-Quibir
El-Rei D. Sebastião
Perdeu-se num labirinto
Com seu cavalo real
As bruxas e adivinhos
Das altas serras beirãs
Juravam que nas manhãs
De cerrado nevoeiro;
Vinha D. Sebastião
Pastoras e trovadores
Das regiões litorais
Afirmaram terem visto
Perdido entre os pinhais;
El-Rei D. Sebastião
Ciganos vindos de longe
Falcatos desconhecidos
Tentando iludir o povo;
Afirmaram serem eles
El-Rei D. Sebastião
E que voltava de novo
Todos foram desmentidos
Condenados às galés
Pois nas praias dos Algarves
Trazidos pelas marés
Encontraram o cavalo
Farrapos do seu gibão
Pedaços de nevoeiro
A espada e o coração;
D'El-Rei D. Sebastião
Fugiu de Alcácer-Quibir
El-Rei D. Sebastião
E uma lenda nasceu
Entre a bruma do passado
Chamam-lhe o desejado
Pois que nunca mais voltou;
El-Rei D. Sebastião
El-Rei D. Sebastião
Repertório do autor
Fugiu de Alcácer-Quibir
El-Rei D. Sebastião
Perdeu-se num labirinto
Com seu cavalo real
As bruxas e adivinhos
Das altas serras beirãs
Juravam que nas manhãs
De cerrado nevoeiro;
Vinha D. Sebastião
Pastoras e trovadores
Das regiões litorais
Afirmaram terem visto
Perdido entre os pinhais;
El-Rei D. Sebastião
Ciganos vindos de longe
Falcatos desconhecidos
Tentando iludir o povo;
Afirmaram serem eles
El-Rei D. Sebastião
E que voltava de novo
Todos foram desmentidos
Condenados às galés
Pois nas praias dos Algarves
Trazidos pelas marés
Encontraram o cavalo
Farrapos do seu gibão
Pedaços de nevoeiro
A espada e o coração;
D'El-Rei D. Sebastião
Fugiu de Alcácer-Quibir
El-Rei D. Sebastião
E uma lenda nasceu
Entre a bruma do passado
Chamam-lhe o desejado
Pois que nunca mais voltou;
El-Rei D. Sebastião
El-Rei D. Sebastião
Fascinação
Letra de Alberto Janes
Desconheço se esta letra foi gravada.
Transcrevo-a na esperança de obter informação credível.
O teu olhar sugestivo
De pensamentos de amor
Tem um ar dominador
Que me deixa pensativo
Tem as belezas do mar
A majestade da calma
O horror no trovejar
Das tempestades da alma
E eu sem rumo no mundo
Queria ser o afogado
Nesse mar encapelado
Negro, revolto, profundo
Desconheço se esta letra foi gravada.
Transcrevo-a na esperança de obter informação credível.
O teu olhar sugestivo
De pensamentos de amor
Tem um ar dominador
Que me deixa pensativo
Tem as belezas do mar
A majestade da calma
O horror no trovejar
Das tempestades da alma
E eu sem rumo no mundo
Queria ser o afogado
Nesse mar encapelado
Negro, revolto, profundo
Madrugada
Letra e música de José Luís Tinoco
Repertório de Duarte Mendes
Festival RTP 1975
Dos que morreram sem saber porquê
Dos que teimaram em silêncio e frio
Da força nascida no medo
E a raiva à solta manhã cedo
Fazem-se as margens do meu rio
Das cicatrizes do meu chão antigo
E da memória do meu sangue em fogo
Da escuridão a abrir em cor
Do braço dado e a arma flor
Fazem-se as margens do meu povo
Canta-se a gente
Que a si mesma se descobre
E acorda vozes arraiais
Canta-se a terra
Que a si mesma se devolve
Que o canto assim nunca é demais
Em cada veia o sangue espera a vez
Em cada fala se persegue o dia
E assim se aprendem as marés
Assim se cresce e ganha pé
Rompe a canção que não havia
Acordem luzes
Nos umbrais que a tarde cega
Acordem vozes e arraiais
Cantem despertos
Na manhã que a noite entrega
Que o canto assim nunca é demais
Cantem marés
Por essas praias de sargaços
Acordem vozes, arraiais
Corram descalços
Rente ao cais, abram abraços
Que o canto assim nunca é demais
Repertório de Duarte Mendes
Festival RTP 1975
Dos que morreram sem saber porquê
Dos que teimaram em silêncio e frio
Da força nascida no medo
E a raiva à solta manhã cedo
Fazem-se as margens do meu rio
Das cicatrizes do meu chão antigo
E da memória do meu sangue em fogo
Da escuridão a abrir em cor
Do braço dado e a arma flor
Fazem-se as margens do meu povo
Canta-se a gente
Que a si mesma se descobre
E acorda vozes arraiais
Canta-se a terra
Que a si mesma se devolve
Que o canto assim nunca é demais
Em cada veia o sangue espera a vez
Em cada fala se persegue o dia
E assim se aprendem as marés
Assim se cresce e ganha pé
Rompe a canção que não havia
Acordem luzes
Nos umbrais que a tarde cega
Acordem vozes e arraiais
Cantem despertos
Na manhã que a noite entrega
Que o canto assim nunca é demais
Cantem marés
Por essas praias de sargaços
Acordem vozes, arraiais
Corram descalços
Rente ao cais, abram abraços
Que o canto assim nunca é demais
Diálogo em fado
Letra de João Dias
Desconheço se esta letra foi gravada.
