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Ninguém sabe tudo, ninguém ignora tudo, só todos juntos sabemos alguma coisa <> PAULO FREIRE *filósofo
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Fado chorado

Mário Rainho / Alfredo Marceneiro
Repertório de Fernando Jorge Amaral


Eu não chorei ao nascer
Dei um grito, foi de espanto
Como estivesse a prever
Que me ia acontecer
Toda uma vida de pranto


Pranto, por dentro, chorado / A alma queimada e o rosto
Culpa dum choro salgado
Por, na vida, ter andado / Só de desgosto em desgosto

Queria acender alegrias / Subi-las ao universo
Mas as minhas poesias
Cantavam, só, elegias / Choravam em cada verso

As lágrimas desmaiavam / Nas rimas-ondas, sem cor
E os poemas se alagavam
Por verem que me cercavam / Analfabetos de amor

Eu não chorei ao nascer / Dei um grito, foi de espanto
Eu estou vivo, podem crer
Mas já não choro-a-valer /
Porque sequei o meu pranto