As 5.180 letras publicadas referem a fonte de extração, o que nem sempre quer dizer que os artistas mencionados sejam os seus criadores !!!
---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
<> POR FAVOR, alerte-me para qualquer erro que encontre <>
<> Ninguém sabe tudo, ninguém ignora tudo, só todos juntos sabemos alguma coisa <> PAULO FREIRE
---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
* Por motivos alheios à minha vontade, o motor de busca nem sempre responde satisfatóriamente *

* A seleção alfabética é da responsabilidade da blogspot !!!
* Caso necessite de ajuda envie a sua mensagem para: fadopoesia@gmail.com *
----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------


Versículo da Mariquinhas

Letra: Silva Tavares / Versículo: Daniel Gouveia
Alfredo Duarte *fado maria marques*
Repertório de Daniel Gouveia

É numa rua bizarra / muito estreita
A casa da Mariquinhas / com floreiras
Tem na sala uma guitarra / tão bem feita
Janelas com tabuinhas / às carreiras

Vive com muitas amigas / dedicadas,
Aquela de quem vos falo / com prazer
E não há maior regalo / ou pode haver?
De vida de raparigas / azougadas;
É doida pelas cantigas / bem cantadas
Como no campo a cigarra / satisfeita
Se canta o fado à guitarra / e se deleita
De comovida até chora / ternamente;
E a casa alegre onde mora / tão contente
É numa rua bizarra / muito estreita

Para se tornar notada / entre as fadistas
Usa coisas esquisitas / donairosas
Muitas rendas, muitas fitas / vaporosas
Lenços de cor variada / a dar nas vistas;
Pretendida e desejada / nas conquistas
Altiva como as rainhas / sobranceiras
Ri das muitas coitadinhas / linguareiras;
Que a censuram rudemente / sem razão
Por verem cheia de gente / e animação
A casa da Mariquinhas / com floreiras

É de aparência singela / até modesta
E muito mal mobilada / o quanto baste
No fundo não vale nada / por contraste
O tudo da casa dela / sempre em festa
No vão de cada janela / junto à fresta;
Sobre coluna, uma jarra  / que ela enfeita
Colcha de chita com barra / bem direita
Quadros de gosto magano / afadistado;
E, em vez de ter um piano / aburguesado
Tem na sala uma guitarra / tão bem feita

P'ra guardar o parco espólio / a bom recato
Um cofre forte comprou  / a acautelar
E como o gás se acabou / por não pagar
Ilumina-se a petróleo / que é barato;
Limpa as mobílias com óleo / por bom trato
De amêndoa doce e, mesquinhas / galhofeiras
Pasmam de fronte as vizinhas / quadrilheiras
P'ra ver o que lá se passa /  que defeito;
Mas ela tem, por pirraça / e é bem feito
Janelas com tabuinhas / às carreiras