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Fado português

José Régio / Alain Oulman
Repertório de Amália

O fado nasceu um dia
Quando o vento mal bulia / E o céu, o mar prolongava.
Na amurada dum veleiro
No peito dum marinheiro / Que estando triste cantava

Ai que lindeza tamanha
Meu chão, meu monte, meu vale
De folhas, flores, frutas de oiro...
Vê se vês terras de Espanha
Areias de Portugal
Olhar ceguinho de choro

Na boca dum marinheiro / Do frágil barco veleiro
Morrendo a canção magoada
Diz o pungir dos desejos
Do lábio a queimar de beijos / Que beija o ar e mais nada

Mãe adeus, adeus Maria
Guarda bem no teu sentido
Que aqui te faço uma jura...
Que, ou te levo á sacristia
Ou foi Deus que foi servido
Dar-me no mar, sepultura

Ora eis que embora outro dia
Quando o vento nem bulia / E o céu o mar prolongava
Á proa doutro veleiro
Velava outro marinheiro / Que estando triste cantava