José Santos / Vital d' Assunção
Repertório de José Manuel Castro
Aqui dentro do fado é que te encontro
Como asa ou lamina cortante
Enquanto te construo debruçado
Ao som desta guitarra vou cantado
Aqui dentro do fado há a memória
Das aves que partiram ou tombaram
Ou um punhal no corpo derramado
Ou a saudade de todos que ficaram
Aqui dentro do fado ardem os dias
E as noites, com seus fantasmas de vento
A lama que trazemos do passado
A chuva que nos rói como alimento
Aqui dentro do fado há um rio solto
Que por dentro de mim finge que corre
No beijo que te dou estou adiado
E o meu amor por ti, meu amor, morre
Coitado do Zé Maria
Letra e música de Joaquim Pimentel
Repertório de Tony de Matos
O Zé Maria vivia
Os conselhos dos mais velhos
Repertório de Tony de Matos
O Zé Maria vivia
Tranquilo na sua aldeia
Tinha o sol por companhia
Tinha o sol por companhia
De sonhos, a alma cheia
Mas pensou vir p'ra cidade
Quis cumprir outro destino
Uma alma de poeta
Uma alma de poeta
Num coração de menino
Coitado do Zé Maria
Coitado do Zé Maria
Coitado do Zé Maria
Coitado do Zé Maria
Os conselhos dos mais velhos
O Zé Maria não quis
Disse adeus á sua terra
Disse adeus á sua terra
Pensando ser mais feliz
Depois na cidade grande
Onde a maldade campeia
O Zé Maria chorou
O Zé Maria chorou
Saudades da sua aldeia
Ele há tanto Zé Maria
Ele há tanto Zé Maria
Por essas aldeias fora
Que vive sonhando o dia
Que vive sonhando o dia
De deixá-la e ir embora
Depois na terra distante
Depois na terra distante
Ao ver o mal que fizeram
Recordam a todo o instante
Recordam a todo o instante
Essa aldeia onde nasceram
Maré alta, sol profundo
Elsa Laboreiro / Amadeu Ramim *fado zeca*
Repertório de Raquel Tavares
Tu és a maré cheia no meu peito
E no meu sonho, a imensa tempestade
Tens a côr do luar quando me deito
E p'la manhã, és quente claridade
Teus lábios sabem sempre a liberdade
E há gaivotas bailando em teu olhar
Ao som da tua voz, nasce a saudade
Que embala a minha voz p'ra te cantar
P'ra te cantar os versos do meu fado
Que mais não é que amar-te cegamente
E assim vamos seguindo lado a lado
O fado, tu e eu, eternamente
Tu és a maré alta, o sol profundo
O grito amargo e doce, a paixão
És tudo o que mais quero neste mundo
Por ti morre de amor, meu coração
Repertório de Raquel Tavares
Tu és a maré cheia no meu peito
E no meu sonho, a imensa tempestade
Tens a côr do luar quando me deito
E p'la manhã, és quente claridade
Teus lábios sabem sempre a liberdade
E há gaivotas bailando em teu olhar
Ao som da tua voz, nasce a saudade
Que embala a minha voz p'ra te cantar
P'ra te cantar os versos do meu fado
Que mais não é que amar-te cegamente
E assim vamos seguindo lado a lado
O fado, tu e eu, eternamente
Tu és a maré alta, o sol profundo
O grito amargo e doce, a paixão
És tudo o que mais quero neste mundo
Por ti morre de amor, meu coração
O alfabeto do pescador
José António Mestre - Portimão
Popular
A letra A quer dizer > Amor perfeito
A letra B quer dizer > Benvindo sejas
A letra C quer dizer > sê Caridosa
A letra D > Deus te faça bem ditosa
A letra E quer dizer > Ela diria
A letra F quer dizer > Felicidade
A letra G quer dizer > Guardar segredo
A letra H > Hoje mesmo tive medo
A letra I quer dizer > Idade pouca
A letra J quer dizer > Já fui feliz
A letra K quer dizer > Kaligrafia
A letra L > Lembra-te de mim, um dia
A letra M quer dizer > Minha menina
A letra N quer dizer > Não sou feliz
A letra O quer dizer > Olívia bela
A letra P > Para mim os olhos dela
A letra Q quer dizer > Querias-me bem
A letra R quer dizer > Ramo de flores
A letra S quer dizer > Saudade forte
A letra T > Tua, tua, até á morte
A letra U quer dizer > Uma esperança
A letra V quer dizer > Vês-me assim
A letra X quer dizer > Xorar de dôr
A letra Z > Zelai pelo nosso amor
Popular
A letra A quer dizer > Amor perfeito
A letra B quer dizer > Benvindo sejas
A letra C quer dizer > sê Caridosa
A letra D > Deus te faça bem ditosa
A letra E quer dizer > Ela diria
A letra F quer dizer > Felicidade
A letra G quer dizer > Guardar segredo
A letra H > Hoje mesmo tive medo
A letra I quer dizer > Idade pouca
A letra J quer dizer > Já fui feliz
A letra K quer dizer > Kaligrafia
A letra L > Lembra-te de mim, um dia
A letra M quer dizer > Minha menina
A letra N quer dizer > Não sou feliz
A letra O quer dizer > Olívia bela
A letra P > Para mim os olhos dela
A letra Q quer dizer > Querias-me bem
A letra R quer dizer > Ramo de flores
A letra S quer dizer > Saudade forte
A letra T > Tua, tua, até á morte
A letra U quer dizer > Uma esperança
A letra V quer dizer > Vês-me assim
A letra X quer dizer > Xorar de dôr
A letra Z > Zelai pelo nosso amor
A nossa virtude
Alfredo Guedes / Alfredo Duarte *fado cuf*
Repertório de Alfredo Guedes
Porque dizemos sempre, em voz dorida
Em voz bem alta, clara e bem concisa
Que pelo mal arriscamos a vida
Que pelo bem ficamos sem camisa
Porque é que andamos sempre a apregoar
Virtudes que só nós julgamos ter
Estamos sempre prontos a negar
Defeitos que nos possam ofender
Nós que afinal só estamos de passagem
