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<> Ninguém sabe tudo, ninguém ignora tudo, só todos juntos sabemos alguma coisa <> PAULO FREIRE
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Rosa da Mouraria

Frederico de Brito / Martinho d'Assunção
Repertório de Rodrigo

Constou pela Mouraria
Que a Rosa ao saír de casa / Ia quase como louca
E a mostrar como sofria
Tinha os olhos numa brasa / E espuma ao canto da boca

Há quem diga que o rapaz
Ainda lhe pediu á porta / Que pensasse o que fazia
Ela nem olhou p'ra trás
Parecia que estava morta / Por saír da Mouraria

Altas horas, lá dentro uma luz enorme
Mostra bem que ele nem dorme
Que nem descansar consegue
Atę a porta que dantes estava trancada
Fica apenas encostada
À espera que a Rosa chegue

Os que ali passam, reparam
Na falta que a Rosa faz / Vendo os vasos na parede
As sardinheiras secaram
E até um cravo lilás / Caíu, mortinho de sede

Mas naquele triste dia
Em que ocorreu esta cena / Contaram tudo em voz alta
E agora na Mouraria
Fala-se á boca pequena / Que a Rosa faz muita falta