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Ninguém ignora tudo, ninguém sabe tudo. Todos nós sabemos alguma coisa, todos nós ignoramos alguma coisa.
Paulo Freire *filósofo* 1921 <> 1997

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Corrido à antiga portuguesa

Mário Raínho / Popular *fado corrido*
Repertório de Ricardo Ribeiro

Vou cantar ao jeito antigo
Um corrido do passado
Vamos lá ver se consigo
Dar-lhe alma e corpo de fado

Como aprendi, assim faço / Meu mestre assim me ensinou
Desatar a voz do laço / Do medo que me amarrou
Genuíno, como sou / E sem temer o perigo
No estilar em que me digo / Nada, de certo, garanto
Na minha forma de canto
Vou cantar ao jeito antigo

Não cuidem que isto é correr  / É cadência ritmada
Que às vezes sai soluçada / Mesmo que seja sem querer
Não é por muito saber / Por muito ou pouco letrado
É por sentir tal agrado / Neste poema, ao meu jeito
Por deixar sair do peito
Um corrido do passado

Memórias que me deixaram / Antigas vozes que ouvi
Meu coração abraçaram / E moram agora aqui
Não foi tempo que perdi / Dando ao fado terno abrigo
Traze-lo sempre comigo / Foi bem maior que ganhei
Se bem o canto não sei
Vamos lá ver se consigo

Há quem lhe aponte um renovo / Pra nos levar em enganos
Quem tem uns duzentos anos / Como é que pode ser novo?
Não vás em cantigas povo / Assim nos reza o ditado
Mas eu, não sou só passado / Sou verso futuro, audaz
Vamos ver se sou capaz 

Dar-lhe alma e corpo de fado