Na vida, que morre constantemente
Será que um dia temos a coragem
De falar a nós mesmos francamente
Então sim, poderemos perdoar
Defeitos como nós e outros têm
Olhar p'ra eles, sem os odiar
P'ra que eles não nos odeiem também
Repertório de Alfredo Guedes
Porque dizemos sempre, em voz dorida
Em voz bem alta, clara e bem concisa
Que pelo mal arriscamos a vida
Que pelo bem ficamos sem camisa
Porque é que andamos sempre a apregoar
Virtudes que só nós julgamos ter
Estamos sempre prontos a negar
Defeitos que nos possam ofender
Nós que afinal só estamos de passagem
Na vida, que morre constantemente
Será que um dia temos a coragem
De falar a nós mesmos francamente
Então sim, poderemos perdoar
Defeitos como nós e outros têm
Olhar p'ra eles, sem os odiar
P'ra que eles não nos odeiem também
O meu grito
Alfredo Guedes / Pedro Rodrigues
Repertório de Alfredo Guedes
A boca sabe-me a sal
Tem o sabor do meu povo
Este povo aventureiro
Que aceita o bem e o mal
E anseia um mundo novo
Porque nasceu marinheiro
Sabe-me a mar, que é salgado
Sabe-me ao errar constante
Repertório de Alfredo Guedes
A boca sabe-me a sal
Tem o sabor do meu povo
Este povo aventureiro
Que aceita o bem e o mal
E anseia um mundo novo
Porque nasceu marinheiro
Sabe-me a mar, que é salgado
Sabe-me ao errar constante
Do espírito da incerteza
Sabe-me ao sabor dum fado
Ou á revolta gritante
Sabe-me ao sabor dum fado
Ou á revolta gritante
Da garganta que está presa
Sabe-me ao gosto esquisito
Da boca que tem secura
Sabe-me ao gosto esquisito
Da boca que tem secura
Porque deseja chamar
Alguém, num enorme grito
Que lhe dê forma e ternura
Alguém, num enorme grito
Que lhe dê forma e ternura
Ou forças p'ra protestar
A noite que te canto
José Fernandes Castro / Alfredo Duarte *eu lembro-me de ti*
Repertório de Lúcio Bamond
A noite que te canto, é o manto sagrado
Dos versos que te faço, em nome da paixão
Porque te amo tanto, exprimo neste fado
Os momentos que passo, em alucinação
A noite que tem consigo, a marca angustiante
Do meu amor sem lei, e sem o teu luar
Não suporto o castigo, e o fogo constante
Dum beijo que sonhei, e não cheguei a dar
A noite é o regaço, onde a alma se deita
Em busca de conforto, e de felicidade
A noite tem o espaço, e a dimensão perfeita
Do mais seguro porto, em tranquilidade
A noite traz loucura, ao sonho duma hora
Os dias são iguais, em cada solidão
A noite é a ternura, e o romper da aurora
Dos sonhos outonais, em nome da paixão
Repertório de Lúcio Bamond
A noite que te canto, é o manto sagrado
Dos versos que te faço, em nome da paixão
Porque te amo tanto, exprimo neste fado
Os momentos que passo, em alucinação
A noite que tem consigo, a marca angustiante
Do meu amor sem lei, e sem o teu luar
Não suporto o castigo, e o fogo constante
Dum beijo que sonhei, e não cheguei a dar
A noite é o regaço, onde a alma se deita
Em busca de conforto, e de felicidade
A noite tem o espaço, e a dimensão perfeita
Do mais seguro porto, em tranquilidade
A noite traz loucura, ao sonho duma hora
Os dias são iguais, em cada solidão
A noite é a ternura, e o romper da aurora
Dos sonhos outonais, em nome da paixão
A Bia da Mouraria
António José / Nóbrega e Sousa
Repertório de Maria Armanda
Criação de Maria Armanda na revista *Meninos vamos ao Vira*
Teatro laura Alves 1978
Informação de Francisco Mendes e Daniel Gouveia no livro
Poetas Populares do Fado-Canção
Repertório de Maria Armanda
Criação de Maria Armanda na revista *Meninos vamos ao Vira*
Teatro laura Alves 1978
Informação de Francisco Mendes e Daniel Gouveia no livro
Poetas Populares do Fado-Canção
Lá vai a Bia
Que arranjou um par jeitoso
É vendedor como ela
Ali para o Bem Formoso
São dois amores
Duas vidas tão singelas
Enquanto ela vende flores
O Chico vende cautelas
Na Mouraria
Só falam do namorico
A Bia namora o Chico
As conversas são iguais
Ai qualquer dia
Deus queira que isto não mude
A Senhora da Saúde
Vai ser pequena demais
O casamento já tem a data marcada
Embora qualquer dos noivos
Tenha pouco mais que nada
Vai ter a Bia, a festa que ela deseja
Irá toda a Mouraria
Ver o casório na igreja
Maria Armanda, na sua primeira apresentação em teatro, teve tanto êxito com
Maria Armanda, na sua primeira apresentação em teatro, teve tanto êxito com
este fado que teve de cantá-lo sete vezes, na estreia.
Não se imagina, hoje, por muito êxito que lograsse, um número ser repetido
sete vezes na estreia de uma revista!
E não se diga que era por não haver outros meios de diversão na capital.
A televisão já tinha emissões regulares desde 1958, o Canal 2 existia
desde 1968 e os anos 60 e 70 foram férteis em cinemas, teatros, serões
para trabalhadores, estações de rádio, discos, floresciam os
«conjuntos» musicais.
Ora esta revista estreou em 1978. Tanto maior o valor impactante desta
«Bia da Mouraria» e o mérito os seus autores
não se podendo dizer que António José fosse um dos mais notórios.
Certo é que, de 1978 para cá, este fado-canção não cessa de ser gravado
e cantado desde as vozes mais jovens até às de maior prestígio.
