Clique na imagem e oiça Fado !!!
* * * * *
As 5.380 letras publicadas referem a fonte de extração, o que nem sempre quer dizer que os artistas mencionados sejam os seus criadores !!!
---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
<> Ninguém sabe tudo, ninguém ignora tudo, só todos juntos sabemos alguma coisa <> PAULO FREIRE *filósofo brasileiro* 1921/1997
-------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
* Por motivos alheios à minha vontade, o motor de busca nem sempre responde satisfatóriamente *
------------------------------------------------------------------------- -------------------------------------------------------------------------
* Caso necessite de ajuda envie a sua mensagem para: fadopoesia@gmail.com *
* * * * *

O testamento da Mariquinhas

Lopes Víctor / Popular
Repertório de Alfredo Marceneiro

A Mariquinhas p’ros céus
Partiu sem as tamanquinhas
Deixou a guitarra a Deus
E à moirama as tabuinhas


Caiu chuva, fortemente / Num beco da Mouraria
De onde o sol, por ironia / Também quis estar ausente
Dos lábios de tanta gente / Crente, e mesmo os ateus
Encomendaram a Deus / A alma da pecadora
E lá foi, naquela hora
A Mariquinhas p’ros céus

Fazer milagre, quis Deus / Em trazer ao funeral
Um escol fenomenal / D’alguns nobres e plebeus
O Conde, o Roque, o Mateus / O Custódia e o Ginguinhas
Choraram a Mariquinhas / Essa figura lendária
Que à procura da Cesária
Partiu sem as tamanquinhas

E a Cigarra cantadeira / Não fará mais gorgeios
Gorgeando os seu anseios / Num fado à sua maneira
Na Rua da Amendoeira / Andam já os fariseus
A pregar, feitos judeus / Com fingido sentimento
Que ela, no testamento
Deixou a guitarra a Deus

No cofre, já tão falado / Ficaram as rendas finas
Muitos laços, as cortinas / E um lençol todo bordado
E tudo foi averbado / P’ra deixar às mais velhinhas
No fado velhas rainhas / Que lá viram exarado
Eu deixo o meu xaile ao fado
E à moirama as tabuinhas