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Ninguém ignora tudo, ninguém sabe tudo. Todos nós sabemos alguma coisa, todos nós ignoramos alguma coisa.
Paulo Freire *filósofo* 1921 <> 1997

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Circo ambulante *humor*

Manuel Garcia da Silva
Repertório de Neca Rafael

Já não tinha quem fiasse
Quem me desse ou emprestasse / Qualquer parcela
Vi a família perdida /
E perdida a minha vida
É claro, olhei por ela

Sem chinfrim ou escarcéu / Resolvi tudo num instante
Companhia tinha eu / E fiz um circo ambulante

Com uns barrotes / E uns lençóis a rodar
Quatro pinotes / E já tinha gente a entrar
Entrada a coroa / Geral, bancada ou peão
Já p'ro caldinho e p'ra broa / Não havia aflição

Minha sogra, a trapezista
Era então equilibrista / Minha cunhada
O meu sogro, o Zé trombudo
É quem fazia o faz tudo / Sem fazer nada

Meu cunhado o troca o passo / Já sem que tocasse os passos
É quem fazia o palhaço / P'ra esfolar uns palhaços

Ai a minha filha / Que grande contorcionista
Que maravilha / Quando aparecia na pista
Trabalhos bons / Desde o princípio ao fim
P'ra meter os pés p'las mãos / Eu nunca vi traste assim

Minha esposa, a ilusionista
Nunca vi melhor artista / Nem pode haver
Porque que tudo quanto via
Aquele diabo fazia / Desaparecer

Vejam que aquela mulher / De truques com excelência
Fez-me até desaparecer / O dinheiro e a paciência

Ah! mas que invisível / Trabalho de ilusionista
É impossível / Haver assim uma artista
Trabalhos dela/ Iguais nunca vi fazer

Até desapareceu ela / E não voltou a aparecer