Por momentos
Letra e música de Jorge Fernando
Repertório de Raquel Tavares
Por momentos
Inquietou-se o meu olhar no teu
Perdida nos pensamentos onde me escondo
Por momentos
Descuidou-se o teu olhar no meu
E á mercê desses tormentos tu me vais pondo
Tu nasceste por mim e por mim esperas
No azul escuro da nossa fria solidão
Como em Roma um cristão lançado ás feras
Assim se sente no peito o meu coração
Como a gaivota que rompe a irmandade
Incapaz de voar firme com o seu bando
Assim eu ando p'las ruas da velha cidade
Sem que a cidade velha perceba onde eu ando
Então diz-me meu amor, quem mais se importa
Com este escuro azulado da solidão
És a mão que pode abrir toda a minha porta
Mas no momento esperado, retiras a mão
Repertório de Raquel Tavares
Por momentos
Inquietou-se o meu olhar no teu
Perdida nos pensamentos onde me escondo
Por momentos
Descuidou-se o teu olhar no meu
E á mercê desses tormentos tu me vais pondo
Tu nasceste por mim e por mim esperas
No azul escuro da nossa fria solidão
Como em Roma um cristão lançado ás feras
Assim se sente no peito o meu coração
Como a gaivota que rompe a irmandade
Incapaz de voar firme com o seu bando
Assim eu ando p'las ruas da velha cidade
Sem que a cidade velha perceba onde eu ando
Então diz-me meu amor, quem mais se importa
Com este escuro azulado da solidão
És a mão que pode abrir toda a minha porta
Mas no momento esperado, retiras a mão
Rumo ao Sul
Jorge
Fernando / Carlos Viana
Repertório de Jorge Fernando
Estou
na estrada de volta
P'ra onde eu já não quero ir
No escritório esta tarde
Foi tudo p'ra me deprimir
A buzina apressada d'um carro
A buzina apressada d'um carro
Que quer passar na portagem
Um rosto indiferente
Diz-me p'ra pagar
Rumo ao Sul, sem amor, devagar
O meu sonho faz-se ao mar
Sem amor, rumo ao sul
O meu céu perdeu o azul
Volto as costas
Rumo ao Sul, sem amor, devagar
O meu sonho faz-se ao mar
Sem amor, rumo ao sul
O meu céu perdeu o azul
Volto as costas
Às luzes brilhantes da cidade-mãe
Sou a sombra impiedosa do apego
A quem já não se tem
Sei que ao fim desta estrada
Sei que ao fim desta estrada
Há uma casa que suponho ter
E a vontade indomável que teima
Em me querer perder
Cumplicidade
Letra e música de Ivan Lins
Repertório de Carlos do Carmo
Olhos negros, olhos negros
Velando meus sonhos de homem
Quando eu adormeço cansado
Das lutas de hoje e de ontem
Olhos negros, olhos negros
Repertório de Carlos do Carmo
Olhos negros, olhos negros
Velando meus sonhos de homem
Quando eu adormeço cansado
Das lutas de hoje e de ontem
Olhos negros, olhos negros
Mulher na mais bela idade
Que falam de amor no silêncio
Que falam de amor no silêncio
Da nossa cumplicidade
Olhos negros, olhos negros
Olhos negros, olhos negros
Que eu amo por entre os desmandos
Que fazem sofrer este povo
Que fazem sofrer este povo
E endurecem meu canto
Olhos negros, olhos negros
Olhos negros, olhos negros
Porque amo a todos, eu amo
Porque amo esta saudade
Porque amo esta saudade
Que me olha quando te chamo
Noite
Letra e música de Jorge Fernando
Repertório de Raquel Tavares
Noite...
Fosse eu um brilho teu
Que brilhando brilhasse
P'ra iluminar teu céu
Noite...
Sou só um triste olhar
Que se perde nos olhos
De quem me quer olhar
Leves vultos sorrateiros
Nas esquinas, nos umbrais
Seguem-me uns olhos matreiros
Agudos como punhais
Troco um olhar pesaroso
Cruzado entre os demais
Com olhos presos a um corpo
Que se aquece entre jornais
Na viela ainda ecoa
Um timbre rouco, magoado
Só á noite é que Lisboa
Enrouquece a voz, num fado
Uma porta que se abre
Outra fecha-se num estrondo
Uma ameaça velada
Num olhar frio e medonho
As montras escurecidas
Por trás das grades cerradas
As vidas prendem-se ás vidas
Com grades insuspeitadas
Um pombo levanta e voa
Com meus passos, assustado
Só à noite é que Lisboa
Enrouquece a voz, num fado
Valsa
António Lobo Antunes / Miguel Ramos *fado margaridas*
Repertório de Kátia Guerreiro
Ficámos finalmente, meu amor
Na praia dos lençóis, amarrotada
O mal que venha sempre, é um mar menor
Sorriso de vazante na almofada
Se chamo som das ondas ao rumor
Dos passos dos vizinhos, pela escada
É porque á noite, acordo de terror
De me encontrar sem ti de madrugada
Qual a cor desta noite e de que medos
São feitas essas mãos que não me dás
Ó meu amor... a noite tem segredos
Que dizem coisas que não sou capaz
Repertório de Kátia Guerreiro
Ficámos finalmente, meu amor
Na praia dos lençóis, amarrotada
O mal que venha sempre, é um mar menor
Sorriso de vazante na almofada
Se chamo som das ondas ao rumor
Dos passos dos vizinhos, pela escada
É porque á noite, acordo de terror
De me encontrar sem ti de madrugada
Qual a cor desta noite e de que medos
São feitas essas mãos que não me dás
Ó meu amor... a noite tem segredos
Que dizem coisas que não sou capaz
Vida
*No disco Memória e Fado* este tema é atribuído a CHARLES AZNAVOUR
*No disco Terra d'Água* o tema é atribuído a JORGE FERNANDO
Repertório de Jorge Fernando
Porque é longa a minha sede
Trago a alma insaciada
Uma voz sem tom nem tempo
Age oculta p'la calada
Sou a solidão do tempo
Quando o nevoeiro cerra
Sou a estranha flor ao vento
No esquecimento da terra
Num intenso gesto d'alma sou
Esta pena de me achar tão só
Tanto e tão pouco
Ai vida, ai vida
Porque é longa a minha sede
Busco a fonte desejada
Como a voz sem voz nem tempo
Que se oculta em mim calada
*No disco Terra d'Água* o tema é atribuído a JORGE FERNANDO
Repertório de Jorge Fernando
Porque é longa a minha sede
Trago a alma insaciada
Uma voz sem tom nem tempo
Age oculta p'la calada
Sou a solidão do tempo
Quando o nevoeiro cerra
Sou a estranha flor ao vento
No esquecimento da terra
Num intenso gesto d'alma sou
Esta pena de me achar tão só
Tanto e tão pouco
Ai vida, ai vida
