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Ninguém ignora tudo, ninguém sabe tudo. Todos nós sabemos alguma coisa, todos nós ignoramos alguma coisa.
Paulo Freire *filósofo* 1921 <> 1997

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Angústia

J. Slauerhoff / Custódio Castelo
Repertório de Cristina Branco

O mar avança pela noite dentro
Rumo a tantas praias sós, distantes
De vento e espuma é seu lamento
E de sal, como lágrimas flamantes

Assim eu sinto o mar quando ele se quebra a soluçar
Contra as escarpas da terra
E com as ondas minha dor suplica

A graça perdida de outra vez perto de ti me encontrar
Quero largar meu navio, caminhar
P'las águas rumo a todo o horizonte

Pois esteja onde estiver, eu cismo
Tal como o luar das nuvens aparece
Minha dor p'lo mundo vagueia e entontece
E seu desejo é afogar-se no abismo

Porém, de noite eu sei que
O mar e eu sofremos a mesma mágoa
E que no leito sem margem, feito d'água
Um único soluço nos revolve

Assim fui buscando p'ra esquecer
Que tudo perdi por uma mulher
Mas quando o mar reluz, preso do encanto
De novo me afundo, lavado em pranto