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Ninguém sabe tudo, ninguém ignora tudo, só todos juntos sabemos alguma coisa <> PAULO FREIRE *filósofo
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O inverno da vida

Rogério do Carmo / Jorge Fernando
Repertório de Amália Rodriges

Fui ao mato buscar lenha
Para atiçar o meu borralho
Ai de quem ri e desdenha
Do resquilho e do cascalho;
Fui ao mato buscar lenha
Para atiçar o meu borralho

Ai o Inverno gelado da vida / Das folhas caídas já mortas
Ninguém que nos dê guarida / Trancadas todas as portas
Ai o Inverno gelado da vida / Das folhas caídas já mortas

Fecho os olhos para não ver / Este Inverno que vai chegando
Como as águas no rio a correr / Como um peixe no mar s’afogando
Fecho os olhos para não ver / Este Inverno que vai chegando

O inverno vai chegando no ar / O inverno já no ar no ar chegou
E o tempo implacavelmente a rodar / Nunca nada me deu nada me deixou
O inverno vai chegando no ar / O inverno já no ar no ar chegou!

Ai Primaveras dos tempos que lá vão / Das loucas fantasias desabridas
Da terra fecunda a germinar o pão / Das searas a ondular já floridas
Ai Primaveras dos tempos que lá vão / Ai loucas fantasias já perdidas

Ai Verões à beira-mar plantados / Dos marujos assobiando ao passar
Ai guitarras e fados bem trinados / Ai beijos d’amor ai noites de luar
Ai Verões à beira-mar plantados / Das varinas gingando a apregoar

Ai tardes de sol e rambóiadas / Ai passeios de Lisboa do Chiado
Ai naus por mim nunca navegadas / Ai Tejo em meus olhos debruçado
Ai tardes de sol e rambóiadas / Ai passeios de Lisboa do Chiado

Adeus Outono d’oiro mal chegado / E nos ventos agrestes repartido
E neste Inverno triste enregelado / Nas cinzas deste fosco entardecer
No sulco profundo arado / No silêncio do cipreste denegrido
Esta minha sede imensa de viver