Porque é longa a minha sede
Busco a fonte desejada
Como a voz sem voz nem tempo
Que se oculta em mim calada
Sonho alucinante
José Fernandes Castro / Pedro Rodrigues
Repertório de António Jesus
Tempos marcados p'lo vento
Sonhos marcados p'la dor
Nas ruas do pensamento
Vagueia o meu desalento
Em busca do teu amor
Também vagueia o luar
Repertório de António Jesus
Tempos marcados p'lo vento
Sonhos marcados p'la dor
Nas ruas do pensamento
Vagueia o meu desalento
Em busca do teu amor
Também vagueia o luar
Que procura lua cheia
Neste céu por alcançar
Até vejo cintilar
Neste céu por alcançar
Até vejo cintilar
O teu olhar de sereia
Vejo nuvens sem idade
Vejo nuvens sem idade
Paradas no infinito
E o sol da felicidade
Mesmo sentindo saudade
E o sol da felicidade
Mesmo sentindo saudade
Está cada vez mais bonito
Ai minha paixão constante
Ai minha paixão constante
Ai minha loucura doce
O teu amor cintilante
É um sonho alucinante
O teu amor cintilante
É um sonho alucinante
Quem dera, que assim não fosse
Por ti
José Luís Gordo / Joaquim Campos *fado tango*
Repertório de Mariza
Fecho os meus olhos e canto
E canto só para ti
Dobrando a voz e o pranto
Que te canta como eu canto
É por ti e só por ti
Dou à guitarra e ao xaile
Repertório de Mariza
Fecho os meus olhos e canto
E canto só para ti
Dobrando a voz e o pranto
Que te canta como eu canto
É por ti e só por ti
Dou à guitarra e ao xaile
Caminhos de Santiago
Cega-me o pó neste vale
Que o vento só por meu mal
Cega-me o pó neste vale
Que o vento só por meu mal
Acende fogos que apago
Há tanta melodia, tanta
Há tanta melodia, tanta
Que o vento traz nos sentidos
Sinfonias que me encantam
Parece às vezes que cantam
Sinfonias que me encantam
Parece às vezes que cantam
Fados de amores proibidos
Eu trago a estrada da vida
Eu trago a estrada da vida
Guardada na minha mão
Que pensa perder-se na ida
Com medo de não ter partida
Que pensa perder-se na ida
Com medo de não ter partida
Dentro do meu coração
Não foi nada
David Mourão Ferreira / João do Carmo Noronha *fado pechincha*
Repertório de Celeste Rodrigues
Talvez houvesse uma flor
Aberta, na tua mão
Podia ter sido amor
Mas foi apenas traição
Talvez houvesse a passagem
Repertório de Celeste Rodrigues
Talvez houvesse uma flor
Aberta, na tua mão
Podia ter sido amor
Mas foi apenas traição
Talvez houvesse a passagem
Duma estrela no teu rosto
Era quase uma viagem
Era quase uma viagem
Foi apenas um desgosto
É tão negro o labirinto
É tão negro o labirinto
Que vai dar à tua rua
Ai de mim que nem pressinto
Ai de mim que nem pressinto
A cor dos olhos da lua
Tens agora a mão fechada
Tens agora a mão fechada
No peito nenhum fulgor
Não foi nada, não foi nada
Não foi nada, não foi nada
Podia ter sido amor
Desalento
Letra e música de Jorge Fernando
Repertório do autor
Por mais que eu tente
Repertório do autor
Por mais que eu tente
Dar alento ao meu caminho
Por mais que eu teime
Por mais que eu teime
Em este peito sossegar
Quando anoitece
Quando anoitece
Fico só e então sózinho
A solidão não pára
A solidão não pára
De me atormentar
Fala de mim, das minhas dores
Fala de mim, das minhas dores
Do meu passado
Do que eu não posso apagar
Do que eu não posso apagar
Dentro de mim
Porque as memórias
Porque as memórias
São a história, são o fado
Por mais que eu queira
Por mais que eu queira
Não consigo dar-lhe fim
Pois sim
A vida não foi fácil para mim
Eu sei que a vida me escolheu
Pois sim
A vida não foi fácil para mim
Eu sei que a vida me escolheu
Ao dar-me vida
Que não prescinde
Que não prescinde
Do que eu faço e do que eu sou
E que ao nascer
E que ao nascer
Trouxe consigo a fé devida
P'ra me arriscar
P'ra me arriscar
Neste caminho a que me dou
Mas a tristeza
Mas a tristeza
De me achar abandonado
Entre o que eu quero ser
Entre o que eu quero ser
E aquilo que não sou
Encontra a paz
Encontra a paz
Quando me escondo num fado
Onde a minh'alma
Onde a minh'alma
Bem cedo se revelou
Escada sem corrimão
David Mourão Ferreira / Filipe Pinto *fado meia-noite*
Repertório de Camané
É uma escada em caracol
Mas que não tem corrimão
Vai a caminho do sol
Mas nunca passa do chão
Os degraus, quanto mais altos
Repertório de Camané
É uma escada em caracol
Mas que não tem corrimão
Vai a caminho do sol
Mas nunca passa do chão
Os degraus, quanto mais altos
Mais estragados estão
Nem sustos nem sobressaltos
Nem sustos nem sobressaltos
Servem sequer de lição
Quem tem medo, não a sobe
Quem tem medo, não a sobe
Quem tem sonhos também não
Há quem chegue a deitar fora
Há quem chegue a deitar fora
O lastro do coração
Sobe-se numa corrida
Sobe-se numa corrida
Correm-se p'rigos em vão
Adivinhaste; é a vida
Adivinhaste; é a vida
A escada sem corrimão
Velho fado
Letra e música de Jorge Fernando
Repertório do autor
Quando a saudade me chama
Repertório do autor
Quando a saudade me chama
Eu fico triste
Quando o fado reclama a minha dor
Exponho a minha alma na voz
Quando o fado reclama a minha dor
Exponho a minha alma na voz
Que não resiste
Em ficar triste, em ficar triste
Quando as palavras entoam
Em ficar triste, em ficar triste
Quando as palavras entoam
Esta tristeza
Que o português traz do berço
Que o português traz do berço
Por herança
A minha alma antes livre
A minha alma antes livre
Fica presa
A esta tristeza, a esta tristeza
Fado...
A esta tristeza, a esta tristeza
Fado...
Porque teimas, velho fado
Nesse tom amargurado
Que entristece quem o sente
Fado...
Nesse tom amargurado
Que entristece quem o sente
Fado...
Quem te deu a nostalgia
E a recusa em querer o dia
P'ra cantar a tua gente
Fado...
E a recusa em querer o dia
P'ra cantar a tua gente
Fado...
Não há voz que te não cante
A desdita do amante
Que p'la dor se fez fadista
Fado...
A desdita do amante
Que p'la dor se fez fadista
Fado...