Transcrevo-a na esperança de obter informação credível.
Aqui estou eu fado antigo
De cinta preta e samarra
De braço dado contigo
Ó minha linda guitarra
Ouve lá meu mariola
Juras-me fidelidade
Fazes namoro à viola
Aonde está a verdade?
Bem sei que a viola é gorda
Não tem a forma ideal
Mas se tu lhe dás mais corda
Isto pode acabar mal
Se tu me abrisses o peito
Verias a minha paixão
Que tens a forma e o jeito
Do meu próprio coração
Essa é já muito antiga
Mas dá sempre resultado
Se não tivesses cantiga
Não te chamarias fado
Guitarra não sejas tola
Nem digas tal heresia
Não vês que a gorda viola
É só tua companhia
Desconheço se esta letra foi gravada.
Transcrevo-a na esperança de obter informação credível.
Aqui estou eu fado antigo
De cinta preta e samarra
De braço dado contigo
Ó minha linda guitarra
Ouve lá meu mariola
Juras-me fidelidade
Fazes namoro à viola
Aonde está a verdade?
Bem sei que a viola é gorda
Não tem a forma ideal
Mas se tu lhe dás mais corda
Isto pode acabar mal
Se tu me abrisses o peito
Verias a minha paixão
Que tens a forma e o jeito
Do meu próprio coração
Essa é já muito antiga
Mas dá sempre resultado
Se não tivesses cantiga
Não te chamarias fado
Guitarra não sejas tola
Nem digas tal heresia
Não vês que a gorda viola
É só tua companhia
Não tens simpatia
João Dias / Jaime Santos
Repertório de Rodrigo
Para que és franco na vida
Se crias inimizades
Uma mentira polida
Vale por trinta verdades
A franqueza não tem culto
Como a verdade o não tem
E há quem tome por insulto
O prazer de fazer bem
Não elogies qualquer
Repertório de Rodrigo
Para que és franco na vida
Se crias inimizades
Uma mentira polida
Vale por trinta verdades
A franqueza não tem culto
Como a verdade o não tem
E há quem tome por insulto
O prazer de fazer bem
Não elogies qualquer
Não tens simpatia
Dizes o que te aprouver
Dizes o que te aprouver
Não tens simpatia
E se tens talento e arte
São tantos a invejar-te
Que mais dia menos dia
E se tens talento e arte
São tantos a invejar-te
Que mais dia menos dia
Não tens simpatia
Tens um pedestal desce-o
E põe teu riso postiço
Se chamas parvo a um néscio
Não ganhas nada com isso
O riso é gozo profundo
Que vem dos nossos avós
Antes nós rirmos do mundo
Do que o mundo rir de nós
Tens um pedestal desce-o
E põe teu riso postiço
Se chamas parvo a um néscio
Não ganhas nada com isso
O riso é gozo profundo
Que vem dos nossos avós
Antes nós rirmos do mundo
Do que o mundo rir de nós
Poeta do meu povo
Letra de João Dias
Desconheço se esta letra foi gravada.
Transcrevo-a na esperança de obter informação credível.
Poeta meu povo
Trigo do meu pão
Tens um fado novo
Na palma da mão
Poeta meu povo
Fruto do meu chão
Um fadinho novo
Tem sempre razão
Com gestos de remos
Em qualquer maré
Inventa poemas
De força e de fé
Arado que lavras
A terra ao rigor
Mais do que palavras
Tu és todo amor
O suor do rosto
É satisfação
E mais vale um gosto
Do que oiro na mão
Desconheço se esta letra foi gravada.
