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Canal de JOSÉ FERNANDES CASTRO em parceria com RÁDIO MIRA

RÁDIO apadrinhada pelo mestre *RODRIGO*

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AS LETRAS PUBLICADAS REFEREM A FONTE DE EXTRAÇÃO, OU SEJA: NEM SEMPRE SÃO MENCIONADOS OS LEGÍTIMOS CRIADORES
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ATINGIDO ESTE VALOR // QUE ME FAZ SENTIR HONRADO // CONTINUO, COM AMOR // A SER SERVIDOR DO FADO
POIS MESMO DESAGRADANDO // A TROIANOS MALDIZENTES // OS GREGOS VÃO APOIANDO // E VÃO FICANDO CONTENTES
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Campino

Fernando Santos / Raul Ferão
Versão do repertório de Carlos Ramos

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Criação de Estevão Amarante na revista *Cartaz de Lisboa* 
Teatro Maria Vitória em 1937
Informação de Francisco Mendes e Daniel Gouveia
Livro *Poetas Populares do Fado-Canção*
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Mal canta o galo
Ainda o sol não é nado
Monto a cavalo
E vou p'ra junto do gado
E os animais
Essas tais feras bravias
Com os seus olhos leais
Parecem dar-me os bons dias


Pampilho ao alto
Corpo firme no selim
Nunca tive um sobressalto
Se um toiro investe p'ra mim
Já disse um homem
Que foi toureiro afamado
Mais marradas dá a fome
Do que um toiro tresmalhado

Quando anoitece
E o gado dorme p'lo chão
Rezo uma prece
Por alma dos que lá estão 
P'ra que as searas
Cresçam livres de tormenta
E o mal não mate as pearas
Nem os novilhos de têmpera


Mas quando as cheias 
Destroçam pastos e trigo
E há miséria nas aldeias
Eu vou pensando comigo
Já disse um homem
Que foi toureiro afamado
Mais marradas dá a fome
Do que um toiro tresmalhado


Excepcional descrição, algo bucólica, da vida quotidiana do campino
que não se alterou muito de 1937 para cá. 

Apenas as «marradas da fome» e a «miséria nas aldeias» estarão hoje mais
atenuadas e, mesmo assim, não se sabe. As cheias, essas, quase deixaram
de existir com a construção de barragens ao longo do Tejo. 

Mas quanto aos aspectos profissionais, o campino continua a desempenhá-los
como descrito nesta letra, verdadeira pintura em verso.