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Ninguém sabe tudo, ninguém ignora tudo, só todos juntos sabemos alguma coisa <> PAULO FREIRE *filósofo*
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Depois do leilão

Linhares Barbosa /  Popular *fado corrido*
Repertório de Alfredo Marceneiro

A casa da Mariquinhas
Já nada tem que a destaque
As discretas tabuínhas
São dum velho bricabraque


Em prol da urbanização / E d’outras leis citadinas
Inventaram-se as ruínas / Impôs-se a demolição
Lá foram no turbilhão / Muitas relíquias velhinhas
Porém, as fúrias daninhas / Das inovações em suma
Por
salvação ficou uma
A casa da Mariquinhas

Mas, outra fisionomia / Lhe deram; não tem guitarras
Lá dentro não há cigarras / Cantando a sua alegria
À porta, por ironia / Há um porteiro, um basbaque
A olhar por um Cadillac / Da pessoa que lá mora
Das coisas velhas doutrora
Já nada tem que a destaque

No célebre primeiro andar / Que a Mariquinhas deixou
Nem uma placa ficou / Do seu nome, a assinalar
Abertas de par em par / As janelas, são mesquinhas
Até as próprias vizinhas / Confessam com amargor
Que falavam mais de amor
As discretas tabuínhas

A Ti´Ana, a capelista / Triste, queixa-se das vendas
Já não tem saída as rendas / Nem os xailes à fadista
O Perdigão penhorista / Um velho de côco e fraque
Diz que tudo esteve a saque / Que só espartilhos e ligas
Porque eram coisas antigas
São dum velho bricabraque