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Ninguém ignora tudo, ninguém sabe tudo. Todos nós sabemos alguma coisa, todos nós ignoramos alguma coisa. Por isso aprendemos sempre
PAULO FREIRE *filósofo* 19.09.1921 / 02.05.1997
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As 5.530 letras publicadas referem a fonte de extração, o que nem sempre quer dizer que os artistas mencionados sejam os seus criadores.
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O pobre

Jorge Fernando / Guilherme Banza
Repertório de Jorge Fernando 

Não conduz a nenhum lado
Deixar-nos ir abaixo por qualquer coisinha
Tenho o meu lugar guardado
Fica lá tu na tua que eu fico na minha

Levanta o astral e foge
Das ondas que te afundam nessa escuridão
Não percas o teu dia
Porque o dia de hoje
Já não volta a passar pela tua estação

Olha que a lua acontece
Crescente, cheia, nova, ou a minguar
E o redondo que daqui se lhe conhece
Escurece e então deixa de se arredondar

Quando a tempestade cai
Há sempre um telhado para nos recolher
Quando o bom humor se vai
Sai dessa que há saída pró que acontecer

Se o vento sopra de frente
Dá costas e não cuides ter de o enfrentar
Porque muito embora por mais que se tente
O querer ir prá frente faz-nos recuar

Portanto não vale a pena
Gastar o nosso tempo em coisas pequeninas
Se em nós a alma se quiser tornar pequena
Há que dar-lhe o tamanho das coisas divinas 

A tantas palavras loucas
Faço as orelhas moucas
Andam roucas tantas bocas
De dizer só mal dizer;
Nem tudo o que luz é ouro
Cautela, que o teu tesouro
Apenas é duradouro se não se perder


Quando a esmola é muita
O pobre olha desconfiado no estender da mão
Há qualquer coisa de nobre que assiste ao pobre
Pobre na interrogação

Mas se a gente desconhece
O mistério das teias que o universo tem
E no abrir da mão, que às vezes transparece
Que às vezes somos tudo e noutras ninguém

Portanto não vale a pena
Gastar o nosso tempo em coisas pequeninas
Se em nós a alma se quiser tornar pequena
Há que dar-lhe o tamanho das coisas divinas