Das noitadas, dos gemidos
Dos trinados destemidos
Entre as mãos dum guitarrista
Quando a guitarra me pede
Dos trinados destemidos
Entre as mãos dum guitarrista
Quando a guitarra me pede
Eu dou a voz
Quando a viola balança
Quando a viola balança
No meu compasso
Eu fecho os olhos e voo dentro de vós
Na minha voz, na minha voz
Quando a guitarra suspensa
Eu fecho os olhos e voo dentro de vós
Na minha voz, na minha voz
Quando a guitarra suspensa
No meu cantar
Procura a frese devida num desafio
Há um segredo ancestral
Procura a frese devida num desafio
Há um segredo ancestral
Que vem do mar
No meu cantar, no meu cantar
No meu cantar, no meu cantar
Tenho em mim a voz dum povo
Maria de Lourdes Carvalho / Carlos Gonçalves
Repertório de Gonçalo Salgueiro
Amar o amor é amar a vida
A vida mais do que vida será viver
Viver para cantar com voz dorida
A sombra que ensombra a minha vida
Que tudo quer, sem nada querer
Chamam meu nome desmedido
De lés a lés entendido
Que tenho em mim a voz dum povo
Voz com que canto e me encanto
Em cada canto do meu pranto
Uma estranha lágrima de fogo
Viva meu nome, minha voz, meu fado
P'la chama da minh'alma sempre eterno
Porque em mim a morte não caberá
No altar de Deus, lá no infinito
Comigo Camões, Pessoa e o mito
Nem canto secreto se acenderá
Repertório de Gonçalo Salgueiro
Amar o amor é amar a vida
A vida mais do que vida será viver
Viver para cantar com voz dorida
A sombra que ensombra a minha vida
Que tudo quer, sem nada querer
Chamam meu nome desmedido
De lés a lés entendido
Que tenho em mim a voz dum povo
Voz com que canto e me encanto
Em cada canto do meu pranto
Uma estranha lágrima de fogo
Viva meu nome, minha voz, meu fado
P'la chama da minh'alma sempre eterno
Porque em mim a morte não caberá
No altar de Deus, lá no infinito
Comigo Camões, Pessoa e o mito
Nem canto secreto se acenderá
Barquito corcel
Letra e música de Jorge Fernando
Repertório do autor
Cada vez que se faz ao mar, o meu barquito
Leva a esperança, as redes e os remos pró labor
Cada vez que se faz ao mar todo expedito
Acredito que o mar ao meu barquito tem amor
Cada vez que ele afastando as ondas faz distante
Minha aldeia que dorme no sossego do luar
Mais eu sinto que há nele o jeito terno do amante
Que em segredo se encontra á luz da lua com o mar
Ai meu barquito corcel
Pulando as ondas do mar
Rabo de espuma e a pele curtida
P'lo sol e o luar
Cada vez que o vejo sobre a areia, vejo a mágoa
Que aparece quando se tem longe o nosso amor
Mas depois, logo a maré enche e um beijo de água
É carícia que faz enaltecer-lhe a viva cor
Cada vez que vê sobre o seu mar outra conquista
Ergue a proa gritando em desafio essa traição
E então, nos seus olhos de mar logo se avista
O ciúme romper-lhe em maré cheia o coração
Zé do bote
João Dias / Mário Moniz Pereira
Repertório de Carlos do Carmo
Zé do bote, Zé do bote
Tu que conheces o rio
Na calma e no desvario
Como as tuas próprias mãos
Diz-me lá, ó Zé do bote
Quantas ondas tem a sorte
Quantas dores tem um pão
Quantos sustos tem a morte
Ó Zé do bote
Repertório de Carlos do Carmo
Zé do bote, Zé do bote
Tu que conheces o rio
Na calma e no desvario
Como as tuas próprias mãos
Diz-me lá, ó Zé do bote
Quantas ondas tem a sorte
Quantas dores tem um pão
Quantos sustos tem a morte
Ó Zé do bote
No trabalho pedes meças
Desde migalho de gente
Desde migalho de gente
Se o pão é duro e salgado
Não encalhes o teu bote
Não encalhes o teu bote
No areal das promessas
Pois, Zé do bote
Pois, Zé do bote
Quem o teu rio não sente
Não pode estar do teu lado;
Não pode estar do teu lado;
Puxa as redes com cuidado
Zé do bote, Zé do bote
Não aprendeste nos livros
A manejar as palavras
Dos que te vendem o peixe
E o sangue quente e vivo
Mas sabes do rio que lavras
Na quilha do teu arado
Teu corpo útil não deixes
Ser na lota arrematado
Zé do bote, Zé do bote
Não aprendeste nos livros
A manejar as palavras
Dos que te vendem o peixe
E o sangue quente e vivo
Mas sabes do rio que lavras
Na quilha do teu arado
Teu corpo útil não deixes
Ser na lota arrematado
Fado Raquel
Letra e música de Diogo Clemente
Repertório de Raquel Tavares
Quem me vê debruçada na janela
Não venha debruçar-se sobre mim
Mas passe tristemente junto dela
E tristemente passe junto a mim
Que juntas estão as mãos com que apertei
As rosas e os beijos pela tarde
Que deu lugar à noite a que me dei
E sem querer me arde, ainda arde
Quem passar devagar não se demore
Acaso o choro a alma me encontrar
No fundo, não é tanto o quanto chore
É mais a dor calada de chorar
Que a espera que me prende no vazio
Deserta-me da vida junto dela
E outra vida surge como um rio
Ao ver-me debruçada na janela
Repertório de Raquel Tavares
Quem me vê debruçada na janela
Não venha debruçar-se sobre mim
Mas passe tristemente junto dela
E tristemente passe junto a mim
Que juntas estão as mãos com que apertei
As rosas e os beijos pela tarde
Que deu lugar à noite a que me dei
E sem querer me arde, ainda arde
Quem passar devagar não se demore
Acaso o choro a alma me encontrar
No fundo, não é tanto o quanto chore
É mais a dor calada de chorar
Que a espera que me prende no vazio
Deserta-me da vida junto dela
E outra vida surge como um rio
Ao ver-me debruçada na janela
Avé-Maria fadista
Gabriel de Oliveira /Francisco Viana
Repertório de Amália
Avé Maria sagrada
Cheia de graça divina
Oração tão pequenina
De uma beleza elevada
Nosso Senhor é convosco
Repertório de Amália
Avé Maria sagrada
Cheia de graça divina
Oração tão pequenina
De uma beleza elevada
Nosso Senhor é convosco
Bendita sois vós, Maria
Nasceu vosso filho, um dia
Nasceu vosso filho, um dia
Num palheiro humilde e tosco
Entre as mulheres bendita
Entre as mulheres bendita
Bendito é o fruto, a luz
Do vosso ventre, Jesus
Do vosso ventre, Jesus
Louvor e graça infinita
Santa Maria das dores
Santa Maria das dores
Mãe de Deus, se for pecado
Tocar e cantar o fado
Tocar e cantar o fado
Rogai por nós pecadores
Nenhum fadista tem sorte
Nenhum fadista tem sorte
Rogai por nós Virgem Mãe
Agora, sempre e também
Agora, sempre e também
Na hora da nossa morte
- - -
Esta estrofe faz parte da versão publicada a 01.01.1935 na edição Nº 300
do Jornal Guitarra de Portugal com o titulo "Avé-Maria do Fado
Informação de Francisco Mendes e Daniel Gouveia
Livro *Poetas Populares do Fado-Tradicional*
Livro *Poetas Populares do Fado-Tradicional*
Avé Maria sagrada
Cheia de graça divina
Que aprendi em pequenina
Cheia de graça divina
Que aprendi em pequenina
Sobre o leito ajoelhada
Noite apressada
David Mourão Ferreira / Alfredo Duarte *lembro-me de ti*
Repertório de Camané
Era uma noite apressada depois de um dia tão lento
Era uma rosa encarnada aberta nesse momento
Era uma boca fechada sob a mordaça de um lenço
Era afinal quase nada e tudo parecia imenso
Imensa a casa perdida no meio do vendaval
Imensa a linha da vida no seu desenho mortal
Imensa na despedida a certeza do final
Imensa a linha da vida no seu desenho mortal
Era uma haste inclinada sob o capricho do vento
Era minh'alma, dobrada, dentro do teu pensamento
Era uma igreja assaltada mas que cheirava a incenso
Era afinal quase nada, e tudo parecia imenso
Imensa, a luz proibida no centro da catedral
Imensa, a voz diluída além do bem e do mal
Imensa por toda a vida, na descrença total
Imensa a linha da vida na certeza do final
Repertório de Camané
Era uma noite apressada depois de um dia tão lento
Era uma rosa encarnada aberta nesse momento
Era uma boca fechada sob a mordaça de um lenço
Era afinal quase nada e tudo parecia imenso
Imensa a casa perdida no meio do vendaval
Imensa a linha da vida no seu desenho mortal
Imensa na despedida a certeza do final
Imensa a linha da vida no seu desenho mortal
Era uma haste inclinada sob o capricho do vento
Era minh'alma, dobrada, dentro do teu pensamento
Era uma igreja assaltada mas que cheirava a incenso
Era afinal quase nada, e tudo parecia imenso
Imensa, a luz proibida no centro da catedral
Imensa, a voz diluída além do bem e do mal
Imensa por toda a vida, na descrença total
Imensa a linha da vida na certeza do final
Sopra demais o vento
Fernando Pessoa / João Blak *fado menor do porto*
Repertório de Camané
Sopra demais o vento
Para eu poder descansar
Há no meu pensamento
Qualquer coisa que vai parar
Talvez esta coisa da alma
Repertório de Camané
Sopra demais o vento
Para eu poder descansar
Há no meu pensamento
Qualquer coisa que vai parar
Talvez esta coisa da alma
Que acha real a vida
Talvez esta coisa calma
Talvez esta coisa calma
Que me faz a alma vivida
Sopra um vento excessivo
Sopra um vento excessivo
Tenho medo de pensar
O meu mistério eu avivo
O meu mistério eu avivo
Se me perco a meditar
Vento que passa e esquece
Vento que passa e esquece
Poeira que se ergue e cai
Ai de mim se eu pudesse
Ai de mim se eu pudesse
Saber o que em mim vai!
