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Ninguém ignora tudo, ninguém sabe tudo. Todos nós sabemos alguma coisa, todos nós ignoramos alguma coisa. Por isso aprendemos sempre
PAULO FREIRE *filósofo* 19.09.1921 / 02.05.1997
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O testamento da Mariquinhas

Lopes Víctor / Popular
Repertório de Alfredo Marceneiro

A Mariquinhas p’ros céus
Partiu sem as tamanquinhas
Deixou a guitarra a Deus
E à moirama as tabuinhas


Caiu chuva, fortemente / Num beco da Mouraria
De onde o sol, por ironia / Também quis estar ausente
Dos lábios de tanta gente / Crente, e mesmo os ateus
Encomendaram a Deus / A alma da pecadora
E lá foi, naquela hora
A Mariquinhas p’ros céus

Fazer milagre, quis Deus / Em trazer ao funeral
Um escol fenomenal / D’alguns nobres e plebeus
O Conde, o Roque, o Mateus / O Custódia e o Ginguinhas
Choraram a Mariquinhas / Essa figura lendária
Que à procura da Cesária
Partiu sem as tamanquinhas

E a Cigarra cantadeira / Não fará mais gorgeios
Gorgeando os seu anseios / Num fado à sua maneira
Na Rua da Amendoeira / Andam já os fariseus
A pregar, feitos judeus / Com fingido sentimento
Que ela, no testamento
Deixou a guitarra a Deus

No cofre, já tão falado / Ficaram as rendas finas
Muitos laços, as cortinas / E um lençol todo bordado
E tudo foi averbado / P’ra deixar às mais velhinhas
No fado velhas rainhas / Que lá viram exarado
Eu deixo o meu xaile ao fado
E à moirama as tabuinhas