Repertório de Patrícia Costa
Nas margens deste rio atormentado
É que está dependurado o nome do meu país
Mistura entre a fuga e a procura
Entre o medo e a loucura que estão na minha raiz
Meu Porto... muito mais vivo que morto
Tu recusas o conforto de quem está morto de vez
Por isso... eu te mando este recado
Porque vivo atormentado como o rio que te fez
Daqui houve nome, Portugal
Aqui está tudo bem, está tudo mal
Meu Porto és o carinho que me tenho
És a ponte donde venho, entre o mar e o quintal
Criança, ris e choras de seguida
Mesmo quando a tua vida é o assunto da anedota
Sentir, é o teu modo de existir
E és capaz de mentir só p’ra não fazeres batota
Meu Porto, destroçado e penitente
Invicto p’ra tanta gente, só por ti és derrotado
Nas margens do rio que te desflora
Há um vulcão que demora e dorme sempre acordado
Daqui, eu fui embora sem vontade
Aqui eu renasci p’ra liberdade
Meu Porto, deixa andar, nunca fiando
Que me dás de contrabando, a mentira e a verdade