Transcrevo-a na esperança de obter informação credível.
Poeta meu povo
Trigo do meu pão
Tens um fado novo
Na palma da mão
Poeta meu povo
Fruto do meu chão
Um fadinho novo
Tem sempre razão
Com gestos de remos
Em qualquer maré
Inventa poemas
De força e de fé
Arado que lavras
A terra ao rigor
Mais do que palavras
Tu és todo amor
O suor do rosto
É satisfação
E mais vale um gosto
Do que oiro na mão
Recordar é viver
Letra e música de Tó Zé Brito
Repertório de Vitor Espadinha
Foi em setembro que te conheci
Trazias nos olhos a luz de maio
Nas mãos o calor de agosto e um sorriso
Um sorriso tão grande
Que não cabia no tempo
Ouve; vamos ver o mar
Foste o 30 de fevereiro
De um ano por inventar
Falamos…
Falamos de coisas tão loucas
Que acabamos, em silêncio
Por unir as nossas bocas
E eu aprendi a amar
Sim eu sei
Repertório de Vitor Espadinha
Foi em setembro que te conheci
Trazias nos olhos a luz de maio
Nas mãos o calor de agosto e um sorriso
Um sorriso tão grande
Que não cabia no tempo
Ouve; vamos ver o mar
Foste o 30 de fevereiro
De um ano por inventar
Falamos…
Falamos de coisas tão loucas
Que acabamos, em silêncio
Por unir as nossas bocas
E eu aprendi a amar
Sim eu sei
Que tudo são recordações
Sim eu sei
Sim eu sei
É triste viver de ilusões
Mas tu foste
A mais linda história de amor
Que um dia me aconteceu
E recordar é viver… só tu e eu
Foi em novembro que partistes
Levavas nos olhos as chuvas de março
E nas mãos o mês frio de janeiro
Lembro-me que me disseste
Que o meu corpo tremia
E eu que queria ser forte
Respondi que tinha frio
Falei-te do vento norte
Não me digas adeus
Quem sabe talvez um dia
Como eu tremia meu Deus!
Amei como nunca amei
Fui louco? Não sei, talvez!
Mas por pouco, muito pouco
Eu voltaria a ser louco
Amar-te-ia outra vez
Mas tu foste
A mais linda história de amor
Que um dia me aconteceu
E recordar é viver… só tu e eu
Foi em novembro que partistes
Levavas nos olhos as chuvas de março
E nas mãos o mês frio de janeiro
Lembro-me que me disseste
Que o meu corpo tremia
E eu que queria ser forte
Respondi que tinha frio
Falei-te do vento norte
Não me digas adeus
Quem sabe talvez um dia
Como eu tremia meu Deus!
Amei como nunca amei
Fui louco? Não sei, talvez!
Mas por pouco, muito pouco
Eu voltaria a ser louco
Amar-te-ia outra vez
Foge para o campo
Letra de Alberto Janes
Desconheço se esta letra foi gravada.
Transcrevo-a na esperança de obter informação credível.
Deixa a cidade hoje ainda
Foge p'ró campo, anda ver
Que a vida pode ser linda
Quando a sabemos viver
Vem comigo, vou mostrar-te
Como a terra portuguesa
É em si uma obra de arte
De mimos por toda a parte
Que lhe deu a natureza
No campo qualquer mendigo
Passeia a vista à vontade
O sol é tão seu amigo
Que fica no seu postigo
Mais tempo que na cidade
O céu, não são os bocados
Que na cidade se conhecem
Em tiras, porque os telhados
Deixam os olhos tapados
Só retalhos aparecem
No campo, toda essa bola
Do céu vê-se duma vez
E a vista se consola
O céu todo é a gaiola
Dos olhos do camponês
Desconheço se esta letra foi gravada.
Transcrevo-a na esperança de obter informação credível.