O fado chora-se bem
Amália Rodrigues / Carlos Gonçalves
Repertório de Amália
Moram numa rua escura
A tristeza e a amargura
A angústia e a solidão
No mesmo quarto fechado
Também lá mora o meu fado
E mora o meu coração
Tantos passos temos dado
Nós as três de braço de dado
Repertório de Amália
Moram numa rua escura
A tristeza e a amargura
A angústia e a solidão
No mesmo quarto fechado
Também lá mora o meu fado
E mora o meu coração
Tantos passos temos dado
Nós as três de braço de dado
Eu a tristeza e a amargura
À noite um fado chorado
Sai deste quarto fechado
À noite um fado chorado
Sai deste quarto fechado
E enche esta rua tão escura
Somos vizinhos do tédio
Senhor que não tem remédio
Somos vizinhos do tédio
Senhor que não tem remédio
Na persistência que tem
Vem p'ró meu quarto fechado
Senta-se ali a meu lado
Vem p'ró meu quarto fechado
Senta-se ali a meu lado
Não deixa entrar mais ninguém
Nesta risonha morada
Não há lugar p'ra mais nada
Nesta risonha morada
Não há lugar p'ra mais nada
Não cabe lá mais ninguém
Só lá cabe mais um fado
Que neste quarto fechado
Só lá cabe mais um fado
Que neste quarto fechado
O fado chora-se bem
Sem fé
Este tema também foi gravado com o título *Passou*
Frederico de Brito / Casimiro Ramos *fado três bairros*
Repertório de Maria da Fé
Passou, eu vi que passou
Tinha o mesmo andar gingão
Não me enganei era aquele;
Olhou, eu vi que ele olhou
Depois o meu coração
Foi como um louco atrás dele
Sorriu, eu vi que sorriu
Parou ao fim da calçada / Só p'ra me fazer ralar
Seguiu, eu vi que seguiu
Mas depois não vi mais nada / E desatei a chorar
Ninguém, eu sei que ninguém
Tem culpa destes meus ais / E que não o torno a ver
Não vem, eu sei que não vem
É qu'ele não volta mais / Mesmo que eu esteja a morrer
Não é, eu sei que não é
Não é só ele o culpado / Mas o destino era aquele
Sem fé, também já sem fé
O meu coração coitado / Foi como um louco atrás dele
Frederico de Brito / Casimiro Ramos *fado três bairros*
Repertório de Maria da Fé
Passou, eu vi que passou
Tinha o mesmo andar gingão
Não me enganei era aquele;
Olhou, eu vi que ele olhou
Depois o meu coração
Foi como um louco atrás dele
Sorriu, eu vi que sorriu
Parou ao fim da calçada / Só p'ra me fazer ralar
Seguiu, eu vi que seguiu
Mas depois não vi mais nada / E desatei a chorar
Ninguém, eu sei que ninguém
Tem culpa destes meus ais / E que não o torno a ver
Não vem, eu sei que não vem
É qu'ele não volta mais / Mesmo que eu esteja a morrer
Não é, eu sei que não é
Não é só ele o culpado / Mas o destino era aquele
Sem fé, também já sem fé
O meu coração coitado / Foi como um louco atrás dele
Raíz portuguesa
Ana Madalena Silva / Alexandre Santos
Repertório de Gina Santos
O Fado nasceu um dia
Quando uma voz o cantou
Na velhinha Mouraria
E plangente lá ficou
Andou p'los bairros pobres
Repertório de Gina Santos
O Fado nasceu um dia
Quando uma voz o cantou
Na velhinha Mouraria
E plangente lá ficou
Andou p'los bairros pobres
Por salões nobres
Com todo o agrado
Foi boémio e snob
Foi boémio e snob
Sofreu de amores
P'ra ser mais fado
Quero viver a cantar
Quero viver a cantar
O fado com altivez
Porque o fado é a raiz
De todo o bom português
Sou portuguesa de raça
Sou portuguesa de raça
Sou fiel à tradição
Deixar de cantar não posso
Deixar de cantar não posso
A mais bonita canção
O Fado é só de Lisboa
Há muita gente a afirmar
Mas não conheço a pessoa
Que por essa Lisboa
O Fado é só de Lisboa
Há muita gente a afirmar
Mas não conheço a pessoa
Que por essa Lisboa
Apareceu a cantar
Cantou poemas de vida
Cantou poemas de vida
Através da sua voz
Fado é destino marcado
É de qualquer lado
É de todos nós
Rapsódia
Neca Rafael / Rapsódia / Paquito / R. Gentil
Repertório de Neca Rafael
Era feio e tive tantas
Que nem contá-las consigo
Tive tantas, sei lá quantas
Quantas tive por castigo
Mas eu passei horas santas
Eu tive uma que julgava
Que eu era qualquer veludo
Julgava que me enganava
Mas eu sabia de tudo
Tanto assim que até cantava
A mim não me enganas tu
A mim não me enganas tu
A mim não me enganas tu
A panela ao lume, o arroz está cru
Tive outra que me adorava
Mas era em tudo ruim
Essa pinchava e gritava
Gritava agarrada a mim
E toda se esganiçava
Eu quero, eu quero, eu quero
Amanhã vou-me casar
Já passei a roupa a ferro
Já passei a roupa a ferro
Já passei o meu vestido
Amanhã vou-me casar
E o Manel é meu marido
Todos me querem
Eu quero alguém
Quero o meu amor
Não quero mais ninguém
Todos me querem
Eu quero só um
Quero o meu amor
Não quero mais nenhum
E como outra não queria
Não queria por meu azar
Sem saber o que fazia
Sem saber o que pensar
Eu pus-me a cantar um dia
Se te queres casar
Anda meu amor à fonte comigo
Que eu peço ao senhor p'ra casar contigo
E vais ver se é ou não como eu digo
Ai tantas tive e por fim
Parece que por bruxedo
