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Canal de JOSÉ FERNANDES CASTRO em parceria com RÁDIO MIRA

RÁDIO apadrinhada pelo mestre *RODRIGO*

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AS LETRAS PUBLICADAS REFEREM A FONTE DE EXTRAÇÃO, OU SEJA: NEM SEMPRE SÃO MENCIONADOS OS LEGÍTIMOS CRIADORES
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ATINGIDO ESTE VALOR // QUE ME FAZ SENTIR HONRADO // CONTINUO, COM AMOR // A SER SERVIDOR DO FADO
POIS MESMO DESAGRADANDO // A TROIANOS MALDIZENTES // OS GREGOS VÃO APOIANDO // E VÃO FICANDO CONTENTES
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A minha rua

Manuela de Freitas / Armandinho *fado alexandrino antigo*
Repertório de Camané 
Este poema não sendo quadras alexandrinas, é cantado com arranjos

Mudou muito a minha rua 
Quando o outono chegou
Deixou de se ver a lua
Todo o transito parou 

Muitas portas estão fechadas / Já ninguém entra por elas
Não há roupas penduradas / Nem há cravos nas janelas

Não há marujos na esquina / De manhã não há mercado
Nunca mais vi a varina / A namorar com o soldado

O padeiro foi-se embora / Foi-se embora o professor
Na rua só passa agora / O abade e o doutor

O homem do realejo / Nunca mais por lá passou
O Tejo já não o vejo / Um grande prédio o tapou

O relógio da estação / Marca as horas em atraso
E o menino do pião / Anda a brincar ao acaso

A livraria fechou / A tasca tem outro dono
A minha rua mudou, quando chegou o outono

Há quem diga "ainda bem" / Está muito mais sossegada
Não se vê quase ninguém / E não se ouve quase nada

Eu vou-lhes dando razão / Que lhes faça bom proveito
E só espero p'lo verão / P'ra pôr a rua a meu jeito