Deixa a cidade hoje ainda
Foge p'ró campo, anda ver
Que a vida pode ser linda
Quando a sabemos viver
Vem comigo, vou mostrar-te
Como a terra portuguesa
É em si uma obra de arte
De mimos por toda a parte
Que lhe deu a natureza
No campo qualquer mendigo
Passeia a vista à vontade
O sol é tão seu amigo
Que fica no seu postigo
Mais tempo que na cidade
O céu, não são os bocados
Que na cidade se conhecem
Em tiras, porque os telhados
Deixam os olhos tapados
Só retalhos aparecem
No campo, toda essa bola
Do céu vê-se duma vez
E a vista se consola
O céu todo é a gaiola
Dos olhos do camponês
A cidade até der dia
Pedro Abrantes / Marco Quelhas / Paulo de Carvalho
Repertório de Anabela
Repertório de Anabela
Festival RTP 1993
De madrugada saio para a rua
A cidade está à minha frente
E de repente a cidade é minha e tua
A cidade é de toda a gente
Entre um gin e um beijo
Vamos nós de bar em bar
Sinto tudo o que vejo
Há um brilho no ar
Quando cai a noite na cidade
Há sempre um sonho e há magia
À noite na cidade
Há sempre um sonho, até ser dia
As cores da noite
Dão um brilho à cidade
Fazem luz até se fazer dia
Entre a lua e o sol
Vamos nós de rua em rua
Amanhã de manhã
Já será outro dia
De madrugada saio para a rua
A cidade está à minha frente
E de repente a cidade é minha e tua
A cidade é de toda a gente
Entre um gin e um beijo
Vamos nós de bar em bar
Sinto tudo o que vejo
Há um brilho no ar
Quando cai a noite na cidade
Há sempre um sonho e há magia
À noite na cidade
Há sempre um sonho, até ser dia
As cores da noite
Dão um brilho à cidade
Fazem luz até se fazer dia
Entre a lua e o sol
Vamos nós de rua em rua
Amanhã de manhã
Já será outro dia
Cantar de povo
João Dias / Miguel Ramos *fado margarida*
Repertório de Hélder Cruz
Enquanto me souber fruto e raiz
Neste palmo de chão onde respiro
Hei-de cantar na voz do meu país
As cantigas do povo em que me inspiro
Enquanto me restar sopro de vida
E uma gota de sangue me animar
Hei-de alcançar a graça prometida
A quem tem por chão este lugar
Não é favor nenhum amar o berço
Amando toda a terra e toda a gente
É um dever que cumpro e me apeteço
A gratidão do fruto p’la semente
E ao fado alcunhado de castiço
P’ra sempre cantarei meu povo irmão
Pois sou sangue de povo e dou por isso
No suor do meu rosto e no meu pão
Repertório de Hélder Cruz
Enquanto me souber fruto e raiz
Neste palmo de chão onde respiro
Hei-de cantar na voz do meu país
As cantigas do povo em que me inspiro
Enquanto me restar sopro de vida
E uma gota de sangue me animar
Hei-de alcançar a graça prometida
A quem tem por chão este lugar
Não é favor nenhum amar o berço
Amando toda a terra e toda a gente
É um dever que cumpro e me apeteço
A gratidão do fruto p’la semente
E ao fado alcunhado de castiço
P’ra sempre cantarei meu povo irmão
Pois sou sangue de povo e dou por isso
No suor do meu rosto e no meu pão
Dúvida
Letra de Alberto Janes
Desconheço se esta letra foi gravada.
Transcrevo-a na esperança de obter informação credível.
Quando sinto na vidraça
Uma noite de invernia
Acredito que não passa
A chuva, nem volta o dia
Se te vejo radiante
De beleza e de frescura
Acredito nesse instante
No amor que sempre dura
Desconheço se esta letra foi gravada.
Transcrevo-a na esperança de obter informação credível.
Quando sinto na vidraça
Uma noite de invernia
Acredito que não passa
A chuva, nem volta o dia
Se te vejo radiante
De beleza e de frescura
Acredito nesse instante
No amor que sempre dura
Menino mudo
João Dias / José António Silva *fado bacalhau*
Repertório de Rodrigo
Perdida na noite imensa
Já não sonha, já não pensa
A alma que sinto aqui
As horas sabem a pranto
Os dias pesam-me tanto
Por tudo quanto perdi
Como uma voz agoirenta
Oiço uma ave cinzenta
Sob um céu da mesma cor
Como a chuva sobre o mar
A saudade a inundar
Este sítio sem amor
Nem um só rosto diviso
A promessa dum sorriso
Perdido na multidão
Ai como dói isto tudo
Meu povo, menino mudo
Sem brinquedo e sem balão
Repertório de Rodrigo
Perdida na noite imensa
Já não sonha, já não pensa
A alma que sinto aqui
As horas sabem a pranto
Os dias pesam-me tanto
Por tudo quanto perdi
Como uma voz agoirenta
Oiço uma ave cinzenta
Sob um céu da mesma cor
Como a chuva sobre o mar
A saudade a inundar
Este sítio sem amor
Nem um só rosto diviso
A promessa dum sorriso
Perdido na multidão
Ai como dói isto tudo
Meu povo, menino mudo
Sem brinquedo e sem balão
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