Esta se agarrou a mim
Como uma lapa ao rochedo
E 'stá sempre a cantar assim
Daqui não saio, daqui ninguém me tira
Sou tua, sempre tua, até á morte
Zaffirade
Letra e música de Jorge Fernando
Repertório do autor
Aliso a voz, a noite seduz
Pregado a ti, sou Cristo na cruz;
Mais que um rumor, ventos sazonais
Ao som das bocas que nos pedem mais
Suposta dor a chegar-me ao fim
Ouvir-te a voz a dizer-me assim
Dizem que o amor te tocou
Afunda no que eu sou
Só p'ra ver, só p'ra ver
Tira de ti todo esse véu
Afunda no que é meu
Só p'ra ver, só p'ra ver
Zaffirade
Procuro a dor quase ao fim de nós
Suado beijo a secar-me a voz
Fundo suspiro a ventar-me a face
Morrer-me em ti, se a ti te bastasse
Repertório do autor
Aliso a voz, a noite seduz
Pregado a ti, sou Cristo na cruz;
Mais que um rumor, ventos sazonais
Ao som das bocas que nos pedem mais
Suposta dor a chegar-me ao fim
Ouvir-te a voz a dizer-me assim
Dizem que o amor te tocou
Afunda no que eu sou
Só p'ra ver, só p'ra ver
Tira de ti todo esse véu
Afunda no que é meu
Só p'ra ver, só p'ra ver
Zaffirade
Procuro a dor quase ao fim de nós
Suado beijo a secar-me a voz
Fundo suspiro a ventar-me a face
Morrer-me em ti, se a ti te bastasse
Poetas
Florbela Espanca / Tiago Machado
Repertório de Mariza
Ai as almas dos poetas
Não as entende ninguém
São almas de violetas
Que são poetas também
Andam perdidas na vida
Repertório de Mariza
Ai as almas dos poetas
Não as entende ninguém
São almas de violetas
Que são poetas também
Andam perdidas na vida
Como as estrelas no ar
Sentem o vento gemer
Sentem o vento gemer
Ouvem as rosas chorar
Só quem embala no peito
Só quem embala no peito
Dores amargas e secretas
É que em noites de luar
É que em noites de luar
Pode entender os poetas
E eu que arrasto amarguras
E eu que arrasto amarguras
Que nunca arrastou ninguém
Tenho alma p'ra sentir
Tenho alma p'ra sentir
A dos poetas também
Voz do escuro
Jorge Fernando / Custódio Castelo
Repertório de Jorge Fernando
Eis que uma voz me encontrou e disse:
Vem que te espero, sózinha sou triste
Alegria em mim já não existe
Porque a solidão, à noite em mim persiste
Onde estás, bonita voz do escuro
Vinde, vinde, sois vós a quem procuro
Essa voz sois vós
Repertório de Jorge Fernando
Eis que uma voz me encontrou e disse:
Vem que te espero, sózinha sou triste
Alegria em mim já não existe
Porque a solidão, à noite em mim persiste
Onde estás, bonita voz do escuro
Vinde, vinde, sois vós a quem procuro
Essa voz sois vós
Quando o sonho em mim sustenta
Essa voz sois vós
Essa voz sois vós
Triste sombra que o sol esquenta
Essa voz sois vós
Essa voz sois vós
Água pura em negra fonte
Essa voz sois vós
Essa voz sois vós
Lua rasa sobre o monte
Porque o tempo não pára
Porque o tempo não pára
E de mim se vai embora
Asa ferida que arde
Asa ferida que arde
No meu peito, agora
Eis que um sinal minha noite abriu
Encheu de luz o meu quarto vazio
Roçou leve nos meus lábios e saiu
Sois a voz que em meu sonho surgiu
Eis que um sinal minha noite abriu
Encheu de luz o meu quarto vazio
Roçou leve nos meus lábios e saiu
Sois a voz que em meu sonho surgiu
Foste só quem Deus te fez
Letra e música de Nuno Rodrigues
Repertório de Jorge Fernando
De que serve contar o tempo
Com ponteiros, sol, ou areia
Se não vais voltar, meu amor
Não sei se és das mais lindas
Repertório de Jorge Fernando
De que serve contar o tempo
Com ponteiros, sol, ou areia
Se não vais voltar, meu amor
Não sei se és das mais lindas
A mais feia
Ou se eras entre as feias
Ou se eras entre as feias
Amais linda
Mas só tu foste meu amor
Foste só quem Deus te fez
E eras feita como ninguém
Se eu pudesse ver-te mais uma vez
A morte levar-me-ia também
Agora só te canto a saudade
De entre todas as saudades
Foste só quem Deus te fez
E eras feita como ninguém
Se eu pudesse ver-te mais uma vez
A morte levar-me-ia também
Agora só te canto a saudade
De entre todas as saudades
A mais triste
Aquela que se tem de alguém
Aquela que se tem de alguém
Que já não existe
Aquela que se tem de alguém
Aquela que se tem de alguém
Que não se tem
Memórias de um chapéu
Aldina
Duarte / Armando Machado *fado cunha e silva*
Repertório de Camané
Quisera então saber toda a verdade
Dum chapéu na rua encontrado
Trazendo a esse dia uma saudade
D'algum segredo antigo e apagado
Sentado junto à porta desse encontro
Ficando sem saber a quem falar
Parado, sem saber qual era o ponto
Em que devia então eu começar
Parada na varanda, estava ela a meditar
Quem sabe se na chuva, no sol, no vento, ou mar
E eu ali parado perdi-me a delirar
Se aquela beleza era meu segredo a desvendar
Porém… apagou-se a incerteza
Eram traços de beleza
Os seus olhos a brilhar
E vendo que outro olhar em frente havia
Só não via quem não queria
E vendo que outro olhar em frente havia
Só não via quem não queria
Da paixão ouvir falar
Um dia...
