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Ninguém ignora tudo, ninguém sabe tudo. Todos nós sabemos alguma coisa, todos nós ignoramos alguma coisa. Por isso aprendemos sempre
PAULO FREIRE *filósofo* 19.09.1921 / 02.05.1997
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As 5.515 letras publicadas referem a fonte de extração, o que nem sempre quer dizer que os artistas mencionados sejam os seus criadores.
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A soleira da porta

Carlos Conde / João Maria dos Anjos
Repertório de Daniel Gouveia

Passei hoje mesmo à beira
Daquela antiga soleira
Da Travessa dos Quartéis
Que era entrada de uma tasca
Onde o fado, mesmo rasca
Criou nomes e deu leis

Taberna reles, banal
Mas lá dentro, no quintal / Cheiro a iscas, pão e vinho
Dois varais de traquitana
O poço, o musgo, a roldana / E, em volta, mesas de pinho

Da Baixa à Rua do Cabo
As tipóias do Zé Nabo / Andavam sempre em despique
E, às tantas da madrugada
Inda o fado em desgarrada / Se ouvia em Campo de Ourique

Um faia antigo e de nome
Foi lá comigo e mostrou-me / Como sombra do passado
Uma soleira velhinha
Um quintal de erva daninha / E um tapume abandonado

Não sou do tempo da tasca
Onde o fado, mesmo rasca / Criou nomes e deu leis
Mas quase chorei à beira
Daquela antiga soleira / Da Travessa dos Quartéis