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Rádio apadrinhada pelo mestre RODRIGO

Rádio apadrinhada pelo mestre RODRIGO
CANAL DE JOSÉ FERNANDES CASTRO EM PARCERIA COM A RÁDIO MIRA

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* As letras publicadas referem a fonte de extração, ou seja: nem sempre são mencionados os legítimos criadores *

<> 6.315 LETRAS <> 2.220.000 VISITAS <> JULHO DE 2021 <>

* ATINGIDO ESTE VALOR /*/ QUE ME FAZ SENTIR HONRADO /*/ CONTINUO, COM AMOR /*/ A SER SERVIDOR DO FADO *

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* NASCEU ASSIM... CRESCEU ASSIM... CHAMA-SE FADO // Vasco Graça Moura // Porto 03.01.1942 // Lisboa 27.04.2014 *

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A camponesa e o pescador

Henrique Rego / Joaquim Cmpos *fado alexandrino*
Dueto nas vozes de Fernanda Maria & Alfredo Marceneiro

Ele
Eu adoro do mar, as ondas imponentes
Que vão morrer à praia em finos rendilhados
Ela
Eu adoro a campina, a rústica montanha
Adoro enfim a paz nostálgica dos prados

Ele
Camponesa, sabes lá os encantos que encerra
A cerúlea amplidão dos grandes oceanos
Quando a guitarra geme os íntimos arcanos
Do nauta que partiu em busca doutra terra
Ela
Tem mais encanto ver no alto duma serra
O sol agonizar em crispações frementes
Ouvimos as canções bucólicas, ardentes
Cantadas com amor pelas lindas zagalas

Ele
Apesar da beleza ascensa com que falas
Eu adoro do mar as ondas imponentes
Ela
Acaso há lá no mar as fontes que gotejam
Igrejas do Senhor batendo Avé-Marias
Cantos de rouxinol e bandos de cotovias
Cruzeiros que na estrada á noite lacrimejam

Ele
No mar mais fortemente as saudades adejam
Uma tal comoção, mais emotiva e estranha
Que a gente, ai… quanta vez, soluça e amarfanha
As mãos de encontro ao peito olhando o infinito
Ela
Concordarei enfim, mas ainda te repito
Eu adoro a campina, a rústica montanha

Ele
Também adoro o amigo e agora te acrescento
Há gente que no mar transpondo as águas cérulas
Gasta a vida colhendo as cruscantes pérolas
E chora tanta vez com falta de alimento
Ela
Também no campo existe a fome e o desalento
Entre nós os rurais morrem escravizados

Ele
Já vejo: és minha irmã, são iguais os nossos fados
Ela
Eu sou a camponesa e tu, o pescador
Adoro em ti o mar e com grande fervor
Adoro enfim a paz nostálgica dos prados



Título Original > 
O camponês e o pescador
Informação de Francisco Mendes e Daniel Gouveia
Livro *Poetas Populares do Fado-Canção*


O contraste que, nos fados iniciais, era dado pelas oposições rico-pobre, patrão-operário,
monárquico-republicano, em Henrique Rego, quase obviamente, é-nos dado pela oposição 
cidade-campo; ou então entre profissões. Esta última dicotomia foi bastante explorada por 
outros letristas, usando metáforas como «o fato de ganga e o fato de fazenda»,
«o médico e a duquesa», «o engenheiro e o sapateiro».
Em Henrique Rego, quase sempre cantada em dueto, uma letra contrapõe duas profissões 
apenas aparentemente opostas, já que o estrato social é o mesmo: o camponês e o pescador.
Acabam numa aliança proletária, deixando uma sub-reptícia mensagem anti-capitalista
já arrojada naqueles tempos («há gente que no mar […] gasta a vida colhendo as coruscantes
pérolas e chora tanta vez com falta de alimento» e «entre nós, os rurais morrem escravizados»). 
Em contradição com a classe está a linguagem, de uma forçada erudição na busca das rimas
pondo na boca de tão desfavorecidas personagens expressões próprias de universidade clássica
tais como «a cerúlea amplidão dos grandes oceanos», «a guitarra geme nos íntimos arcanos do
nauta», «o Sol agonizar em crispações frementes», «as coruscantes pérolas», entre outras «pérolas». 
Tudo a bem da dignificação do Fado: