Repertório de Hélder Cruz
Olhos de ave perdida num longe
que não é seu
Como se o horizonte fosse mesmo o
que era
O peito a arder de febre dum sol
fechado ao céu
Tortura de ter falhado o tempo da
primavera
Asas de ave perdida num voo feito
de nada
E que a dor amordaçou como
insulto derradeiro
Desespero de criança em busca da
alvorada
Entontecida p’lo espanto do medo
ser verdadeiro
Nudez de ave perdida no espaço do
meu pecado
Soluço de abandono em acesso de aventura
Tão triste a liberdade de nunca
ter cantado
Ave branda, minha sede, meu
processo de loucura