Entre a memória e o esquecimento
Colhi aquele chapéu envelhecido
Soltei o pó antigo entregue ao vento
Lembrando aquele sorriso prometido
Colhi aquele chapéu envelhecido
Soltei o pó antigo entregue ao vento
Lembrando aquele sorriso prometido
As abas tinham vincos mal traçados
Marcados pelas penas ressequidas
As curvas eram restos enfeitados
De um corte de paixões então vividas
No tempo das Cerejas
Maria de Lourdes Carvalho / Fontes Rocha
Repertório de Gonçalo Salgueiro
Que estranha forma usou Deus
Em dar aos sentidos meus
Um sabor inesperado
Cerejas, recordo bem
Dizias tu, minha mãe
Ser o meu tempo chegado
Parei á beira dum rio
Onde já não sinto frio
Repertório de Gonçalo Salgueiro
Que estranha forma usou Deus
Em dar aos sentidos meus
Um sabor inesperado
Cerejas, recordo bem
Dizias tu, minha mãe
Ser o meu tempo chegado
Parei á beira dum rio
Onde já não sinto frio
Nem vontade de o cruzar
Foi o tempo em que a vida
Toda ela era sentida
Foi o tempo em que a vida
Toda ela era sentida
Sob a luz do teu olhar
Cantando, fui mais além
Eu fui eu, eu sou alguém
Cantando, fui mais além
Eu fui eu, eu sou alguém
Nos versos da minha vida
Trouxe fados nos sentidos
Lágrimas em sonhos perdidos
Trouxe fados nos sentidos
Lágrimas em sonhos perdidos
Numa eterna despedida
P'ra mim foi sempre assim
Tudo começa no fim
P'ra mim foi sempre assim
Tudo começa no fim
Onde quer que me vejas
Pensando partir, fiquei
Presa ao tempo em que me dei
Pensando partir, fiquei
Presa ao tempo em que me dei
Recordando essas cerejas
Apenas desalento
Letra e música de Jorge Fernando
Repertório de Jorge Fernando
Já fui tudo na vida
Repertório de Jorge Fernando
Já fui tudo na vida
P'ra não ser um derrotado
Fui servo, fui guitarra
Fui servo, fui guitarra
Á procura do seu fado
Esperei que o mestre tempo
Esperei que o mestre tempo
Desse luz ao meu destino
Só tive solidão desde menino
Áqueles que apregoam igualdade
Só tive solidão desde menino
Áqueles que apregoam igualdade
Abri a mão
Sequei minha garganta
Sequei minha garganta
De implorar ao coração
Alimentei minha alma
Alimentei minha alma
De conselhos disfarçados
Sobrevivi dos versos inventados
A vida é luz, é cor
Sobrevivi dos versos inventados
A vida é luz, é cor
É som, é flor, é movimento
E eu numa palavra
Sou apenas desalento
Se todos somos gente
A caminhar pró mesmo fim
Porque é que o sol não nasce
A caminhar pró mesmo fim
Porque é que o sol não nasce
Para mim
Sonata de outono
Ary dos Santos / Fernando Tordo
Repertório de Carlos do Carmo
Inverno não ainda, mas Outono
A sonata que bate no meu peito
Poeta distraído, cão sem dono
Até na própria cama em que me deito
Acordar é a forma de ter sono
O presente, o pretérito imperfeito
Mesmo eu de mim próprio me abandono
Se o rigor que me devo, não respeito
Morro de pé, mas morro devagar
A vida é afinal o meu lugar
E só acaba quando eu quiser
Não me deixo ficar... não pode ser
Peço meças ao sol, ao céu, ao mar
Pois viver é também acontecer
A sonata que bate no meu peito
Poeta distraído, cão sem dono
Até na própria cama em que me deito
Acordar é a forma de ter sono
O presente, o pretérito imperfeito
Mesmo eu de mim próprio me abandono
Se o rigor que me devo, não respeito
Morro de pé, mas morro devagar
A vida é afinal o meu lugar
E só acaba quando eu quiser
Não me deixo ficar... não pode ser
Peço meças ao sol, ao céu, ao mar
Pois viver é também acontecer
A tarde já morreu nesta varanda
Diogo Clemente / Fernando Freitas *fado pena*
Repertório de Raquel Tavares
A tarde já morreu nesta varanda
As sombras que se alongam, vão morrer
Depois da tarde, surge a noite branda
Ao certo, tudo surge sem se ver
Tal como a madrugada me surgia
Surgiste como um beijo arrematado
Por alguém que chegou e que partiu
De mim p'ra mim, e em mim ficou parado
Alguém que certamente me adivinha
No ante dos dizeres que nunca digo
Que trás o mar nos braços á noitinha
E tem-me o corpo inteiro como abrigo
Por ver em cada noite uma viagem
Como água que a saudade me alivia
Eu quero estar contigo nesta margem
E fico na varanda até ser dia
Repertório de Raquel Tavares
A tarde já morreu nesta varanda
As sombras que se alongam, vão morrer
Depois da tarde, surge a noite branda
Ao certo, tudo surge sem se ver
Tal como a madrugada me surgia
Surgiste como um beijo arrematado
Por alguém que chegou e que partiu
De mim p'ra mim, e em mim ficou parado
Alguém que certamente me adivinha
No ante dos dizeres que nunca digo
Que trás o mar nos braços á noitinha
E tem-me o corpo inteiro como abrigo
Por ver em cada noite uma viagem
Como água que a saudade me alivia
Eu quero estar contigo nesta margem
E fico na varanda até ser dia
Chegou a hora
Letra e música de Jorge Fernando
Repertório do autor
Chegou a hora de dizer
Chegou a hora de afirmar
Que o fado é canto
Repertório do autor
Chegou a hora de dizer
Chegou a hora de afirmar
Que o fado é canto
Genuíno português
E não há nada que enganar
Chegou a hora de dizer
Chegou a hora de afirmar
Que o seu encanto
E não há nada que enganar
Chegou a hora de dizer
Chegou a hora de afirmar
Que o seu encanto
É quem o canta uma só vez
Não mais o deixa de cantar
Porque é que tantos teimam em dizer
Não mais o deixa de cantar
Porque é que tantos teimam em dizer
Dum modo descuidado
Que o fado não nasceu em Portugal
Que o fado não nasceu em Portugal
Que não é nosso, o fado
E buscam sua origem na distância
E buscam sua origem na distância
Trazido p'las marés
Mas eu sei... que o fado...
Mas eu sei... que o fado...
Só é cantado em português
Por mais que eu tente o jeito de entender
Por mais que eu tente o jeito de entender
Confesso que não posso
Porque é que a gente tarda em afirmar
Porque é que a gente tarda em afirmar
Que o fado é só nosso
Talvez por isso o fado seja triste
Talvez por isso o fado seja triste
Fatalista talvez
Mas eu sei... que o fado...
Mas eu sei... que o fado...
Só é cantado em português
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